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domingo, 4 de setembro de 2011

Salvador : Filho de delegado é assassinado no Pau Miúdo.


Fernando Wydeman Nogueira Adan, filho do delegado titular da 11ª delegacia, Adailton Adan, foi assassinado na tarde de ontem. O crime ocorreu às 16 horas, na Travessa 10 de novembro, próximo ao final de linha do Pau Miúdo. A polícia suspeita que o jovem tenha sido vítima de uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte), porém nenhum objeto pessoal foi levado.

Estudante do curso de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fernando foi atingido com um disparo na região do nariz e morreu na hora. A polícia afirmou que possui suspeito para o crime, mas não divulgou o nome para não atrapalhar as investigações.

Assim como o pai, Fernando nasceu e criou-se no bairro. Como de costume, ontem o jovem despediu-se dos avós, com quem morava, e seguia para o ponto de ônibus, a caminho da universidade. Segundo informações da polícia, o estudante levava um notebook na mochila, o que teria despertado a atenção do assassino.

Ao ser abordado, numa suposta tentativa de assalto, ele teria reagido e foi baleado pelo criminoso por disparo de pistola calibre ponto 40, arma exclusiva das Forças Armadas. O autor do crime fugiu a pé.

Ainda chocado com o ocorrido, o delegado Adaílton Adan, junto com outros dois filhos, esteve no local. Desesperado, um dos irmãos da vítima não aguentou a cena e teve de ser amparado por familiares.

Delegados de várias unidades, agentes do Centro de Operações Especiais (COE), a Polícia Militar e a cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP), compareceram para prestar solidariedade ao pai da vítima. A Travessa foi isolada por dezenas de viaturas e policiais, que não permitiram o acesso dos moradores e nem da imprensa à cena do crime.

De acordo com informações do delegado do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Alex Gabriel Chehade, apesar de a tentativa de latrocínio ser a principal linha de investigação, a polícia não descarta a possibilidade de homicídio direto ou vingança. “Pela observação criminal nada foi subtraído, mas todas as possibilidades serão apuradas. Ainda é prematuro fazer qualquer afirmação, porém as investigações começam a partir de agora e logo chegaremos ao autor do disparo”, garantiu.

Personalidade
Fernando morava no Pau Miúdo junto com os avós paternos e outros familiares. Colegas de trabalho tentaram confortar o pai da vítima. “Estou muito impressionado com a postura e força de Adan”, ressaltou Chehade. Segundo informações de moradores da região, o estudante era um jovem pacato e não tinha inimigos no bairro. “Ele vivia da academia para a faculdade.

Não sei por que fizeram isso. Ele sempre foi um menino comportado, assim como toda família do delegado”, garantiu o morador Daílton Nascimento Santos, 29.

De acordo com outro morador, que preferiu não se identificar, a Travessa 10 de Novembro é considerada um local tranquilo, onde assassinatos e assaltos não são frequentes.

“Nunca ocorreu uma situação dessas aqui. Moro aqui há muitos anos e nunca presenciei nada. Há muitos anos, um policial militar reformado foi assassinado, mas não aqui e sim na localidade das Pedreiras”, lembrou.

Ainda na noite de ontem, policiais Civis e Militares saíram em diligências nas imediações para tentar localizar e prender o suspeito. Além do delegado Alex Gabriel Chehade e a equipe do delegado Marcelo Tannus, também do DHPP, toda a polícia baiana trabalha para solucionar o caso.


Daniela Pereira

sexta-feira, 12 de março de 2010

Salvador:Mulheres reagem a agressões.



Cerca de 40 mulheres procuram diariamente os serviços da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), no Engenho Velho de Brotas. Do início do ano até ontem, foram registrados 1.695 boletins de ocorrência. No entanto, diante da grande demanda e da carência de policiais, varas e oficiais de justiça, muitos casos não conseguem ser resolvidos com rapidez.

De acordo com a delegada titular da Deam, Cely Carlos da Silva, desde que entrou em vigor a Lei Maria da Penha, o número de registros de ocorrências tem crescido, principalmente porque a mulher se sente respaldada pela legislação e há um trabalho importante feito por vários órgãos além da delegacia. Em primeiro lugar nas queixas estão as ameaças, em segundo as lesões corporais e em seguida vêm as vias de fato (sem lesões aparentes, como um puxão de cabelos, por exemplo).

Conforme Silva, a atuação desta rede estimula a mulher a denunciar o agressor. “Para todos os casos que chegam, nós abrimos inquérito policial. A demanda é muito grande”, afirma.

A delegada assistente Aida Burgos concorda com o valor que a denúncia ganhou após a instituição da lei. “Isso se deve à credibilidade da Lei Maria da Penha, que fez com que a mulher acreditasse que o agressor será penalizado. Aqui chegam mulheres de todos os tipos, da classe humilde, média e alta, mas ressaltamos que 60 % delas são dependentes economicamente dos companheiros e quando denunciam não é a primeira agressão sofrida”, diz, enfatizando que a grande arma da mulher é a denúncia.

No entanto, segundo a delegada, algumas questões ainda dificultam o trabalho, como a insuficiência no número de policiais e de profissionais em toda a rede de combate à violência. “A demanda de queixas é enorme e é preciso um maior número de delegados, agentes e escrivães. As mesmas dificuldades passam as varas, onde faltam também mais pessoas, a exemplo de oficiais de justiça”, diz a delegada Cely.

Uma outra questão que dificulta o inquérito policial, segundo a delegada, é a falta de testemunhas. “Muitos dizem que não querem se meter em briga de marido e mulher. Alegam temer que o casal depois volte a se relacionar”, afirma.

O atendimento da delegacia especializada começa primeiro ouvindo a vítima para a formalização do boletim de ocorrência, caso seja constatado o crime. A vítima também pode pedir que a Deam encaminhe um pedido de medida de proteção para a Promotoria da Vara de Violência Doméstica. As mulheres vítimas de violência podem ainda ser direcionadas para uma casa abrigo, em busca de proteção.

“O trabalho da vara é célere. A juíza aprecia e toma as medidas protetivas em 48 horas, como a proibição da aproximação física e o afastamento do agressor”, diz a delegada Burgos. Na Deam de Brotas, atuam a delegada titular e mais seis assistentes. Cada uma pede, em média, quatro medidas protetivas por dia.

Em Salvador existe apenas uma Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que tem um acúmulo de processos. Depois das queixas, a juíza da Vara decreta a medida protetiva em até 48 horas, mas nem sempre o caso é logo solucionado, pois faltam oficiais de Justiça para entregar os mandados e aparato policial para acompanharem os profissionais.
Machismo e submissão, problema cultural

Para a psiquiatra Rose Garcia, a violência doméstica, especialmente contra a mulher, é um problema cultural. “Mas a mulher precisa sair desse papel, não pode permanecer na condição de vítima e de sexo frágil. A mulher não pode se sujeitar a tomar porrada”, diz. Segundo a especialista, o conflito está ligado à educação machista e a condição de submissão imposta a mulher. “E é também um problema de informação”, lembra.

Em relação às mulheres que, apesar de denunciar parecem se acostumar com o sofrimento e acabam voltando para o companheiro, Garcia enfatiza que isso é masoquismo e muitas vezes “perversão sexual”. “Só existe o que agride porque existe quem se deixa agredir”, afirma.


Lilian Machado

O avanço da mulher



Joaci Góes

Não se conhece um movimento social que tenha avançado tanto, em tão curto espaço de tempo, quanto o da valorização da mulher nos últimos cinquenta anos.
De fato, a descoberta da pílula anticoncepcional, em 1960, deu à mulher a possibilidade de melhor administrar o uso do seu tempo, a exemplo da escolha do momento da gravidez, permitindo-lhe preparar-se para os desafios da sociedade do conhecimento em que passamos a viver. É possível que tenha sido no Brasil onde esse avanço feminino se tenha realizado de modo singularmente espetacular. Senão vejamos.

Das três maiorias nacionais oprimidas - as mulheres, os pobres e os negros-, as mulheres são, de longe, a que mais conquistas realizou, sendo que os pobres e os negros continuam sem perspectivas de mudanças favoráveis, à medida que não se adensa e não prospera, com a velocidade devida, a compreensão coletiva de que a educação é o único instrumento capaz de assegurar o avanço social na sociedade do conhecimento em que, queiramos ou não, estamos inapelavelmente imersos. O sistema de cotas, de constitucionalidade ora em discussão no STF, se aprovado, pouco alterará este panorama, de que são prova as frustradas experiências internacionais.

Apesar da trágica omissão do setor público em ver a educação como o grande diferencial da sociedade contemporânea, em seu processo competitivo, as mulheres foram à luta e priorizaram o seu preparo, conscientes de que, a exemplo dos judeus - segmento populacional mais perseguido de todos os tempos-, para competir com os homens no ambiente de trabalho e vida afora, elas teriam que ser dobradamente capazes.

Já ao redor de 1970, pela primeira vez no Brasil, o número de mulheres graduadas em cursos superiores foi superior aos homens, sendo que, desde então, essa maioria feminina nunca parou de crescer, aproximando-se, agora dos 66% para elas contra 34% dos homens. Isto é: as mulheres representam praticamente o dobro dos homens na conquista de grau universitário. As mulheres só perdem para os homens nas profissões que se apoiam nas chamadas ciências exatas, com especial ênfase para a Física e a Matemática, mas não demora e elas chegam lá.
Os bons resultados não se fizeram esperar.

Apesar da discriminação salarial que sofrem, a massa salarial auferida pelas mulheres já igualou a dos homens, sendo que nada menos de 42% delas figuram nas mais recentes estatísticas como “cabeça do casal”, em matéria de renda. Além disso, não para de crescer o número de mulheres à frente do seu próprio negócio, ou como executivas de organizações dos mais variados portes.

A presença da mulher no comando da gestão pública, por outro lado, vem crescendo de ano para ano, de eleição para eleição, de modo sensível, ainda que em velocidade menor. Sem mencionar o crescimento de sua participação em atividades gerenciais do serviço público, nas três esferas do poder, entre as eleições de 1986 e as de 2006, o número de mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados subiu de 26 para 45, de zero para dez no Senado e de zero para quatro na chefia de executivos estaduais, sendo que duas figuram como aspirantes de ponta às eleições presidenciais deste ano. Convenhamos que se trata de um avanço exponencial.

Enquanto isso na Bahia as mulheres fizeram bis no Tribunal de Justiça. Mais uma vez a Mesa Diretora é composta por quatro mulheres e um homem, com as desembargadoras Telma Britto como presidente, Maria José Sales Pereira, primeira vice-presidente, Lealdina Torreão, segunda vice-presidente, Lícia de Castro Laranjeira Carvalho, corregedora das comarcas do interior, cabendo ao único varão, desembargador Jerônimo dos Santos, o posto de corregedor geral da justiça.
É preciso dizer mais para concluirmos que estamos vivendo o embrião de um promissor matriarcado?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Morre Jânio Lopo. Saudades!


Dizer adeus nunca é simples. Por mais que estejamos acostumados, sempre há a sensação de que o peito aperta, uma tristeza inconsolável, como se uma parte importante de nossas vidas fosse embora para não mais voltar. Nesta sexta-feira (05), uma importante parte da história do jornalismo baiano se foi. O colunista e editor de política Jânio Lopo faleceu no início desta tarde, vítima de complicações cardíacas. Ele estava internado desde a última quinta-feira (04) na Fundação Bahiana de Cardiologia, localizada no bairro do Itaigara, em Salvador.

Jânio, que faria 52 anos no dia 15 deste mês, teve um mal estar na manhã de ontem e no início da noite sofreu um infarto. Ele aguardava em coma induzido a realização de uma cirurgia para desobstruir a carótida, procedimento considerado extremamente delicado por médicos especialistas, mas não resistiu e morreu no início desta tarde.

Lopo atuou como jornalista nos principais veículos impressos de Salvador. Em 30 anos de carreira, dos quais 20 foram dedicados à área política, conquistou a credibilidade e o carisma de vários leitores. Foi assessor de imprensa de órgãos públicos e empresas privadas e, como último trabalho, atuou como diretor de jornalismo do site “Política Hoje” e colunista e editor do Jornal Tribuna da Bahia.

"Quem conviveu com Jânio Lopo sabe que ele nunca abriu mão da ética e do respeito às pessoas. Em mais de 30 anos de profissão, ele honrou o jornalismo baiano e brasileiro, fazendo críticas consistentes e coerentes, escrevendo artigos contundentes e fiscalizando a atuação dos políticos. Vai ficar um vazio enorme para todos nós que gostamos de política e nos acostumamos a ler os artigos diários de Jânio Lopo", afirmou o senador Antonio Carlos Junior (DEM).

O prefeito de Salvador, João Henrique, também lamentou a morte de Jânio. “Uma grande perda para o jornalismo baiano e para o mundo político. Jânio marcou sua brilhante trajetória com relevantes serviços prestados a toda a área de comunicação com repercussão em todo o Estado. Foi um jornalista influente e que tinha a capacidade de conquistar seus leitores”, disse o gestor municipal.

"Jânio era uma figura singular no jornalismo baiano. Tanto pelo talento para escrever e analisar o cenário político baiano quanto pelo humanismo. Era um cavalheiro com incontestável talento para o jornalismo. Eu lia todos os dias a coluna de Jânio Lopo e vou sentir falta disso. Também vou sentir falta das conversas e da gentileza dele. Foi uma grande perda para a Bahia", afirmou o deputado estadual Carlos Gaban (DEM).

No twitter, houve comoção e pronunciamento de diversas autoridades baianas. O deputado Antonio Calos Magalhães Neto foi um dos políticos a utilizar o serviço de microblog para demonstrar sua tristeza. “Durante muitos anos convivi com Jânio Lopo, um jornalista de caráter, responsável e ético. Lamento profundamente a morte do meu amigo, editor de Política da Tribuna da Bahia”, declarou ACM Neto.

“Fico consternado com o falecimento do grande jornalista político Jânio Lopo. Enorme perda para a imprensa baiana e brasileira”, disse o Venerável Mestre Maçom da Loja Castro Alves Luciano Suedde.

O sepultamento de Jânio Lopo será realizado neste sábado (06), às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Bahia: A interiorização brutal da violência.

Cadeiras na porta à noite, bate-papo entre comadres e compadres, janelas abertas às escâncaras no verão para deixar entrar a brisa, longos e agradáveis passeios a cavalo, e armas, em casa, talvez para se defender de algum animal selvagem ou, coisa raríssima, proteger-se de quase pitorescos ladrões de gado. Assim era o interior baiano que conheci, oriundo que sou da zona rural. Falo de Itapetinga, Itambé e mesmo a atualmente infernal Vitória da Conquista.
Bandos armados, com até 20 bandidos encapuzados, assaltando bancos, saqueando lojas e atirando a esmo, numa cena idêntica ao faroeste americano do século XIX, como acaba de acontecer em Amargosa; assaltos em Capim Grosso; revolta de presos e morte em Serrinha; policiais encapuzados trucidando inocentes em Conquista. Assim é o interior, hoje.
Cena futura: multidão eufórica, aos berros, se jogando atrás de trios elétricos ou, os mais privilegiados, esbaldando-se em luxuosos camarotes. Centenas de milhares de turistas. E policiamento triplicado para dar segurança a tanta gente. Assim será Salvador durante seis dias, a partir desta quinta-feira. E eu, perplexo, pergunto: como ficará a segurança, já pífia, no interior do estado, com a inevitável transferência de tropas policiais para o Carnaval da capital?
E deixo outra pergunta, para a Quarta-Feira de Cinzas, sem querer esquentar ainda mais a cabeça dos ressaqueados: o que será feito, em nível nacional e local, para EFETIVAMENTE reduzir o insuportável nível a que chegou a insegurança pública neste país?