sábado, 23 de fevereiro de 2008

MV Bill e Yulo Oiticica promovem amplo debate sobre tráfico e violência na ALBA .

O lançamento do livro Falcão, Mulheres e o Tráfico, de Celso Athayde e MV Bill, na tarde (21/02), na Assembléia Legislativa, transformou-se em um amplo debate sobre a questão da violência na periferia, a discriminação racial e o papel do Estado no combate às desigualdades. O evento foi promovido pelo deputado estadual Yulo Oiticica (PT/BA), juntamente com o governo estadual através da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza e a Central única das Favelas (CUFA).

Antes das discussões, o cantor, roteirista e escritor MV Bill deu uma rápida entrevista coletiva e distribuiu autógrafos. Ao notar a grande afluência de populares e autoridades, o organizador do evento, deputado Yulo Oiticica (PT), solicitou ao presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, que os trabalhos fossem transferidos da sala Eliel Martins para o plenário da AL.

E foi com o plenário e as galerias Paulo Jackson completamente lotados que MV Bill começou a sua apresentação, pouco antes das 16h. Ele fez um breve relato sobre a sua trajetória, lembrando que nasceu e se criou na favela Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, e que teve uma infância "padronizada". "Assim como todas as crianças de lá, eu estudava e trabalhava, mas tive que largar cedo a escola."

A mudança em sua vida, segundo relatou, teve início quando conheceu o movimento Hip Hop. "Aquela manifestação artística abriu minha mente para novas possibilidades", contou, acrescentando que essas possibilidades se ampliaram quando enveredou pelo caminho da literatura. Ele disse que três livros mudaram sua vida. Um de Darcy Ribeiro, outro de Abdias Nascimento e uma biografia do líder negro Malcolm X. "A partir da literatura, passei a perceber que poderia incorporar a luta libertária à minha música", afirmou.

EMOÇÃO

Logo após falar sobre as acusações de apologia ao crime, que garante ter sofrido por preconceito racial, quando fez o videoclipe Soldado do Morro, MV Bill emocionou-se duas vezes. A primeira ao tratar da influência da Bahia em sua trajetória. Depois, ao comentar sobre o trabalho de sua mãe. Com a voz embargada, ele disse que em Salvador é onde é melhor recebido e onde faz shows mais acalorados. Porém, a emoção tomou conta de seu depoimento quando lembrou de sua mãe. "Prometi que assim que começasse a ganhar dinheiro, ia tirar ela do trabalho em casa de madame. É uma função muito cruel, na qual mulheres negras vestem-se de branco para tratar os filhos dos outros melhor do que os seus próprios", disse, quase não contendo o choro.

Ao tratar especificamente do livro, MV Bill informou que pretende fazer uma estratégia diferente no lançamento. "Quero lançar esta obra nas cadeias e penitenciárias, pois acredito piamente que será da experiência daquelas mulheres que tiraremos os direcionamentos positivos para a solução de tão grave problema."

Depois de encerrado o pronunciamento do escritor, o deputado Yulo Oiticica abriu um debate com a Mesa e o plenário, quando foram tratados de forma intensa diversos aspectos sobre a atuação governamental no combate à desigualdade e à violência policial.

Um comentário:

  1. Sócrates Santana10 de abril de 2008 08:47

    É importante termos mais um canal de comunicação para a luta em defesa dos direitos humanos na Bahia e no Brasil. É com imensa alegria que a assesssoria de imprensa da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia formada pelo deputado estadual Yulo Oiticica constata a existência deste espaço de comunicação. Até breve...aguardamos notícias.

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