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domingo, 11 de setembro de 2011

Quilombo de Escada, no Subúrbio Ferroviário de Salvador





Salvador : Câmara arrecada donativos para vítimas de incêndio

A Câmara Municipal de Salvador instalou um posto de arrecadação de donativos para as famílias atingidas pelo incêndio que destruiu mais de 100 casas na última quinta-feira (08/09), na ocupação Quilombo de Escada, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. As doações poderão ser feitas durante este final de semana e ao longo de toda a semana na recepção do Anexo Emmerson José, no Edifício Bahia Center, na Rua Ruy Barbosa. A Câmara também disponibilizará um veículo para buscar doações de maiores volumes.

A iniciativa da campanha foi da ouvidora-geral da Câmara, vereadora Olívia Santana (PCdoB), que esteve no local do incêndio na manhã de sexta-feira, prestando solidariedade aos moradores e entregando água potável e alimentos para as vítimas.

Maiores informações sobre como doar ou como solicitar o veículo da Câmara para arrecadar os donativos podem ser obtidas através dos números da Ouvidoria da Câmara: (71) 3320-0113 / 3320-0252; ou pelo telefone do líder do Movimento em Defesa da Moradia e do Trabalho (MDMT), Dermeval Cerqueira, (71) 8889-0441
.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mais de 41.500 mulheres assassinadas em uma década.

Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres foram assassinadas no país, o que resultou numa média macabra de 10 brasileiras mortas por dia. O índice de 4,2 assassinadas por 100.000 habitantes coloca o Brasil acima do padrão internacional. Os dados constam do estudo “Mapa da Violência no Brasil 2010″, feito pelo Instituto Sangari, uma organização educacional, com base em dados do Sistema Único de Saúde.

Algumas cidades, como Alto Alegre, em Roraima, e Silva Jardim, no Rio de Janeiro, tem índices de assassinato de mulheres perto dos mais altos do mundo (África do Sul e Colômbia). Entre os estados, a pior colocação no ranking nacional é a do Espírito Santo, com 10,3 assassinatos por 100 mil habitantes.

Ao analisar o assunto no Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (USP), a pesquisadora Wânia Izumino constatou que os assassinos costumam ser maridos ou ex-maridos, namorados ou companheiros inconformados em perder o poder sobre uma relação que acreditavam controlar. Na maioria das vezes, a mulher recusa sexo ou insiste na separação. Motivos fúteis são a causa de aproximadamente 50% dos crimes.

Importante instrumento no combate à violência, o 180, telefone da Central de Atendimento à Mulher, recebeu, nos primeiros cinco meses de 2010, 95% a mais de denúncias em relação ao ano passado. A informação é da Secretaria de Políticas para a Mulher, do governo federal. Conforme a secretaria, das mais de 50.000 mulheres que denunciaram agressões, a maioria é negra, casada, tem entre 20 e 45 anos e nível médio de escolaridade. O perfil do agressor é de um homem negro, com idade entre 20 e 55 anos e nível médio de escolaridade.

A secretaria acredita que uma das causas do aumento da procura pelo 180 é a maior divulgação da lei Maria da Penha.


http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=18609

domingo, 18 de julho de 2010

Mais 3 mulheres assassinadas ontem em Salvador, Bahia.

Três mulheres foram mortas em Salvador até o meio da tarde deste sábado. Duas delas, Vanessa Nascimento dos Santos, 17 anos, e Antonia Maria Mota, 59 anos, foram vitimas de crimes por arma branca - uma na Estrada Velha do Aeroporto e a outra no Nordeste de Amaralina (respectivamente, periferia e orla da capital baiana).

O autor do crime contra a adolescente Vanessa, Valdinei Medeiros de Jesus, 25, foi autuado em flagrante. A ocorrência registrada não deixa explícita a motivação do assassinato. Policiais investigam o caso.

No Nordeste de Amaralina, Manuel Ferreira de Souza foi assassinado junto com Antonia Maria, nas mesmas circunstâncias. A terceira vítima ainda não foi identificada. O corpo foi encontrado com sinais de espancamento no interior de um galpão, na Avenida San Martin, uma das principais vias de Salvador.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eliza Samudio brutalmente assassinada.


Um inspetor da Divisão de Homicídios do Rio disse nesta terça-feira (6) que o menor levado da casa do goleiro Bruno confirmou que a ex-namorada do atleta do Flamengo, Eliza Samudio, estaria morta. Ele, no entanto, não teria dito como isso aconteceu.

Segundo o policial, o menor disse também que sequestrou e deu uma coronhada na cabeça de Eliza, que ficou desacordada mas não teria morrido em decorrência da agressão. Eliza Samúdio está desaparecida desde o início do fim do mês passado.

Na versão do menor, Eliza saiu de carro junto com o amigo de Bruno conhecido como Macarrão. Ele estaria escondido no carro, e teria agredido Eliza depois de uma discussão entre ela e Macarrão. O inspetor disse ainda que até o momento, o menor não incriminou Bruno no ocorrido.

Um dos advogados do escritório que defende o goleiro Bruno, Monclar Gama, esteve mais cedo na Divisão de Homicídios para ver como estava o menor.

O advogado disse, ao sair da delegacia, que não teve acesso ao depoimento prestado pelo menor. Ele disse também que Bruno estava na casa no momento em que a polícia chegou para levar o menor, e recebeu os agentes. Segundo Gama, o menor permanece na delegacia, acompanhado de um tio.

O delegado Rafael Willis, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), informou em entrevista à Rádio Tupi que um parente do jovem esteve na delegacia contando que o menor estaria na casa do goleiro e tinha informações sobre o caso. A polícia teria chegado ao menor após essa informação.

A assessoria do Disque-Denúncia confirmou que recebeu uma ligação com informações que também ajudaram a localizar o menor na casa de Bruno.

Bruno será ouvido

Em Belo Horizonte, também nesta terça, o delegado Edson Moreira afirmou que está negociando com os advogados do goleiro Bruno para que ele seja ouvido na sexta-feira (9) ou na semana que vem. O depoimento deve acontecer em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Além de Bruno, pelo menos outras duas pessoas devem ser ouvidas no mesmo prazo. São elas: a mulher do goleiro, Dayanne, e um amigo conhecido como Macarrão.

esta tarde, os bombeiros voltaram ao entorno da Lagoa Suja, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a equipe que esteve no local, não foram encontradas pistas. Na segunda (5), a polícia recebeu uma denúncia de que o corpo da jovem foi jogado nessa lagoa e os bombeiros já haviam realizado buscas no local, sem sucesso.

Havia previsão de buscas na Lagoa dos Tocos, que fica na mesma região, mas esse trabalho não aconteceu.

Na manhã desta terça-feira, a mãe de criação de Bruno foi ouvida em casa, em Ribeirão das Neves. A conversa foi mantida em sigilo. Ela não precisou ir até a delegacia devido à idade avançada.

Pelo menos 30 pessoas já foram ouvidas no inquérito. A Polícia Civil deve enviar um representante nos próximos dias a São Paulo para recolher o material que está no notebook de Eliza.

Entenda o caso

De acordo com a polícia, o sumiço de Eliza Samudio começou a ser investigado depois de denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador Bruno, em Esmeraldas (MG).

Dayane Fernandes, mulher do goleiro Bruno, teria dito, em depoimento à polícia, que Eliza teria abandonado o bebê. A criança foi encontrada pela polícia na casa de desconhecidos e foi entregue ao avô, pai de Eliza, em 27 de junho.

Dayane chegou a ser levada à delegacia na sexta-feira, 25 de junho. Ela foi detida e liberada em seguida. Segundo a delegada, a mulher do atleta foi autuada por subtração de incapaz.

Na segunda-feira passada, 28 de junho, a polícia vasculhou o sítio do goleiro Bruno, por mais de nove horas. Policiais e peritos fizeram escavações e vistoriaram o sótão, onde encontraram roupas de mulher, objetos de criança, fraldas e passagens aéreas. Um poço também foi vasculhado. A polícia já ouviu funcionários do sítio de Bruno e amigas de Eliza.

O Flamengo anunciou que o goleiro permanece afastado do time durante as investigações. Em 1º de julho, ele disse que estava "muito chateado" com o sumiço de Eliza. O atleta ainda não foi chamado para depor.

Em depoimento, menor afirma que partes do corpo de Eliza foram jogados para cães.

RIO - De acordo com o menor de 17 anos, que depôs nesta terça-feira, confessando participação no desaparecimento da jovem Eliza Samudio , partes do corpo da ex-amante do goleiro Bruno foram jogadas para cachorros. O jovem detalhou como ocorreu o sequestro e o assassinato da jovem, que está desaparecida há quase um mês , em depoimento de quatro folhas, divulgado pelo Jornal Nacional na noite desta quarta-feira. O goleiro e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, se entregaram à polícia à tarde.


Segundo a versão do menor, ele foi convidado por Macarrão para levar Eliza e o bebê de quatro meses, suposto filho de Bruno, para o sítio do goleiro. O jovem teria se escondido no porta-malas do carro. No meio do caminho, ele pulou com a arma em punho. Eliza conseguiu tomar a arma da sua mão e tentou atirar, mas o adolescente consegui recuperá-la, dando três coronhadas na modelo. Ao chegar no sítio, eles dormiram em quartos separados. Uma empregada doméstica também estaria no local.

De acordo com o rapaz, no dia seguinte Eliza não permaneceu trancada, mas Sérgio Rosa ficou responsável por vigiá-la. Ele mandou que ela telefonasse para uma amiga em São Paulo, ameaçando a jovem e obrigando-a a dizer que estava tudo bem. Bruno teria chegado de táxi ao sítio e pedido a Macarrão e ao menor que resolvessem tudo, que ele diria que não sabia de nada. Eles disseram que não poderia libertar a ex-amante do goleiro, pois o problema seria maior. Segundo o adolescente, o jogador teria afirmado então que já havia "acontecido m. da primeira vez", referindo-se ao episódio em que Eliza procurou a polícia denunciando Bruno por agressão e tentativa de aborto. No depoimento, o menor afirma que o goleiro permaneceu no sítio por duas horas e depois foi para o aeroporto de táxi.

No dia seguinte, Macarrão e o primo de Bruno teriam entrado no carro do goleiro em direção a Belo Horizonte. De acordo com o rapaz, eles chegaram a um sítio, onde foram recebidos por um homem chamado Neném, que amarrou Eliza com uma corda e sufocou a jovem com uma gravata. Neném teria pedido para todos deixarem local, mas o adolescente teria visto quando ele passou com um saco e retirou dele uma mão de Eliza, que arremessou para cães. Os ossos teriam sido concretados no mesmo terreno em que a jovem foi morta. Segundo o primo de Bruno, a mulher do goleiro, Dayane Souza, só foi ao sítio depois que soube que a criança estava lá. Ele disse que não falou com o jogador, mas acredita que Macarrão tenha contado o desfecho do sequestro.


Fonte: O Globo.

domingo, 4 de julho de 2010

Dez mulheres são mortas por dia no Brasil, aponta estudo.

Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil. Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio - índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Elas morrem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional. O índice se mantém em patamares quase constantes nos últimos anos, apesar de registrar ligeira queda - era 4.022 em 2006 e baixou para 3.772 em 2007.





Os resultados são um apêndice, ainda inédito, do estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, do Instituto Zangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus). Os números mostram que as taxas de assassinatos femininos no Brasil são mais altas do que as da maioria dos países europeus, cujos índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil habitantes, mas ficam abaixo de nações que lideram a lista, como África do Sul (25 por 100 mil habitantes) e Colômbia (7,8 por 100 mil).


Algumas cidades brasileiras, como Alto Alegre, em Roraima, e Silva Jardim, no Estado do Rio de Janeiro, registram índices de homicídio de mulheres perto dos mais altos do mundo. Em 50 municípios, os índices de homicídio são maiores que 10 por 100 mil habitantes. Em compensação, mais da metade das cidades brasileiras não registrou uma única mulher assassinada em cinco anos.


Outro contraste ocorre quando são comparados os Estados brasileiros. Espírito Santo, o primeiro lugar no ranking, tem índices de 10,3 assassinatos de mulheres por 100 mil habitantes. No Maranhão é de 1,9 por 100 mil. "Os resultados mostram que a concentração de homicídios no Brasil é heterogênea. Fica difícil encontrar um padrão que permita explicar as causas", afirma o pesquisador Julio Jacobo Wiaselfisz, autor do estudo.


São Paulo


São Paulo é o quinto Estado menos violento do Brasil, com índice de 2,8 por 100 mil habitantes. Mas a taxa é alta se comparada à de Estados norte-americanos, como Califórnia (1,2) e Texas (1,5). "Quanto mais machista a cultura local, maior tende a ser a violência contra a mulher", diz a psicóloga Paula Licursi Prates, doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, onde estuda homens autores de violência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fonte:Estadão.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As últimas palavras do Delegado Clayton Leão.




O radialista Marco Antônio, da Rádio Líder FM, em Camaçari, tinha uma entrevista marcada com o delegado no começo da manhã de ontem. Eles já haviam agendado, mas, devido a um atraso, o delegado ligou para a rádio e pediu desculpas, pois não iria poder chegar a tempo. Portanto, disse que poderia parar o carro e falar por telefone ao vivo. Clayton, mesmo atrasado para o trabalho, dedicou alguns minutos para falar sobre o seu trabalho na cidade.

“Eu estava encerrando a entrevista quando aconteceu o crime. Na verdade, ele tinha combinado de dar a entrevista no estúdio da rádio, mas não conseguiu vir. Ele até brincou que outro dia, faria questão de vir pessoalmente à rádio. E eu disse que a cadeira dele estaria sempre à disposição”, relatou o radialista. A entrevista era para falar justamente do trabalho dele no combate ao tráfico de drogas na região. O delegado conversou por mais de 30 minutos com o radialista, até que ele pediu para esperar, foi quando ouvido o barulho dos estampidos.

Foram três tiros pelo que deu para ouvir. Em seguida, a mulher dele começou a gritar que Clayton foi baleado e a pedir socorro. “Sinceramente, não sei o que falar. Estou completamente atônito. Nunca pude imaginar que no meio de uma entrevista acontecesse isso. Como foi com um delegado, podia ser um médico, um advogado ou um professor, assassinado dessa maneira. Eu sabia que o barulho que escutei se tratava de tiros, mas não podia dizer isso ao vivo, que o delegado estava ferido ou morto. O microfone permaneceu ligado por 10 minutos e só escutávamos os gritos da esposa. Foi terrível e estamos muito abalados”, concluiu o radialista.


Tribuna da Bahia

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Santo Amaro sofre a maior enchente de sua história.




São Francisco do Conde pede socorro.



Moradores de Lauro de Freitas são alertados a não voltar para casa.


A Prefeitura de Lauro de Freitas divulgou um alerta pedindo aos moradores do município que não retornem às suas casas nesta quarta-feira, 14. As fortes chuvas bloquearam o acesso das pessoas aos bairros de Villas do Atlântico, Lagoa da Base e Sempre Verde (Portão). A prefeitura também se comprometeu a enviar barcos para resgatar moradores que estão ilhados nestes locais.

Em São Marcos, vinte pessoas foram notificadas por engenheiros da Defesa Civil de Salvador (Codesal) , para deixar suas residências . Os moradores de um prédio localizado na Rua Australázia,, foram informados de que estão em uma área de risco, na última terça-feira ,13.

Moradores de imóveis vizinhos do prédio e da Avenida Lúcia também foram notificados da gravidade da situação.

A Codesal está mobilizando equipes da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), para que seja feita uma inspeção na área, pois trata-se de um local com várias construções irregulares, bem como a Superintendência de Conservações e Obras Públicas (Sucop), para avaliação da encosta.

Salvador em estado de emergência.










quinta-feira, 8 de abril de 2010

Chuvas no Rio: nem tudo vale a pena.

“...o que se espera como resultado do aumento da temperatura média do
planeta, em um futuro cada vez mais presente, são exatamente temporais muito
mais intensos, em duração e amplitude. O mar, além de mais aquecido, estará
em um nível superior ao de hoje, dificultando o escoamento, tanto das águas
pluviais, como dos esgotos, pelo envelhecido sistema de escoamento das
cidades. Ao invés de investir na adaptação do Rio de Janeiro aos problemas
que afligirão a cidade daqui a algumas décadas, as autoridades de todos os
níveis preferem alocar recursos em PACs cosméticos...”



Por Paulo Piramba



Os números realmente impressionam. Em menos de 12 horas choveu na cidade do
Rio de Janeiro, e em parte de sua Região Metropolitana, o equivalente a dois
meses de chuva. Uma média de 270mm, enquanto o índice normal para o mês de
abril é de 140mm. Até o momento em que escrevo, já foram confirmadas pelo
menos 95 mortes.



A causa mais imediata para esse extremo climático de gigantesca proporção é
a combinação de uma frente fria, com o contraste entre o ar polar e o ar
quente tropical, aliado à temperatura do mar, 2ºC mais quente do que o
normal. Além disso, a maré alta contribuiu para que o alagamento das áreas
urbanas do Rio, já muito impermeabilizadas, não escoasse.



Além do triste saldo de mortes, quase todas provocadas por deslizamentos de
encostas, o caos se instalou na cidade. O alagamento das vias impediu a
passagem dos veículos, fazendo com que milhares de pessoas não chegassem em
casa. Muitos dormiram na rua essa noite. Nessa terça-feira, a cidade vive um
feriado forçado, já que escolas, universidades e poder judiciário
suspenderam suas atividades. Mas muitos bancos, lojas e escritórios de
grandes e pequenas empresas também não funcionam, já que seus empregados e
clientes não têm como se locomover. As já normalmente ineficientes empresas
privadas de fornecimento de energia contabilizam milhares de casas sem luz
desde a noite de segunda.



O prefeito do Rio coloca a culpa do colapso da cidade “nas fortes chuvas, na
maré alta, na ocupação irregular das encostas e nas pessoas que insistem em
morar nelas”. Não deixa de alfinetar os “demagogos de plantão” que, segundo
ele, “criticam os reassentamentos de moradores de áreas de risco”. E ainda
dá “nota zero para o preparo da cidade para o temporal”.



Em meio a todo o oba-oba da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no
Rio de Janeiro, os ambientalistas mais críticos – que responsabilizam a
sociedade do consumismo e as suas relações com o meio ambiente, pela
escalada do aquecimento global – insistem que, ao invés de obras de fachada,
fossem incluídas na preparação destes eventos intervenções que começassem a
preparar a cidade para os efeitos que, certamente, as mudanças climáticas
provocarão.



Senão vejamos, o que se espera como resultado do aumento da temperatura
média do planeta, em um futuro cada vez mais presente, são exatamente
temporais muito mais intensos, em duração e amplitude. O mar, além de mais
aquecido, estará em um nível superior ao de hoje, dificultando o escoamento,
tanto das águas pluviais, como dos esgotos, pelo envelhecido sistema de
escoamento das cidades.



Ao invés de investir na adaptação do Rio de Janeiro aos problemas que
afligirão a cidade daqui a algumas décadas, as autoridades de todos os
níveis preferem alocar recursos em PACs cosméticos, que não vão alterar as
precárias condições de habitação da população mais pobre da cidade. Em
intervenções desastradas no ineficiente sistema de transporte público, como
a linha 1A do Metrô. Ou então transferindo a culpa para a natureza ou, o que
é mais revoltante, para as próprias pessoas que moram em locais em
permanente risco e precarização ambiental.



Em décadas de militância nunca vi nenhum morador dessas áreas afirmar que
gosta de morar ali onde está. Nunca vi ninguém expor, por opção própria, sua
família a uma vida sem água, sem esgoto, sem moradia digna e em permanente
risco. O que vi, e continuo vendo, são milhões de pessoas obrigadas a ocupar
estes territórios, por força de uma política econômica que achata salários e
precariza empregos.



São não-cidadãos colocados à margem da sociedade, invisíveis e tratados como
peças de reposição das engrenagens do mercado, para serem usados se e quando
necessário. Pessoas confinadas em guetos, onde o Estado só se faz presente
através da repressão policial, sem saúde e educação. E que, ao invés de
serem alvo de políticas habitacionais que lhes permitam conseguir uma
habitação digna, são alocadas e realocadas de acordo com a vontade da
especulação imobiliária. As casas do PAC racharam com a primeira chuva.
Substituir uma precariedade por outra, não é solução do problema. É troca de
cativeiro.



As autoridades do Rio, além de criminalizarem a pobreza, também vêm
responsabilizando os moradores de comunidades pela degradação ambiental da
cidade. No Rio, muros de confinamento têm sido erguidos sob o álibi de
impedirem que os moradores desmatem as encostas. Mas qualquer levantamento
por satélite mostra que são os condomínios e mansões que estão ocupando as
encostas acima da cota 100, destruindo a Mata Atlântica.



O real objetivo é “limpar” o Rio para que se transforme cada vez mais numa
cidade-espetáculo para os ricos, palco de grandes eventos, como desejam hoje
autoridades e empresários. Não é mais suficiente condenar milhões à
invisibilidade do não-acesso à sociedade do consumo. É necessário varrê-los
para baixo do tapete, escondê-los fisicamente com os tapumes da Linha
Vermelha, expulsá-los para o mais longe possível, para que as áreas onde
eles hoje estão sejam “revitalizadas”, como se lá nessas comunidades não
houvesse vida.



Ao longo da história, as cidades vêm perdendo sua referência territorial por
conta e obra das exigências dos mercados. Ocupar áreas de mangue aterradas
ou de várzea, e depois lamentar as inundações tornou-se freqüente.
Incentivar o consumo desenfreado, e depois não saber onde colocar o lixo,
também. Permitir que as indústrias utilizem e poluam a maior parte da água
potável, e depois sofrer com a sua escassez vai se tornando uma norma.



Vivemos em um planeta à beira de uma ameaça que pode colocar em risco a
sobrevivência das espécies, entre elas, a humana. O sistema que polui águas,
solos e ar, que vem dilapidando as riquezas naturais e causando uma
devastação ambiental dramática, tem a capacidade de destruir também o
equilíbrio do clima. Tudo isso pela utilização de modos de produzir e
combustíveis que agridem a natureza. Têm valido a pena?



* Paulo Piramba, 55 anos, é membro da Rede Ecossocialista Internacional e do
Instituto Búzios.



Fonte: Agência Petroleira de Notícias

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As circunstâncias que levaram ao assassinato de Maria Islaine de Moraes serão discutidas nesta terça-feira (23/2/10)

Direitos Humanos:
Assassinato em salão de beleza é discutido na Comissão de Segurança

As circunstâncias que levaram ao assassinato de Maria Islaine de Moraes em seu salão de beleza no bairro Santa Mônica, em Belo Horizonte, no dia 20 de janeiro, serão discutidas pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta terça-feira (23/2/10). Solicitada pelo deputado Ruy Muniz (DEM), a reunião acontecerá às 10 horas, no Auditório da ALMG. Maria Islaine foi assassinada pelo ex-marido, Fábio William da Silva Soares, e o crime foi filmado por câmeras de segurança instaladas pela própria vítima em seu salão de beleza.

De acordo com o deputado Ruy Muniz, o assassinato chamou atenção para a necessidade de se reavaliar o combate à violência contra a mulher, objetivo mais amplo da reunião desta terça. Após o crime, a família de Maria Islaine relatou que ela já havia registrado oito boletins de ocorrência contra o ex-marido, que a ameaçava frequentemente. A Justiça já havia proibido Fábio Soares de se aproximar da ex-mulher, o que não foi suficiente para evitar a morte.

Fábio Soares foi preso um dia depois do crime, em Biquinhas, distrito de Morada Nova de Minas, a 297 quilômetros de Belo Horizonte. O casamento, que durou cinco anos, terminou um ano antes do assassinato. Soares disparou várias vezes contra a cabeça e o tórax da ex-mulher, que morreu na hora. Duas clientes e uma funcionária presenciaram a morte.

Presenças - Estão convidados a participar da reunião o procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques; o chefe da Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro de Castro; a chefe da Divisão Especializada da Mulher, Idoso e Deficiente da Polícia Civil, Silvana Fiorillo Rocha Resende; a presidente do Conselho Estadual da Mulher, Carmen Rocha Dias; a coordenadora Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Márcia de Cássia Gomes; e a presidente do Movimento Popular da Mulher, Maria Izabel Ramos de Siqueira.


Gerência de Jornalismo da ALMG
Tel: (31) 2108-7715
Fax: (31) 2108-7808
E-mail: assessoria.imprensa@almg.gov.br

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pouco a pouco, a imprensa vai abandonando o Haiti.



Na base das Nações Unidas no Haiti não cabe nem um alfinete. Está lotada. Todo mundo que chega a Porto Príncipe com disposição de ajudar se instala com a tenda de campanha nestas instalações, formadas por pré-moldados e piso de cascalho. Há somente um chuveiro, o que provoca filas intermináveis. As mulheres haitianas que limpam os banheiros se oferecem também para lavar roupa por 50 dólares. Quatro crianças adotadas por famílias espanholas estão prestes a deixar o Haiti. Nesta semana já chegaram ao aeroporto de Barajas três menores que foram adotados por famílias de Murcia antes que ocorresse o terremoto. O governo espanhol também se mobilizou para retirar Kelly do Haiti, uma criança com paralisia que precisa ser operada.


Pouco a pouco a imprensa vai abandonando Porto Príncipe. Ainda que um grande número de jornalistas permaneça no país, vários meios de comunicação já se retiraram. Os jornalistas estadunidenses ainda aguentam, em busca de imagens espetaculares. O edifício da rádio Caribe segue inteiro, mas as rachaduras fizeram com que a equipe de locutores fosse para a rua fazer seus programas. Misturam música com informação sobre os lugares de distribuição de comida. A rádio é, neste momento, a única maneira que os haitianos têm de se distraírem.

O presidente haitiano pediu um compromisso de ajuda de longo prazo na conferência realizada em Montreal. O Haiti necessita de, ao menos, dez anos de reconstrução. A comunidade internacional se comprometeu a promover uma reconstrução para fortalecer as instituições e a estabilidade do país caribenho. Várias ONGs participaram da reunião no Canadá para explicar suas necessidades aos principais doadores de ajuda humanitária. A Oxfam pediu de novo o cancelamento da dívida internacional do Haiti, que chega a 630 milhões de euros. "Com todas as necessidades que temos daqui em diante, o tema de nossa dívida é mínimo. O que queremos é um compromisso de ajuda de longo prazo, ao menos de dez anos", disse o primeiro ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. Por sua parte, as delegações presentes à reunião se comprometeram a promover uma reconstrução do país que fortaleça suas instituições democráticas, fomente o desenvolvimento social e econômico sustentável e promova a estabilidade política no país.

Garantiram também que, ao perseguir esses três objetivos, respeitarão a soberania do país caribenho, coordenarão seus esforços, procurarão manter um compromisso de longo prazo, de ao menos dez anos, serão eficientes e não excludentes e atuarão com transparência. O documento sublinha o "papel coordenador chave" da ONU, ao mesmo tempo em que promete incluir nos esforços de reconstrução as organizações internacionais, nacionais e regionais, assim como as instituições financeiras. Participaram da conferência o ministro francês de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, a espanhola Maria Teresa Fernández de la Vega, representante da EU, ministros dos países do Grupo de Amigos do Haiti (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, França, México, Peru, EUA e Uruguai), entre outros.

Durante a conferência, o ministro haitiano de Turismo, Patrick Delatour, anunciou que as autoridades do país pediram à comunidade internacional 3 bilhões de dólares para enfrentar as consequências do terremoto. O ministro explicou que o governo usaria 2 bilhões de dólares para construir moradias para as 200 mil pessoas que perderam suas casas. O resto iria para a reconstrução de edifícios do governo e obras de infraestrutura, entre as quais se incluem o principal porto do país e três aeroportos internacionais. Uma nova conferência será realizada em março, na sede da ONU, quando deve ser colocada uma proposta concreta sobre a mesa. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que a ajuda deve seguir "a ordem correta" e que não convém "comprometer dinheiro sem saber o que vão fazer com ele".

Antes de chegar a Montreal, Hillary Clinton justificou a posição dos EUA de controlar a distribuição da ajuda. "É que é mais fácil para os Estados Unidos chegarem antes, já que somos um país vizinho". Ela disse ainda que Washington estuda a possibilidade de aceitar mais imigrantes procedentes do Haiti. O primeiro ministro haitiano rejeitou essa opção. "Não queremos provocar um êxodo". O governo haitiano anunciou que esta semana poderia começar a transportar cerca de 400 mil sobreviventes – que estão hoje em mais de 400 acampamentos improvisados na capital – para refúgios temporários, que inicialmente também seriam acampamentos, fora de Porto Príncipe. O ministro da Saúde, Alex Larsen, disse que um milhão de pessoas que viviam na zona de Porto Príncipe, tiveram que sair de suas antigas áreas de moradia.

Outro tema chave da conferência de Montreal foi o perigo que correm as crianças haitianas de cair nas mãos das redes de traficantes e de adoções ilegais. Os traficantes podem tentar se aproveitar da situação de caos e instabilidade social para levar crianças para fora do Haiti, por ar ou pela fronteira terrestre com a República Dominicana, segundo denunciaram o governo haitiano e organizações de ajuda humanitária. As autoridades também temem que algumas ONGs tenham retirado menores do país para entregá-los a famílias de adoção antes que tenham se esgotado os esforços para encontrar seus pais. Por esse motivo, o governo haitiano interrompeu na semana passada este tipo de adoções. Segundo Kent Page, porta-voz da Unicef, cerca de 700 crianças perderam o contato com seus pais durante o terremoto.


Por Susana Hidalgo – Público, de Madri

Fonte: Carta Maior

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Célula psicológica atende a socorristas e jornalistas traumatizados no Haiti.




PORTO PRÍNCIPE (AFP) - Socorristas, soldados da ONU e jornalistas traumatizados após presenciarem o espetáculo de dor e destruição, com corpos amontoados pelas ruas, depois do terremoto que devastou Porto Príncipe, encontram no acampamento da Minustah uma célula de apoio psicológico da ONU, criada especialmente para essas circunstâncias.


"Atendemos a cem pessoas por dia", explica à AFP Youssoupha Niang, a psiquiatra que criou esta célula no dia seguinte à tragédia. Mais de duas semanas após o terremoto de 12 de janeiro, que deixou pelo menos 170 mil mortos e milhares de desaparecidos, a equipe de sete psicólogos atendeu a mais de 2 mil pessoas.

A Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) sofreu um duro golpe: 84 empregados, entre eles o chefe da Minustah Hedi Annabi, morreram no terremoto e outros 15 foram declarados desaparecidos.

Em cima de uma mesa, um manual de instruções indica "o que deve ser feito e o que não deve, logo após uma comoção desse tipo": "não beba muito álcool, continue trabalhando, e não finja que está tudo bem".

"Os casos mais comuns são os de quem cuidou de cadáveres", explica Niang. "Alguns jamais tinham visto um cadáver, ou pelo menos não tantos. O sentimento de impotência é imenso e os sintomas se manifestam", explica a psiquiatra.

Niang atendeu a repórteres, principalmente fotógrafos e cinegrafistas, "estas pessoas que se aproximaram da realidade através de suas lentes, que sobre o papel parecem ter distância, e que tiveram que seguir fazendo seu trabalho".

Ainda assim não fala do "PTSD" (Post Traumatic Stress Disorder), um estado de estresse pós-traumático que não é diagnosticado até um mês depois do ocorrido. "Por enquanto, se trata de um estresse agudo e de fadiga", explica a psiquiatra. Ela destaca sinais de hiperatividade, hipervigilância constante, particularmente na base da ONU. "Dizemos a eles para evitarem beber café que não faz mais que juntar hormônios de estresse e fadiga no coração", adverte a psiquiatra. Os que deixaram de fumar voltaram com o vício.

"Geralmente um sentimento de impessoalidade se apodera dos que tinham uma posição de autoridade e que após o ocorrido se sentem impotentes", afirma Ana Estrada, uma das psicólogas da equipe.

Há alguns que emagrecem em poucos dias: "emagrecem ainda que comam, já que a hiperatividade é tão grande que o que comem acaba não compensando o que perdem".

Alguns têm perdas de memória: "não se lembram da conversa que tiveram minutos antes". Sem contar com insônia, aparecimento de hipertensão arterial e até perdas de sensações, uma maneira de se proteger que, como se fosse uma anestesia, faz a pessoa não sentir mais sua mão, por exemplo.

Curiosamente, as mulheres parecem resistir melhor psicologicamente, comenta Niang. "No plano psicológico parecem se adaptar melhor podendo até mesmo se dedicarem às suas tarefas sem perder o controle emocional", explica.

Muito poucos recebem uma prescrição médica. Entretanto, muitos recebem a indicação de alguns dias de repouso para saírem do inferno da capital destruída.

Marceus-Yves Joseph, um haitiano de 31 anos e integrante da Minustah, sai de uma consulta. "Vi muitos feridos embaixo de casas derrubadas e há 15 dias que não consigo entrar em um lugar com um teto e fico apenas embaixo das estrelas. Mas não durmo mais e isso tem tendência a piorar", afirma o homem de 1,90 metros de altura, com lágrimas nos olhos enquanto fala sobre ir dormir à noite.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Porto Príncipe pode sofrer novo terremoto em breve, alertam especialistas


WASHINGTON, EUA (AFP) - Um terremoto tão ou mais violento que aquele que devastou Porto Príncipe, no dia 12, ameaça novamente a capital haitiana, advertiram os especialistas, insistindo na necessidade de reconstruir as infraestruturas da cidade segundo normas sísmicas rígidas, como as existentes no Japão ou na Califórnia (oeste dos EUA).

O Haiti continuará por várias semanas exposto a um risco importante de fortes tremores secundários, um fenômeno normal depois de um terremoto e que vai diminuir com o tempo.

O Instituto sismológico americano (USGS) avaliou, nesta quinta-feira, que existe 25% de chance de um ou mais tremores de magnitude 6 acontecerem durante este período.

O terremoto do dia 12, que matou pelo menos 111 mil pessoas, liberou grande parte da tensão acumulada nesta parte da falha Enriquillo. Porém, outra parte, localizada a leste do epicentro e diretamente adjacente a Porto Príncipe, pouco se mexeu, alertou o USGS. O instituto se baseia em medições preliminares de deformação do solo realizadas com radares e perspectivas aéreas.

De acordo com o USGS, esta parte da falha foi submetida ao mesmo acúmulo de tensão provocado pelo movimento das placas tectônicas da América do Norte e do Caribe, e pode liberar esta energia a qualquer momento.

"Os tremores anteriores no mundo e a história sísmica do Haiti indicam que terremotos de alta magnitude podem se repetir no mesmo lugar em um curto espaço de tempo", explicou à AFP David Schwartz, um especialista do USGS, citando o caso da Turquia em 1999, quando dois terremotos de magnitude superior a 7 foram registrados num intervalo de três meses.

Para Schwartz, este cenário pode se repetir em Porto Príncipe. "Nenhum de nós ficaria surpreso se isso acontecesse", afirmou.

A falha de Enriquillo ainda pode provocar um tremor de até 7,2 no Haiti, alertou, por sua vez, Eric Calais, um sismólogo francês da Universidade de Purdue, no estado de Indiana (norte dos EUA).

"Os tremores nesta região tendem a se repetir em sequência", afirmou, lembrando que nos três últimos séculos, terremotos de magnitude comparável ou superior ao do dia 12 abalaram o Haiti pelo menos quatro vezes, entre eles os de 1751 e 1770, que destruíram completamente Porto Príncipe.

"Como a região tem um passsado sísmico, é preciso reconstruir Porto Príncipe segundo normas sísmicas rígidas. O custo será mais elevado, mas é tecnicamente factível", afirmou Eric Calais.

Uma avaliação exaustiva do risco sísmico no Haiti, o país mais pobre das Américas, e nas demais nações do Caribe, permitirá melhorar as normas de construção e edificar prédios resistentes aos terremotos, explicou o USGS.

Isso requer, porém, estudos geológicos aprofundados das falhas e do solo, e tais estudos costumam demorar vários anos, segundo o instituto.

O Haiti foi negligenciado neste âmbito. Nos quinze últimos anos, somente duas equipes de geólogos e sismólogos se deslocaram ao Haiti, lamentou Calais, que participou de uma destas expedições e havia advertido para o risco de fortes terremotos.

O especialista deve viajar ao Haiti nesta segunda-feira para coordenar uma missão de avaliação, a primeira desde a catástrofe do dia 12.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Brasil mandará 15 milhões de dólares para o Haiti.

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa por telefone nesta quarta-feira com o presidente dos EUA, Barack Obama, propôs uma reunião do grupo de países empenhados em ajudar na reconstrução do Haiti, devastado por um forte terremoto.


O Brasil anunciou nesta quarta-feira uma ajuda de 15 milhões de dólares. "Propus ao presidente Obama que o Brasil está disposto a participar, junto com os EUA e a ONU, na coordenação de uma reunião dos países doadores, para que a gente possa agilizar logo o que seja necessário de recursos para recuperar o Haiti", afirmou Lula a jornalistas após conversar com Obama. Não foram fornecidos mais detalhes sobre a reunião.

O terremoto que devastou o Haiti, na terça-feira, pode ter deixado dezenas de milhares de mortos, segundo autoridades do país. Entre os mortos estão 11 militares brasileiros em missão da ONU no Haiti e a médica fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que estava visitando o país.

O Brasil enviou nesta quarta-feira através de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) 13 toneladas de suprimentos para ajudar as vítimas do tremor de magnitude 7,0, o mais forte a atingir o Haiti em mais de 200 anos.

Uma outra aeronave da FAB deve partir na quinta-feira levando a bordo profissionais da Defesa Civil do Rio de Janeiro e cães farejadores, além de equipamentos e mais suprimentos.

Além disso, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, voou com autoridades militares e civis nesta quarta-feira para verificar a situação do país e de que forma o Brasil pode intensificar a ajuda às vítimas.

Segundo Lula, Obama disse que se encontrará na quinta-feira com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, enviado especial da ONU para o Haiti, para discutir medidas para ajudar a nação mais pobre do Hemisfério Ocidental.

"Neste momento temos que trabalhar obedecendo a orientação dos dirigentes do país (Haiti)", disse o presidente. Lula afirmou ainda que tentou falar com presidente do Haiti, René Préval, mas não conseguiu.

Lula decretou luto oficial de três dias e pediu um minuto de silêncio, durante cerimônia em Brasília, em homenagem às vítimas do desastre.

(Reportagem de Natuza Nery)

Tropas brasileiras buscam sobreviventes em prédio da ONU no Haiti.


Soldados brasileiros que participam da missão de paz da ONU no Haiti (Minustah – sigla em inglês para a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) estão buscando sobreviventes nos escombros do prédio da missão, destruído em um terremoto de 7 graus na escala Richter que afetou o país na terça-feira.

Segundo o subsecretário geral da ONU para Operações de Paz Alain Le Roy, o prédio ficou seriamente danificado e há funcionários desaparecidos. Não se sabe quantos dos cerca de 250 funcionários que trabalham no edifício estavam no local na hora do terremoto, às 16h53 (hora local, 19h53 em Brasília).

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país, que conta com cerca de 7.000 integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força.


"Sabemos que há vítimas, mas no momento não podemos dar nenhum número”, disse Le Roy, que confirmou que o prédio, conhecido como Hotel Christophe, “desabou”.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião.

Até a madrugada de terça-feira, ninguém havia sido retirado dos escombros e muitos funcionários permaneciam desaparecidos.

O epicentro do terremoto foi a 10 km de profundidade e a cerca de 15 km da capital Porto Príncipe, segundo informações da U.S. Geological Survey, a agência geológica americana. Mais de um milhão de pessoas vivem na cidade.

Este teria sido o tremor mais forte na região desde 1770.

Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

O palácio presidencial, a Catedral de Porto Príncipe, a sede do Parlamento e milhares de construções também foram danificadas pelo tremor. Ainda não há número de mortos, mas teme-se que chegue a milhares.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação com a situação do povo haitiano e dos brasileiros que vivem no país. O presidente pediu que sejam avaliadas as necessidades para que o Brasil possa apoiar o esforço de ajuda humanitária ao Haiti.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu aos militares brasileiros presentes no Haiti que façam todo o possível para diminuir o sofrimento da população haitiana. No passado, militares brasileiros no país ajudaram no socorro às vítimas dos furacões que atingiram o Haiti em 2004 e 2008.

Tremor matou chefe da ONU no Haiti, diz ministro francês.


O chefe da missão de paz da ONU no Haiti, o tunisiano Hedi Annabi, teria morrido em consequência do terremoto que atingiu a capital do país, Porto Príncipe, nesta terça-feira, segundo afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner.

“O prédio da missão de paz da ONU desmoronou e parece que todos os que estavam dentro do prédio, incluindo meu amigo Hedi Annabi e todos aqueles que estavam com ele e à sua volta estão mortos”, afirmou Kouchner à rádio francesa RTL.

Annabi estava à frente da missão da ONU no Haiti (Minustah) desde 1º de setembro de 2007. Antes disso, ele ocupou por dez anos a subsecretaria-adjunta da ONU para as operações de manutenção de paz.

O Brasil exerce o comando militar da Minustah, que conta com cerca de 7 mil soldados (1.200 deles brasileiros).

A força de paz da ONU no Haiti conta ainda com outros 2 mil civis.