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sexta-feira, 27 de março de 2015

ONU inaugura memorial em homenagem às vítimas do tráfico de escravos

Cerca de 15 milhões de homens, mulheres e de crianças foram vítimas da maior forma de migração forçada da história, segundo as Nações Unidas: o tráfico transatlântico de escravos, que durou mais de 400 anos. Eles são relembrados neste 25 de março, Dia Internacional em Memória às Vítimas da Escravidão. E nesta quarta-feira, a ONU revela em sua sede, em Nova York, um memorial permanente para honrar essas vítimas. Projeto Batizado de "Arca do Retorno", o projeto é do arquiteto americano Rodney Leon, descendente de haitianos. A escultura em mármore presta tributo "à coragem dos escravos e dos abolicionistas", além de reconhecer as contribuições das vítimas da escravatura para a sociedade. O memorial está na entrada de visitantes da sede da ONU e um português especialista em mármore liderou a equipe que instalou a obra. Carlos Rodrigues conversou com a Rádio ONU e explicou que a escultura tem um valor espiritual. Experiência "A figura que está representada na parte interior do monumento é uma forma não masculina ou feminina, mas espiritual, que terá uma lágrima e isso é uma forma das pessoas realmente verem qualquer coisa que é sentimental, que vem de dentro, alguma coisa que foi dramática, alguma coisa dos direitos humanos que foram extremamente violados. Essa é a ideia do Rodney Leon. E ele como haitiano e eu como português estivemos em aspectos diferentes (do tráfico de escravos), mas chegamos a um ponto em que podemos construir qualquer coisa juntos. É interessantíssimo e estou muito, muito emocionado com isso." Segundo Carlos Rodrigues, a peça tem cerca de cinco metros de altura e seis de comprimento, e por ser um memorial permanente, poderá ajudar as gerações futuras a entender sobre o tráfico transatlântico de escravos. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a obra "Arca do Retorno" não só lembra o "terrível legado" da escravidão, mas serve para honrar as milhões de vítimas. Além de inaugurar o memorial, as Nações Unidas aproveitam o dia internacional para prestar tributo às mulheres vítimas da escravatura, responsáveis por transmitir a cultura africana aos seus descendentes.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Casa da ONU no Brasil ganha iluminação laranja para marcar os 16 dias pelo Fim da Violência contra as Mulheres

A sede das Nações Unidas no Brasil – a Casa da ONU Complexo Sérgio Vieira de Mello, em Brasília – terá seu prédio iluminado de laranja de 25 de novembro a 10 de dezembro. Em julho de 2012, a campanha UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas, proclamou o dia 25 de cada mês como um Dia Laranja. Em todo o mundo, agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil utilizam esses dias para dar mais visibilidade às questões que envolvem a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas. Nesta terça-feira (25/11), a ONU Mulheres e seus parceiros realizarão eventos marcados pela cor laranja em todo o mundo, para aumentar a conscientização e mostrar solidariedade para com as sobreviventes de abuso. Entre eles, está a iluminação das sedes da ONU em Nova York e em Brasília. O objetivo dessa campanha é desconstruir comportamentos sociais e culturais que exaltam a violência, trazer os homens para participar dessa luta e mostrar que esse é um problema de todos. Conforme a pesquisa Tolerância Social à Violência contra as Mulheres do IPEA mostra, 58% dos homens concordam, total ou parcialmente que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. E 63% concordam, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”. Além disso, 89% dos entrevistados tenderam a concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa” e 82% quem “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Ao mesmo tempo, existe uma opinião forte contrária à violência, uma vez que 89% dos homens afirmaram na pesquisa discordar da afirmação “um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher”, e 91% acham que “o homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia”. A sede da Organização das Nações Unidas no Brasil – a Casa da ONU Complexo Sérgio Vieira de Mello, em Brasília, terá seu prédio iluminado de laranja de 25 de novembro a 10 de dezembro, para marcar os 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A ação é coordenada pela ONU Mulheres e a iniciativa O Valente não é Violento, que mobiliza o Sistema ONU Brasil, na campanha do secretário-geral UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A mobilização anual começou em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), elaboraram a campanha dos 16 Dias de Ativismo com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo. O período escolhido para a campanha se inicia no dia 25 de novembro, declarado como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e termina no dia 10 de dezembro, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, vinculando a luta pela não violência contra as mulheres e a defesa dos direitos humanos Dia Laranja Em julho de 2012, a campanha UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas, proclamou o dia 25 de cada mês como um Dia Laranja. Em todo o mundo, agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil utilizam esses dias para dar mais visibilidade às questões que envolvem a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas. Nesta terça-feira (25/11), a ONU Mulheres e seus parceiros realizarão eventos marcados pela cor laranja em todo o mundo, para aumentar a conscientização e mostrar solidariedade para com as sobreviventes de abuso. Entre eles, está a iluminação das sedes da ONU em Nova York e em Brasília. O objetivo dessa campanha é desconstruir comportamentos sociais e culturais que exaltam a violência, trazer os homens para participar dessa luta e mostrar que esse é um problema de todos. Conforme a pesquisa Tolerância Social à Violência contra as Mulheres do IPEA mostra, 58% dos homens concordam, total ou parcialmente que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. E 63% concordam, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”. Além disso, 89% dos entrevistados tenderam a concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa” e 82% quem “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Ao mesmo tempo, existe uma opinião forte contrária à violência, uma vez que 89% dos homens afirmaram na pesquisa discordar da afirmação “um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher”, e 91% acham que “o homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia”. Ao menos 1 entre 3 mulheres sofrem com a violência no mundo. No Brasil, a cada quatro minutos, uma mulher é vítima de agressão, e mais de 43 mil mulheres foram assassinadas nos últimos dez anos, de acordo com pesquisa do Instituto Avon e do Data Popular, Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a Mulher (2013). Hoje, cerca de 150 países desenvolvem a campanha dos 16 Dias de Ativismo. No Brasil, ela é realizada desde 2003 por meio de ações de mobilização e esclarecimento sobre o tema. No país, o início da campanha foi antecipado para o dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra – pelo reconhecimento da opressão e discriminação históricas contra a população negra e, especialmente, as mulheres negras brasileiras que são as principais vítimas da violência de gênero. O Valente não é Violento É uma iniciativa dentro da campanha UNA-SE Pelo Fim da Violência contra as Mulheres, do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que conta com o envolvimento de todas as agências da ONU e é coordenada pela ONU Mulheres. Tem como objetivo estimular a mudança de atitudes e comportamentos dos homens, enfatizando a responsabilidade que devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas. Desse modo, a juventude da América Latina e do Caribe poderá ter uma vida livre da violência machista. A iniciativa convida as pessoas a repensar e transformar os estereótipos, ou seja, as ideias pré-concebidas dos papéis sociais denominados femininos ou masculinos e das crenças sobre o que as mulheres e os homens devem ser ou fazer. Afinal, essas ideias profundamente arraigadas em nossas culturas são a base da desigualdade de gênero, da discriminação das mulheres e, consequentemente, da violência exercida contra elas. “O Valente não é Violento” quer contribuir para a erradicação das práticas culturais danosas e dos comportamentos prejudiciais às mulheres e meninas gerados por pressões de grupos sociais machistas. http://nacoesunidas.org/casa-da-onu-no-brasil-ganha-iluminacao-laranja-para-marcar-os-16-dias-pelo-fim-da-violencia-contra-as-mulheres/

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ONU terá iniciativa contra o racismo na infância.

Na próxima segunda-feira, 29 de novembro, às 10h, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), lança a campanha Por uma infância e adolescência sem racismo – Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades . A ação tem o objetivo de alertar sobre os impactos do racismo na infância em todo o País.


O evento acontece no auditório do Ministério da Educação, em Brasília, e contará com a presença da representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier, do ministro-chefe da Seppir, Eloi Ferreira de Araujo, da subsecretária nacional de promoção dos direitos da criança e do adolescente da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) e do presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e de representantes do Ministério da Educação (MEC). Além das autoridades, o evento contará com a participação do ator Lázaro Ramos, embaixador do UNICEF no Brasil, de representantes de movimentos negro e indígenas e de adolescentes de escolas públicas do Distrito Federal.


Após a apresentação da campanha, os participantes da mesa estarão disponíveis para responder perguntas dos jornalistas.


Serviço

O quê: Lançamento da campanha Por uma infância e adolescência sem racismo – Valorizar as diferenças na infância é cultivar igualdades .

Quando: Segunda-feira 29 de novembro, às 10h.

Onde: Auditório do Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, bloco E, Brasília, DF.

sábado, 12 de junho de 2010

Conferência Internacional sobre Os Sete Saberes

A UNESCO, a Universidade Estadual do Ceará, associadas à Universidade Católica de Brasília e à Universidade de Barcelona, acreditando na relevância das ideias e ideais estabelecidos na obra de Edgar Morin – Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, propõem-se a realizar, em Fortaleza/Ceará, no período de 21 a 24 de setembro de 2010, a Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente - e a encaminhar suas recomendações e sugestões à Assembleia Geral das Nações Unidas, até o final de 2010, para os devidos encaminhamentos de natureza político-administrativa. Esse evento terá como Presidente de Honra o sociólogo e filósofo Dr. Edgar Morin e será presidido pelo Sr. Dr. Vincent Defourny, representante da UNESCO no Brasil.

Objetivos e estrutura

Essa conferência tem por objetivos desenvolver uma escuta pedagógica sobre as facilidades e dificuldades apresentadas pela comunidade educacional no desenvolvimento de práticas pedagógicas coerentes com as questões propostas no referido documento e extrair, dos diferentes círculos de diálogos e das conferências plenárias, elementos substantivos capazes de nortear possíveis recomendações a serem encaminhadas às diferentes instituições nacionais e internacionais, para futuros desdobramentos e financiamentos de projetos e atividades relacionadas a essa temática.


Saber mais detalhes através do endereço:
http://complexidade.ning.com/events/conferencia-internacional

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mundo Desigual - Por Planeta Voluntários.



"O maior assassino do mundo e a maior causa de doenças e sofrimento ao redor do golfo é… a extrema pobreza."


Desigualdade Social

21 países retrocederam em seu Índice de Desenvolvimento Humano, contra apenas 4 na década anterior. Em 54 países a renda per capita é mais baixa do que em 1990. Em 34 países a expectativa de vida ao nascer diminuiu, em 21 há mais gente passando fome e em 14 há mais crianças morrendo antes dos cinco anos;

No Brasil, 10% brasileiros mais pobres recebem 0,9% da renda do país, enquanto os 10% mais ricos ficam com 47,2%. Segundo a Unicef, 6 milhões de crianças (10% do total) estão em condições de “severa degradação das condições humanas básicas, incluindo alimentação, água limpa, condições sanitárias, saúde, habitação, educação e informação”.

A pesquisa ainda mostra que 15% das crianças brasileiras vivem sem condições sanitárias básicas. As áreas rurais do Brasil concentram a maioria das crianças carentes, com 27,5% delas vivendo em “absoluta pobreza”.

Segundo a OIT, os dados de trabalhadores domésticos infantis é espantoso: no Peru, 110 mil; no Paraguai, 40 mil; na Colômbia, 64 mil; na República Dominicana, 170 mil; apenas na Guatemala, 40 mil; no Haiti, 200 mil; e no Brasil – o campeão de trabalho doméstico na América Latina e talvez no mundo – 500 mil.

. Com 53,9 milhões de pobres, o equivalente a 31,7% da população, o Brasil aparece em penúltimo lugar em termos de distribuição de renda numa lista de 130 países. É o que mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, divulga hoje em Brasília.

Das 55 milhões de crianças de 10 a 15 anos no Brasil, 40% estão desnutridas. 1,5 milhão entre 7 e 14 anos está fora da escola. A cada ano, 2,8 milhões de crianças abandonam o ensino fundamental. Das que concluem a 4ª série, 52% não sabem ler nem escrever.

Mais de 27 milhões de crianças vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil, e fazem parte de famílias que têm renda mensal de até meio salário mínimo. Aproximadamente 33,5% de brasileiros vivem nessas condições econômicas no país, e destes, 45% são crianças que têm três vezes mais possibilidade de morrer antes dos cinco anos.

A cada 12 minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil. Por ano, são registrados 45 mil homicídios no País. No entanto, a probabilidade de um assassino ser condenado e cumprir pena até o fim no Brasil é de apenas 1%.

O Brasil é, segundo a ONU, o país onde mais se mata com armas de fogo. Todos os anos são mortos 40 mil brasileiros;

1,9% do PIB brasileiro é consumido no tratamento de vítimas da violência;

A Aids já deixou mais de 11 milhões de órfãos na África; o devastador avanço desta doença fará com que, em 2010, pelo menos 40 milhões de menores em todo o continente tenham perdido pelo menos um de seus pais, segundo a UNICEF. A cada minuto, uma criança morre de AIDS.

Mais de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no planeta, segundo dados da ONU. Outros 2.4 bilhões não têm saneamento básico. A combinação do dois índices é apontada com a causa de pelo menos 3 milhões de mortes todo ano. Um europeu consome em média entre 300 e 400 litros diariamente, um americano mais de 600 litros, enquanto um africano tem acesso a 20 ou 30 litros diários.

Um em cada seis habitantes da Terra não tem água potável para beber e dois em cada cinco não dispõem de acesso a saneamento básico.

Até 2050, quando 9,3 bilhões de pessoas devem habitar a Terra, entre 2 bilhões e 7 bilhões de pessoas não terão acesso à água de qualidade.

A fome no mundo, depois de recuar na primeira metade dos anos 90, voltou a crescer e já atinge cerca de 850 milhões de pessoas. A cada ano, entram nesse grupo mais 5 milhões de famintos.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 160 mil pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, número que poderia dobrar até 2020 - contabilizando-se catástrofes naturais e doenças relacionadas a elas.

Além da morte, a desnutrição crônica também provoca a diminuição da visão, a apatia, a atrofia do crescimento e aumenta consideravelmente a susceptibilidade às doenças. As pessoas que sofrem de desnutrição grave ficam incapacitadas de funções até mesmo a um nível mais básico.

Muitas vezes, são necessários apenas alguns recursos simples para que os povos empobrecidos tenham capacidade de produzir alimentos de modo a se tornarem auto-suficientes. Estes recursos incluem sementes de boa qualidade, ferramentas adequadas e o acesso a água. Pequenas melhorias nas técnicas de cultivo e nos métodos de armazenamento de alimentos também são úteis..

Muitos peritos nas questões da fome acreditam que, fundamentalmente, a melhor maneira de reduzir a fome é através da educação. As pessoas instruídas têm uma maior capacidade para sair deste ciclo de pobreza que provoca a fome.

Fontes: Documentos internacionais, principalmente da ONU, UNICEF, OMS, FAO e UNAIDS.

Por: Marcio Demari / Diretor Presidente do Planeta Voluntários - Brasil

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cinco cidades brasileiras estão entre as 20 mais desiguais do mundo.

Cinco cidades brasileiras estão entre as 20 mais desiguais do mundo. Relatório apresentado hoje, na abertura do 5º Forum Urbano Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU), no Rio, revela que Goiânia (10ª), Belo Horizonte (13ª), Fortaleza (13ª), Brasília (16ª) e Curitiba (17ª) são as que apresentam as maiores diferenças de renda entre ricos e pobres no País. O documento "O Estado das Cidades do Mundo 2010/2011: Unindo o Urbano Dividido" também informa que o Brasil é o país com a maior distância social na América Latina.



O Rio de Janeiro, na 28ª posição, e São Paulo, na 39ª, também são cidades consideradas com alto índice de desigualdade, de acordo com o relatório da ONU. Nove municípios na África do Sul lideram o ranking. As capitais da Nigéria, Etiópia, Colômbia, Quênia e Lesoto também estão entre as mais desiguais. No total, 138 cidades de 63 países em desenvolvimento foram analisadas. O relatório baseia suas conclusões no coeficiente Gini - cujos indicadores medem a concentração de renda de um país.


Na avaliação do coordenador do relatório e diretor do Centro de Estudos e Monitoramentos das Cidades do Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o mexicano Eduardo Lopez Moreno, existe vínculo direto entre desigualdade e criminalidade. Mais do que custos sociais, o abismo entre ricos e pobres também provoca prejuízos econômicos.


"Estatisticamente falando, existe sim um vínculo. É muito possível que a cidade mais desigual vai gerar muito mais fácil distúrbios e problemas sociais. As autoridades desses países vão deslocar recursos que deveriam ir para investimentos para conter esses movimentos sociais. O custo social acaba se traduzindo em custo econômico", afirmou Moreno.


Favelas


Em termos de favelização, o estudo da ONU apresenta resultados paradoxais para o Brasil. Apesar de ter sido o país que apresentou o maior número absoluto de pessoas que deixaram de viver em condições de favelização na América Latina - 10,4 milhões -, a pesquisa mostrou que o desempenho relativo ficou abaixo dos vizinhos. Enquanto as condições de moradia melhoraram para 16% da população brasileira, este índice ficou em 40,7% na Argentina, 39,7% na Colômbia, 27,6% no México e 21,9% no Peru.


As estimativas apresentadas na pesquisa são de que mais de 227 milhões de pessoas no mundo todo deixaram de viver em regiões faveladas desde o ano 2000. Isso representa uma evolução 2,2 vezes maior do que o estimado nas Metas de Desenvolvimento do Milênio, que haviam estabelecido objetivo de melhorar as condições de habitação de 100 milhões de pessoas até 2020.


"A situação melhorou em dez anos, mas infelizmente no mesmo período o aumento líquido dos pobres urbanos é de 55 milhões", disse Anna Tibaijuka, diretora-executiva do ONU-Habitat.


De acordo com a metodologia da pesquisa, deixar de viver em condição de favelização não significa necessariamente mudança de residência ou remoção de comunidade. Acesso a saneamento básico e água potável, o material utilizado nas moradias e a densidade das residências são os fatores para avaliar se uma região é ou não favelada.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Violência contra as mulheres na agenda da ONU

A sessão anual da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher assinala os 15 anos da Conferência de Pequim. Mas as estatísticas sobre as dificuldades económicas e sociais sofridas pelas mulheres são de arrepiar. Artigo de Thalif Deen, da IPS.

Mais de oito mil mulheres foram violadas por integrantes de grupos armados na República Democrática do Congo em 2009, e mais de três milhões de adolescentes podem sofrer mutilação genital feminina no mundo, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Mutilação genital feminina é uma expressão genérica que compreende diferentes procedimentos como a extirpação total ou parcial dos genitais externos da mulher ou outro tipo de intervenções em seus órgãos sexuais sem justificação médica.

Em Serra Leoa, houve quase mil casos de violações sexuais e mais de 1.500 de violência doméstica no ano passado, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e nenhuma condenação. “Quase todas as mulheres desse país sofrerão algum tipo de violência de género ou sexual ao longo da vida”, disse o vice-representante residente do Pnud, Samuel Harbor. Além disso, quase 250 mil menores foram recrutados para combater em diferentes conflitos armados. O risco é maior para as meninas devido ao perigo de serem transformadas em escravas sexuais, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou o facto de, 30 anos depois de aprovada a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, o problema ainda fazer vítimas. “Em todos os países existe a violência contra mulheres e meninas’, disse, referindo-se aos 192 Estados-membros das Nações Unidas. Esse e outros assuntos serão discutidos durante o encontro de duas semanas da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CEM), principal órgão da ONU sobre questões de género, em Nova York.

O encontro da CEM, de 45 membros, entre 1 e 12 de março, é considerado um dos principais fóruns com participação de activistas que trabalham pelos direitos das mulheres. O debate centrar-se-á nos êxitos e fracassos da Plataforma de Ação de Pequim, adoptada na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada na capital chinesa em 1995. O plano de amplo espectro delineou um contexto político global em matéria de direitos humanos, igualdade de género e poder das mulheres. O compromisso inclui 12 itens importantes: pobreza, educação e capacitação, saúde, violência, conflitos armados, economia, poder e processo de decisão, mecanismos institucionais, direitos humanos, media, meio ambiente e meninas.

Além disso, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) incluem a promoção da igualdade de género, bem com a redução pela metade da proporção de pessoas que vivem na indigência e sofrem fome, a educação primária universal, a redução da mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, a luta contra a expansão do vírus HIV, da malária e de outras doenças, a garantia da sustentabilidade ambiental e a criação de uma sociedade global para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul.

“A ONU não tem um órgão forte encarregado da implementação” da Plataforma de Acção de Pequim, disse à IPS Marianne Mollmann, diretora da divisão sobre direitos da mulher da organização humanitária Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York. Os Estados-membros “falam muito” em criar uma nova entidade de género, embora existam rumores de que haverá algum anúncio a respeito durante as sessões da CEM. A HRW está concentrada na necessidade de criar uma nova estrutura de género dentro da ONU, afirmou Mollmann. Sem uma estrutura desse tipo, ninguém fica responsável pela implementação da Plataforma, acrescentou.

Durante as sessões da CEM, haverá uma mesa-redonda de alto nível com ministros e funcionários da ONU. Os participantes debaterão sobre um documento segundo o qual a fome aumentou em vastas regiões do mundo e há mais de um bilhão de desnutridos. A quantidade de meninas fora da escola diminuiu, mas continuam sendo a maioria dos menores que abandonam os estudos. Além disso, as mulheres ainda são a maioria das pessoas consideradas analfabetas. As possibilidades de acesso ao mercado de trabalho e a empregos decentes são limitadas para as mulheres, das quais uma grande proporção realiza trabalhos precários, segundo o mesmo documento.

Por ano, cerca de 210 milhões de mulheres passam por complicações sérias durante a gravidez, que costumam deixar graves sequelas. Outras 500 mil morrem durante a gestação ou pouco depois do parto, e quase metade delas em países em desenvolvimento. Além do mais, as diversas crises, a económica e financeira, de alimentação e de energia, mais os desafios da mudança climática, tiveram consequências negativas para o cumprimento de vários objetivos de desenvolvimento, incluídos os oito ODM, acrescenta. “Assim, é uma oportunidade para repensar e modificar enfoques políticos, estratégias e ações para garantir um padrão de crescimento e desenvolvimento mais equitativo, sustentável e sensível a questões de género”, é a conclusão no documento.

Artigo IPS/Envolverde

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tremor matou chefe da ONU no Haiti, diz ministro francês.


O chefe da missão de paz da ONU no Haiti, o tunisiano Hedi Annabi, teria morrido em consequência do terremoto que atingiu a capital do país, Porto Príncipe, nesta terça-feira, segundo afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner.

“O prédio da missão de paz da ONU desmoronou e parece que todos os que estavam dentro do prédio, incluindo meu amigo Hedi Annabi e todos aqueles que estavam com ele e à sua volta estão mortos”, afirmou Kouchner à rádio francesa RTL.

Annabi estava à frente da missão da ONU no Haiti (Minustah) desde 1º de setembro de 2007. Antes disso, ele ocupou por dez anos a subsecretaria-adjunta da ONU para as operações de manutenção de paz.

O Brasil exerce o comando militar da Minustah, que conta com cerca de 7 mil soldados (1.200 deles brasileiros).

A força de paz da ONU no Haiti conta ainda com outros 2 mil civis.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bahia sediará 12º Congresso sobre Prevenção do Crime e Justiça da ONU


Evento da ONU, a ser realizado no Brasil em 2010, terá presença de especialistas nas áreas da justiça e combate a criminalidade, incluindo legisladores, juristas e representantes da sociedade civil; agenda do encontro incluirá debates sobre juventude e crime, tráfico humano e crimes cibernéticos.


A cidade de Salvador, na Bahia, foi escolhida para sediar o 12º Congresso sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal da ONU, a ser realizado em 2010. A reunião visa aprimorar as políticas nacionais e internacionais de atuação nesta área.

O congresso programado para o período de 12 e 19 de abril do próximo ano é patrocinado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, e acontece a cada 5 anos em diferentes partes do mundo.

Justiça Criminal

O evento no Brasil terá a presença de especialistas sobre justiça e combate a criminalidade, incluindo legisladores, juristas, acadêmicos e representantes da sociedade civil.

Quatro reuniões regionais, representando a América Latina e Caribe, Ásia Ocidental, Ásia e Pacífico e África, irão produzir a pauta a ser analisada no Congresso.

Entre os temas que deverão ser abordados estão a promoção da justiça criminal para o desenvolvimento dos países e a necessidade da criação de um mecanismo de atuação integrada dos sistemas legais para o combate ao crime.

Crimes Cibernéticos

A agenda do encontro também incluirá debates sobre juventude e crime, tráfico humano, lavagem de dinheiro ilícito e crimes cibernéticos, entre outros.

Ao final do encontro será adotada uma declaração que será apresentada à Comissão sobre Prevenção de Crime e Justiça Criminal das Nações Unidas.

Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York.