sábado, 8 de dezembro de 2007

VIOLÊNCIA SEM SANGUE. O CRIME PRATICADO CONTRA AS MULHERES.



VIOLÊNCIA SEM SANGUE.O CRIME PRATICADO CONTRA AS MULHERES.DENUNCIE!

Vera Mattos



Hei mulher! Por que você permitiu aquele primeiro tapa?

Por que você permitiu aquela primeira calúnia?

Aquela primeira injúria, aquela primeira difamação? Hei mulher! Será que você lembra quando tudo aconteceu? Era uma brincadeira entre você e ele... talvez até a situação já vinha se repetindo...mas tudo era tão leve e você acabava sorrindo, relevando, deixando para analisar depois. Temia ser chata, desagradável e acreditava que seria bom fazer concessões. Algumas vezes pensava que a causa era a bebida, sempre perdoada pois permitida; acreditava sinceramente que o homem cansado, frustrado, tinha todas as justificativas do mundo para desabafar, para liberar em você e na família os sentimentos agressivos.

Além disso, havia a vergonha das amigas, dos amigos, dos vizinhos, dos colegas de trabalho. E quanto a manchas roxas na pele? O que dizer mesmo? Topadas, uma pancadinha à toa, esbarrou em algum móvel, caiu em casa, e cada dia mais uma desculpa. Quando você pensava que estava enganando aos outros enganava principalmente a você mesma.

Agora, volte ao primeiro tapa, a primeira pancada. Doeu?

Hei mulher! Responde hoje, exatamente nesta hora que você está decidindo ir até uma Delegacia e ainda assim procura justificar este seu desejo de ir, de se expor, de falar de sua vida pessoal ou do pouco que ficou dela.

Será que com todas acontece assim? Ou seria apenas com você? Lembra quando ele gritava com você? Dizia que você era gorda, estava acima do peso? Ou quando dizia que a cor do seu cabelo estava ridícula? Ou quando se referia a sua pouca capacidade intelectual? E o desprezo hein?

Você sentiu na pele o desprezo quando ele disso que seu cheiro não era bom, que cheirava a cozinha, a óleo e alho. Mas você conseguia cozinhar para ele. Poderia ter servido cicuta, mas continuou tentando conquistá-lo com a comida de cada dia, velha lição centenária que assegura que homem se “pega pela boca”.

Hei mulher! Acorda! Antes do primeiro tapa este homem ofereceu vários avisos. Ele estabeleceu um vínculo perigoso em que sua parceria foi fundamental: o da violência sem sangue. Todos os dias ele procurava negar a sua existência como mulher. Todos os dias ele dizia que você era menos, era menor, era infinitamente menor do que a mulher que ele sonhou ter, possuir.

A palavra é posse. É muito barato transformar a companheira em empregada sem direito a qualquer obrigação trabalhista. Além disto, dentro da submissão há a existência do sexo, geralmente com dia e hora marcados. Outros homens querem sexo diariamente, pouco se interessando se seu dia foi estafante, estressante, se houve dupla, tripla jornada. Acreditam que você tem que estar disposta e também apresentar uma boa disposição. O seu sonho de Cinderela desabou. Você viu isto? Você sentiu isto?

Estamos no século XXI. Você como eu é do século passado! Se estamos em 2007 evidentemente que qualquer mulher viva hoje é do século passado.

O que quero dizer? É que somos do século passado e agimos como tal. Não barramos a violência em nossas casas, em nossas famílias.

Esperamos que o amor que sonhamos terá a força suficiente para corrigir.

Mas isto é utopia. Tratemos primeiro da denúncia, de buscar a lei, de perder literalmente a vergonha e fazer que estes protótipos de homens morram de vergonha.

Eles é que devem se sentir constrangidos. Eles é que devem temer a repercussão dos fatos na vida profissional, social. Eles é que devem andar assustados pelo fato de terem sido denunciados nas Delegacias Especializadas, nas Promotorias, e de finalmente serem levados ao Fórum Criminal.

E de que você vai ter vergonha? De ter sido violentada psicologicamente? De ter sido brutalmente atacada fisicamente? Hei mulher! A sua alma está sofrendo. Dentro de você há um caos, um buraco, um sentimento de menor valia, e se demorar mais é bem provável que a pouca coragem que você tem desça pelo ralo da pia, pela descarga do banheiro.

Apoio familiar? Aquele que lhe encorajará dizendo siga em frente, siga e denuncie? Este apoio é raro. Muitos dirão que você deve relevar. Muitos dirão que em nome de Deus, em nome de Jesus você deverá perdoar.

Mulher entenda que esta sociedade foi construída para fazer concessões aos homens. Não espere nem mesmo nas delegacias especializadas um atendimento generoso. A razão é que também policiais mulheres são mulheres e também sofrem violência dentro e fora dos seus locais de trabalho. São discriminadas, criticadas e acabam por sucumbir não somente a hierarquia militar, mas a própria insatisfação e ao sentimento de que nada são e nada serão. Haja depressão, haja angústia, haja desespero, haja desejo de se impor. Com arma na mão pensa em liberdade, mas não encontra caminho e chora como se não tivesse força, como se fosse alguém frágil e destreinada. O exemplo da policial que sofre serve para abrir o debate.

Que mulheres somos nós? E afinal quem educou estes homens agressivos, intolerantes, raivosos, desleais? Quem tem ou teve irmãos homens lembra das leis domésticas repetidas pelas mães da época. Era comum dizer que o respeito tinha território e que os garotos estavam aptos a caçarem suas presas. Os bodes estavam soltos para a glória das famílias machistas. As outras famílias tratassem de cuidar de suas cabras e cabritas.

Assim como individualmente se colhe o que se planta, os homens do século passado estão ofertando a educação que receberam. Exercem poder, exercem fascínio. O sexo e a sedução chegam junto. Sabemos que paixão não tem data para começar, mas tem prazo para acabar e isto é fato científico.

Hei mulher! A paixão acabou. O amor se existiu agora é discutível. Você vai ficar aí sofrendo? Qual será o seu primeiro passo?Somente você poderá se ajudar. Somente você poderá dizer não. Procure outras mulheres e converse, desabafe. Fale com quem for possível falar. Não tema o julgamento dos outros ou das outras. Melhor você vivendo e falando do que em uma gaveta do Instituto Médico Legal.

Rompa a relação. Não fique na ameaça. Se você já se sustenta, o temor não deverá existir. Se não se sustenta, certamente tem algum talento e saberá encontrar uma forma de sobreviver.

Mas não tolere o primeiro tapa, a primeira injúria, a primeira calúnia, a primeira difamação.

Ao contrário do que se pensa aí está o ato de amor. Levar aquele que transgride a compreender as suas atitudes. Levar a reflexão positiva do respeito e do amor ao próximo e principalmente à próxima que poderá ser você.

Pense nisto e se mobilize através de ações concretas.

7 comentários:

  1. Ana Maria C. Bruni9 de dezembro de 2007 10:23

    Não sei por onde eu andava enquanto você sofria?
    Não me lembro como eram os meus dias enquanto você clamava por ajuda.
    Não me recordo sinceramente, nem em qual época foi.
    Não me lembro que eu tenha passado por nada parecido com tuas dores.
    Não posso imaginar o tamanho de teu sofrimento.
    Não posso avaliar a quantidade das lágrimas que você certamente derramou neste período.
    Não posso cogitar o que significou para você ficar só com tanto amargor.
    Eu não te escutei.
    Eu não te abracei.
    Eu não fiquei do teu lado.
    Eu não rezei por você.
    Nem posso acreditar que agi assim!
    Lamento tanto! Por você e por mim!
    Falo, Clamo por paz, amor, não violência, integridade, solidariedade e veja só com você o que deixei de fazer!
    Me envergonho, bato no meu peito mil vezes pela minha omissão e descaso em tua relação.
    Me penitencio perante Deus por ter te abandonado, pois assim o fazendo também O abandonei.
    Deixe-me ficar ao teu lado agora!
    Perdoe-me, assim como Ele perdoou a quem O feriu.

    Oração dos Penitentes. Dos Omissos. Das Neutras, em relação a falta de apoio pelo fim da violência contra a mulher

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  2. enfim..
    estou viva hj!.. dps d ter me perguntado se a calça era cintura baixa.. se (COMO N USO!..descartei!), a saia estava curta!..
    entre OUTRAS SAÍDAS Q USAM SOBRE MIM/NÓS! para que msm diante de pesadelo..SEJA POSSÍVEL DORMIR! - isso = pós-estupro!
    PORÉM!!
    :(
    DESEJO SEXUAL MEDIANTE VIOLÊNCIA... É POSSIVEL Q SE TEN-TE!! compreender tamanha pobreza de alma (q ñ é pobre... é soh nenê demais!)..."poucas vindas!!"
    MAS! TENTAR ABATER... alma centenária!..
    ENTENDO PERFEITAMENTE A INVEJA DE QUANTAS VEZES EU VIM, A! MAIS!...
    a pto não de apenas perdoar!...mas de ter RAIVA RESTRITA.. diante de lidar com consequência (DOR FÍSICA...IMPLANTE DE DENTES... PINOS EM PERNA, BRAÇO... OUVIR Q SOBREVIVER Ñ ERA CERTEZA!.. e dps d ouvir! PROMETER HONRAR SE MERECESSE SOBREVIVER! infelizm. sou humana, e tal dor.. PEÇO-A ENQTO PUDER.. SER-ME FÍSICA.. uma q eu saiba onde dói!
    excelente matéria!...
    CONTINUE, POR MIM!...EU PRECISEI CANSAR :(

    E PAGUEI ALÉM DO PREÇO!...
    usei o fato como veículo!
    d propagar meu pedido d cuidado!!... na rua: OLHE PRA TRÁS!
    ñ perca as chances q a vida DÁ!!.. d aprender com o exemplo do outro!
    e se passar por isso!.. transforme a descrição para: "SOFRI UM ACIDENTE!".. PERDÕE PARA EXPULSAR O VE-NE-NO DA SEDE D VINGAR!..sublime aglomerando a hist. em progresso pessoal.. e DÊ! O Q O MUNDO ESTÁ EM FALTA!!.. E REZE PRA QM FEZ O MAL (HEDIONDO!).. TER FEITO D VC! A ÚNICA... OU A ÚLTIMA!..
    transformar em propagar o bem!.. é tão violento quanto matar de estuprar e d bater!..
    ...
    a dor a ser sentida!...
    "quando!" (PODEMOS N TER O PRIVILEGIO D VER! SEREMOS EXIGIDOS A CONFIAR! Q NADA! FICA! IMPUNE!) Aos responsáveis acordarem do coma auto-induzido, em nome de!:

    lucidez tenebrosa (q merece reza! q os confortem!)
    - O QUE EH Q EU FIZ... MEUS DEUSSSS????
    ME AJUUUUDAAAAA!!!

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  3. Ana Maria C. Bruni9 de dezembro de 2007 20:51

    A esta jovem mulher

    QUANDO O ESPANCAMENTO PAROU DE DOER!!!
    Cheguei a chorar minha própria morte...
    Ser ELA, uma judiação... um desperdício...
    Arremessada na parede, ao seu meio...
    Tentava cair de forma a ferir membros ou algo NÃO VITAL!
    E EM MEIO A TAIS PAULADAS...
    O momento da violência sexual, tornou-se um alívio...
    Um descanso....
    Um intervalo....

    E então a mulher que chorou sua própria morte mas não morreu naquele momento, entrou anos depois no meu site e lê a frase:
    PUNA-OS SENHOR... ELES SABEM O QUE FAZEM!``

    E diz :
    A frase só conseguiu me parar levemente...
    Olhando para cima!... e volto tão rápida... a lembrar que NÃO PENSO ASSIM!
    Frase sem sentido.

    E então conversamos, conversamos,
    Procurando sentidos, razões..
    Percebo novamente que a violência é infindável ...
    Mexe com nossos princípios
    Com nossa formação
    Com nossa fé

    E então falamos sobre vingança e perdão
    E nos entendemos
    E nos abraçamos virtualmente
    E continuamos com nossas dores e reflexões
    E continuamos...
    E continuamos...

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  4. Ana Maria C. Bruni9 de dezembro de 2007 22:51

    Como esta jornalista e mulher Vera Mattos diz:HOMEM QUE É HOMEM ENTENDE ISTO.OS VERMES QUE FIQUEM DISTANTES E APODREÇAM NAS CADEIAS.ESTOU CANSADA DA MOROSIDADE DA JUSTIÇA, DA LENTIDÃO, DO DESRESPEITO.
    ................
    Eu também falo de vermes e tomando conhecimento hoje das ameaças que Vera sofre, fico irada, indignada, corroída em minhas entranhas.

    Voce não está só Vera, eu também caminho sobre esta terra brasileira. Caminharemos juntas!

    ..e digo a estes Vermes acéfalos desta sociedade de abutres pronta para devorar as destemidas:
    Sucumbam no esterco!

    Pensaram que poderiam caminhar!

    Se arrastarão e como vermes que são,serão pisoteados pela legião que se prepara para os abater para sempre

    Afastem-se de nós!
    Afastem-se de nós!

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  5. Ana Maria C. Bruni9 de dezembro de 2007 22:54

    " Não existem lutas sem batalhas "

    Não podemos continuar ignorando o que acontece a nossa volta.
    Os poderosos nos calam,nos hipnotizam, nos silenciam. Fazem de conta que nada acontece, ninguém viu, ninguém sabe.

    Nem batalhas existem... Eles as ignoram...

    Despertar minha gente! Lembrem-se agora pode ser tarde de mais...

    Invés de lutas futuras, viveremos em luto.

    Quando o estado não vem em auxílio do cidadão,este se torna vítima ou criminoso.

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  6. Olá!
    É Incrivel como muitas vezes as pessoas colocam vendas nos olhos, e fingem não ver a violência que nos abate,sofro qd as pessoas ainda acham que toda essa luta é pq eu amo o meu ex,agora amiga Vera como posso amar a quem agiu cruelmente comigo em todos so sentidos e momentos,a quem me machucava ?e acredite se quizer ainda tem quem ache q eu "adoro me fazer de vitima" ou então ainda gosto dele,ja chegaram a me perguntar se ainda o amo,mas a minha luta não para por aqui,não!de forma nenhuma!e acredito q eu nunca o amei simplesmente fui vitima do comodismo,do gostar de estar casada,e tentei não magoar meus pais,mas um casamento já derrotado não se vive sozinho,doente e sem forças,como disse sr Paulo a lei maria da penha ta linda mas não estou vendo as politicas publicas se interessarem em tira-la do papel e isso doi,sei da dor do Sr paulo pq hj vejo o qt meu pai sofre com o q passei e não dizia a ele,mas não desistiremos jamais!
    "podem arrancar minhas flores,minhas folhas e meu caule mas jamais arrancarão minha raiz"
    (C S)
    Vamos continuar a luta!

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  7. Republiquei este texto na comunidade do Orkut
    CONTRA VIOLÊNCIA À MULHER e na comunidade LEI MARIA DA PENHA, espero que as mulheres leiam e digam adeus ao primeiro tapa.

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