quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Vera Mattos: As mulheres não podem depender das suas famílias de origem e nem dos companheiros. Devem possuir emprego e renda.

“A paz está muito ligada à independência, ao fato de haver sustentabilidade. As mulheres não podem depender das suas famílias de origem e nem dos companheiros. Devem possuir emprego e renda. Devem conhecer a Constituição. Devem estar orientadas quanto aos seus direitos e deveres. É o conhecimento que permite o poder ”.Vera Mattos

“A única forma da mulher obter sua independência é através do binômio educação e trabalho. As leis servem para amparar e defender a mulher em
Situação de violência doméstica. Mas a manutenção dela própria e da família passam pelo estudo e qualificação.

Somente através da qualificação profissional e de sua inserção no mercado de trabalho será possível garantir a sua sobrevivência. O Estado não está preparado para atender as mulheres vítimas. Elas voltam para casa porque não contam com abrigos, casas transitórias com a mínima qualidade. Além de fugirem dos agressores, elas também têm que cuidar da família, dos filhos menores e até mesmo de outros familiares”.

Esta é a opinião de Vera Mattos, presidente da Fundação Jaqueira e representante do Fórum de Mulheres do Mercosul- Capítulo Brasil/Bahia.
“Avaliando o que é oferecido às mulheres para garantir a segurança pessoal e familiar, percebemos que tudo é transitório e de difícil acesso. Mesmo com todas as redes realizando um trabalho de apoio, o essencial continua difícil. A paz está muito ligada à independência, ao fato de haver sustentabilidade. As mulheres não podem depender das suas famílias de origem e nem dos companheiros. Devem possuir emprego e renda. Devem conhecer a Constituição. Devem estar orientadas quanto aos seus direitos e deveres. É o conhecimento que permite o poder ”.

Vera insiste no fato de que ficou nas décadas finais do século XX a figura da mulher dependente, que espera que o marido seja o provedor e que não sabe exatamente o valor de nada. “Infelizmente, ainda existem muitas mulheres nestas condições. Dependem completamente dos maridos que nem sempre são bons companheiros. E a submissão é concreta. Elas lavam e passam roupas, cozinham, cuidam dos filhos, e não buscaram uma evolução pessoal. Geralmente, ao ficarem mais velhas acabam sendo trocadas como se fossem objetos descartáveis. Antes mesmo de entrarem na menopausa deixam a vida sexual de lado, acreditam que devem fidelidade ao marido e que devem criar ou terminar de criar os filhos. Assim, sem sentir vão abrindo mão de todas as suas possibilidades pessoais.”

Por esta razão, a feminista Vera Mattos acredita que esta é definitivamente a era do trabalho para a mulher. “Temos que qualificar cada vez mais mulheres. Prepara-las para o mercado de trabalho, permitir que tenham acesso à cultura e a educação, disponibilizar cada vez mais conhecimento.
É assim que procuro fazer quando me encontro com mulheres de todas as camadas econômico-sociais. A comunicação deve ser oferecida com absoluta qualidade. Não importa se esta mulher é da periferia ou de bairros nobres. Toda mulher é igual. Toda mulher necessita de respeito, atenção e interesse. Misturar as classes sociais é fundamental para a autoestima, para a compreensão das diferenças e para organização do pensamento.”.

Um exemplo que Vera Mattos oferece é o fato do que nos cursos básicos para cuidadores de idosos, quando a presença feminina é maioria, pessoas de diversos níveis culturais se encontram e o resultado geralmente é positivo. ”A compreensão das diferenças é fundamental. É quando ocorre a compreensão do pensamento. O medo pode fazer com que muitas fiquem caladas. Mas quando a oportunidade de troca acontece, assistimos e participamos de momentos valiosos de crescimento pessoal.”

“Mulheres que trabalham e garantem o próprio sustento tem mais segurança em suas decisões. Deixar para aprender uma profissão quando a crise já chegou ao casamento é uma temeridade. É preciso estar atenta ao mercado de trabalho e buscar algo que seja possível realizar. Conheço mulheres que começaram a vida profissional como manicure e que hoje são empresárias no setor.” -, diz Vera Mattos.

Vera Mattos comemora o fato da Fundação Jaqueira ter qualificado mais de 400 mulheres como cuidadoras de idosos somente no ano de 2009. ”Em nossos cursos nós oferecemos o diferencial que é a compreensão individual para que seja possível cuidar de outra pessoa. Então, respondemos muitos questionamentos inevitáveis para a maioria das mulheres. E queremos avançar nesta área. Ficamos felizes quando acolhemos em nossas salas mulheres de toda a região metropolitana. E comemoramos cada vez que uma tem sua carteira assinada. É um sentimento muito bom. É saber que a partir daquele momento aquela mulher será menos uma na estatística da violência. Que ela poderá decidir com quem ela quer se relacionar. É saber que ela poderá ter uma profissão segura. Enfim, os dramas pessoais e sociais continuarão existindo, mas estamos fazendo a nossa parte”, declara a presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos.

3 comentários:

  1. CMI BRASIL TAMBÉM PUBLICOU ESTA ENTREVISTA DE VERA MATTOS.

    lINK ABAIXO:

    http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/12/461164.shtml

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  2. Uma coerencia extraordinária. Como você consegue ir de maneira tão profunda nas questões inerentes a nós mulheres?
    Continue seu lindissimo trabalho ou belissima missão.

    Mariza Dumont

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  3. Congratulações a presidente da fundação Junqueira e escritora notável Vera Mattos por sua matéria pertinente aos direitos e meios de vida para a mulher em sua essência. Considero seus comentários abalisados e oportuno, haja vista, que a mulher tem assenção no mercado de trabalho e em todos os setores e segmentos da sociedade, galgando os mais elevados grau representativo ocupando os espaços mais cobiçados; destacamos os poderes constituídos, a imprensa, as empresas em geral. No meu ponto de vista, as mulheres em breve estarão governando o nosso Brasil, só depende de se organizarem para assumir o poder maior o executivo, pois os outros já temos visto, por exemplo o STF os Tribunais de Justiça, governos de estado, prefeituras da capital e de municípios em todos os estados.

    Vera Mattos em seu movimento feminista e de defesa da mulher, tem posição firme e acertada quando afirma sobre a independência da mulher quanto aos seus direitos. Uma escritora determinada que sabe distinguir com sua clareza o seu ponto de vista vislumbrando o futuro das mulheres em sua emancipação que evolui no curso da vida.
    Congratulo-me com a ilustre escritora por sua dinâmica atuação, doando-se, através de seus projetos de qualificação profissional pela melhor qualidade de vida e de profissionalismo.
    No ensejo o meu forte abraço e votos de muito sucesso para você,com os meus augúrios para um próspero e venturoso 2010,para você minha presidente e escritora, Vera Mattos. FELIZ ANO 2010
    Antonio Carlos Gomes

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