segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Manifestantes protestam diante do MP em Santa Maria, Rio Grande do Sul.






Familiares entenderam que os processos movidos não envolvem todos os culpados pela tragédia.

Cerca de 200 manifestantes participaram de uma passeata e um protesto diante do prédio do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Santa Maria (RS), para pedir a inclusão de mais réus nos processos contra responsáveis pela tragédia da boate Kiss, nesta segunda-feira (27).
Os familiares das 242 vítimas da tragédia, quecompletou um ano hoje, entendem que as denúncias oferecidas pelo Ministério Público à Justiça não apontam todos os culpados e querem que os funcionários públicos, inclusive o prefeito Cezar Schirmer (PMDB), também sejam denunciados por falhas na emissão de alvarás e fiscalização municipais. O Ministério Público sustenta que, apesar do clamor, não há previsão legal para o enquadramento de tais pessoas, a não ser que surjam fatos novos em dois inquéritos policiais que ainda estão em andamento.
Os manifestantes colocaram 242 balões brancos nos muros do prédio do Ministério Público, sentaram no asfalto da rua que passa em frente e permaneceram quase uma hora no local gritando palavras como "justiça" e "acorda Santa Maria". Depois da manifestação, o grupo se dispersou.
Veja as homenagens que serão feitas na cidade
9h: ato cultural em homenagem às vítimas da tragédia de Santa Maria na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no campus de Camobi
14h: segunda apresentação do documentário Janeiro 27, dos produtores Luiz Alberto Cassol e Paulo Nascimento, na Unifra (rua dos Andradas, 1.614)

17h: mobilização social, na Unifra, e apresentação artística e na praça Saldanha Marinho
20h: ato ecumênico na Saldanha Marinho
O incêndio
O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro.
O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.
A casa noturna estava cheia na hora em que o fogo começou, com cerca de mil pessoas. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.
Dois músicos e dois donos da casa noturna chegaram a ser presos, mas respondem ao processo em liberdade. No mês passado, a Justiça determinou a limpeza e descontaminação da boate para avaliar se é possível realizar uma reconstituição do incêndio. A boate ainda está lacrada com tapumes. A Brigada Militar disponibiliza ao menos um policial para fazer a segurança na boate 24 horas por dia para preservar o local até que a Justiça determine a liberação.


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