sexta-feira, 7 de março de 2008

MORTOS E ESQUECIDOS. EM UM ANO MAIS DE 3 MIL MORTES VIOLENTAS NA BAHIA.

Eles foram encontrados mortos pelas ruas, ou morreram em hospitais ou abrigos da cidade, abandonados ou não encontrados por suas famílias. Acabaram sendo enterrados como indigentes no Cemitério Público de Quintas dos Lázaros, na Baixa de Quintas. Ano passado foram 2.943.

Este ano a administração do cemitério já contabiliza 238 “mortos esquecidos”. Deste contigente, 244 (no ano de 2007) e 50 (em 2008) passaram pelo Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. Estes últimos números são referentes a mortes violentas ou não esclarecidas, ocorridas em Salvador e Região Metropolitana, que precisavam de perícia para suas reais circunstâncias.

Os homicídios, notavelmente em crescimento nos últimos tempos, representam, só este ano, cerca de 34 % dos indigentes enterrados. Conforme dados do cemitério público, 81 pessoas foram mortas por disparos de armas de fogo nestes dois últimos meses. “Muitos são de famílias que não têm condições financeiras de fazer o sepultamento, então o Estado se encarrega”, conta Deusdete Cardoso Brandão, administrador do cemitério, reforçando as doações de funerárias como uma “importante contribuição”.

No Nina, o período de manutenção de um corpo varia conforme a demanda de cadáveres, guardados nas geladeiras à temperatura de 12 graus negativos. Nas 54 câmaras frigoríficas sempre há vidas que chegaram ao fim sem informação alguma sobre sua história. Recolhidos nas ruas, por um dos cinco rabecões, alguns já estão em avançado estado de putrefação, chegam apenas com guia policial sem nome ou qualquer outro dado, são fotografados e filmados antes de serem submetidos à necropsia.

Sinais, tatuagens, defeitos físicos ou qualquer dado que possa facilitar as identificações são registrados em detalhes. Roupas e objetos pessoais encontrados também auxiliam na busca dos parentes que chegam desesperados ao IML.

De acordo com Lícia Maria Carvalho, coordenadora técnica do Nina, após 15 dias de espera, publica-se nos jornais de maior circulação da cidade. “Daí em diante aguardamos o máximo de tempo possível,caso ninguém venha até o instituto para retirar o cadáver nos providenciamos o sepultamento”, disse, ressaltando que não há nenhuma legislação que determine o tempo limite de espera.

É necessário que o responsável comprove seu grau de parentesco. “Se não houver parentes mais próximos, um tio, ou mesmo primo pode efetuar os trâmites junto ao órgão, basta que ratifique seu parentesco, fora isso não liberamos o corpo”, enfatizou.

Fonte:Roberta Cerqueira/ Tribuna da Bahia

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