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sábado, 19 de outubro de 2013
Violência no Brasil tem maior impacto sobre a expectativa de vida dos negros que dos brancos revela lPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Uma pesquisa inédita divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a violência no Brasil tem maior impacto sobre a expectativa de vida dos negros que dos brancos. De acordo com o estudo, a perda de expectativa de vida devido à violência letal é 114% maior para negros do que para brancos. Por causa de mortes como os homicídios, os negros perdem 1,73 ano em sua expectativa de vida ao nascer, enquanto essa perda na população não negra é de 0,71 ano.
O diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira, explica que a cor da pele é determinante. “Partimos do universo de todas as pessoas que morreram por homicídio entre 1996 e 2010. Quando retiramos outros determinantes, como classe social e sexo, percebemos que, mesmo assim, o simples fato de ter a cor da pele negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser assassinado”, disse.
Com os dados, ele concluiu que o racismo de instituições como a polícia influencia nas mortes. “Há um componente de racismo nas instituições, inclusive a polícia”, afirmou. “Organizações do estado que deveriam fazer políticas de ações para mitigar discriminações muitas vezes amplificam a discriminação”, concluiu. “Existe um estereótipo que associa crime à negritude e isso é reproduzido pelas próprias instituições que deveriam atuar contra isso”.
Dados estatísticos do censo de 2010 do IBGE mostram que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. A cada 100 mil negros nascidos vivos, 35,6 morrem assassinados. Na população de não negros, essa taxa é de 15,5, de acordo com a mesma fonte.
“Todos esses dados cruzados mostram que, de fato, o negro é duplamente discriminado no Brasil. Primeiro pela condição socioeconômica, depois pela cor da pele”, afirmou o pesquisador.
“Grande parte da população economicamente desfavorecida é de negros. Eles são os mais vulneráveis a sofrer homicídios também por conta disso. Mas o simples fato de ser negro aumenta as possibilidades”, reiterou.
Ele afirma que as soluções não são fáceis. “Não é algo simples. Deve envolver a polícia, o governo, as universidades e a sociedade como um todo”, completou.
Movimento Negro
A socióloga Vilma Reis, presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), comentou o estudo. “A pesquisa confirma que o Brasil ainda não é um estado democrático de direito, embora tente, desde 1985, se estabelecer como tal”, disse.
“Nós, dos movimentos negros, consideramos fundamental que o Brasil mexa com a estrutura da segurança publica para mudar esse quadro”, completou.
Ela aponta como essencial a aprovação do Projeto de Lei (PL) 4471/2012, em tramitação no Congresso Nacional desde o ano passado. O projeto busca acabar com os registros de “auto de resistência” e “resistência seguida de morte”. Essas expressões, utilizadas nos boletins de ocorrência, simbolizam que houve resistência à abordagem policial por parte de alguém que acaba morto em uma ação.
“Isso vem da ditadura militar, mais especificamente de dezembro de 1968, do Ato Institucional 5 (AI 5)”, afirmou. Segundo a militante, esses dispositivos acabam dando aval para a polícia “cometer homicídios” contra a população negra. Apesar de o estudo não conter dados sobre a Bahia, ela afirma que a discriminação racial das instituições também ocorre no estado.
Bahia não tem dados sobre homicídios segundo cor da pele
Procurada para comentar o assunto, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) informou que não comentaria, porque tem uma política de não comentar pesquisas. O órgão informou, por meio da assessoria de imprensa, que não possui dados estatísticos específicos associando a cor da pele aos homicídios no estado.
Em contrapartida, a SSP informou que a cor da pele das vítimas, além da orientação sexual, a motivação e arma empregada no crime, passaram a constar, obrigatoriamente, em dezembro passado, nos sistemas de registro de ocorrências. “Os servidores policiais já estão sendo orientados a solicitar respostas para esses quesitos, atitude bastante comemorada pelas minorias sociais”, divulgou a assessoria.
A mudança tem o objetivo de aprimorar o sistema de estatísticas policiais e de atender às recomendações da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O secretário de Promoção da Igualdade Racial do Estado, Elias Sampaio, afirmou que reverter o quadro desenhado pela pesquisa continua sendo um desafio para o estado.
“O desafio continua sendo reverter esses dados com a estruturação de políticas públicas”, disse. Segundo ele, a estratégia global para redução dos índices de crimes violentos letais e intencionais (CVLI) no estado é através do programa Pacto Pela Vida. “A Sepromi tem atuado, junto com outras áreas sociais do governo, e com articulação com a Secretaria da Segurança Pública, para focar também na redução de homicídios dos jovens negros”, afirmou.
“Entendemos que as políticas são muitas, mas, infelizmente, a causa básica dessa mortalidade ainda é o racismo, que é fenômeno muito complexo e que historicamente estruturou as relações sociais no Brasil. Não podemos perder de vista que a sociedade também deve ser responsável pela solução do problema”, complementou o secretário.
Assassinatos de negros são comuns em Salvador e RMS
Ana Paula Bringel
Encontrar vítimas que atendam aos indicativos da pesquisa realizada pelo Ipea não é uma tarefa difícil em Salvador e Região Metropolitana. Exemplos de negros vítimas de homicídio que chocaram a população ainda são rotina no noticiário e viram exemplos de luta contra a violência e impunidade.
É o caso, por exemplo, do bailarino e coreógrafo Augusto Omolú, encontrado morto em sua casa, em Lauro de Freitas, em junho. Integrante do Balé Folclórico da Bahia, Omolú mantinha projetos sociais.
Outro caso emblemático é o do menino Joel Castro, que, aos 10 anos, foi atingido por bala perdida, dentro de casa, em novembro de 2010. Três anos depois, o primo do menino Joel, Carlos Alberto, 22, também foi baleado em uma ação policial. Ele não tinha passagem pela polícia.
Fonte: Correio da Bahia
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Salvador: Tiros dentro Shopping Barra um dos mais requintados da Bahia.Violência chega aos segmentos da classe A.
Homem é baleado em shopping na Barra por policial civil, diz polícia.
Disparo teria ocorrido na área próxima aos banheiros, na Praça de Alimentação.
Redação CORREIO
Um homem foi baleado por um policial civil dentro do Shopping Barra na noite desta segunda-feira (31). O disparo ocorreu na área próxima aos banheiros, na Praça de Alimentação, no 1º piso.
O tiro provocou confusão e correria dentro no local. Policiais da 11ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram acionados, e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi deslocada ao estabelecimento comercial. A vítima foi Adilson Mota Barbosa, 25 anos, atingido no pé direito e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde está internado em observação. O motivo da confusão ainda é averiguado pela polícia.
O policial é Paulo Antônio Veiga de Brito, lotado na 11ª Delegacia. Ele já está detido na Corregedoria da Policia Civil. Em nota, o Shopping Barra lamentou o ocorrido. "Por volta das 18h, houve uma discussão entre clientes no sanitário masculino localizado no 1º piso do equipamento, o que resultou em agressão. A segurança do shopping agiu rapidamente acionando a Polícia Militar, a quem entregou o agressor. A outra pessoa envolvida, foi levada por ambulância para pronto-atendimento"
Via twitter, internautas buscavam informações sobre o fato. O termo 'Shopping Barra' subiu para a lista dos termos mais comentados no microblog.
Disparo teria ocorrido na área próxima aos banheiros, na Praça de Alimentação.
Redação CORREIO
Um homem foi baleado por um policial civil dentro do Shopping Barra na noite desta segunda-feira (31). O disparo ocorreu na área próxima aos banheiros, na Praça de Alimentação, no 1º piso.
O tiro provocou confusão e correria dentro no local. Policiais da 11ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram acionados, e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi deslocada ao estabelecimento comercial. A vítima foi Adilson Mota Barbosa, 25 anos, atingido no pé direito e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde está internado em observação. O motivo da confusão ainda é averiguado pela polícia.
O policial é Paulo Antônio Veiga de Brito, lotado na 11ª Delegacia. Ele já está detido na Corregedoria da Policia Civil. Em nota, o Shopping Barra lamentou o ocorrido. "Por volta das 18h, houve uma discussão entre clientes no sanitário masculino localizado no 1º piso do equipamento, o que resultou em agressão. A segurança do shopping agiu rapidamente acionando a Polícia Militar, a quem entregou o agressor. A outra pessoa envolvida, foi levada por ambulância para pronto-atendimento"
Via twitter, internautas buscavam informações sobre o fato. O termo 'Shopping Barra' subiu para a lista dos termos mais comentados no microblog.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Radialista Zezito Néri alvejado por um tiro dentro da própria casa. E aí SSP/BA? Vão apurar de verdade?

RADIALISTA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA É INTERNADO NO HOSPITAL
O radialista Zezito Néri, funcionário da Rádio Excelsior da Bahia e um dos diretores do SINTERP, teve sua residência invadida por desconhecidos, na manhã de quarta-feira (15/12), e foi alvejado por um tiro, encontrando-se internado em um hospital de Salvador.
É lá que concentram-se seus familiares e amigos, aguardando por boas notícias e realizando visitas. O branco dos jalecos toma conta do local. Ironicamente, branco é a cor da paz, um estado que buscamos incessantemente e que parece cada vez mais difícil de ser alcançado. A paz que desejamos para encerrar este ano e encarar 2011 de frente, olho no olho, haja o que houver. Uma semana antes do Natal, período em que a paz é semeada entre os seres humanos, nosso colega foi baleado, mostrando que a barbárie da violência não respeita mais nada.
Morador de Marechal Rondon, Zezito é figura popular na vizinhança. Sua filha Andréia revelou que chegou na sala de sua casa e viu dois bandidos na porta. “Por quê você atirou no meu pai?”- ela perguntou. Eles não responderam, pois para isso não existe resposta. Nada justifica a violência. Mesmo entregando a chave do carro, a família não pôde evitar que ele fosse baleado. Registraram queixa na delegacia e ainda aguardam as providências da polícia.
A média de assassinatos na Região Metropolitana de Salvador chega a oito por dia, a maioria decorrente de arma de fogo. A violência em Salvador aumentou 177% nos últimos dez anos. Em 2010 foram mais de 1846 homicídios. Essas estatísticas já não nos apavoram mais, parecem corriqueiras. Estamos acostumados a conviver com isso. Mas, você já parou para pensar no que significa oito pessoas morrerem por dia? Não de morte natural, mas vítimas de agressão. Você já parou para pensar no quão violenta é a nossa sociedade? Trabalhadores são assassinatos e a polícia não toma providência alguma.
A esposa de Zezito, Rita Celeste de Jesus, afirmou que uma pessoa bateu na porta, o cunhado foi atender e voltou correndo dizendo que um homem armado estava lá. “Não se pode mais chegar na janela que a violência está tomando conta da nossa rua, mas não pensei que ela fosse entrar dentro da minha casa. Aqui vivem famílias, todo mundo lutando para vencer na vida. Nunca pensei que isso fosse acontecer”, explicou.
Em 2002, morriam no Brasil, vítimas de homicídio, proporcionalmente 46% mais negros do que brancos e em 2007, cinco anos depois, essa proporção se elevou para 108%. A população negra de Salvador é ainda mais atingida pela violência do que os demais. Jovens negros são assassinados a todo momento no país e na cidade e ninguém faz nada. O SINTERP repudia a violência que toma conta da nossa sociedade e reivindica que as autoridades tomem providências para encontrar os responsáveis pela agressão contra o colega. Enquanto não descobrirmos os culpados não poderemos descansar, pois mais pessoas inocentes podem estar sendo vitimizadas neste momento.
No hospital, um bebê dava alta da UTI. Era a promessa de uma nova geração chegando. Geração que vai mudar a nossa sociedade. Geração que vai germinar no Brasil como um novo ano.Que ele chegue trazendo mais amor no coração das pessoas.
(Sinterp)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Negras são as principais vítimas de violência no Rio de Janeiro.
Agência Brasil
Publicação: 23/05/2010 15:36
A mulheres negras têm mais chance de serem alvo de violência no Rio de Janeiro, segundo constata pesquisa divulgada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), na semana passada, baseada em dados coletados em 2009.
O Dossiê Mulher 2010 mostra que as mulheres pretas e pardas (negras, na categoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são a maioria entre as vítimas de homicídio doloso – aquele em que há intenção de matar - (55,2%), tentativa de homicídio (51%), lesão corporal (52,1%), além de estupro e atentado violento ao pudor (54%). As brancas só eram maioria nos crimes de ameaça (50,2%).
De acordo com a coordenadora da organização não-governamental Crioula, Lúcia Xavier, embora o racismo não esteja evidente nos casos de violência contra a mulher negra, está por trás de processos de vulnerabilização dessas mulheres, que as deixam mais expostas a situações de violência. Para ela, a sociedade desqualifica as mulheres negras.
”O racismo permite que a sociedade entenda que essas mulheres [negras] podem ser violentadas”, afirmou Lúcia. “Está aí a representação delas como lascivas, quentes, sem moral do ponto de vista da sua experiência sexual. Logo, acabam mais vulneráveis para essa violência”.
Em todos os crimes listados no dossiê, também chama a atenção o percentual de vítimas que conheciam os agressores. Nos casos de lesão corporal, 74% das mulheres tiveram contato com os acusados, entre os quais 51,9% eram companheiros ou ex-companheiros. Pai ou padrasto, parentes e conhecidos somaram 22,1% dos agressores.
Nas ocorrência de tentativa de homicídio, a pesquisa constatou que em 45,8% dos casos as vítimas também conheciam os agressores, assim como em 38,8% dos casos de estupro e atentado violentado ao pudor, dos quais 58,4% do total de vítimas tinha até e 17 anos.
“As pessoas que se relacionam intimamente também reproduzem essa violência simbólica do racismo”, destacou a coordenadora da Crioula.
Um das pesquisadoras responsáveis pelo estudo do ISP, a capitã da Polícia Militar Cláudia Moares, não faz a mesma avaliação de Lúcia Xavier. Para a militar, a pesquisa não traz elementos suficientes para relacionar a violência contra as mulheres negras ao racismo.
Cláudia destaca também que as mulheres brancas, em termos percentuais, sofrem quase a mesma violência que as mulheres pardas.
“Essa violência, do tipo doméstica, é democrática, afeta todo os níveis e classes sociais”, afirmou. A pesquisadora também questionou o critério de auto-declaração racial, definido pela própria vítima.
“A pesquisa não traz elementos para afirmar que a questão de raça é um fator motivador da violência. Encontramos maior distribuição [entre pretas e pardas], até porque essa cor é auto-declarada, não é estabelecida pela pessoa que fez o registro”, explicou Claudia.
Publicação: 23/05/2010 15:36
A mulheres negras têm mais chance de serem alvo de violência no Rio de Janeiro, segundo constata pesquisa divulgada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), na semana passada, baseada em dados coletados em 2009.
O Dossiê Mulher 2010 mostra que as mulheres pretas e pardas (negras, na categoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são a maioria entre as vítimas de homicídio doloso – aquele em que há intenção de matar - (55,2%), tentativa de homicídio (51%), lesão corporal (52,1%), além de estupro e atentado violento ao pudor (54%). As brancas só eram maioria nos crimes de ameaça (50,2%).
De acordo com a coordenadora da organização não-governamental Crioula, Lúcia Xavier, embora o racismo não esteja evidente nos casos de violência contra a mulher negra, está por trás de processos de vulnerabilização dessas mulheres, que as deixam mais expostas a situações de violência. Para ela, a sociedade desqualifica as mulheres negras.
”O racismo permite que a sociedade entenda que essas mulheres [negras] podem ser violentadas”, afirmou Lúcia. “Está aí a representação delas como lascivas, quentes, sem moral do ponto de vista da sua experiência sexual. Logo, acabam mais vulneráveis para essa violência”.
Em todos os crimes listados no dossiê, também chama a atenção o percentual de vítimas que conheciam os agressores. Nos casos de lesão corporal, 74% das mulheres tiveram contato com os acusados, entre os quais 51,9% eram companheiros ou ex-companheiros. Pai ou padrasto, parentes e conhecidos somaram 22,1% dos agressores.
Nas ocorrência de tentativa de homicídio, a pesquisa constatou que em 45,8% dos casos as vítimas também conheciam os agressores, assim como em 38,8% dos casos de estupro e atentado violentado ao pudor, dos quais 58,4% do total de vítimas tinha até e 17 anos.
“As pessoas que se relacionam intimamente também reproduzem essa violência simbólica do racismo”, destacou a coordenadora da Crioula.
Um das pesquisadoras responsáveis pelo estudo do ISP, a capitã da Polícia Militar Cláudia Moares, não faz a mesma avaliação de Lúcia Xavier. Para a militar, a pesquisa não traz elementos suficientes para relacionar a violência contra as mulheres negras ao racismo.
Cláudia destaca também que as mulheres brancas, em termos percentuais, sofrem quase a mesma violência que as mulheres pardas.
“Essa violência, do tipo doméstica, é democrática, afeta todo os níveis e classes sociais”, afirmou. A pesquisadora também questionou o critério de auto-declaração racial, definido pela própria vítima.
“A pesquisa não traz elementos para afirmar que a questão de raça é um fator motivador da violência. Encontramos maior distribuição [entre pretas e pardas], até porque essa cor é auto-declarada, não é estabelecida pela pessoa que fez o registro”, explicou Claudia.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Violência contra idoso terá notificação obrigatória pelos serviços de saúde.
Atos de violência praticados contra idosos deverão ser notificados no momento de seu atendimento nos serviços de saúde públicos ou privados. Esta determinação está contida em projeto de lei da Câmara (PLC 298/09) aprovado nesta quarta-feira (24) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A matéria segue agora para votação em caráter terminativo na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
A proposta altera o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) para incluir os serviços de saúde na lista de entidades que devem informar à autoridade sanitária qualquer ação que cause morte, dano, sofrimento físico ou psicológico a um idoso. Ao apresentar parecer favorável, com emenda de redação, ao PLC 298/09, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) ressaltou a intenção do projeto de responsabilizar a omissão ou maus tratos aos idosos, lamentando que muitos desses casos de violência ocorram dentro do ambiente familiar.
Aposentados
Ao discutir a matéria, o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) classificou como violência maior ao idoso a resistência do governo em viabilizar a aprovação, na Câmara dos Deputados, de projetos que beneficiam os aposentados.
- Minha pregação aos parlamentares que têm compromisso com os aposentados e os idosos é que adiram ao movimento de parar o Senado enquanto o governo não determinar à sua base aliada na Câmara que vote esses projetos - declarou.
Após assinalar a "sensibilidade social" contida no PLC 298/09, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) endossou a proposta de Mesquita Júnior, assim como o fez o senador Mão Santa (PSC-PI). Para o parlamentar pelo Piauí, "ficou muito mal para o Congresso" o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), descumprir o compromisso público de acelerar a votação de projetos de interesse dos aposentados já aprovados pelo Senado.
Simone Franco/Laura Fonseca / Agência Senado
A proposta altera o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) para incluir os serviços de saúde na lista de entidades que devem informar à autoridade sanitária qualquer ação que cause morte, dano, sofrimento físico ou psicológico a um idoso. Ao apresentar parecer favorável, com emenda de redação, ao PLC 298/09, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) ressaltou a intenção do projeto de responsabilizar a omissão ou maus tratos aos idosos, lamentando que muitos desses casos de violência ocorram dentro do ambiente familiar.
Aposentados
Ao discutir a matéria, o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) classificou como violência maior ao idoso a resistência do governo em viabilizar a aprovação, na Câmara dos Deputados, de projetos que beneficiam os aposentados.
- Minha pregação aos parlamentares que têm compromisso com os aposentados e os idosos é que adiram ao movimento de parar o Senado enquanto o governo não determinar à sua base aliada na Câmara que vote esses projetos - declarou.
Após assinalar a "sensibilidade social" contida no PLC 298/09, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) endossou a proposta de Mesquita Júnior, assim como o fez o senador Mão Santa (PSC-PI). Para o parlamentar pelo Piauí, "ficou muito mal para o Congresso" o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), descumprir o compromisso público de acelerar a votação de projetos de interesse dos aposentados já aprovados pelo Senado.
Simone Franco/Laura Fonseca / Agência Senado
terça-feira, 23 de março de 2010
ANA BRUNI:" O BRASIL NÃO RESPEITA AS CONVENÇÕES ASSINADAS PELA ERRADICAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER"

Vera Mattos :QUAL A CONDIÇÃO DA MULHER HOJE EM DIA?
Ana Bruni: Desamparada. Abandonada. Discriminada. Humilhada.Desprotegida. O Brasil não respeita as Convenções assinadas pela erradicação da Violência contra a mulher. Toma medidas paliativas, mas não com o vigor e seriedade que temos direito. A mídia não favorece as situações femininas, continuam nos discriminando em nossa posição social e impondo a massa a mulher objeto sexual ou a mulher sofrida. Não nos respeitam como cidadãs,. Como podemos respeitar os poderes? Não somos , nem queremos a tarja de vítimas. Somo"As mulheres não querem lutar, querem viver! Querem que lutemos pelos direitos que temos direito em nossa Cosntituição. Não é aceitável se falar Violência Doméstica ! Temos de acusar os que afligem a Mulher! O homem, este é o agressor!" s Mulheres! Não queremos proteção, exigimos nossos direitos!
Vera Mattos: COMO VC SE SENTE NA CONDIÇÃO DE PESSOA AMEAÇADA?
Ana Bruni:Indignada pelo silêncio da sociedade! Esta é a ameaça maior! Que tudo pelo qual passamos continue por outros séculos! Muitas já caíram, tropeçamos atualmente na poeira delas e para que? Para alcançarmos em 2007 estatísticas de mais mortes? Para acontecer o caso (mais atual) no Pará? A violência pode ser física,porém a moral a psicológica é irreparável. Assim nos matam em vida. O que falta fazerem conosco? O Brasil tem de por um fim na violência! A chamem de Praga, pois é exterminadora.
Vera Mattos: VOCÊ ACREDITA QUE OS ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS PRESTAM SERVIÇOS A CAUSA DA MULHER?
Ana Bruni: Falando exclusivamente sobre a Violência: Não nos interessa saber se conseguiram resolver assuntos de 100 ou 500 mulheres. As outras milhares em nosso país como ficam? Como sobrevivem ? Existe por acaso um grupo que pode ter apoio e outro não? Uma cidade ou capital em especial que as mulheres podem ter mais ajuda? E noutras pequenas comunidades como ficam as mulheres? Estes órgãos têm o poder, tem recursos e muitos! Que não nos constrinjam a viver em guetos.Quando apelarmos a eles que venham em nosso socorro, que enviem pessoas que possam nos proteger e orientar.
Vera Mattos: O QUE É PIOR: A VIOLÊNCIA FAMILIAR OU O DESCASO DAS AUTORIDADES?
Ana Bruni: A violência familiar existe por causa do descaso das autoridades. Sabem os que nos atingem, que mesmo com a Lei 11.340 serão protegidos por seus advogados e serão agraciados com a morosidade da justiça ( entrega de intimações, etc. ). Sabem aqueles que mesmo e quando condenados pela lei que voltarão a ameaçar suas vítimas, como de fato acontece.O rigor, a voz da autoridade não existe! È visível, audível o que estes com o poder transmitem para os agressores. Se sente a cumplicidade, é transmitido o sentimento de impunidade. As testemunhas são coagidas, intimidadas. Quando em desespero manifestamos nosso medo em ser mortas dizem: “Se a senhora morrer caçaremos os culpados!” Quando não estamos de acordo com suas atitudes, nos ameaçam de prisão por desacato. Prevenção não existe. As famosas 48horas para as medidas preventivas não existem! O medo, o desamparo existe, é real. Entre a opção de duas violências,familiar ou autoridades: Não existe o pior! Sua vida como mulher é destruída e ameaçada , seus princípios e bases éticas como cidadã despedaçados. Nada sobra nestas opções.
Vera Mattos: ESTÁ SOB AMEAÇA DE MORTE?
Ana Bruni: Denúncias a integrantes da Polícia Militar , Civil, Órgãos de Segurança e Justiça nunca colheram bons resultados para os que se atreveram a fazê-las. O resultado do Cala Boca Brasileiros está em nossa mídia . São juízes, advogados, policiais que agem protegidos por seus mantos e emblemas e mancham com sangue e muito sofrimento os juramentos daqueles honrados e íntegros que fazem parte destes órgãos de Segurança e da Justiça. Existem valorosos e íntegros que combatem pela paz, não violência e pela justiça , mas não podem fazer milagres, não tem condição de irem contra o sistema a qual pertencem são pessoas que tem família, parcos ganhos, não são tão heróicos e destemidos que permaneçam do lado da vítima contra o corporativismo. Ameaças de prisão, de internação em sanatórios sim. Apelido de um dos que denuncio : Matador Caso algo me aconteça, será de origem particular ou policial? Não me protegeram, me difamaram, usaram de abuso e prevaricação, fui agredida, se isto não são ameaças veladas não sei o que são? Morte ? Já mataram a antiga mulher, esta não ressuscitará jamais. Seu sangue se transformou em lágrimas da mulher atual. Como me disse uma desembargadora de outro estado; Lemento Ana Nem sei o que te dizer!
Vera Mattos:QUAL A SOLUÇÃO PARA SEU CASO? O QUE ESPERA QUE ACONTEÇA?
Ana Bruni: Em relação às autoridades da Policia Civil e Militar , investigação profunda e que se desculpem comigo oficialmente pelas atitudes , descaso e violência com a qual fui tratada . Assim solicitei inicialmente em maio de 2006 a autoridade máxima da Policia Militar de Ilhéus. Recebi desculpas verbais, quando solicitei em ofício se calaram, como calados estão até hoje. Desejo que a sociedade retome a credibilidade nestes Órgãos. O povo não pode ter medo de denunciar. Policia e Justiça tem o dever de nos acolher, proteger e nos orientar. Desejo que estes da policia e da justiça sintam que temos confiança na ética e integridade deles. Que país é este onde o povo tem se defender de criminosos e dos que deveriam te proteger deles?
Vera Mattos: NESTA SEMANA DE ATIVISMO VOCÊ TEM ESPERANÇAS DE QUE ALGO POSSO ALTERAR A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA ?
Ana Bruni: A situação na qual me encontro, é a mesma situação que se encontram centenas de mulheres. Utopia pensar que meu caso teria alguma alteração, enquanto no Pará acontecem desmandos verbalizados na mídia, com aval de mulheres no poder e com a cumplicidade do silêncio da comunidade. Tenho esperanças sim, que pelo menos estas mulheres que tem o poder e aquelas que comparecem a tantos Congressos, Fóruns e Seminários se unam não só pela voz, mas pelos seus atos em sociedade, que mostrem a cara, que se desculpem pelas suas omissões, que criem realmente um canal aberto, um histórico das muitas que aflitas buscam por socorro. O 180 atualmente está melhor, no ano passado era um desastre. A mulher tem de ser reconhecida não como uma estatística , mas na sua individualidade. Não somos todas Anas, ou Marias, existem Veras, Tanias, Lucias, Teresas, Lauras. Temos nomes e cada qual sua história. Não temos tempo para conversa fiada, pra burocracia. Não temos recursos. Muita tem filhos, precisam sobreviver, se protegerem e aos seus. Humanidade precisamos. Solidariedade necessitamos. Uma que cai, que morre, que se suicida, que perde a razão,que vive por anos em depressão é mais uma ferida , uma chaga em nossa pretensa Constituição, aos Direitos Humanos. Nenhuma pode cair, todas nós unidas devemos sustentá-la e acompanha-la em sua caminhada.!
Vera Mattos: QUE ORIENTAÇÃO VOCÊ PODE DAR A UMA MULHER PARA QUE SUA HISTORIA NÃO VENHA A SE REPETIR?
Ana Bruni: Não conte com ninguém , nem familiares, nem amigos, nem testemunhas. Conte com você e Deus. Procure um advogado , vá junto com ele fazer, em caso de violência física, o exame no IML e depois sempre acompanhada vá a Delegacia, DEAM, prestar a ocorrência policial, o famoso BO. Enquanto as Delegacias não mudarem sua postura em nossa relação, que as mulheres gravem seus depoimentos, como te atenderam, como te trataram. Façam cópias de toda documentação e provas entregues. Sempre acompanhada de advogado procure o MP imediatamente, nem espere as famosas 48 horas. Em muito menos tempo poderão estar mortas, difamadas, acuadas. Caso não te atendam, entregue um ofício relatando a urgência e perigo da situação Resumindo: Mulher se proteja de todas as maneiras. Não confie, não espere ajuda, use de todas as armas para que tenha segurança. Muitas vezes fazem você de BO-BA com a sua BO Trágico mas é a realidade.
Estou repetindo a entrevista. De lá para cá nada mudou. Mais mulheres foram brutalmente prejudicadas. Outras assassinadas. Cargos públicos são criados em nome das questões de gênero. A Lei Maria da Penha não é aplicada como deveria. Tudo se arrasta no judiciário. A polícia até pode agir mas falta apoio do judiciário. Os homens continuam maltratando suas mulheres, as mulheres buscam abrigo, deixam a casa.
É justo???!!!
Postado por Vera Mattos às Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
terça-feira, 16 de março de 2010
CUIDADO, GOLEIRO, MULHER NÃO É BOLA!
Leitura de fatos violentos publicados na mídia
Ano 10, nº 07, 15/03/10
Os primeiros dias de março impõem ao receptor uma extensa pauta para homenagear a mulher. Entre vários matizes ela é lutadora, vitoriosa, vítima, doce, forte, alegre, dura, triste, igual e diferente. Muitas faces se projetam e lançam, indiretamente, a certeza de que “a mulher” não existe apesar de se ter um dia só para ela. Em vez disso é composta a imagem de uma pluralidade de personagens femininos que se movimentam em ritmos e sentidos distintos, impossibilitando a construção de uma média que não seja muito arbitrária e excessivamente abstrata e, portanto, falsa.
Em meio àquelas que evidenciam em sua trajetória de vida as possibilidades concretas de uma perspectiva libertária, emergem outras que provam do lado oposto, demonstrado, principalmente, sob forma de denúncia. Mostra-se, assim, um mundo de possibilidades que vai da emancipação à total submissão; das mulheres que se destacam pela inserção laboral em carreiras consideradas exclusivamente masculinas às que são submetidas às estratégias do tráfego de humanos para fins de prostituição em países distantes. Para as primeiras sobram autoconfiança, protagonismo, alegria, realização e, para as segundas, faltam palavras próprias, pois ficam protegidas por técnicas que distorcem imagem e voz junto ao espelho midiático, dando-se, mesmo sem pretender, a impressão de que elas se encontram muito longe, distantes da normalidade social.
Em outro ângulo são registradas mulheres realizadas na família e na profissão em contraposição com aquelas que enfrentam o problema relativo à violência doméstica ou à falta de alternativa ou de respeito no mundo do trabalho. São revisados os problemas associados às intolerâncias expressas no domínio etário, étnico, religioso e tantos outros que marcam conflitos que se consolidam dentro da fronteira da diferença de gênero.
Não obstante a configuração complexa pode-se dizer que há certos avanços que têm se estabelecido de modo mais transversal, especialmente no que concerne ao marco discursivo a propósito das temáticas femininas. Há certos planos que foram, digamos, superadas por formas discursivas mais respeitosas, especialmente quando o orador fala em público. Pois bem, apesar do relativo sucesso no que concerne a este aspecto não se pode dizer que o problema tenha sido superado no que tange à ordem do discurso. É dos primeiros dias de março um exemplo desta permanência.
Foi noticiado amplamente o pronunciamento de Bruno, goleiro do Flamengo, em entrevista concedida a jornalistas no Rio de Janeiro, a propósito do conflito entre o jogador Adriano e sua namorada. Dirigindo-se aos jornalistas o Bruno perguntou “Qual de vocês que é casado nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que não até saiu na mão com a mulher, né cara?”
O camisa 1 do flamengo “entrou em campo” para defender o imperador Adriano e foi com a “melhor das intenções” que abordou os jornalistas com as perguntas antes mencionadas. Pelas próprias formulações fica claro que o goleiro Bruno tinha certeza de que os seus questionamentos acertariam em cheio cabeças e corações dos repórteres os quais se renderiam ao fato de serem iguais a Adriano quanto ao quesito violência contra a mulher. Apostou, também, que após este “exame de consciência” o caso seria visto pelo lado da naturalidade, ou seja, como um comportamento típico do homem, uma ação que, de acordo com suas considerações, deve se circunscrever a cada autor, em sua privacidade. Para afirmar essa posição o goleiro recorre à máxima “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, mesmo estando ele se metendo e se dirigindo ao grande público.
O caso cai como uma luva quando se quer mostrar que os avanços culturais, políticos e institucionais relacionados com a emancipação e o respeito à condição da mulher não se mostram suficientes quando a questão se coloca no domínio do cotidiano, no âmbito dos conflitos banais como uma briga de namorados. Neste campo resistem as práticas de dominação representadas por comportamentos e normas sentidos como naturais. E esta naturalidade está tão preservada que foi capaz de levar a um desempenho público tão desastroso como o de Bruno, que pode ser interpretado como o goleiro que marcou um gol contra a luta em favor das mulheres em pleno março de 2010.
Pisando na bola Bruno mostrou, de modo exemplar, a pertinência da luta das mulheres e a necessidade de que esta bandeira seja hasteada para além das datas comemorativas, pois nestes momentos festivos cresce a adesão em torno da causa criando-se até uma impressão de consenso, mas é no miúdo dos dias normais, nas cenas cotidianas que são registrados os desrespeitos, as agressões e a confirmação de valores que relevam aventais todos sujos de ovo e, às vezes, de sangue.
Ano 10, nº 07, 15/03/10
Os primeiros dias de março impõem ao receptor uma extensa pauta para homenagear a mulher. Entre vários matizes ela é lutadora, vitoriosa, vítima, doce, forte, alegre, dura, triste, igual e diferente. Muitas faces se projetam e lançam, indiretamente, a certeza de que “a mulher” não existe apesar de se ter um dia só para ela. Em vez disso é composta a imagem de uma pluralidade de personagens femininos que se movimentam em ritmos e sentidos distintos, impossibilitando a construção de uma média que não seja muito arbitrária e excessivamente abstrata e, portanto, falsa.
Em meio àquelas que evidenciam em sua trajetória de vida as possibilidades concretas de uma perspectiva libertária, emergem outras que provam do lado oposto, demonstrado, principalmente, sob forma de denúncia. Mostra-se, assim, um mundo de possibilidades que vai da emancipação à total submissão; das mulheres que se destacam pela inserção laboral em carreiras consideradas exclusivamente masculinas às que são submetidas às estratégias do tráfego de humanos para fins de prostituição em países distantes. Para as primeiras sobram autoconfiança, protagonismo, alegria, realização e, para as segundas, faltam palavras próprias, pois ficam protegidas por técnicas que distorcem imagem e voz junto ao espelho midiático, dando-se, mesmo sem pretender, a impressão de que elas se encontram muito longe, distantes da normalidade social.
Em outro ângulo são registradas mulheres realizadas na família e na profissão em contraposição com aquelas que enfrentam o problema relativo à violência doméstica ou à falta de alternativa ou de respeito no mundo do trabalho. São revisados os problemas associados às intolerâncias expressas no domínio etário, étnico, religioso e tantos outros que marcam conflitos que se consolidam dentro da fronteira da diferença de gênero.
Não obstante a configuração complexa pode-se dizer que há certos avanços que têm se estabelecido de modo mais transversal, especialmente no que concerne ao marco discursivo a propósito das temáticas femininas. Há certos planos que foram, digamos, superadas por formas discursivas mais respeitosas, especialmente quando o orador fala em público. Pois bem, apesar do relativo sucesso no que concerne a este aspecto não se pode dizer que o problema tenha sido superado no que tange à ordem do discurso. É dos primeiros dias de março um exemplo desta permanência.
Foi noticiado amplamente o pronunciamento de Bruno, goleiro do Flamengo, em entrevista concedida a jornalistas no Rio de Janeiro, a propósito do conflito entre o jogador Adriano e sua namorada. Dirigindo-se aos jornalistas o Bruno perguntou “Qual de vocês que é casado nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que não até saiu na mão com a mulher, né cara?”
O camisa 1 do flamengo “entrou em campo” para defender o imperador Adriano e foi com a “melhor das intenções” que abordou os jornalistas com as perguntas antes mencionadas. Pelas próprias formulações fica claro que o goleiro Bruno tinha certeza de que os seus questionamentos acertariam em cheio cabeças e corações dos repórteres os quais se renderiam ao fato de serem iguais a Adriano quanto ao quesito violência contra a mulher. Apostou, também, que após este “exame de consciência” o caso seria visto pelo lado da naturalidade, ou seja, como um comportamento típico do homem, uma ação que, de acordo com suas considerações, deve se circunscrever a cada autor, em sua privacidade. Para afirmar essa posição o goleiro recorre à máxima “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, mesmo estando ele se metendo e se dirigindo ao grande público.
O caso cai como uma luva quando se quer mostrar que os avanços culturais, políticos e institucionais relacionados com a emancipação e o respeito à condição da mulher não se mostram suficientes quando a questão se coloca no domínio do cotidiano, no âmbito dos conflitos banais como uma briga de namorados. Neste campo resistem as práticas de dominação representadas por comportamentos e normas sentidos como naturais. E esta naturalidade está tão preservada que foi capaz de levar a um desempenho público tão desastroso como o de Bruno, que pode ser interpretado como o goleiro que marcou um gol contra a luta em favor das mulheres em pleno março de 2010.
Pisando na bola Bruno mostrou, de modo exemplar, a pertinência da luta das mulheres e a necessidade de que esta bandeira seja hasteada para além das datas comemorativas, pois nestes momentos festivos cresce a adesão em torno da causa criando-se até uma impressão de consenso, mas é no miúdo dos dias normais, nas cenas cotidianas que são registrados os desrespeitos, as agressões e a confirmação de valores que relevam aventais todos sujos de ovo e, às vezes, de sangue.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Casos Canabrava, Uruguai, Pero Vaz e Vitória da Conquista. Assepsia social?
Movimento Salvador Pela Paz Pede Justica
Nos últimos dias nos deparamos com mais uma ação violenta, insana e letal da polícia militar baiana, para quem não sabe, estou me referindo ao lamentável episódio ocorrido na quinta feira(04/03) passada no bairro de Pero Vaz, onde tivemos 04 vítimas fatais e mais 03 pessoas que supostamente estavam relacionadas ao caso que desapareceram, apois adentrar numa viatura da PM, SEGUNDO TESTEMUNHAS.
Asssistimos meio que estarrecido aos depoimentos dos familiares das vítimas que clamam por justiça, acreditamos que fatos como esses não podem passar desapercebidos pela SOCIEDADE e nem por um GOVERNO DEMOCRÁTICO DE FATO E DE DIREITO, entendemos ainda a ótica perversa e macabra que alguns segmentos da sociedade tentam inserir o nosso povo negro, legitimando uma ação de assepsia social, fazendo sempre uma ligação a criminalidade e ao tráfico de drogas que desqualifica o valor da vida humana e rasga de uma vez por todas a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.
Levando-nos a pensar profundamente se de fato estamos vivendo numa DEMOCRÁCIA DE DIREITO, não distante disso é a falta de representantes parlamentares que tomem essa bandeira para si e construam instrumentos de defesa para essa câmada da sociedade que está refém de policiais que corrompem a INSTITUIÇÃO, QUE DEVERIA LHE TRAZER UMA TRANQUILIDADE E SEGURANÇA.
Desconsoante a essas barbaridades(CASO CANABRAVA, URUGUAI,VITÓRIA DA CONQUISTA E PERO VAZ), o Movimento Salvador Pela Paz repudia a violência que assola nosso estado e solidariza-se com as familias das vitimas.
Jupiraci Borges
Coordenador do Movimento Salvador Pela Paz
Acesse nosso site www.salvadorpelapaz.com.br
Nos últimos dias nos deparamos com mais uma ação violenta, insana e letal da polícia militar baiana, para quem não sabe, estou me referindo ao lamentável episódio ocorrido na quinta feira(04/03) passada no bairro de Pero Vaz, onde tivemos 04 vítimas fatais e mais 03 pessoas que supostamente estavam relacionadas ao caso que desapareceram, apois adentrar numa viatura da PM, SEGUNDO TESTEMUNHAS.
Asssistimos meio que estarrecido aos depoimentos dos familiares das vítimas que clamam por justiça, acreditamos que fatos como esses não podem passar desapercebidos pela SOCIEDADE e nem por um GOVERNO DEMOCRÁTICO DE FATO E DE DIREITO, entendemos ainda a ótica perversa e macabra que alguns segmentos da sociedade tentam inserir o nosso povo negro, legitimando uma ação de assepsia social, fazendo sempre uma ligação a criminalidade e ao tráfico de drogas que desqualifica o valor da vida humana e rasga de uma vez por todas a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.
Levando-nos a pensar profundamente se de fato estamos vivendo numa DEMOCRÁCIA DE DIREITO, não distante disso é a falta de representantes parlamentares que tomem essa bandeira para si e construam instrumentos de defesa para essa câmada da sociedade que está refém de policiais que corrompem a INSTITUIÇÃO, QUE DEVERIA LHE TRAZER UMA TRANQUILIDADE E SEGURANÇA.
Desconsoante a essas barbaridades(CASO CANABRAVA, URUGUAI,VITÓRIA DA CONQUISTA E PERO VAZ), o Movimento Salvador Pela Paz repudia a violência que assola nosso estado e solidariza-se com as familias das vitimas.
Jupiraci Borges
Coordenador do Movimento Salvador Pela Paz
Acesse nosso site www.salvadorpelapaz.com.br
Salvador:Mulheres reagem a agressões.
Cerca de 40 mulheres procuram diariamente os serviços da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no Engenho Velho de Brotas. Do início do ano até ontem, foram registrados 1.695 boletins de ocorrência. No entanto, diante da grande demanda e da carência de policiais, varas e oficiais de justiça, muitos casos não conseguem ser resolvidos com rapidez.
De acordo com a delegada titular da Deam, Cely Carlos da Silva, desde que entrou em vigor a Lei Maria da Penha, o número de registros de ocorrências tem crescido, principalmente porque a mulher se sente respaldada pela legislação e há um trabalho importante feito por vários órgãos além da delegacia. Em primeiro lugar nas queixas estão as ameaças, em segundo as lesões corporais e em seguida vêm as vias de fato (sem lesões aparentes, como um puxão de cabelos, por exemplo).
Conforme Silva, a atuação desta rede estimula a mulher a denunciar o agressor. “Para todos os casos que chegam, nós abrimos inquérito policial. A demanda é muito grande”, afirma.
A delegada assistente Aida Burgos concorda com o valor que a denúncia ganhou após a instituição da lei. “Isso se deve à credibilidade da Lei Maria da Penha, que fez com que a mulher acreditasse que o agressor será penalizado. Aqui chegam mulheres de todos os tipos, da classe humilde, média e alta, mas ressaltamos que 60 % delas são dependentes economicamente dos companheiros e quando denunciam não é a primeira agressão sofrida”, diz, enfatizando que a grande arma da mulher é a denúncia.
No entanto, segundo a delegada, algumas questões ainda dificultam o trabalho, como a insuficiência no número de policiais e de profissionais em toda a rede de combate à violência. “A demanda de queixas é enorme e é preciso um maior número de delegados, agentes e escrivães. As mesmas dificuldades passam as varas, onde faltam também mais pessoas, a exemplo de oficiais de justiça”, diz a delegada Cely.
Uma outra questão que dificulta o inquérito policial, segundo a delegada, é a falta de testemunhas. “Muitos dizem que não querem se meter em briga de marido e mulher. Alegam temer que o casal depois volte a se relacionar”, afirma.
O atendimento da delegacia especializada começa primeiro ouvindo a vítima para a formalização do boletim de ocorrência, caso seja constatado o crime. A vítima também pode pedir que a Deam encaminhe um pedido de medida de proteção para a Promotoria da Vara de Violência Doméstica. As mulheres vítimas de violência podem ainda ser direcionadas para uma casa abrigo, em busca de proteção.
“O trabalho da vara é célere. A juíza aprecia e toma as medidas protetivas em 48 horas, como a proibição da aproximação física e o afastamento do agressor”, diz a delegada Burgos. Na Deam de Brotas, atuam a delegada titular e mais seis assistentes. Cada uma pede, em média, quatro medidas protetivas por dia.
Em Salvador existe apenas uma Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que tem um acúmulo de processos. Depois das queixas, a juíza da Vara decreta a medida protetiva em até 48 horas, mas nem sempre o caso é logo solucionado, pois faltam oficiais de Justiça para entregar os mandados e aparato policial para acompanharem os profissionais.
Machismo e submissão, problema cultural
Para a psiquiatra Rose Garcia, a violência doméstica, especialmente contra a mulher, é um problema cultural. “Mas a mulher precisa sair desse papel, não pode permanecer na condição de vítima e de sexo frágil. A mulher não pode se sujeitar a tomar porrada”, diz. Segundo a especialista, o conflito está ligado à educação machista e a condição de submissão imposta a mulher. “E é também um problema de informação”, lembra.
Em relação às mulheres que, apesar de denunciar parecem se acostumar com o sofrimento e acabam voltando para o companheiro, Garcia enfatiza que isso é masoquismo e muitas vezes “perversão sexual”. “Só existe o que agride porque existe quem se deixa agredir”, afirma.
Lilian Machado
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
CONHEÇA A CARTILHA SOBRE A VIOLÊNCIA DA MULHER
No link abaixo você terá acesso à Cartilha sobre Violência contra a Mulher da OAB/SP, lançada em 13/10/2009. Trata-se de um material informativo que tem o objetivo de ser distribuído (versão impressa) e disponibilizado online gratuitamente pela OAB/SP. Além de falar sobre a história da violência contra a mulher no mundo, ela busca a conscientização e informação de todas as mulheres, objetivando o combate a esta modalidade de violência.
Violência contra as mulheres na agenda da ONU
A sessão anual da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher assinala os 15 anos da Conferência de Pequim. Mas as estatísticas sobre as dificuldades económicas e sociais sofridas pelas mulheres são de arrepiar. Artigo de Thalif Deen, da IPS.
Mais de oito mil mulheres foram violadas por integrantes de grupos armados na República Democrática do Congo em 2009, e mais de três milhões de adolescentes podem sofrer mutilação genital feminina no mundo, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Mutilação genital feminina é uma expressão genérica que compreende diferentes procedimentos como a extirpação total ou parcial dos genitais externos da mulher ou outro tipo de intervenções em seus órgãos sexuais sem justificação médica.
Em Serra Leoa, houve quase mil casos de violações sexuais e mais de 1.500 de violência doméstica no ano passado, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e nenhuma condenação. “Quase todas as mulheres desse país sofrerão algum tipo de violência de género ou sexual ao longo da vida”, disse o vice-representante residente do Pnud, Samuel Harbor. Além disso, quase 250 mil menores foram recrutados para combater em diferentes conflitos armados. O risco é maior para as meninas devido ao perigo de serem transformadas em escravas sexuais, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou o facto de, 30 anos depois de aprovada a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, o problema ainda fazer vítimas. “Em todos os países existe a violência contra mulheres e meninas’, disse, referindo-se aos 192 Estados-membros das Nações Unidas. Esse e outros assuntos serão discutidos durante o encontro de duas semanas da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CEM), principal órgão da ONU sobre questões de género, em Nova York.
O encontro da CEM, de 45 membros, entre 1 e 12 de março, é considerado um dos principais fóruns com participação de activistas que trabalham pelos direitos das mulheres. O debate centrar-se-á nos êxitos e fracassos da Plataforma de Ação de Pequim, adoptada na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada na capital chinesa em 1995. O plano de amplo espectro delineou um contexto político global em matéria de direitos humanos, igualdade de género e poder das mulheres. O compromisso inclui 12 itens importantes: pobreza, educação e capacitação, saúde, violência, conflitos armados, economia, poder e processo de decisão, mecanismos institucionais, direitos humanos, media, meio ambiente e meninas.
Além disso, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) incluem a promoção da igualdade de género, bem com a redução pela metade da proporção de pessoas que vivem na indigência e sofrem fome, a educação primária universal, a redução da mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, a luta contra a expansão do vírus HIV, da malária e de outras doenças, a garantia da sustentabilidade ambiental e a criação de uma sociedade global para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul.
“A ONU não tem um órgão forte encarregado da implementação” da Plataforma de Acção de Pequim, disse à IPS Marianne Mollmann, diretora da divisão sobre direitos da mulher da organização humanitária Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York. Os Estados-membros “falam muito” em criar uma nova entidade de género, embora existam rumores de que haverá algum anúncio a respeito durante as sessões da CEM. A HRW está concentrada na necessidade de criar uma nova estrutura de género dentro da ONU, afirmou Mollmann. Sem uma estrutura desse tipo, ninguém fica responsável pela implementação da Plataforma, acrescentou.
Durante as sessões da CEM, haverá uma mesa-redonda de alto nível com ministros e funcionários da ONU. Os participantes debaterão sobre um documento segundo o qual a fome aumentou em vastas regiões do mundo e há mais de um bilhão de desnutridos. A quantidade de meninas fora da escola diminuiu, mas continuam sendo a maioria dos menores que abandonam os estudos. Além disso, as mulheres ainda são a maioria das pessoas consideradas analfabetas. As possibilidades de acesso ao mercado de trabalho e a empregos decentes são limitadas para as mulheres, das quais uma grande proporção realiza trabalhos precários, segundo o mesmo documento.
Por ano, cerca de 210 milhões de mulheres passam por complicações sérias durante a gravidez, que costumam deixar graves sequelas. Outras 500 mil morrem durante a gestação ou pouco depois do parto, e quase metade delas em países em desenvolvimento. Além do mais, as diversas crises, a económica e financeira, de alimentação e de energia, mais os desafios da mudança climática, tiveram consequências negativas para o cumprimento de vários objetivos de desenvolvimento, incluídos os oito ODM, acrescenta. “Assim, é uma oportunidade para repensar e modificar enfoques políticos, estratégias e ações para garantir um padrão de crescimento e desenvolvimento mais equitativo, sustentável e sensível a questões de género”, é a conclusão no documento.
Artigo IPS/Envolverde
Mais de oito mil mulheres foram violadas por integrantes de grupos armados na República Democrática do Congo em 2009, e mais de três milhões de adolescentes podem sofrer mutilação genital feminina no mundo, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Mutilação genital feminina é uma expressão genérica que compreende diferentes procedimentos como a extirpação total ou parcial dos genitais externos da mulher ou outro tipo de intervenções em seus órgãos sexuais sem justificação médica.
Em Serra Leoa, houve quase mil casos de violações sexuais e mais de 1.500 de violência doméstica no ano passado, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e nenhuma condenação. “Quase todas as mulheres desse país sofrerão algum tipo de violência de género ou sexual ao longo da vida”, disse o vice-representante residente do Pnud, Samuel Harbor. Além disso, quase 250 mil menores foram recrutados para combater em diferentes conflitos armados. O risco é maior para as meninas devido ao perigo de serem transformadas em escravas sexuais, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou o facto de, 30 anos depois de aprovada a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, o problema ainda fazer vítimas. “Em todos os países existe a violência contra mulheres e meninas’, disse, referindo-se aos 192 Estados-membros das Nações Unidas. Esse e outros assuntos serão discutidos durante o encontro de duas semanas da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CEM), principal órgão da ONU sobre questões de género, em Nova York.
O encontro da CEM, de 45 membros, entre 1 e 12 de março, é considerado um dos principais fóruns com participação de activistas que trabalham pelos direitos das mulheres. O debate centrar-se-á nos êxitos e fracassos da Plataforma de Ação de Pequim, adoptada na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada na capital chinesa em 1995. O plano de amplo espectro delineou um contexto político global em matéria de direitos humanos, igualdade de género e poder das mulheres. O compromisso inclui 12 itens importantes: pobreza, educação e capacitação, saúde, violência, conflitos armados, economia, poder e processo de decisão, mecanismos institucionais, direitos humanos, media, meio ambiente e meninas.
Além disso, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) incluem a promoção da igualdade de género, bem com a redução pela metade da proporção de pessoas que vivem na indigência e sofrem fome, a educação primária universal, a redução da mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, a luta contra a expansão do vírus HIV, da malária e de outras doenças, a garantia da sustentabilidade ambiental e a criação de uma sociedade global para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul.
“A ONU não tem um órgão forte encarregado da implementação” da Plataforma de Acção de Pequim, disse à IPS Marianne Mollmann, diretora da divisão sobre direitos da mulher da organização humanitária Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York. Os Estados-membros “falam muito” em criar uma nova entidade de género, embora existam rumores de que haverá algum anúncio a respeito durante as sessões da CEM. A HRW está concentrada na necessidade de criar uma nova estrutura de género dentro da ONU, afirmou Mollmann. Sem uma estrutura desse tipo, ninguém fica responsável pela implementação da Plataforma, acrescentou.
Durante as sessões da CEM, haverá uma mesa-redonda de alto nível com ministros e funcionários da ONU. Os participantes debaterão sobre um documento segundo o qual a fome aumentou em vastas regiões do mundo e há mais de um bilhão de desnutridos. A quantidade de meninas fora da escola diminuiu, mas continuam sendo a maioria dos menores que abandonam os estudos. Além disso, as mulheres ainda são a maioria das pessoas consideradas analfabetas. As possibilidades de acesso ao mercado de trabalho e a empregos decentes são limitadas para as mulheres, das quais uma grande proporção realiza trabalhos precários, segundo o mesmo documento.
Por ano, cerca de 210 milhões de mulheres passam por complicações sérias durante a gravidez, que costumam deixar graves sequelas. Outras 500 mil morrem durante a gestação ou pouco depois do parto, e quase metade delas em países em desenvolvimento. Além do mais, as diversas crises, a económica e financeira, de alimentação e de energia, mais os desafios da mudança climática, tiveram consequências negativas para o cumprimento de vários objetivos de desenvolvimento, incluídos os oito ODM, acrescenta. “Assim, é uma oportunidade para repensar e modificar enfoques políticos, estratégias e ações para garantir um padrão de crescimento e desenvolvimento mais equitativo, sustentável e sensível a questões de género”, é a conclusão no documento.
Artigo IPS/Envolverde
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