sexta-feira, 7 de março de 2008

PM ALERTA PARA DESASTRE NA SEGURANÇA.

PM alerta para desastre na segurança

Por Silvana Blesa

“O desastre na segurança pública se avizinha, caso o governo do Estado concretize a discriminação entre os setores das polícias”. A afirmação é do major da Polícia Militar Silvio Marcelo de Carvalho Correia, presidente da Associação dos Oficiais da PM-BA, em documento enviado ontem ao deputado Heraldo Rocha, solicitando a intervenção do legislativo estadual. Em nome da oficialidade da PM, o major denuncia “a existência de um acordo entre o governador e os delegados da Polícia Civil, para tratamento diferenciado desta categoria”. O oficial lembra no documento que acordo desta natureza “viola a tão falada integração e enxovalha o artigo 47 da Carta Magna Estadual, que essa Casa democraticamente elaborou e que, hoje, tem o dever de proteger e honrar, não permitindo a clara violação da isonomia entre duas instituições de segurança, por ela assegurada”. O presidente da associação disse ao deputado que o documento tem o objetivo de “alertá-lo do desgaste político que está se desenhando em nosso Estado. Como é do conhecimento de todos, a violência explodiu na Bahia, principalmente na região metropolitana de Salvador, o que vem causando transtorno para sociedade baiana e para a administração do governador Jaques Wagner, a quem cabe resolver os problemas sociais de infra-estrutura, a morosidade da justiça, a carência de vagas em presídios, a superlotação em delegacias, o sucateamento das polícias civil e militar, e, por último, o desânimo reinante entre os integrantes das polícias, devido aos baixos salários, fatores importantes para o recrudescimento da violência na Bahia. O major destaca que “recentemente ocorreram mudanças na cúpula da segurança pública, sendo que a base do discurso de posse, tanto do novo secretário de Segurança, como do novo delegado chefe da Polícia Civil, foi a integração das polícias como elemento principal para o combate a criminalidade galopante”. O major é enfático ao afirmar que “o desastre na segurança pública se avizinha, caso o governo do Estado concretize a discriminação entre os setores das polícias. O que está ruim, por certo, ficará pior, e não se trata de ameaças, mas sim, de um alerta ao Poder Legislativo, já que não permitem o acesso desta associação ao governador do Estado”. O presidente da associação diz esperar que a Assembléia Legislativa “esteja atenta a tudo o quanto foi dito, e que essa Casa não permita que a nossa Constituição venha a ser desrespeitada, pois, possivelmente, outras violações virão a reboque, e só o povo da Bahia terá a perder”.

Polícia vai às ruas, mas com medo.

“Eu estava tremendo, temendo pela minha vida e dos meus companheiros, pois não temos treinamento para invadir bairros e enfrentar bandidos fortemente armados”. O desabafo é de uma delegada que participou da operação integrada realizada pela Secretaria da Segurança Pública, SSP, no último fim de semana, e denunciou a falta de preparo e de equipamentos, como armas potentes, para enfrentar a criminalidade. Ela revelou que as armas usadas pelos policiais são “fichinhas” se comparada ao poderio das armas dos bandidos. Os coletes à prova de bala não fazem jus ao nome e não existem em número suficiente.

Agentes policiais que participaram da operação reafirmaram o depoimento da delegada. Seus nomes, naturalmente, serão preservados. “Nós achamos que a polícia deve mesmo agir, que a operação deve ser realizada, mas nossas vidas devem e precisam ser protegidas”, afirmam.

Para o delegado chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, as denúncias são improcedentes. Ele entendem que os agentes e delegados estão prontos para as ações de campo, e todos eles estão participando da operação por livre vontade, em horário extra e com remuneração extra. Destacou ainda que os coletes são novos e que as armas usadas pela polícia são potentes. Além disso afirmou que as viaturas estão em boas condições.

O delegado chefe explicou ainda que o COE, Companhia de Operações Especiais, não foi empregada na operação porque ainda não foi preciso. Com o crescimento da criminalidade em Salvador e região metropolitana, o secretário de Segurança Pública César Nunes e o delegado chefe Joselito Bispo criaram um programa de combate a violência que visa prevenir a ocorrência de homicídios nos bairros periféricos e em locais considerados de maior risco. Isso tem gerado transtornos para muitos policiais civis que se dizem desviados de suas funções, deixando de realizar investigações para realizar o policiamento ostensivo, função específica da Polícia Militar.

“O nosso trabalho deve ser as investigações de crimes, e não passar noites e madrugadas invadindo bairros, tarefa para a qual não somos treinados. Se estamos nas ruas, a qualquer momento podemos entrar em troca de tiros com marginais que usam armas superiores às nossas”, disse um agente. As insatisfações são muitas. Uma delas se refere ao trabalho conjunto com os PMs, pois haveria um conflito entre as duas corporações. Estamos sendo jogados nos bairros sem nenhuma preparação, e tememos por nossas vidas”, disse um policial.

No entanto, o delegado chefe Joselito Bispo contestou as afirmações e disse que os agentes estão preparados com toda técnica e possibilitados para atuar na operação integrada. Ele ainda ressaltou que nenhum agente está forçado ao serviço, “eles trabalham nos seus dias de folga, sobre escalas e ainda ganham uma remuneração extra. E não interfere nos trabalhos normais”, explicou. O delegado Joselito Bispo disse que os coletes são novos, os carros estão em condições devidas para o trabalho, assim como as armas e munições são novas e adequadas. Joselito ainda revelou que o trabalho do policial civil não se destina somente às investigações, mas também à prevenção da criminalidade, ajudando os PMs em caso de necessidade. E explicou ainda que o momento não é dramático a ponto de empregar o COE nas ruas. “A partir do momento que eu achar necessário, o COE ajudará a combater a criminalidade”.

O delegado chefe ainda comentou que hoje à noite a operação seguirá em vários bairros até o domingo. “O mais importante é o efeito que está surtindo. Nas áreas onde a polícia atuou, não aconteceu praticamente nenhum homicídio. As pessoas que vivem nestes locais estão felizes com a presença da polícia trabalhando”, concluiu.

FONTE: Tribuna da Bahia.

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