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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tropas brasileiras buscam sobreviventes em prédio da ONU no Haiti.


Soldados brasileiros que participam da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah – sigla em inglês para a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) estão buscando sobreviventes nos escombros do prédio da missão, destruído em um terremoto de 7 graus na escala Richter que afetou o país na terça-feira.

Segundo o subsecretário geral da ONU para Operações de Paz Alain Le Roy, o prédio ficou seriamente danificado e há funcionários desaparecidos. Não se sabe quantos dos cerca de 250 funcionários que trabalham no edifício estavam no local na hora do terremoto, às 16h53 (hora local, 19h53 em Brasília).

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país, que conta com cerca de 7.000 integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força.


"Sabemos que há vítimas, mas no momento não podemos dar nenhum número”, disse Le Roy, que confirmou que o prédio, conhecido como Hotel Christophe, “desabou”.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião.

Até a madrugada de terça-feira, ninguém havia sido retirado dos escombros e muitos funcionários permaneciam desaparecidos.

O epicentro do terremoto foi a 10 km de profundidade e a cerca de 15 km da capital Porto Príncipe, segundo informações da U.S. Geological Survey, a agência geológica americana. Mais de um milhão de pessoas vivem na cidade.

Este teria sido o tremor mais forte na região desde 1770.

Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

O palácio presidencial, a Catedral de Porto Príncipe, a sede do Parlamento e milhares de construções também foram danificadas pelo tremor. Ainda não há número de mortos, mas teme-se que chegue a milhares.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação com a situação do povo haitiano e dos brasileiros que vivem no país. O presidente pediu que sejam avaliadas as necessidades para que o Brasil possa apoiar o esforço de ajuda humanitária ao Haiti.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu aos militares brasileiros presentes no Haiti que façam todo o possível para diminuir o sofrimento da população haitiana. No passado, militares brasileiros no país ajudaram no socorro às vítimas dos furacões que atingiram o Haiti em 2004 e 2008.

Tremor matou chefe da ONU no Haiti, diz ministro francês.


O chefe da missão de paz da ONU no Haiti, o tunisiano Hedi Annabi, teria morrido em consequência do terremoto que atingiu a capital do país, Porto Príncipe, nesta terça-feira, segundo afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner.

“O prédio da missão de paz da ONU desmoronou e parece que todos os que estavam dentro do prédio, incluindo meu amigo Hedi Annabi e todos aqueles que estavam com ele e à sua volta estão mortos”, afirmou Kouchner à rádio francesa RTL.

Annabi estava à frente da missão da ONU no Haiti (Minustah) desde 1º de setembro de 2007. Antes disso, ele ocupou por dez anos a subsecretaria-adjunta da ONU para as operações de manutenção de paz.

O Brasil exerce o comando militar da Minustah, que conta com cerca de 7 mil soldados (1.200 deles brasileiros).

A força de paz da ONU no Haiti conta ainda com outros 2 mil civis.

América Latina:Sobreviventes relatam situação de caos e angústia em Porto Príncipe.



Testemunhas do tremor de 7 graus na escala Richter, que atingiu a capital do Haiti na tarde desta terça-feira, relataram cenas de caos, devastação e angústia, com edifícios destruídos e pessoas mortas e feridas em Porto Príncipe e nos arredores.

As estimativas de vítimas do terremoto ainda são desencontradas, mas segundo afirmou à BBC Mike Blanpeid, da agência geológica dos Estados Unidos, cerca de 3 milhões de pessoas estavam na área mais atingida pelo tremor e que os estragos devem ser “significativos’.

Carel Pedre, um apresentador de rádio e TV em Porto Príncipe, disse à BBC ter testemunhado uma grande destruição no trajeto de oito quilômetros que fez pela capital para encontrar sua filha.

“Eu vi muitas pessoas chorando por ajuda, muitos edifícios desmoronados, vários carros danificados, muitas pessoas sem ajuda, pessoas ensanguentadas”, relatou.

Ele disse ter visto um cinema, um supermercado, um cibercafé e um prédio de apartamentos totalmente destruídos.

Tremores secundários

Pedre disse que podia sentir os tremores secundários a cada 15 ou 20 minutos, cada um durando de três a cinco segundos.

Segundo ele, a escuridão na cidade contribuía para a sensação de medo e preocupação entre a população.

“Não há eletricidade, todas as linhas telefônicas estão desligadas, então não tem muito jeito de as pessoas entrarem em contato com suas famílias e com os amigos”, disse.

Ele afirmou não ter visto muitos carros de serviços de emergência e que as pessoas nas ruas tentavam ajudar uns aos outros, mas sem saber “aonde ir ou por onde começar”.

Mortos
Destruição em Porto Príncipe

Testemunhas disseram ter visto muitas pessoas sob escombros

O repórter da Reuters Joseph Guyler Delva disse que quando o terremoto atingiu a cidade “tudo começou a tremer, as pessoas estavam gritando, as casas estavam caindo”.

Delva disse ter visto dezenas de pessoas mortas. “Eu vi pessoas debaixo dos escombros, pessoas mortas. Havia pessoas gritando ‘Jesus, Jesus’ e correndo em todas as direções”.

Ele descreveu a situação como “caos total”.

Henry Bahn, um funcionário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que estava no Haiti, disse que todas as pessoas na capital haitiana estavam “assustadas e emocionadas”.

Ele relatou à agência de notícias Associated Press que estava retornando ao seu hotel quando o chão começou a balançar.

“Eu podia ouvir uma tremenda quantidade de barulho e de gritos à distância”, disse.

Ele disse ter visto uma cratera onde antes havia várias casas. “Está cheio de muros caídos, de escombros e de arame farpado”, relatou.

‘Confusão e angústia’

Valerie Moliére, de 15 anos, teve que ser ajudada pelo pai para conseguir sair da casa da família, danificada pelo tremor.

“Estava muito, muito ruim. Eu não conseguia nem ficar de pé. Estava no chão, meu pai teve que me pegar e me tirar da casa, de tão ruim que estava”, disse ela à TV americana ABC.

Segundo ela, o ambiente do lado de fora era de “confusão e angústia”. “Neste momento, tudo o que eu posso ver são pessoas correndo. Elas ainda estão correndo e gritando. Só vejo pessoas se abraçando e chorando por todos os lados”, disse.

Segundo ela, os danos foram grandes. “Eu posso ver casas destruídas e muitas pessoas passando ensanguentadas na minha frente”, relatou.

Escuro

Um funcionário da organização não governamental Food for the Poor, Rachmani Domersant, disse que a situação piorou depois que escureceu.

Ele contou à agência Reuters que viu sete ou oito edifícios desmoronados, entre hotéis e lojas. Ele advertiu que as projeções sobre centenas de mortos “podem estar seriamente subestimadas”.

Poucos minutos após o tremor, uma grande nuvem de poeira e fumaça podia ser vista sob o céu da capital.

Mike Godfrey, que trabalha para a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional, disse à rede CNN que parecia que “um cobertor cobria completamente a cidade, deixando-a escura por cerca de 20 minutos”.