sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Comunidade Ascensão do Senhor: Natal violento - rezemos por Zezito Nery da Rádio ...

Comunidade Ascensão do Senhor: Natal violento - rezemos por Zezito Nery da Rádio ...: "O radialista Zezito Nery, operador de áudio da Rádio Excelsior e um dos diretores do SINTERP, teve sua residência invadidas por desconhec..."

Radialista Zezito Néri alvejado por um tiro dentro da própria casa. E aí SSP/BA? Vão apurar de verdade?




RADIALISTA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA É INTERNADO NO HOSPITAL

O radialista Zezito Néri, funcionário da Rádio Excelsior da Bahia e um dos diretores do SINTERP, teve sua residência invadida por desconhecidos, na manhã de quarta-feira (15/12), e foi alvejado por um tiro, encontrando-se internado em um hospital de Salvador.

É lá que concentram-se seus familiares e amigos, aguardando por boas notícias e realizando visitas. O branco dos jalecos toma conta do local. Ironicamente, branco é a cor da paz, um estado que buscamos incessantemente e que parece cada vez mais difícil de ser alcançado. A paz que desejamos para encerrar este ano e encarar 2011 de frente, olho no olho, haja o que houver. Uma semana antes do Natal, período em que a paz é semeada entre os seres humanos, nosso colega foi baleado, mostrando que a barbárie da violência não respeita mais nada.

Morador de Marechal Rondon, Zezito é figura popular na vizinhança. Sua filha Andréia revelou que chegou na sala de sua casa e viu dois bandidos na porta. “Por quê você atirou no meu pai?”- ela perguntou. Eles não responderam, pois para isso não existe resposta. Nada justifica a violência. Mesmo entregando a chave do carro, a família não pôde evitar que ele fosse baleado. Registraram queixa na delegacia e ainda aguardam as providências da polícia.

A média de assassinatos na Região Metropolitana de Salvador chega a oito por dia, a maioria decorrente de arma de fogo. A violência em Salvador aumentou 177% nos últimos dez anos. Em 2010 foram mais de 1846 homicídios. Essas estatísticas já não nos apavoram mais, parecem corriqueiras. Estamos acostumados a conviver com isso. Mas, você já parou para pensar no que significa oito pessoas morrerem por dia? Não de morte natural, mas vítimas de agressão. Você já parou para pensar no quão violenta é a nossa sociedade? Trabalhadores são assassinatos e a polícia não toma providência alguma.

A esposa de Zezito, Rita Celeste de Jesus, afirmou que uma pessoa bateu na porta, o cunhado foi atender e voltou correndo dizendo que um homem armado estava lá. “Não se pode mais chegar na janela que a violência está tomando conta da nossa rua, mas não pensei que ela fosse entrar dentro da minha casa. Aqui vivem famílias, todo mundo lutando para vencer na vida. Nunca pensei que isso fosse acontecer”, explicou.

Em 2002, morriam no Brasil, vítimas de homicídio, proporcionalmente 46% mais negros do que brancos e em 2007, cinco anos depois, essa proporção se elevou para 108%. A população negra de Salvador é ainda mais atingida pela violência do que os demais. Jovens negros são assassinados a todo momento no país e na cidade e ninguém faz nada. O SINTERP repudia a violência que toma conta da nossa sociedade e reivindica que as autoridades tomem providências para encontrar os responsáveis pela agressão contra
o colega. Enquanto não descobrirmos os culpados não poderemos descansar, pois mais pessoas inocentes podem estar sendo vitimizadas neste momento.

No hospital, um bebê dava alta da UTI. Era a promessa de uma nova geração chegando. Geração que vai mudar a nossa sociedade. Geração que vai germinar no Brasil como um novo ano.Que ele chegue trazendo mais amor no coração das pessoas.



(Sinterp)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Comissão aprova apuração de violência doméstica sem denúncia da vítima.

AGÊNCIA CÂMARA
16/12/2010 13:37

Comissão aprova apuração de violência doméstica sem denúncia da vítima

Arquivo - Luiz Alves

Jô Moraes: às vezes o agente público não observa as medidas de forma dili- gente e a vítima sofre novos males. 
 
A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, nesta quarta-feira (15), proposta que determina a apuração de crime de violência doméstica ou contra a mulher independentemente de denúncia da vítima. O texto aprovado foi o substitutivoEspécie de emenda que altera a proposta em seu conjunto, substancial ou formalmente. Recebe esse nome porque substitui o projeto. O substitutivo é apresentado pelo relator e tem preferência na votação, mas pode ser rejeitado em favor do projeto original. da deputada Jô Moraes (PcdoB-MG) ao PL 5297/09, da deputada Dalva Figueiredo (PT-AP). O projeto altera a Lei Maria da Penha (11.340/06).
O texto aprovado acrescenta duas medidas à proposta original, que desvincula a apuração de crime de violência doméstica à denúncia da vítima, para garantir a apuração e punição desses delitos.
A primeira medida proíbe, para crimes dessa natureza, independentemente da pena prevista, a aplicação de procedimentos previstos na Lei dos Juizados Especiais (9.099/95), como substituição de auto de prisão em flagrante por termo circunstanciado, dispensa de fiança, suspensão condicional do processo e representação nos crimes de lesão corporal leve, entre outros.
Pela inclusão do substitutivo, o agente público que não adotar as providências previstas na Lei Maria da Penha responderá pelo crime de prevaricação quando dessa omissão resultar lesão corporal ou morte. O Código Penal (Decreto-lei 2.848/40) define prevaricação como o ato de retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. A pena prevista é de detençãoA detenção é um dos tipos de pena privativa de liberdade. Destina-se a crimes tanto culposos (sem intenção) quanto dolosos (com intenção). Na prática, não existe hoje diferença essencial entre detenção e reclusão. A lei, porém, usa esses termos como índices ou critérios para a determinação dos regimes de cumprimento de pena. Se a condenação for de reclusão, a pena é cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. Na detenção, cumpre-se em regime semi-aberto ou aberto, salvo a hipótese de transferência excepcional para o regime fechado. Há ainda prisão simples, prevista para as contravenções penais e pode ser cumprida nos regimes semi-aberto ou aberto. de três meses a um ano e multa.
"Embora a Lei Maria da Penha preveja a adoção de medidas para proteger a mulher em iminência de sofrer ou de já ter sofrido violência doméstica, há casos em que o agente público não observa tais medidas de forma diligente e a vítima acaba sofrendo novos males", argumenta Jô Moraes.
Decisão do STJ
Em outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a ocorrência registrada na delegacia pela mulher agredida, juntamente com o exame de lesão corporal, é suficiente para a abertura de processo penal contra o agressor com base na Lei Maria da Penha. O tribunal manifestou esse entendimento ao julgar recurso em que o acusado pediu habeas corpus alegando que não havia representação formal contra ele.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado ou rejeitado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., ainda deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Data de Apresentação: 27/05/2009
Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões - Art. 24 II
Regime de tramitação: Ordinária
Situação: CCJC: Aguardando Designação de Relator.

Ementa: Altera o art. 16 da Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para estabelecer que a ação penal nos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher é pública e incondicionada.
Indexação: Alteração, Lei Maria da Penha, ação penal pública incondicionada, violência doméstica, violência familiar, exceção, ameaça, lesão corporal leve, crime culposo, representação, mulher, ofendido, critérios, renúncia.
Despacho:
10/6/2009 - Às Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania (Mérito e Art. 54, RICD). Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões - Art. 24 II Regime de Tramitação: Ordinária


Legislação Citada

Pareceres, Votos e Redação Final

   CSSF (SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA)

       PAR 1 CSSF (Parecer de Comissão)
       PRL 1 CSSF (Parecer do Relator) - Jô Moraes
       PRL 2 CSSF (Parecer do Relator) - Jô Moraes

Substitutivos

   CSSF (SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA)

       SBT 1 CSSF (Substitutivo) - Jô Moraes

Apensados
    
PL 6929/2010

Última Ação:

Data  
15/12/2010 -  Comissão de Seguridade Social e Família  (CSSF) -  Aprovado o Parecer por Unanimidade.
16/12/2010 -  Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania  (CCJC) -  Recebimento pela CCJC, com a proposição PL-6929/2010 apensada.

Andamento

Obs.: o andamento da proposição fora desta Casa Legislativa não é tratado pelo sistema, devendo ser consultado nos órgãos respectivos.
Data  
27/5/2009 PLENÁRIO  (PLEN)
Apresentação do Projeto de Lei pela Deputada Dalva Figueiredo (PT-AP).
(íntegra)




 

Mulheres agredidas perdem serviço assistencial.



“É uma insensibilidade muito grande. Não estamos pedindo nada mais do que o nosso próprio direito”, desabafou a dirigente do Fórum de Mulheres do Mercosul na Bahia, Vera Mattos.

Serviço ainda mais lento e burocrático, soluções proteladas e medidas de urgência com prazos indefinidos para serem expedidas. Sem as atividades do núcleo psicossocial da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, o atendimento às vítimas deste tipo de agressão tornou-se incompleto e ineficiente na capital baiana.

O núcleo integrava a equipe multidisciplinar – prevista na Lei Maria da Penha– e atendia no local desde 2008, ano de fundação da vara, mas as assistentes sociais e psicólogas responsáveis não tiveram os contratos renovados pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e, desde outubro, os serviços estão suspensos.

De acordo com a lei, cabe a essa equipe o desenvolvimento do trabalho de orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas voltadas para a mulher ofendida, agressor e familiares. “Havia um grupo de orientação a mulheres vítimas de violência e dois grupos de homens que haviam praticado algum tipo de agressão. Todos estão suspensos”, afirma Jaqueline Meire de Oliveira, ex-assistente social do núcleo.

Caminho - “É comum julgar e não mostrar o caminho. O grupo mostrava o caminho. As psicólogas faziam um ótimo trabalho". A declaração é de A. S., 23 anos, que foi preso depois de agredir a esposa. Ele é um dos 69 homens que teve a prisão preventiva decretada em Salvador, após agredir mulheres, de acordo com dados fornecidos pelo TJ-BA.

Ao conquistar a liberdade, passou a integrar um dos grupos de acompanhamento psicossocial da 1º Vara. Ele conta que o grupo contribuiu bastante na relação entre ele a esposa, que o perdoou. A. S. não conseguiu concluir o trabalho de 12 semanas com o grupo, mas espera voltar ao acompanhamento.

“Não posso dizer que melhorou bastante, porque o trabalho não teve continuidade, mas melhorou. Quando era pequeno, eu via meu pai espancando minha mãe. Com o grupo, eu já estava tendo outra visão disso”, revela.

Sem prejuízo - Procurado pela reportagem, o TJ-BA informou, por meio da assessoria, que não há prejuízo no atendimento às mulheres vítima de violência em Salvador e que o núcleo psicossocial integrará o Serviço de Apoio e Orientação Familiar (SAOF), que já existe para atender outras varas.

De acordo com o órgão, a 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, única em toda a capital baiana, registrou 7.504 processos, até dezembro.

Protesto - Integrantes de movimentos em defesa das mulheres protestaram nesta quarta-feira, 15, em frente ao prédio do TJ-BA, pelo retorno do núcleo psicossocial à vara de justiça especializada.

Na manifestação, criticaram a postura do tribunal. “É uma insensibilidade muito grande. Não estamos pedindo nada mais do que o nosso próprio direito”, desabafou a dirigente do Fórum de Mulheres do Mercosul na Bahia, Vera Mattos.

A assessoria do tribunal argumenta que a renovação do serviço com as assistentes e psicólogas pelo modelo Reda (Regime Especial de Direito Administrativo) seria inconstitucional, pois as contratações nesse regime foram suspensas em todo o Estado.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A TARDE desta quinta-feira, 16, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5662870

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fundação Jaqueira terá curso para cuidadores no dia 27 de dezembro. Inscreva-se logo.



A Fundação Jaqueira terá o último curso para qualificação de Cuidadores para Idosos agora no dia 27 de dezembro,a partir das 8h no salão paroquial da Igreja da Graça. Este módulo deverá acontecer de segunda até quinta pela manhã.

Quem estiver interessado deverá buscar o boleto bancário na banca de revista Nossa Senhora das Graças, em frente a Igreja da Graça, lateral do Banco do Brasil.

O valor é de R$120,00 (cento e vinte reais) e deverá ser pago em casa lotérica.

Os documentos deverão ser entregues no inicio do curso:RG, CPF, comprovante de residencia e antecedentes criminais. Duas fotos 3X4 recentes. Exigencia do segundo grau completo.

Antecipe sua inscrição e qualifique-se para a atividade mais procurada desta próxima década.

Informações exclusivamente pelo celular 71 96196129.

Somente serão considerados inscritos alunos com taxas pagas, razão pela qual o comprovante deverá ser mostrado no primeiro dia de aula.

Desejamos êxito a todos. Invista em seu futuro e no de quem vc ama.

Em parceria com o Movimento Graça Solidária.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Os escudeiros de Dilma.


 
Brasil
|  N° Edição:  2144 |  10.Dez.10 - 21:00 |  Atualizado em 11.Dez.10 - 16:45
 
 

Os escudeiros de Dilma

Assessores da ex-ministra há mais de uma década, Anderson Dorneles e Giles Azevedo serão os responsáveis por gerir a vida pessoal da presidente eleita

Hugo Marques

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FILHO
Anderson começou a trabalhar
como office boy de Dilma, quando tinha apenas 14 anos

Ninguém desfruta mais da intimidade da presidente eleita, Dilma Rousseff, do que dois fiéis escudeiros que a acompanham para onde quer que ela vá desde meados da década de 90. Leais, da mais extrema confiança da presidente e sempre disponíveis a qualquer hora do dia ou da noite, o geólogo Giles Carriconde Azevedo e o estudante de direito Anderson Braga Dorneles são quase apêndices indissociáveis de Dilma. Cabe a esses dois gaúchos a responsabilidade de resolver desde questões estritamente pessoais, como checar o saldo bancário da ex-ministra, até despachar importantes personalidades do mundo do poder que não possam ser atendidas por Dilma em algum momento pouco oportuno. Os dois chegam a palpitar em discussões políticas de cunho mais restrito – Dilma conta que gosta de ouvi-los. A partir de 1º de janeiro, caberá a eles o papel de cuidar – e também blindar – da vida de Dilma Rousseff enquanto presidente. Giles será o chefe do Gabinete Pessoal da presidente e Anderson continuará a ser o que vem sendo desde que era adolescente: um faz tudo de luxo de Dilma.

Anderson, o mais novo dos dois – ele tem 31 anos e Giles 49 – iniciou sua carreira exatamente como office boy oficial da presidente eleita, aos 14 anos. Já Giles assessora Dilma politicamente desde a época em que ambos eram filiados ao PDT de Leonel Brizola, partido em que a presidente eleita iniciou sua carreira pública, em Porto Alegre, em 1985, como secretária municipal de Fazenda. Quando Dilma migrou para o PT de Lula, Giles foi junto. Há quem diga até que foi ele quem ajudou a convencê-la a mudar de partido. "O Anderson e o Giles são pessoas de extrema confiança da presidente", diz um ministro de Dilma. "Eles representam a lealdade e a confiança e estão sempre prontos a ajudá-la."

"Ele é tão ligado a Dilma que, quando vai jogar futebol, fica com
o celular na mão, para o caso de a presidente precisar dele"
Depoimento de um amigo de Anderson



Quando o assunto é saldo bancário, alimentação de dados no notebook e problemas familiares, Dilma confia todas as tarefas a Anderson. Confirmado na assessoria pessoal dela no novo governo, ele foi praticamente adotado como filho pela presidente eleita. Começou a trabalhar com Dilma em 1993, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul. Depois, passou de office boy a assessor pessoal, prestando serviços inclusive para o ex-marido de Dilma Carlos Franklin Araújo, então deputado estadual pelo PDT. Anderson acompanhou Dilma em todos os cargos que ela ocupou no Rio Grande do Sul e em Brasília. Não foram poucas as vezes que as autoridades que tinham agenda com Dilma ouviam o grito da então ministra: "Anderssonnnn....". Quase sempre, Dilma estava atrás da atualização dos seus dados no computador ou de alguma tarefa interna no Palácio.

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ARQUIVO
Nos últimos dez anos, todos os compromissos
políticos de Dilma foram agendados por Giles


A intimidade entre a presidente eleita e Anderson é tão grande que ele tem carta branca para servir o café da manhã de Dilma em seu quarto, onde quer que ela esteja, participar de reuniões confidenciais e ainda atender telefonemas de autoridades, a quem muitas vezes dispensa educadamente. Com tanta aproximação, Anderson é quem acaba recebendo a primeira carga de reações sentimentais de Dilma diante de temas delicados do cotidiano do poder, muitas vezes cercados de tensão. Dilma é perfeccionista, nem sempre disposta a conviver com falhas, principalmente as que revelam pouca aplicação. Não por acaso, portanto, Anderson, apesar da pouca idade, teve duas crises de estresse, uma no governo e outra durante a campanha. Da última vez, precisou sair de férias por uma semana para se recuperar. Tamanha intimidade e tantos anos de convivência já foram combustível para discussões acaloradas, que chegaram ao ponto de agressivos bate-bocas entre comandado e comandante. "O Anderson é tão ligado a Dilma que ele vai jogar futebol e fica com o celular na mão, para o caso de a presidente precisar dele", diz um amigo.

Enquanto Anderson cuida estritamente da vida pessoal da presidente eleita, cabe a Giles ser o guardião do dia a dia da persona política e profissional da ex-ministra. Nos últimos dez anos, não há uma reunião, um encontro político ou mesmo uma conversa ao pé do ouvido que não tenha passado por Giles. Entre os amigos, ele é chamado de arquivo vivo da vida pública da presidente. Na Casa Civil, ele ajudava na intermediação com os parlamentares, anotando e discutindo as reivindicações, arrumando desculpas para adiar encontros ou mesmo mudando a lista de compromissos de Dilma para encaixar algum interlocutor importante. Na campanha eleitoral, seu cargo foi oficialmente batizado de chefe da coordenação de agenda. Ele já exercia essa tarefa no Ministério de Minas e Energia, comandado por Dilma. Agora, está confirmado como chefe do Gabinete Pessoal da presidente.

"Giles é um operador silencioso e eficiente. Ele recuperou
a Gás Sul, que havia sido dilapidada para ser vendida"
Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul



Em 2000, durante o governo de Olívio Dutra, Giles assumiu, por indicação de Dilma, a presidência da Sul Gás, a estatal gaúcha responsável pela distribuição do gás natural vindo da Bolívia no Rio Grande do Sul. "O governo anterior tinha colocado a empresa em um cantinho para privatizá-la, mas o Giles, um operador silencioso e eficiente, recuperou a Sul Gás", diz o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, afagando o ego do agora importante ex-subordinado. Faz bem. De uma forma ou de outra, quem quiser se aproximar da presidente eleita a partir de janeiro terá que, antes, passar por Giles e Anderson.

 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Ira dos Intolerantes.

Lucy Andrade


A intolerância e preconceito sexual ainda estão enraizados na sociedade brasileira. Neste ano, 175 homossexuais já morreram vítimas do preconceito, destes, cerca de 70% era gays, 27% travestis e 3% de lésbicas.

Em 2009, foram registradas 198 mortes decorrentes da violência. O antropólogo, historiador e pesquisador, Luiz Roberto de Barros, mais conhecido como Luis Mott, um dos mais notáveis ativistas brasileiros em favor dos direitos civis das pessoas de minoria sexual, ou seja, gays, lésbicas e bissexuais, explicou em exclusividade à Tribuna, a motivação de tantos assassinatos, assim como a intolerância religiosa e a lei que criminaliza a homofobia. Para ele, o Brasil, apesar de não ser o país mais homofóbico do mundo, é o país líder em assassinatos de homossexuais.

Tribuna da bahia - Como você vê os recentes acontecimentos em São Paulo, com o espancamento de gays em plena Avenida Paulista?
Luis Mott - A bruxa está solta. A maior visibilidade e a conquista de espaços públicos por parte de homossexuais provocam a ira dos mais intolerantes, que estavam acostumados a um complô do silêncio. Os próprios homossexuais não se expunham para evitar situações de risco. Há anos, na Bahia, quando passava um gay e os machistas percebiam, eles gritavam: ‘Tchibum’. Como dizendo: ‘Ali passa o veado, vamos caçar o veado’. Era uma forma de desmascarar. Hoje, as pessoas partem para a agressão física, como aconteceu em 2000 com o Edson Neri, na Praça da República, em São Paulo, que foi o caso mais emblemático. Ele foi trucidado por um bando de carecas neonazistas. Acho que essa visibilidade incomoda.

TB - Você acredita que os constantes atos de violência ocorridos em paradas gays são uma coincidência?
Luis Mott - O Brasil é o país líder em assassinatos de homossexuais. Não é o país mais homofóbico do mundo, porque não tem as leis, como no Egito ou no Iraque, onde os homossexuais podem ser executados, mas, a cada dois dias, um gay ou um travesti sofrem algum tipo de constrangimento ou agressão. O Brasil tem um lado cor de rosa, que é representado pelas paradas gays, tem mais de 200 paradas e a maior parada gay do mundo; tem a maior associação LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) da América Latina; tem o Programa Brasil Sem Homofobia, ou seja, conquistou muitos avanços, mas tem um lado vermelho de sangue. Ao mesmo tempo, é um País que tem esse componente de agressividade letal. Em 2009, foram 198 assassinatos documentados. Em 2010 já são 175 assassinatos. A tendência é que feche o ano ou no mesmo número ou em número maior.

TB - A principal justificativa desses assassinatos é o preconceito, a aversão aos homossexuais?
Luis Mott - Sim. São crimes em que a vulnerabilidade da vítima é fator fundamental. O assassino parte do pressuposto que o gay é frágil, afeminado, é presa fácil. Há casos em que o gay gritou pedindo socorro e a vizinha não foi porque teve medo ou porque não tinha nenhuma solidariedade. Há ainda outro fator, que chamamos de homofobia cultural. Por que a travesti está fazendo pista (se prostituindo) e, muitas vezes, está envolvida no crack? Porque ela foi jogada, foi expulsa para a margem da sociedade. Então, mesmo nos crimes em que há envolvimento com droga ou nos casos de latrocínio praticado por rapazes de programa, que transam com o gay e depois matam e roubam a vítima.

TB - O que leva uma pessoa a ser homofóbica, a ponto de agredir e até cometer assassinato?
Luis Mott - Acho que essa violência contra homossexual é uma forma de afirmação da masculinidade. A homofobia e os crimes de morte têm a ver com uma afirmação do machismo, da virilidade e com a ideia de, sobretudo quando o gay é assassinado por rapaz de programa, uma questão de classe. Considero que o machismo brasileiro e o latino-americano têm raiz histórica no escravismo. Os brancos machos, donos do poder, eram menos de 20% da população. Então, para manter os outros 80% da população submissos, explorados, o macho latino-americano tinha que ser super, violento e viril. Qualquer afeminação podia representar uma possibilidade de os oprimidos tomarem conta.

TB - Qual a sua posição diante das reações negativas de grupos religiosos à possibilidade da aprovação da lei que criminaliza a homofobia?
Luis Mott - As igrejas cristãs, em geral, têm as mãos sujas de sangue, pela intolerância que divulgam nos púlpitos e nas televisões. As igrejas Pentecostais, Universal, Assembleia de Deus, que têm como líderes Malafaia, (Marcelo) Crivella e Magno Malta são nossos maiores inimigos. Particularmente, esse Papa Bento XVI se distinguiu, desde quando era assessor de João Paulo II, como sendo o mais intolerante dos papas dos últimos séculos. Ele disse: ‘O homossexualismo é intrinsecamente mau. Então, a partir daí é que as igrejas protestantes, inclusive muçulmanos, impediram que na Organização das Nações Unidas (ONU) fosse incluída a orientação sexual como direito humano fundamental. Vai chegar uma época em que o papa e essas igrejas vão pedir desculpas de joelhos aos homossexuais, como a igreja já pediu desculpas aos judeus, negros e índios.

TB - Você diria que, hoje, o direito de ter uma opção sexual, digamos, não convencional, avançou em relação há 30 anos, quando fundou o GGB?
Luis Mott - Há mais de 20 anos que o Grupo Gay da Bahia pleiteia a equiparação da homofobia ao racismo. Bastava para nós que os mesmos insultos, agressões, discriminações que são categorizados, no caso do racismo, como crime inafiançável, que fossem na mesma extensão para os delitos em relação à orientação sexual. Porém, esse projeto de lei, da Iara Bernardi (PT), que é a autora original do projeto, foi muito detalhado. Inclusive, como aconteceu com a lei de Juiz de Fora (Lei Municipal nº 9791, conhecida por ‘Lei rosa’), permitindo afeto em público por homossexuais...

TB - Como os defensores dos direitos dos homossexuais pretendem agir em relação à lei anti-homofobia?
Luis Mott - A aprovação é fundamental, sobretudo, para marcar a presença de 10% da população brasileira constituída por LGBTs, que vão ter o mínimo de proteção legal. Na Constituição de 1988, não foi incluído a proibição de discriminar por orientação sexual e isso permite que juízes, delegados, policiais digam que discriminar gay não é crime. Em outros países, há leis severas contra a homofobia. Acho que o projeto de lei é importante porque tipifica os delitos de homofobia e, sendo aprovado, vai inibir a prática no dia a dia, mas não tem nada sobre a violência letal. Falta no projeto uma explicitação sobre isso.



Publicada: 08/12/2010 07:43| Atualizada: 08/12/2010 07:42
Fonte: Tribuna da Bahia

Pai de Michael Jackson visita o Olodum.


O pai do cantor Michael Jackson, Joe Jackson, visitou na tarde desta quinta-feira (9), a sede do Olodum, bloco afro que em 1996 gravou com o rei do pop. Joe que está em Salvador para divulgação do livro "O Que Realmente Aconteceu a Michael Jackson”. O lançamento será nesta quinta-feira, às 19 horas na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi.

Na chegada ao Pelourinho, Joe que estava acompanhado do ex-produtor de Michael, Leonard Rowe, foi muito assediado, principalmente por turistas. Ele foi recebido pelo presidente do Olodum, João Jorge e conheceu as obras da entidade.

Michael Jackson gravou com o Olodum, em 1996, nas ruas do Centro Histórico, o clipe da música “They Don’t Care About Us”. Mais de 215 percussionistas da banda contracenaram com o cantor, na gravação que foi comandada pelo norte-americano Spike Lee.

Michael Jackson Duet with Akon - Hold My Hand

Michael Jackson Duet with Akon - Hold My Hand


ATO PÚBLICO CONTRA O DESCOMPROMISSO DO TJ - BAHIA COM O FUNCIONAMENTO DA 1º VARA DA LEI MARIA DA PENHA EM SALVADOR

 ATO PÚBLICO CONTRA O DESCOMPROMISSO DO TJ - BAHIA COM O FUNCIONAMENTO DA 1º VARA DA LEI MARIA DA PENHA EM SALVADOR, no dia 15 de dezembro, às 9 h, para o qual convidam todas as organizações e mulheres do movimento.

 

 

Para o movimento de mulheres em Salvador e RMS,

Não sei quantas estão sabendo que o atendimento psicossocial da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra Mulheres foi suspenso porque o Tribunal de Justiça não renovou o contrato da equipe de psicólogas e assistentes sociais (contrato tipo REDA, que legalmente ainda podia ser renovado por mais dois anos), nem usou outra alternativa para garantir a continuidade do serviço. Antes que se expirasse o prazo de contrato inicial da equipe, o GT da Rede de Atenção a Mulheres em Situação de Violência de Salvador e RMS teve uma audiência com Dra. Telma Brito, Presidente do Tribunal de Justiça,  para manifestar sua preocupação e para solicitar uma solução, sem resultado.

Como a não realização do atendimento psicossocial na Vara implica em prejuízo para o andamento dos processos e para a qualidade da atenção apresentada às mulheres, representando um retrocesso no enfrentamento à violência de gênero no estado da Bahia, o GT da Rede de Atenção a Mulheres em Situação de Violência, a Comissão Organizadora das Vigílias pelo Fim da Violência contra Mulheres (de Salvador), e outras organizações do movimento de mulheres e feminista estão organizando um ATO PÚBLICO CONTRA O DESCOMPROMISSO DO TJ - BAHIA COM O FUNCIONAMENTO DA 1º VARA DA LEI MARIA DA PENHA EM SALVADOR, no dia 15 de dezembro, às 9 h, para o qual convidam todas as organizações e mulheres do movimento.

 

Também elaboraram um ABAIXO-ASSINADO dirigido ao Tribunal de Justiça para o qual estão colhendo assinaturas até a manhã do dia 15, quando o entregarão, formalmente, no protocolo do TJ. Quem quiser participar da coleta de assinaturas pode imprimir o abaixo-assinado (anexo) e levá-lo, com as assinaturas coletadas, no dia 15, às 9 h.

 

 

E, quem quiser "assinar eletronicamente", deve escrever para abaixoassinado1@ig.com.br, dando seu nome completo (ou de sua organização) e o número de sua carteira de identidade (e o CNPJ da organização).

 

No dia 10/12, das 12:30 às 14 h, faremos outra reunião, no CESAT (esquina da rua Araújo Pinho e Pedro Lessa, no Canela) para avaliar o encaminhamentos e finalizar a preparação do ATO; sintam-se convidadas.

Esperamos contar com grande parte de vocês, se possível levando faixas e cartazes, no ATO na frente do Tribunal de Justiça, às 9 h da manhã do próximo dia 15.

Comissão de Organização do ATO








Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil
do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mémbro da Rede Nacional de Direitos Humanos.
Membro do Estado de Paz.
Visitem:
http://www.forummulheresmercosul.blogspot.com

 

domingo, 5 de dezembro de 2010

Vitória rebaixado.Infelizmente.


A última vaga na Série A é do Atlético-GO, que empatou em 0 a 0 com o Vitória, na tarde deste domingo, no Barradão. Com os mesmos 42 pontos, o Dragão se garantiu na elite por ter duas vitórias a mais que o Leão. Assim, depois de três anos na Primeira Divisão, o time baiano, finalista da Copa do Brasil-2010, voltará a disputar a Série B.

Surpreendendo a todos, o técnico Antônio Lopes optou por escalar o Vitória com três atacantes: Henrique, Júnior e Adaílton. Mas a nova formação não surtiu efeito. Isso porque o Rubro-Negro seguia jogando como nas rodadas anteriores, explorando o lado direito.

Com a vantagem debaixo do braço, o Atlético-GO mostrava-se mais tranquilo, mas isso sem precisar jogar na retranca. Já o time da casa estava visivelmente nervoso. Tanto que, em saída de bola errada, Egídio perdeu a bola para Marcão, que tenta surpreender Viáfara com chute de longe, mas viu a bola ir longe demais.

Mesmo com os gritos de Antônio Lopes, o Vitória não se acertava em campo. Pressionava o Dragão, mas de forma totalmente desorganizada. Em um avanço pela direita, a bola sobrou para o jovem Adaílton, que arriscou um chute torto. Vendo que o jogo estava complicado, a torcida, que deveria ser um trunfo do Leão, permanecia calada.

Mas os torcedores puderam se animar um pouco (apenas um pouco) na volta do intervalo. Com Elkeson no lugar de Adaílton, o Vitória começou a jogar tentando unir meio de campo e ataque. Em um lance, Elkeson cruzou da direita e Júnior mergulhou, mas a boa cabeçada foi para fora.

A resposta do Atlético-GO, porém, foi rápida. Anderson Martins falhou na hora do corte e a bola sobrou para Juninho, que arrancou sozinho, sem marcação. Na frente de Viáfara, o atacante driblou o camisa 1, chutou, mas, antes de a bola entrar, Neto Coruja tirou perto da linha. Depois dessa jogada, o Dragão passou a defender, enquanto o Vitória tentava, de todos os jeitos, abrir o placar.

Mas, se a situação já estava complicada, ela ficou ainda mais. Isso porque Gabriel Paulista aplicou entrada criminosa em Anaílson e recebeu o cartão vermelho imediatamente. Com um homem de defesa a menos, o Vitória passou a jogar no coração. Mas não foi suficiente. O Leão troca de lugar com o Bahia, para delírio dos torcedores do Tricolor de Aço.

FICHA TÉCNICA:

VITÓRIA 0 X 0 ATLÉTICO-GO

Local: Barradão, em Salvador (BA)

Data/Hora: 5/12/2010 - 17h (de Brasília)

Árbitro: Sálvio Spinola (SP-Fifa)

Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (SP-Fifa) e Carlos Berkenbrock (SC-Fifa)

Cartões amarelos: Júnior, Egídio, Uelliton (VIT); Welton Felipe, Agenor, Márcio, Juninho, Robston (ATG)

Cartões vermelhos: Gabriel Paulista (VIT - 37'/2T)

VITÓRIA: Viáfara, Jonas, Gabriel Paulista, Anderson Martins e Egídio; Neto, Uelliton e Fernando (Ramon, 13'/2T); Henrique (Schwenck, 35'/2T), Júnior e Adaílton (Elkeson, intervalo). Técnico: Antônio Lopes.

ATLÉTICO-GO: Márcio, Adriano, Gílson, Welton Felipe e Thiago Feltri; Agenor, Pituca, Róbston e Elias (Anaílson, 29'/2T; Juninho (William, 43'/2T) e Marcão. Técnico: René Simões.

Grupo palaciano é “vacina” contra inabilidade política


Ao fixar, como tudo indica, o trio Palocci-Padilha-Carvalho no coração do governo, Dilma Rousseff instala ao seu lado o reforço político necessário para compensar qualquer possível deficiência que se possa alegar da parte da presidente eleita em matéria de articulação ou jogo de cintura no trato com dirigentes partidários, parlamentares, líderes sociais, gestores políticos de todas as esferas. Trata-se de uma espécie de vacina tríplice, sem falar no reforço de Michel Temer, que sempre pode ser convocado.
É um indicativo claro de que Dilma vai delegar tarefas nesta área, vai passar a bola – o que não deixa de ser boa notícia. Palocci é de longa data um especialista em amansar leões. É visto como negociador habilidoso e confiável por setores tanto da economia quanto da política. Padilha é bem quisto e conquistou trânsito entre as bancadas no Congresso. Gilberto Carvalho é o tipo da peça tão perfeita no papel de homem de confiança do presidente que ninguém ousa trocar.
E se for preciso reforço, tem plano B: entram em ação Eduardo Cardozo, que será instalado na Justiça, com carta branca para atuar em articulação com o grupo palaciano, e Paulo Bernardo, que deverá ser confirmado nas Comunicações, e é tido como o santo resolvedor das causas impossíveis, desde os tempos de deputado.
 

 

Dilma é a 16ª pessoa mais poderosa do mundo.


Governo

Forbes: Dilma é a 16ª pessoa mais poderosa do mundo

Presidente eleita estreia na lista à frente de Lula, o 33º mais poderoso em 2009

A presidente eleita Dilma Rousseff, do PT
A presidente eleita Dilma Rousseff, do PT (Nelson Antoine/AP)
A presidente eleita Dilma Rousseff foi considerada pela revista Forbes a 16ª pessoa mais poderosa do mundo. Em lista divulgada na quarta-feira, a brasileira aparece à frente de nomes como Steve Jobs, o chefão da Apple, que ocupa a 17ª colocação, e Nicolas Sarkozy, presidente da França, que aparece em 19º.

Antes mesmo de assumir o poder, Dilma aparece à frente de seu padrinho político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na listagem de 2009, Lula, que já contava sete anos de mandato, ocupava a 33ª colocação no ranking da Forbes. A publicação traz ainda um pequeno perfil da petista.

"Escolhida a dedo por Lula para sucedê-la, Dilma está tomando as rédeas para se tornar a primeira mulher a presidir o Brasil. Embora não tenha conseguido uma votação arrebatadora e a vitória no primeiro turno, como seu partido esperava, bateu seu adversário com 56% dos votos na eleição de 31 de outubro. Dilma irá comandar a maior economia da América Latina", diz o texto. A revista ainda destaca que a presidente eleita foi presa e torturada nos tempos em que era guerrilheira, já se divorciou duas vezes e sobreviveu a um câncer linfático.

A Forbes selecionou 68 personalidades entre os 6,8 bilhões de habitantes do planeta. A pessoa mais poderosa do mundo, segundo a revista, é o presidente chinês Hu Jintao. Como descreve a publicação, Hu comanda mais pessoas do que qualquer outro político do planeta, já que exerce seu comando ditatorial sobre uma população de 1,3 bilhão de pessoas. Hu pode desviar rios, construir cidades, mandar prender quem discorda de seu governo e censurar a internet sem a interferência de qualquer órgão jurídico. Em agosto, a China ultrapassou o Japão e ocupa agora o posto de segunda maior economia mundial.

O presidente americano Barack Obama aparece em segundo lugar. Em terceiro está o rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al Saud, seguido pelo primeiro-ministro russo Vladimir Putin. O papa Bento XVI aparece na quinta posição. Além de Dilma, outro brasileiro aparece na lista: o empresário Eike Batista, que ocupa a 58ª colocação.

Confira a seguir os 20 mais-bem colocados no ranking da Forbes:

1º Hu Jintao
2º Barack Obama
3º Abdullah bin Abdul Aziz al Saud
4º Vladimir Putin
5º Papa Bento XVI
6º Angela Merkel
7º David Cameron
8º Ben Bernanke
9º Sonia Gandhi
10º Bill Gates
11º Zhou Xiaochuan
12º Dmitry Medvedev
13º Rupert Murdoch
14º Silvio Berlusconi
15º Jean-Claude Trichet
16º Dilma Rousseff
17º Steve Jobs
18º Manmohan Singh
19º Nicolas Sarkozy
20º Hillary Clinton

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-e-a-16a-pessoa-mais-poderosa-do-mundo-segundo-a-forbes
04/11/2010 - 09:15

 

""Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela"".


""Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela""
Autor(es): Vera Rosa
O Estado de S. Paulo - 05/12/2010
 
 

Escolhido para ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho diz que a presidente eleita Dilma Rousseff não será refém de partidos. Em entrevista a Vera Rosa, ele comenta a disputa por cargos. "Ninguém deve achar que na base do grito leva alguma coisa", avisou. "O pior que tem é botar a faca no pescoço dela". (Págs. 1 e Nacional A10)

Escolhido para ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Carvalho diz que presidente eleita não será refém de partidos


Testemunha privilegiada dos bastidores do Palácio do Planalto, o ex-seminarista Gilberto Carvalho sempre atuou longe dos holofotes, como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há quatro dias, Dilma Rousseff deu-lhe uma ordem sem direito a réplica: "Gilbertinho, passe um Gumex no cabelo e ponha um terno bem bonitinho porque vou anunciá-lo na sexta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência."

As horas se passavam e nada de anúncio. Até que, muito tempo depois de ter lido um salmo do Evangelho de Cada Dia - prática adotada desde 2003, antes de iniciar o expediente -, Carvalho telefonou para a presidente eleita. "Você me deve um vidro de Gumex", cobrou ele, rindo. Foi quando Dilma leu para o futuro ministro a nota, que acabara de ser redigida, oficializando sua indicação. "Eu tardo, mas não falho", disse ela.
Na noite de sexta, Carvalho recebeu o Estado em seu gabinete no Planalto, decorado com fotos de seus cinco filhos - dos quais duas meninas adotivas - e imagens de São Francisco e do Espírito Santo. O homem que será ouvidor dos movimentos sociais ficou com os olhos marejados ao falar do apoio dado a ele por Lula quando teve de depor na CPI dos Bingos, em 2005, e garantiu que Dilma não será refém de partidos.
Diante das cotoveladas entre o PT, o PMDB e outros aliados por cargos no primeiro escalão, Carvalho pediu que todos mantenham a calma. "Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa", avisou. "A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela."
A Secretaria-Geral da Presidência vai mudar de perfil no governo Dilma?
Até se pensou nisso, mas a conclusão foi a de que a secretaria deveria permanecer com a mesma natureza, que é o trabalho de articulação e diálogo com os movimentos sociais no seu amplo espectro. Aí estão incluídos os movimentos sindicais, movimento popular, ONGs, igrejas...
O presidente Lula sempre diz que os movimentos sociais salvaram o governo dele. Por quê?
Ele se refere à questão de 2005, quando houve aquela ameaça de impeachment. Uma vez ele falou para mim: "Esses caras falam de impeachment porque não sabem da minha relação com o povo." Mas eu diria que os movimentos salvaram o governo em outro aspecto também. Esse diálogo, que em geral é tenso, permitiu a Lula ter novos projetos, como o ProUni.
É justa a reivindicação de salário mínimo de R$ 580?
É papel das centrais sindicais reivindicar, tensionar com o governo. Eu diria que justo seria um salário mínimo talvez de R$ 1, 5 mil, do ponto de vista de uma vida digna e decente para todos os brasileiros. O governo, por seu turno, tem de ver o que pode fazer sem irresponsabilidade. Temos um acordo com as centrais de um reajuste permanente do mínimo. Não adianta dar aumento muito acima e no ano seguinte ter de recuar porque isso pode provocar crise na economia, nas prefeituras.
O sr. é um dos últimos sobreviventes do núcleo duro do governo Lula. Como é o presidente na intimidade?
É uma pessoa muito boa de lidar, que vai deixar saudade. É duro, muito duro. Às vezes fico com pena dos ministros que recebem certos telefonemas dele. Fico com pena de mim mesmo (risos). Acho que fui o cara que mais apanhou nestes oito anos aqui, até pela proximidade. Para azar nosso, ele tem uma memória prodigiosa.
Cobra resultados?
Cobra. E sem misericórdia. Mas, ao mesmo tempo, é o cara que dois minutos depois já esqueceu aquilo e é superafetuoso. Tem um episódio que nunca vou esquecer na minha vida.
Qual?
Foi quando eu fui exposto, na CPI dos Bingos (em 2005), por causa da questão de Santo André. O presidente sabia da maldade de tudo aquilo, um jogo político, mas podia ter se livrado de mim. E houve um dia em que teve aquela acareação com os irmãos do Celso Daniel (prefeito assassinado de Santo André). Lula ia viajar às 18 horas. Eu cheguei de volta do Congresso lá pelas 19 horas e ele estava na minha sala me esperando. Atrasou a viagem, passou a mão na minha cabeça e falou: "Gilbertinho, você não tem uma cachacinha pra gente tomar aí, não?" Um cara desses você morre por ele. Sou um privilegiado.
Como o sr. explica ter se tornado réu em processo de corrupção na Prefeitura de Santo André?
Sou réu num processo civil a partir de denúncia feita por um dos irmãos do Celso, dizendo que eu contei para ele que levava dinheiro para o José Dirceu. Não tem prova nenhuma. É doloroso para mim ser acusado de uma coisa que não devo. Eu faço 60 anos em janeiro e meu capital não chega a R$ 300 mil.
Quais as diferenças de estilo entre Lula e Dilma?
A diferença mais forte é essa questão do carisma e da relação com o povo. Dilma é uma militante que veio da classe média, que participou da luta social e foi se aproximando aos poucos dos movimentos. Bem antes da eleição, ela dizia que, mesmo que nada desse certo, o presidente tinha lhe dado um grande presente.
Que presente?
Era justamente essa aproximação com o povo. Ela dizia que tinha medo de ser uma relação demagógica, essa coisa de abraçar criancinha, mas que se sentiu emocionada ao se aproximar das pessoas. Isso a fez mudar por dentro. E a Dilma é uma pessoa muito sensível. Um dia, quando ela era ministra de Minas e Energia, estávamos conversando sobre poesia e no dia seguinte me trouxe as obras completas de Adélia Prado.
Agora, ao indicá-lo para ministro, ela lhe fez algum pedido especial?
Na primeira conversa mais clara sobre a Secretaria-Geral, há uns dez dias, ela falou: "Gilbertinho, preciso de você para me dizer as verdades. Você vai ficar do meu lado criticando, falando as coisas com clareza. Preciso de você me trazendo a sensibilidade dos movimentos sociais." Fiquei muito animado.
O fato de a futura presidente não ter traquejo político não pode torná-la refém dos partidos, principalmente nessa disputa por cargos entre o PT e o PMDB?
Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém. Aliás, é fundamental que ela tenha essa ligação fortíssima com os movimentos sociais, que pode funcionar como contraponto a esse tipo de pressão.
Mas na montagem do novo governo já houve um curto-circuito, quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou o ministro da Saúde e teve de recuar, depois de uma rebelião no PMDB...
E você viu qual foi a atitude dela, não é? A Dilma tem essa vantagem, é muito transparente. É natural que haja tensões. Agora, se fosse atender a todas as demandas, teríamos de ter uns 60 ministérios...
O presidente sugeriu a Dilma que mantivesse muitos ministros. Isso não deixa a nova gestão com cara de governo antigo?
Eu sou testemunha de muitas conversas entre os dois. Quando a Dilma pergunta, ele dá opinião. Mas Lula age com muito cuidado e tem opiniões diferentes de algumas das nomeações que ela fez.
Em que cargos?
No Banco Central, por exemplo. É verdade que o governo Dilma tem um pouco da cara do governo Lula. Agora, você sabe que o ministério que começa não é o que termina. É natural que, aos poucos, Dilma vá dando cada vez mais a feição dela ao governo.
Lula sentirá falta do Planalto?
Ah, sim, está muito mais emotivo. Outro dia quando o Franklin (Martins, secretário de Comunicação Social) lembrou que era 1.º de dezembro, ele deu um grito. "Não, não, não. Não fale isso!", disse. Lula vai sentir muita falta. Ele se preparou para isso e adora ser presidente. Para deixar, vai ter síndrome de abstinência (risos).
Ele disse a José Dirceu que vai desmontar a farsa do mensalão. O que significa exatamente isso?
Lula quer fazer, fora da Presidência, uma análise detalhada do que foi, de fato, aquele processo. Quando fala em farsa do mensalão é porque está convencido de que nunca foi dado dinheiro para alguém votar com o governo. Ele não nega erros e problemas de uso de recursos. Nega o nome mensalão. E sempre disse: "Quem comprou voto foi o Fernando Henrique na reeleição."

 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Golpe: a história começa a ser contada


 
Presidente começa a falar de golpe tentado contra seu governo...
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presidente Lula
A exatos 29 dias de sua saída do governo, o presidente Lula, ao despedir-se nesta 5ª feira (ontem) do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) no Palácio do Planalto, voltou a lembrar a tentativa de golpe impetrada pela oposição contra seu governo em 2005, quando da crise do chamado mensalão.

Fracassada a tentativa, debelados os riscos e com a democracia, as instituições e o seu governo estabilizados, o presidente da República começa a abordar o assunto e a revelar detalhes daquela crise que não chegaram à opinião pública em toda a sua extensão naquele período.

Por isso ele tratava pela 2ª vez em uma semana - na véspera falara do assunto no Maranhão - da questão. Na despedida aos integrantes do CDES (empresários e representantes de organizações e instituições da sociedade), o presidente Lula agradeceu a participação dos conselheiros, principalmente aos que continuaram no colegiado.


Agradecimentos aos que resistiram às pressões


O presidente Lula lembrou que quando foi criado em 2003, o Conselho chegou a ser acusado de ameaçar os poderes do Legislativo. Ele não mencionou nomes, mas agradeceu especialmente àqueles que, apesar de todo o escândalo forjado, continuaram participando do órgão.

"Eu quero agradecer, sobretudo - destacou - àqueles companheiros que eram do Conselho e que, no auge da crise de 2005, naquela tentativa de golpe que se tentou dar no Brasil, nele permaneceram". O presidente justificou, ainda, que pela delicadeza do assunto, até agora nunca falava a respeito.

"Vocês não desistiram do Conselho. Não misturaram o trabalho que estavam fazendo para o Brasil com a vinculação com o governo. Conseguiram separar e isso foi extremamente importante para mim, que era o presidente da República mas, sobretudo, para o país. Vocês eram o lado sereno da sociedade, que não se permitia enganar com determinado tipo de discurso. Acho que fizemos uma travessia extraordinária", analisou o presidente Lula.

Foto: Antonio Cruz/ABr

 

Dilma fala ao Washington Post sobre Irã, EUA e Lula


 
ISTOÉ Online |  04.Dez.10 - 17:25 |  Atualizado em 04.Dez.10 - 18:08

Dilma fala ao Washington Post sobre Irã, EUA e Lula

Luciana Xavier
A presidente eleita, Dilma Rousseff, fez questão de mostrar melhor suas credenciais ao mundo, em entrevista ao jornal Washington Post, deixando claro que nem todas as posições do governo de Luiz Inácio Lula da Silva são também as suas, especialmente ao falar sobre o Irã. Dilma condenou o apedrejamento e qualquer outro tipo de prática "medieval" contra mulheres e disse que não se sentiria confortável , como uma mulher presidente, em não deixar clara essa posição. Por outro lado, disse que é importante tentar estabelecer a paz no Oriente Médio, sugerindo que seu governo continuará buscando estratégias de paz naquela região.
A presidente eleita também criticou a política de afrouxamento quantitativo dos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo fez questão de dizer que seu governo buscará estreitar os laços com o governo de Barack Obama.
Dilma reconheceu que o momento é de grande instabilidade global por causa da crise econômica, e que é fundamental tentar garantir a retomada das economias desenvolvidas para garantir o equilíbrio do mundo. "Ninguém no Brasil se sentirá confortável se os EUA continuarem com altas taxas de desemprego. A recuperação dos EUA é importante para o Brasil porque os EUA são um extraordinário mercado consumidor", afirmou.
Dilma fez questão de reforçar que pretende dar continuidade ao caminho econômico estabelecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela disse que nos próximos quatro anos pretende reduzir mais a relação dívida/PIB e garantir a estabilidade inflacionária. Segundo Dilma, o objetivo do seu governo é reduzir a dívida do País para 30% do PIB.
Ela voltou a dizer que quer que os juros no Brasil caiam para patamares internacionais. "E para conseguir isso uma das tarefas mais importantes será a de reduzir a dívida pública", afirmou. "Outro tema importante será melhorar a competitividade da nossa indústria e agricultura. Por isso é tão importante que o Brazil racionalize seu sistema tributário", disse a presidente eleita ao Washington Post.
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Atilio Borón: Cuba e a hora da mudança


Atilio Borón: Cuba e a hora da mudança

Em Cuba se está efetivando um grande debate sobre o futuro econômico da ilha. Entre os cubanos se fez presente a convicção de que o atual sistema econômico, inspirado no modelo soviético de planejamento ultra-centralizado, encontra-se exaurido. Como advertiram Fidel e Raúl, sua permanência compromete a sobrevivência da Revolução. Se se quer salvá-la será necessário abandonar um sistema de gestão macroeconômica que, de forma clara, já passou a melhor vida.

Por Atilio A. Borón

A experiência histórica tem mostrado que a irracionalidade e desperdício dos mercados podem ocorrer em uma economia totalmente controlada pelos planejadores estatais, que não estão a salvo de cometer erros grosseiros, que produzem irracionalidades e desperdícios que afetam o bem-estar da população.

Exemplos: em um país com um déficit habitacional tão grave como Cuba, a agência estatal encarregada das construções tem registrado 8 mil pedreiros e 12 mil pessoas dedicadas à segurança e guarda dos depósitos das empresas de construção do Estado.

Ou que os relatórios oficiais revelem que 50% da área agrícola da ilha não está sendo cultivada, em um país que deve importar entre 70 e 80% dos alimentos que consome. Ou que quase um terço da safra é perdida devido a problemas de coordenação entre os produtores (sejam eles agências governamentais, cooperativas agrícolas ou outras empresas), as empresas de armazenagem e seleção e os serviços de transporte do Estado, que devem levar as colheitas até os grandes centros de consumo.

Ou que as atividades, como salões de cabeleireiro e beleza, são empresas estatais — em que página do Capital, Marx recomenda isso? — nas quais os trabalhadores recebam todos os equipamentos e materiais para fazer o seu trabalho e cobram um salário, embora cobrem de seus clientes dez vezes a mais do preço estabelecido oficialmente, fixado a décadas atrás, e sem pagar um centavo de impostos.

Estes são alguns exemplos que conversando com os amigos cubanos se multiplicam ad infinitum. Mas, levantam uma questão de importância prática e também teórica: o projeto socialista é realizado ao conseguir-se a total estatização da economia? A resposta é um estridente não. Se na União Soviética (que tinha apenas como um precursor a heróica Comuna de Paris), nas condições específicas de seu tempo, não houve alternativa senão promover a estatização completa da economia, nada indica que nas condições atuais se deva agir da mesma forma.

Tal como com perspicácia anotara Rosa Luxemburgo a respeito exatamente do caso soviético, não há razão para fazer dessa necessidade, uma virtude. E se a estatização total e o planejamento ultra centralizado pode ter sido necessário - e até mesmo virtuoso -, em seu momento, para tornar possível que, em um período de quarenta anos, a velha Rússia, o país mais atrasado da Europa, pudesse ser capaz de derrotar o exército nazista e assumir a liderança na corrida espacial, hoje não o é.

Expresso em termos do marxismo clássico, o desenvolvimento das forças produtivas decretou a obsolescência das formas e da intervenção estatal, que eficazes no passado, não têm qualquer possibilidade de controlar a dinâmica dos processos de produção contemporânea, decisivamente moldados pela terceira revolução industrial.

Cuba entra em um processo de mudança e atualização do socialismo. Os primeiros esboços do projeto, um documento de vinte páginas publicado como suplemento especial do Granma e do Juventud Rebelde, foi distribuído para a população maciçamente. A tiragem de 500 mil exemplares foi imediatamente adquirida pela população, convidada várias vezes a ler, discutir e enviar suas propostas. Nova enorme tiragem está a caminho, porque o desejo de participação é enorme.

O documento será analisado criticamente por todas as organizações sociais, sem distinção: do Partido Comunista até os sindicatos e associações de todos os tipos que existem na ilha. Por isso, estão equivocados os que se iludem que a introdução de reformas inicie um indecoroso — e suícida — retorno ao capitalismo. Nada disso: o que tentaram fazer é nada mais e nada menos do que realizar reformas socialistas que o fortalecimento do controle social, ou seja, o controle popular dos processos de produção e distribuição de riqueza.

O socialismo, bem entendido, é a socialização da economia e do poder, não sua estatização. Mas, para socializar é necessário primeiro produzir, pois, caso contrário, não há nada para se dividir.

Portanto, trata-se de reformas que aprofundam o socialismo, e que nao têm nada haver com as que foram implantadas na América Latina desde os anos oitenta.

Seria óbvio dizer que o caminho a percorrer pela Revolução Cubana não será fácil e está cheia de perigos. Às dificuldades inerentes a qualquer transição são adicionados as derivadas do infame bloqueio dos EUA (e mantido pelo Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama), o bombardeio constante da mídia e as pressões sobre a ilha, procurarão por todos os meios fazer com as reformas socialistas degenerem em uma reforma econômica capitalista.

O cerne da questão está na bússola política, a orientação que terão estes processos de mudança. E o povo e o governo de Cuba dispõem de uma bússola muito boa, provada por mais de meio século, e eles sabem muito bem o que devem fazer para salvar o socialismo da ameaça mortal que representa o esgotamento de seu modelo econômico atual. E também sabem que se algo liquidar as conquistas históricas da revolução, seria varredura de um acidente vascular cerebral, que re-mercantilizaria os seus direitos e os converteriam em mercadorias. Ou seja, a reintrodução do capitalismo. E ninguém quer que isso aconteça.

Fonte: Blog Solidários. Tradução: Robson Luiz Ceron

FONTE:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=142874&id_secao=7
 
Postado por Paulo Ávila às 20:14


 

Lula é homenageado por líderes ibero-americanos que se recusam a lhe dizer adeus

 

Mar del Plata, Argentina, 4 dez 2010 (AFP) -Os participantes da 20ª Cúpula Ibero-Americana, realizada neste sábado na cidade argentina de Mar de Plata, destacaram o valor histórico das transformações impulsionadas pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva ao Brasil, recusando-se, ao mesmo tempo, a lhe dizer adeus.

"Ninguém vai se despedir hoje. Um militante com essa história nunca deixa a política e muito menos depois de ter desempenhado a presidência de seu país, quando realizou transformações e tarefas nunca imaginadas antes", disse a presidente argentina Cristina Kirchner, dando-lhe um beijo e um abraço.

Lula participou pela última vez do foro ibero-americano antes de passar a faixa presidencial, no dia 1 de janeiro, à sucessora eleita, Dilma Rousseff, depois de oito anos no poder.

Para uma plateia constituída de governantes de América Latina, Espanha e Portugal, Lula emocionado até as lágrimas, afirmou: "Eu sou um político latino-americano, não vou deixar a política. Vou ter mais tempo para viajar, quero discutir política e os partidos".

"Me esperem", completou, em meio a aplausos de pé de outros líderes, como o rei da Espanha, Juan Carlos, e os presidentes do Peru, Alan García, e do Equador, Rafael Correa.

Improvisando o discurso acrescentou: "Já não somos tratados como menores. Não vemos mais as pessoas brigarem por um trabalhador sem diploma universitário ter sido eleito no Brasil. Já não vemos mais brigas porque um índio foi eleito na Bolívia".

E pediu aos governos da região que continuem aprofundando a integração.

"Podemos manter relações com o mundo inteiro, mas é necessário que cada país da América Latina faça um esforço extraordinário para explotar o potencial que existe entre nós",

Lula recebeu de Cristina Kirchner uma litogravura na qual aparece dando um abraço no ex-presidente Néstor Kirchner.

Ainda segundo o presidente brasileiro, a América Latina "realizou mudanças extraordinárias, a democracia está consolidada, mas precisamos estar alertas".

"Não sou bom de despedida, mas construí com vocês uma coisa nova na América Latina".

Lembrou que as mulheres também passaram a ocupar, nos últimos tempos, mais espaço no mundo da política, numa referência a Cristina Kirchner e à presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.

"Os homens que se cuidem porque as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços", brincou.

FONTE:http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4827566-EI294,00-Lula+e+homenageado+por+lideres+iberoamericanos+que+se+recusam+a+lhe+dizer+adeus.html
 

 

Enc: Defensores de direitos humanos pedem reserva a Wikileaks


Defensores de direitos humanos pedem reserva a Wikileaks

Organizações de direitos humanos dos Estados Unidos temem que Wikileaks ponha em risco a segurança de ativistas em países com regimes repressivos se revelar informações sobre eles. A Human Rights Watch (HRW) e a Human Rights First (HRF) consideraram um erro que essa organização sem fins lucrativos, dedicada a divulgar em seu site documentos filtrados com proteção de suas fontes, publique nomes de ativistas e organizações que recebem apoio do governo estadunidense.

William Fisher - IPS

Nova York (IPS) – Importantes organizações de direitos humanos dos Estados Unidos temem que Wikileaks ponha em risco a segurança de ativistas em países com regimes repressivos se revelar informações sobre eles. A Human Rights Watch (HRW) e a Human Rights First (HRF) consideraram um erro que essa organização sem fins lucrativos, dedicada a divulgar em seu site documentos filtrados com proteção de suas fontes, publique nomes de ativistas e organizações que recebem apoio do governo estadunidense.

A presidente da HRF, Elisa Massimino, enviou uma carta ao diretor de Wikileaks, Julian Assange, alguns dias antes dessa organização divulgar milhares de comunicados diplomáticos secretos dos Estados Unidos. Massimino afirmou que publicar os nomes de "indivíduos ou organizações em países repressivos ou autoritários, como Irã, China, Rússia, Cuba, etc., seria extremamente imprudente, já que aumentaria o risco de perseguição, encarceramento e violência". "Defensores dos direitos humanos em países repressivos e autoritários enfrentam muitos perigos, já que os seus governos regularmente os perseguem, maltratam e encarceram", registrou a carta.

Ser acusados de "receber apoio estrangeiro ou de cooperar com outros governos" pode torná-los ainda mais vulneráveis a ataques por parte dos governos e seus agentes, alertou Massimino. "Muitos ativistas em países repressivos têm poucas opções de respaldo financeiro, já que as vias para o apoio interno são bloqueadas. Para proteger-se do risco que supõe a ajuda estrangeira, muitos ativistas a mantem oculta", explicou. "Apoiamos a liberdade de expressão e a maior transparência no governo. No entanto, (ante a possibilidade de ) divulgar informação nas circunstâncias que descrevemos acima, deveria ser considerar os perigos reais para a saúde e o bem estar dos ativistas de direitos humanos", acrescentou. A presidente da HRF solicitou a Assange a remoção de documentos que divulguem qualquer informação que possa permitir a identificação dos ativistas.

Por sua vez, o presidente do Centro para os Direitos Constitucionais, Michael Ratner, assegurou que "nenhum nome dos ativistas de direitos humanos foi revelado em nenhum dos documentos publicados por Wikileaks e nenhum ativista foi posto em perigo". "Na última divulgação, Wikileaks só publicou telegramas que foram revisados pelas organizações da imprensa e, em alguns casos, editados por estas", disse Ratne a IPS.

"As organizações jornalísticas mostraram (esses telegramas) ao Pentágono e aceitaram algumas edições sugeridas pelo governo. Os EUA antes afirmavam que a publicação de documentos poderia pôr em risco algumas pessoas, mas agora admitem não ter conhecimento de ninguém que tenha sido morto por essas divulgações", acrescentou.

Enquanto isso, a cadeia de notícias estadunidenses CNN informou que o Departamento de Estado teria oferecido proteção a ativistas que poderiam correr perigo se suas identidades fossem reveladas nas mensagens diplomáticas difundidas pelo Wikileaks. Entre as medidas de proteção, poderia se incluir uma relocalização temporal de algumas pessoas.

O portavoz do Departamento de Estado, P.J.Crowley, disse que o governo entrou em contato com defensores dos direitos humanos no mundo para alertá-los sobre o risco que os telegramas diplomáticos divulgados por Wikileaks poderiam conter seus nomes ou informações sobre suas organizações. "Temos grande preocupação", disse Crowley. "Há fontes claramente identificadas nestes documentos, particularmente em estados autoritários, que falaram conosco e acreditamos que a divulgação dessas mensagens definitivamente colocará vidas em risco. Já demos alguns passos para nos antecipar a essa publicação".

Crowley disse ainda que embaixadas estadunidenses mantiveram contato com ativistas em risco. "Temos visto as ramificações negativas e às vezes mortais para esses afegãos identificados por trabalhar ou simpatizar com forças internacionais", escreveu a HRF a Assange, segundo o jornal The Wall Street Journal, que citou uma fonte anônima. "Pedimos energicamente a seus voluntários e a seu pessoal que analisem todos os documentos para garantir que aqueles que contenham informação sejam descartados ou editados", acrescentou a carta.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17238
 
Postado por Paulo Ávila às 19:28


 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

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