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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Transtornos mentais afetam 23 milhões de pessoas no Brasil.

No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar de a política de saúde mental priorizar as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais prevalentes estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.

Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mental ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados da OMS indicam que 62% dos países têm políticas de saúde mental, entre eles o Brasil. No ano passado, o país aplicou R$ 1,4 bilhão em saúde mental.

Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados a medidas que visam a tirar a loucura detrás das grades de hospícios, com a substituição do atendimento em hospitais psiquiátricos (principalmente das internações) pelos serviços abertos e de base comunitária.

Em 2002, 75,24% do orçamento federal de saúde mental foram repassados a hospitais psiquiátricos, de um investimento total de R$ 619,2 milhões. Em 2009, o percentual caiu para 32,4%. Uma das principais metas da reforma é a redução do número de leitos nessas instituições. Até agora, foram fechados 17,5 mil, mas ainda restam 35.426 leitos em hospitais psiquiátricos públicos ou privados em todo o país.

A implementação da rede substitutiva – com a criação dos centros de Atenção Psicossocial (Caps), das residências terapêuticas e a ampliação do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais – tem avançado, mas ainda convive com o antigo modelo manicomial, marcado pelas internações de longa permanência.

O país conta com 1.513 Caps, mas a distribuição ainda é desigual. O Amazonas, por exemplo, com 3 milhões de habitantes, tem apenas quatro centros. Dos 27 estados, só a Paraíba e Sergipe têm Caps suficientes para atender ao parâmetro de uma unidade para cada 100 mil habitantes.

As residências terapêuticas, segundo dados do Ministério da Saúde referentes a maio deste ano, ainda não foram implantadas em oito unidades federativas: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Tocantins. No Pará, o serviço ainda não está disponível, mas duas unidades estão em fase de implantação. Em todo o país há 564 residências terapêuticas, que abrigam 3.062 moradores.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Modelo assistencial em saúde mental implementado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) recebe críticas severas de psiquiatras.

O modelo assistencial em saúde mental implementado no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS) foi alvo de fortes críticas durante o I
Fórum Câmara Técnica de Psiquiatria Integração CFM x CRMs, realizado
nesta quarta-feira (17), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), na
sede da entidade, em Brasília.

Durante a reunião, os participantes
questionaram as políticas públicas de assistência em Psiquiatria,
adotadas pelo Ministério da Saúde. No entendimento do grupo, as
medidas em prática comprometem a atenção à saúde mental, porque criam
obstáculos ao bom diagnóstico e ao tratamento de pacientes com
transtornos mentais.

As conclusões serão incorporadas ao relatório que será
apresentado e discutido pelo plenário do CFM. “O encontro foi
relevante e pertinente dentro de nosso propósito de avaliar e
colaborar com a formulação de políticas públicas na área de saúde. Os
conselhos de Medicina são atores importantes neste contexto e têm
muito com o que contribuir”, ressaltou o conselheiro Emmanuel Fortes,
3º vice-presidente do Conselho e coordenador da Câmara Técnica.

O Fórum foi organizado pela Câmara Técnica de Psiquiatria do
Conselho Federal de Medicina e contou com representantes de conselhos
regionais de Medicina e de outras entidades que acompanham de perto o
tema. Para os participantes do encontro, os problemas da assistência
em Psiquiatria são inúmeros e acontecem em diferentes níveis da
assistência.

Pontos frágeis

Entre outros pontos, eles reclamam da baixa
proporção de serviços especializados em comparação com o tamanho da
população e também da estigmatização do trabalho do psiquiatra. De
acordo com o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP),
João Alberto Carvalho, na formulação da política de saúde mental do
Ministério da Saúde, “prescindiu-se da posição técnica do médico e
tentam uma ferramenta onde nem sempre a assistência médica está
garantida, o que leva os psiquiatras a serem estigmatizados”,
declarou.

As críticas atingem a política de desospitalização implementada
pelo Ministério da Saúde, após a aprovação do projeto de lei da
Reforma Psiquiátrica, em 2001. Para os participantes do Fórum, esta
política, na prática, não se preocupou em oferecer, ao cidadão, reais
alternativas de tratamento nos casos onde a internação aparece como
uma etapa incontornável no tratamento dos problemas diagnosticados.

Além da dificuldade de acesso à internação, a redução no número
de leitos psiquiátricos tem contribuído para sobrecarregar a rede
hospitalar, sobretudo nos municípios do interior e mesmo em algumas
capitais. É o caso de Teresina (PI), onde a falta de serviços capazes
de acolher e tratar casos de internação em cidades pequenas do Estado
obriga a capital piauiense a assumir a responsabilidade de acolhê-los,
muitas vezes sem sucesso. “A quantidade de doentes mentais nas ruas é
um indicativo da desassistência”, ressaltou João Alberto Carvalho,
presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Essa realidade foi confirmada por Carlos Francisco Almeida de
Oliveira, integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria do CRM do Piauí.
“Nós estamos assistindo, em nossa cidade, o acúmulo de pacientes com
transtornos psiquiátricos nas praças. Sobretudo, no caso dos
dependentes químicos. Eles levam colchões, se instalam onde podem, e
ficam a mercê de qualquer tipo de violência”.

Dependência química - *A falta de atenção adequada aos usuários
de álcool e outras drogas também foi ressaltada pelos participantes do
Fórum, realizado no CFM, como um problema grave no âmbito da atenção
psiquiátrica no país. De acordo com o integrante da Câmara Técnica e
representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp),
Ronaldo Ramos Laranjeira, a crítica se dirige aos Centros de Atenção
Psicossocial especializados no acompanhamento de pacientes com
dependência química, conhecidos como CAPs-ad.

O número de unidades em funcionamento não é suficiente para
atender a demanda crescente na população, afirmam os participantes do
encontro. Além disso, eles apontam a falta de leitos de internação
preparados para receber estes casos. A preocupação cresce ainda mais
com o fenômeno do crack, droga barata e que tem ampliado muito seu
número de usuários em vários estados, transformando-se num problema de
saúde pública. Para Emmanuel Fortes, o tema merece uma profunda
reflexão, pois a “política antidrogas não combate, mas estimula o
consumo”.

Autonomia do paciente - O Fórum também discutiu as diretrizes
para um modelo de assistência integral em saúde mental no Brasil, que
incluem, entre outros pontos, a elaboração de campanhas para reduzir o
estigma dos portadores de transtornos mentais, além do processo de
formação médica - desde a graduação até a residência médica em
Psiquiatria.

Um assunto polêmico discutido foi a autonomia do portador de
transtornos mentais. “O paciente que tem condições de decidir sobre o
tratamento, pode não ter condições de decidir sobre a sua vida civil,
mas tem capacidade de conhecer o próprio corpo e a gravidade do caso
dele. Nesse
caso, deve ser respeitada a vontade do paciente”, assinalou o
promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios, Diaulas Ribeiro, um dos conferencistas convidados.

No Fórum, os participantes apresentaram várias sugestões, como a
criação de uma comissão de implantação das diretrizes em Psiquiatria e
outra de revisão dessas diretrizes. As deliberações serão discutidas
pelo CFM, em Sessão Plenária. Também foram palestrantes no encontro o
presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego),
Salomão Rodrigues Filho; vice-presidente do CRM-MS, Juberty Antonio de
Souza; o conselheiro do CRM-PA, Benedito Paulo Bezerra; o promotor de
Justiça aposentado, José Geraldo Vernet Taborda; o conselheiro do
CRM-MT e conselheiro federal suplente, Alberto Carvalho de Almeida; o
integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria e Saúde Mental do CREMERJ,
João Romildo Bueno; o coordenador da Câmara fluminense, Paulo César
Geraldes; e o membro do conselho consultivo e ex-presidente da ABP,
Josimar Mata de Farias França.

Associação Psiquiátrica da Bahia
Gestão 2006-2008

terça-feira, 23 de março de 2010

IV Conferência Nacional da Saúde Mental.Quem confere a Conferência?

Recebemos o documento abaixo transcrito e que denuncia a forma como está sendo preparada a IV Conferência Nacional da Saúde Mental. Realmente, verificamos que não há transparência neste evento. Confira o e-mail abaixo. Fonte preservada.


"Em novembro de 2009, de forma açodada foi convocada a IV Conferência Nacional da Saúde Mental.

O governo LULA demonstrou apreço aos integrantes da "Marcha dos Usuários" - realizada à época - porém se /esquecau/ de auscultar opiniões dos Profissionais da Saúde Mental, dos Gestores e dos diversos atores da cena em questão.

Em 15 de Janeiro último, uma "Comisão Organizadora", auto intitulada "provisória" constituída arbitrariamente pela Coordenação Nacional da Saúde Mental, divulgou o "calendário" a ser seguido: "março e abril; Conferências Municipais", "Maio, Estaduais", "Junho, a nacional".

Interessante notar que o Coordenador Nacional da Saúde Mental, o Dr. Pedro Delgado ocupa essa distinta posição desde o primeiro governo FHC: se não me falha a memória _ninguém_ antes "na história desse País", se manteve num mesmo cargo de confiança. Talvez D. Pedro...

Bem, o fato é que ninguém sabe quais são os critérios para a escolha dos Delegados para as Conferências.

Publicou-se no site do Ministério da Saúde a divisão "paritária" (www.saude.gov.br).

Mas quem escolhe os Delegados?

Fala-se à boca pequena que um critério é certo: "Quem é da Coordenação" - Municipal, Estadual e Nacional - é Delegado "nato". Voltamos ao tempo das Capitanias.
Viva D. Pedro Delgado!!!

E aqui em Salvador? "Democraticamente" a Coordenação da Saúde Mental se cala.

Retirando sangue das pedras soube-se que será em abril a Conferência.
Mas, cabem as perguntas:
_ Quem está escolhendo os Delegados que dirão o que é prioridade e o que não é? Os Delegados que indicarão Moções de Elogio ou Repúdio?
_ Quem confere a Conferência?

"Pense num absurdo", temos Jurisprudência.
Com a palavra a Coordenadora Municipal da Saúde Mental - desde os tempos de Imbassahy (!) - Dra. Célia Rocha."

sexta-feira, 12 de março de 2010

Obesidade: sibutramina é segura e eficaz, afirmam especialistas.

Um dos medicamentos emagrecedores mais conhecidos no mundo, a sibutramina, é um ativo seguro, eficaz e confiável ao paciente. Há 15 anos no Brasil, o produto auxilia na redução de peso promovendo a aceleração do metabolismo, diminui a fome e aumenta a sensação de saciedade, satisfazendo o apetite com pouco alimento.

De acordo com o Dr. Nataniel Viunisk, médico nutrólogo e membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), a sibutramina é considerada, entre os profissionais da área, um medicamento de "primeira escolha", ou seja, reúne segurança, eficácia e bom custo-benefício ao paciente considerado obeso. "A prescrição da sibutramina é uma ótima opção na qual o médico se responsabiliza pelo acompanhamento do usuário, visando seu uso racional e a melhora da qualidade de vida", afirma.

No entanto, o Dr. Viunisk alerta ao uso inadequado do medicamento. "A sibutramina não deve constituir um critério único de tratamento. Paralelamente a isso, é necessária a prática de um estilo de vida saudável, baseado em uma alimentação balanceada e no hábito de exercícios físicos", ressalta. "E sempre deve ser prescrita e acompanhada por um médico", acrescenta.

Contraindicação

Apesar da suspensão do uso da subitramina na Europa, o médico nutrólogo Dr. Carlos Alberto Werutsky, também da ABRAN, pondera que "a doença da obesidade, considerada epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), implica em risco de morte, principalmente pela progressão do diabetes". De acordo com o especialista, a obesidade aumenta de três a cinco vezes o risco da doença cardiovascular, e a sibutramina pode ajudar a prevenir o aumento desse risco.

Em janeiro, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) determinou que a bula da sibutramina alertasse os pacientes com histórico de doença cardíaca, de acidente vascular cerebral, de arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial periférica e hipertensão não controlada.

No Brasil, a prescrição da sibutramina não foi banida e pode ser considerada nos seguintes pacientes:

• Índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou superior a 30.
• IMC igual ou superior a 27,5, se acompanhado de outros fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, hiperglicemia.
• Quando o tratamento convencional não obteve êxito.

"Por se tratar de um agente farmacológico, é absolutamente recomendável, no entanto, que o paciente que faz uso da sibutramina esteja sob acompanhamento médico adequado", alerta o Dr. Werutsky.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Veja aqui o que um médico não deve fazer.

É VEDADO AO MÉDICO:

Art. 62 - Prescrever tratamento ou outros
procedimentos sem exame direto do
paciente, salvo em casos de urgência e
impossibilidade comprovada de realizá-lo,
devendo, nesse caso, fazê-lo imediatamente
cessado o impedimento.
Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.

Art. 80 - Praticar concorrência desleal com outro médico.

Art. 81 - Alterar prescrição ou tratamento de paciente, determinado por outro médico, mesmo quando investido em função de chefia ou de auditoria, salvo em situação de indiscutível conveniência para o paciente, devendo comunicar imediatamente o fato ao médico responsável.

Art. 82 - Deixar de encaminhar de volta ao médico assistente o paciente que lhe foi enviado para procedimento especializado, devendo, na ocasião, fornecer-lhe as devidas informações sobre o ocorrido no período em que se responsabilizou pelo paciente.

Art. 85 - Utilizar-se de sua posição hierárquica para impedir que seus subordinados atuem dentro dos princípios éticos.
(CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA)


Leia matéria sobre CAPS/ufba

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Célula psicológica atende a socorristas e jornalistas traumatizados no Haiti.




PORTO PRÍNCIPE (AFP) - Socorristas, soldados da ONU e jornalistas traumatizados após presenciarem o espetáculo de dor e destruição, com corpos amontoados pelas ruas, depois do terremoto que devastou Porto Príncipe, encontram no acampamento da Minustah uma célula de apoio psicológico da ONU, criada especialmente para essas circunstâncias.


"Atendemos a cem pessoas por dia", explica à AFP Youssoupha Niang, a psiquiatra que criou esta célula no dia seguinte à tragédia. Mais de duas semanas após o terremoto de 12 de janeiro, que deixou pelo menos 170 mil mortos e milhares de desaparecidos, a equipe de sete psicólogos atendeu a mais de 2 mil pessoas.

A Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) sofreu um duro golpe: 84 empregados, entre eles o chefe da Minustah Hedi Annabi, morreram no terremoto e outros 15 foram declarados desaparecidos.

Em cima de uma mesa, um manual de instruções indica "o que deve ser feito e o que não deve, logo após uma comoção desse tipo": "não beba muito álcool, continue trabalhando, e não finja que está tudo bem".

"Os casos mais comuns são os de quem cuidou de cadáveres", explica Niang. "Alguns jamais tinham visto um cadáver, ou pelo menos não tantos. O sentimento de impotência é imenso e os sintomas se manifestam", explica a psiquiatra.

Niang atendeu a repórteres, principalmente fotógrafos e cinegrafistas, "estas pessoas que se aproximaram da realidade através de suas lentes, que sobre o papel parecem ter distância, e que tiveram que seguir fazendo seu trabalho".

Ainda assim não fala do "PTSD" (Post Traumatic Stress Disorder), um estado de estresse pós-traumático que não é diagnosticado até um mês depois do ocorrido. "Por enquanto, se trata de um estresse agudo e de fadiga", explica a psiquiatra. Ela destaca sinais de hiperatividade, hipervigilância constante, particularmente na base da ONU. "Dizemos a eles para evitarem beber café que não faz mais que juntar hormônios de estresse e fadiga no coração", adverte a psiquiatra. Os que deixaram de fumar voltaram com o vício.

"Geralmente um sentimento de impessoalidade se apodera dos que tinham uma posição de autoridade e que após o ocorrido se sentem impotentes", afirma Ana Estrada, uma das psicólogas da equipe.

Há alguns que emagrecem em poucos dias: "emagrecem ainda que comam, já que a hiperatividade é tão grande que o que comem acaba não compensando o que perdem".

Alguns têm perdas de memória: "não se lembram da conversa que tiveram minutos antes". Sem contar com insônia, aparecimento de hipertensão arterial e até perdas de sensações, uma maneira de se proteger que, como se fosse uma anestesia, faz a pessoa não sentir mais sua mão, por exemplo.

Curiosamente, as mulheres parecem resistir melhor psicologicamente, comenta Niang. "No plano psicológico parecem se adaptar melhor podendo até mesmo se dedicarem às suas tarefas sem perder o controle emocional", explica.

Muito poucos recebem uma prescrição médica. Entretanto, muitos recebem a indicação de alguns dias de repouso para saírem do inferno da capital destruída.

Marceus-Yves Joseph, um haitiano de 31 anos e integrante da Minustah, sai de uma consulta. "Vi muitos feridos embaixo de casas derrubadas e há 15 dias que não consigo entrar em um lugar com um teto e fico apenas embaixo das estrelas. Mas não durmo mais e isso tem tendência a piorar", afirma o homem de 1,90 metros de altura, com lágrimas nos olhos enquanto fala sobre ir dormir à noite.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Carta Aberta do Caps ad Pernambués.

Prezados parceiros,

Segue anexa a CARTA ABERTA DO CAPSad que contém informações sobre
> a atual situação deste serviço.
>
> Aproveito este momento para convida-los para uma reunião com os
> técnicos do serviço, representantes das Redes de Saúde e
> Jurídica-social, usuários da Rede de Saúde Mental, imprensa e
> comunidade em geral.
>
> *A reunião ocorrerá no dia 28 de janeiro (quinta-feira) às
> 14:00horas, no Centro Social Urbano de Pernambués (CSU),* local em
> que o CAPS ad foi acolhido no momento que foi desalojado.
>
> Conto com a presença de todos para que juntos possamos solucionar
> tais problemas e continuar a ofertar um atendimento pautado nos
> princípios do SUS e a Constituição Federal.
>
>
>
> Atenciosamente,
>
>
> Equipe CAPSad
>
>
>
>
> Carta Aberta do Caps ad Pernambues.
>
> Salvador, 22 de janeiro de 2010.
>
>
> * *
>
> Prezados Senhores,
>
>
> Em julho de 2009 o CAPSad foi municipalizado, desde então, a
> proprietária do imóvel, que era locado pela SESAB, requereu sua
> desocupação num prazo de trinta dias. Neste período, foram
> localizados pela equipe do CAPSad, dois imóveis no bairro de
> Pernambués e informado à Secretaria Municipal de Saúde.
>
> No dia 04 de janeiro de 2010 recebemos um comunicado da Secretaria
> Municipal de Saúde que deveríamos desocupar o local até o dia 08
> de janeiro. Frente à emergência de sair do local onde funcionava o
> CAPSad Pernambués, a coordenação e sua equipe, procurou junto a
> rede que trabalha em parceria, um apoio, sendo socorrida pelo
> Centro Social Urbano de Pernambués ( CSU ), para o acolhimento de
> seus materiais, técnicos e, principalmente, de seus pacientes e
> familiares.
>
> Desta forma, fomos atendidos prontamente pelo dirigente do CSU
> Pernambués, nos oferecendo, provisoriamente, duas salas de aula
> para acomodar os diversos atendimentos que o CAPSad oferece como:
> farmácia, enfermagem, alimentação, suporte terapêutico e, tantos
> outros serviços que compõe um plano terapêutico. Mesmo com a
> suspensão de novos acolhimentos e matrículas, estávamos tentando
> manter o acompanhamento de nossos usuários, mas, apesar de todo
> esforço, este movimento está sendo inviável, devido à falta de
> adequação física e de infra-estrutura para o desenvolvimento das
> atividades, visto que, o CSU desenvolve para a comunidade outras
> programações direcionadas a crianças, adolescentes etc.
>
> O prazo estipulado para permanência deste serviço no CSU é até o
> dia 27 de janeiro de 2010 e, após esta data, seremos obrigados a
> desocupar o espaço.
>
> Até o momento estávamos funcionando em condições precárias:
>
> · Falta de um local privativo para atendimento aos
> usuários e familiares, comprometendo o acolhimento de suas
> demandas num momento difícil como o pós festas, onde crises e
> recaídas fazem parte do cotidiano da instituição;
>
> · Lugar inapropriado para guarda de medicamentos e
> prontuários, pois não temos armários;
>
> · As medicações estão sendo guardadas no CAPS II,
> necessitando que um técnico todos os dias se dirija a este local
> pela manhã e a tarde para buscar e guardar;
>
> · Inexistência de um local salubre para atendimentos
> clínicos, haja vista que intercorrências como convulsão e surtos
> fazem parte da rotina do serviço;
>
> · Espaço físico sujeito a chuva e alagamentos;
> impossibilidade de realizar atividades administrativas (ofícios,
> encaminhamentos, APAC, articulação institucional) que são
> indispensáveis ao serviço, pois não temos computador e telefone;
>
> · Condição insalubre para a guarda e distribuição de
> alimentação, pois não temos refeitório;
>
> · A farmácia, enfermaria e atendimento psiquiátrico estão
> funcionando em uma única sala;
>
> · Falta de espaço físico para realização de atividades em
> grupo e oficinas terapêuticas;
>
> · Ausência de água apropriada para o consumo;
>
> · Um único banheiro de uso coletivo de pacientes e
> funcionários do CAPS, bem como toda a comunidade do CSU.
>
> Tendo em vista a total inexistência da possibilidade de continuar
> realizando atendimentos, pelos motivos expostos, a equipe
> resolveu, em reunião, suspender as atividades que estavam sendo
> realizadas, de maneira precária, até que seja estabelecido um
> local com infra-estrutura adequada.
>
> Conforme a lei 10.216/2001 que estabelece a mudança do modelo de
> Atenção a Saúde Mental e criação da rede de serviços
> substitutivos, definindo, portanto, as condições para o seu
> funcionamento, vimos ressaltar que uma mudança provisória do
> CAPSad para uma casa residencial, sem uma mínima adaptação as
> necessidades básicas de funcionamento, nos torna vulneráveis a
> cometer ações contrárias aos princípios que regem a saúde
> exigidos pelo próprio Ministério da Saúde, a exemplo das
> exigências para montagem de uma enfermaria, guarda de
> medicamentos, equipamentos, salas para atendimentos individual e
> em grupo, entre outros, além de outros princípios contrários ao
> Código de Ética e postura de cada categoria profissional.
>
> Insistimos em salientar a grande necessidade e importância da
> manutenção do nosso serviço pautado no conhecimento técnico e
> atuação já reconhecida pelos pacientes e comunidade.
>
> Diante de todo o cenário apresentado, solicitamos uma posição
> urgente dos órgãos competentes, no sentido de reconduzir as nossas
> atividades, garantindo a prestação de serviço aos pacientes e
> comunidade, de forma digna e profissional.
Cordialmente,

Equipe Técnica do CAPSad Pernambúes.