sexta-feira, 29 de abril de 2011

Gaspar Sadoc: O eterno pároco de Nossa Senhora da Vitória.

Foto: Vera Mattos


Gaspar Sadoc da Natividade nasceu em 1916,
em Santo Amaro da Purificação. Em 1929, antes de
completar 13 anos, mudou-se para Salvador, onde fez o
curso básico no Seminário Menor São José, e filosofia
e teologia no Seminário de São José Maior.
Ordenado em 1941, foi o primeiro vigário da Paróquia
de São Cosme e São Damião, na Liberdade,
onde ficou por sete anos. Depois, foi ajudar a construir
a Paróquia Cristo Rei São Judas Tadeu, na Baixa de
Quintas, e permaneceu no local por 17 anos. De lá,
saiu para a Paróquia Nossa Senhora da Vitória, onde
até hoje celebra missas e embevece a assistência de
fiéis como um dos maiores oradores que a Bahia já
produziu.
Como professor de latim ou história, lecionou
no Ginásio Dom Macedo Costa e colégios da Policia
Militar e Sofia Costa Pinto, além da Escola Técnica.
Foi também mestre de vários padres e bispos da arquidiocese.
É porque a Bahia está em festa nesse dia – e
o Senado não pode faltar a ela – que apresento o
presente Requerimento de Congratulações ao Padre
Sadoc, à Paróquia de Nossa Senhora da Vitória e ao
povo baiano.

FUNDAÇÃO JAQUEIRA: Monsenhor Sadoc internado na UTI do Hospital Aliança

FUNDAÇÃO JAQUEIRA: Monsenhor Sadoc internado na UTI do Hospital Aliança

FUNDAÇÃO JAQUEIRA: Gaspar Sadoc:"Em nenhuma religião se pode querer perfeição. "

FUNDAÇÃO JAQUEIRA: Gaspar Sadoc:"Em nenhuma religião se pode querer perfeição. "

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Já pensou em apanhar?", diz Roberto Requião ao arrancar gravador de rep...

Áudio divulgado na noite desta segunda-feira (25) no site oficial do senador Roberto Requião (PMDB-PR) registra o exato momento em que o parlamentar arrancou o gravador do repórter da rádio Bandeirantes, Victor Boyadjian, durante entrevista realizada hoje no Congresso.

A ação ocorreu logo depois que o jornalista o questionou sobre a aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná. No final da gravação é possível ouvir Requião ameaçando o jornalista. "Já pensou em apanhar, rapaz?", diz o senador. "Peraí que eu vou desligar", responde o jornalista. "Você não vai desligar p... nenhuma. Eu vou ficar com isso aqui", disse.






terça-feira, 26 de abril de 2011

A Malvadeza destruiu as barracas da orla de Salvador.

"Traga-me Para a Vida Acorde-me por dentro

(Eu não consigo acordar) Acorde-me por dentro

(Salve-me) Chame meu nome e salve-me da escuridão

(Acorde-me) Faça meu sangue correr

Eu não consigo acordar.Antes que eu me desfaça

(Salve-me) Salve-me do nada que eu me tornei"

Trecho de Bring Me To Life







Destruição das barracas da orla de Salvador. Malvadeza e omissão.

Hoje foram as barracas de Lauro de Freitas.




segunda-feira, 25 de abril de 2011

O meteoro petista da Esplanada


 


O meteoro petista da Esplanada

Autor(es): Cristiane Agostine | De São Paulo
Valor Econômico - 25/04/2011
 


De chefe de gabinete de uma secretaria do governo federal para o comando de um dos principais ministérios da Esplanada, com orçamento de cerca de R$ 77 bilhões. Em cinco anos, a ascensão do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi meteórica e o petista é tido como aposta do partido para disputar a eleição em São Paulo. Filho da geração que lutou contra a ditadura, seguiu a mesma cartilha da presidente ao conciliar a militância com a formação profissional e ao conquistar projeção no governo em pouco tempo. Sem nunca ter disputado uma eleição, Padilha está em seu segundo ministério desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro tomou gosto pela política em casa e a história de seus pais se cruza com a da presidente Dilma Rousseff.
Nos anos de chumbo, a mãe de Padilha, Macilea Chaves, trocou o quinto ano da faculdade de medicina, em Maceió, pelo chão de fábrica, em São Paulo. Militante da Ação Popular, envolvida com a Juventude Universitária Católica (JUC), a estudante de 25 anos queria viver perto dos operários e ganhar as massas para derrubar o regime, sem armas.
Em São Paulo, foi acolhida por Anivaldo Padilha, protestante da igreja metodista, que articulava uma rede internacional de apoio aos perseguidos políticos. O estudante de ciências sociais, ligado à Ação Popular, buscava abrigos no exterior e denunciava torturas cometidas pelos militares. Entre a conscientização dos operários e a articulação de redes de apoio, Macilea e Anivaldo casaram-se e tiveram Alexandre Padilha em 1971, em um dos momentos mais difíceis do AI-5.
Macilea fazia a comunicação da Ação Popular com os trabalhadores, apesar de nunca ter conseguido trabalhar como operária numa fábrica. Anivaldo foi perseguido pela ditadura e, em 1970, foi torturado no DOI-Codi, e encarcerado por dez meses no presídio Tiradentes. Teve Dilma como vizinha de parede.
Quando Anivaldo saiu do Tiradentes, Macilea engravidou. A perseguição continuou e ele teve que se exilar. Saiu do país em 1971, pouco tempo antes nascimento de Padilha, e só pode voltar de vez em 1983. "É uma das grandes dívidas que a ditadura tem comigo", emociona-se.
Padilha foi criado pela mãe, com ajuda de amigos e militantes da Ação Popular. Macilea voltou para Maceió para terminar o curso de medicina e depois retornou a São Paulo. Nesse período, Lula despontava como liderança sindical e política. "Eu levava o Alexandre no colo para ver Lula na Vila Euclides", lembra Macilea.
    "Sobre o aborto, não vamos mudar as regras. Nosso esforço é atender quem precisa, sem discriminar"
O ministro militou desde a juventude, mas sem abdicar da formação profissional. Na Unicamp, estudou medicina e ascendeu como liderança estudantil. Antes de completar 18 anos, em 1989, engajou-se na campanha presidencial de Lula, coordenando os jovens no PT. Na faculdade, trancou o curso para militar, a exemplo do que seus pais fizeram. Por três anos, cursou poucas matérias para dedicar-se à Direção Nacional dos Estudantes de Medicina. "Ele dizia que não queria terminar a faculdade muito jovem, com 22 anos. Queria ter outro tipo de experiência", lembra o pai.
Padilha tentou comandar a União Nacional dos Estudantes (UNE) pouco antes de a entidade se envolver na campanha pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Sua chapa perdeu para Lindbergh Farias e ele não quis compor a direção, como era de praxe. "Estávamos em campos opostos. Ele dizia que comigo a UNE andava de marcha ré", lembra Lindbergh, senador pelo PT do Rio. "Ele era ligado ao PT e eu, ao PCdoB. Era hiperativo, articulador e extremamente inteligente", diz. Padilha era cotado para sucedê-lo, mas optou por não disputar. "Uns defendiam que eu presidisse a UNE, outros que eu fosse para a direção do PT. Não conseguiria me formar se ficasse na UNE", comenta o ministro.
No PT paulista, Padilha integrou a direção entre 1991 e 1995 e novamente coordenou os jovens na campanha de Lula, em 1994. Com formação católica e contato com as comunidades eclesiais de base, aproximou-se de Gilberto Carvalho, atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência.
Em paralelo à militância, Padilha optou na faculdade pela área de infectologia e fez residência na USP. Na universidade, conheceu o médico Marcos Boulos, atual diretor da Faculdade de Medicina, que o convidou para atuar no combate a uma epidemia na Amazônia. "Precisava de voluntários. Ele pediu férias e foi para lá", lembra Boulos. Depois da residência, Padilha fez pós-graduação no Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias na USP e mudou-se para Santarém para montar, com Boulos, um núcleo de extensão em medicina tropical da USP, em 1997. O ministro conciliava meses de trabalho no Pará com o estudo em São Paulo.
Junto ao atendimento a populações ribeirinha e indígena, Padilha fez um trabalho científico sobre medicamentos para combater a malária, em parceria com o médico Wilson Alecrim, atual secretário estadual de Saúde do Amazonas. Com um barco pequeno, ia de casa em casa nos povoados. "O resultado foi publicado em uma das revistas científicas de medicina tropical mais importantes do mundo", conta Alecrim. "Foi extremamente importante porque constituiu a base para o tratamento da malária", explica. O petista teve de negociar com indígenas e ambientalistas, a prefeitura e o Ministério da Saúde para dar andamento ao projeto e destacou-se ao controlar um surto de malária que afligia o povo indígena Zo é. Na cidade, ganhou fama de bom articulador. "Ele era carismático e tornou-se uma referência na área. Trabalhava em condições limitadas", diz o médico Paulo Abati, que trabalhou com Padilha no Pará e é amigo da família.
Em Santarém, Padilha articulou-se no PT e coordenou as campanhas de Maria do Carmo, atual prefeita, à Assembleia Legislativa (1998), à prefeitura (2000) e ao governo do Estado (2002). "Ele se inseriu na vida da cidade. É o paulista mais "amazônico" que conheço", diz a prefeita. O vínculo de Padilha com Santarém continua e ele manteve o título de eleitor lá, assim como a filiação ao PT municipal.
O trabalho com os indígenas o cacifou para assumir a diretoria na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em 2004, na gestão Lula. A saúde indígena passava por grave crise e o petista foi convidado por um professor dele da Unicamp, Gastão Wagner, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde.
Depois de um ano na Funasa, Padilha começou a galgar postos no Planalto. O petista ingressou na articulação política do governo quando o presidente Lula enfrentava a crise do mensalão e, em pouco tempo, aproximou-se do núcleo político da gestão e do partido.
Em abril de 2006, menos de um ano depois de chegar à chefia de gabinete, o petista assumiu o cargo de subchefe-adjunto e, em janeiro de 2007, foi para o lugar de seu chefe, Vicente Trevas, a quem já conhecia do PT paulista. Depois, Padilha foi nomeado ministro no lugar de José Múcio Monteiro, na Secretaria de Relações Institucionais, em 2009. A ascensão teve o patrocínio de Gilberto Carvalho e de Trevas, atual consultor da Caixa Econômica Federal.
Ao trabalhar em Assuntos Federativos, o petista ganhou a simpatia não só de prefeitos e governadores, mas também de Lula e de Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil. O governo federal investiu em uma política municipalista, com contato direto entre União e prefeitos, e Padilha recebia as demandas dos gestores municipais. O petista aproximou-se de Dilma ao articular o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em reuniões com prefeitos e governadores. "Tínhamos o papel de facilitar o contato", explica Trevas. "Ele construiu uma relação estreita com prefeitos e governadores. Era voz do governo nas prefeituras e, no governo, era um braço da Casa Civil", diz Múcio.
Meses depois de assumir seu primeiro ministério, Padilha mergulhou na campanha de Dilma e tirou férias para fazer articulações políticas pelo país. Com o empenho na campanha, era cotado para continuar no cargo, mas viu no apetite do PT, para retomar do PMDB a Saúde, uma chance para viabilizar seu nome. "A Pasta era prioridade do PT desde a campanha", lembra o senador e ex-ministro Humberto Costa (PE). No lobby pelo cargo, pesou a proximidade com Dilma e Lula e a não rejeição do PT.
O petista começou a gestão com boas notícias da presidente: a saúde ficou fora do corte orçamentário de R$ 50 bilhões e foi escolhida para que as promessas de campanha começassem a ganhar corpo. Dilma lançou a Rede Cegonha (programa de atendimento a gestantes e bebês), campanhas contra o câncer de mama e de colo de útero e expandiu a entrega gratuita de medicamentos a hipertensos e diabéticos no programa Aqui Tem Farmácia Popular.
Os embates, no entanto, já começaram. O primeiro foi com o PMDB. Contrariado por perder a Pasta e a Funasa, o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN), bateu boca com o ministro. O petista, por sua vez, diz que não vai ceder à pressão de partidos e que a Funasa, feudo do PMDB, passará por uma "reformulação".
Outro confronto se deu no Conselho Nacional de Saúde. O ministro assumiu a presidência do conselho, responsável pelo controle social do Sistema Único de Saúde (SUS), e foi alvo de críticas. Para o secretário do conselho do Rio Grande do Sul, Paulo Humberto da Silva, o controle social será prejudicado. "Como ele pode presidir um órgão que tem de fiscalizar o ministério? E a isenção? O fiscalizado vai se fiscalizar?", questiona.
O antecessor de Padilha, José Gomes Temporão, enfrentou a resistência do conselho em sua gestão, ao defender as fundações estatais. A pressão do conselho foi tanta que o projeto não vingou. "Houve um conflito absurdo, que tentamos contornar, mas o conselho reagiu de maneira muito aguda", lembra Temporão. O ex-ministro, no entanto, não é favorável à presidência do órgão por um ministro. "É o único conselho da Esplanada com um ministro no comando. Havia o desejo de que não fosse com alguém do governo", diz.
A polêmica enfrentada por Temporão sobre o aborto é outro ponto que Padilha tenta evitar. Ao ser questionado sobre o tema, que marcou a campanha presidencial, o petista tem um discurso pronto. "Vamos fazer cumprir a lei que existe e não mudaremos as regras. Temos que atender as pessoas que chegam às unidades de saúde. Elas têm de ser acolhidas e tratadas. Não podemos discriminar ninguém por qualquer escolha", declara. "Ministro não tem opinião pessoal. É a opinião do governo. Temos de evitar a morte, complicações e doenças, sem abordagem moral ou religiosa", diz.
O ministro diz que quer deixar como marca na saúde a redução no tempo de atendimento à população, um dos grandes problemas do SUS. "Vamos trabalhar no planejamento para que as pessoas tenham acesso aos serviços de saúde em tempo adequado", diz. Para ajudar no controle, Padilha anunciou a criação de um índice nacional de saúde, para checar a qualidade dos serviços prestados por Estados e municípios e premiar quem tiver bom desempenho. "Nosso esforço será melhorar a percepção das pessoas sobre o SUS e ter unidades de saúde mais próximas da população." O petista pretende pressionar os planos de saúde para ampliar o ressarcimento. O ministério quer identificar as pessoas que usam o SUS e que têm plano de saúde para depois cobrar das operadoras os serviços prestados. Padilha costuma dizer que sua Pasta precisa mais de melhorias na gestão - que não passam pelo projeto das fundações estatais - do que de recursos e evita discutir a criação de um imposto para financiar a área.
Ao propor mudanças no repasse de recursos, por avaliações de desempenho, Padilha deve enfrentar a resistência de prefeitos, governadores e parlamentares. "O meu relacionamento com o Congresso era dificílimo. Foi a questão mais delicada", comenta o ex-ministro e deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG). "Padilha vai sofrer muitas pressões pelo financiamento do SUS. Vai ter que pensar em formas de agregar recursos e ter muita habilidade no relacionamento com o Congresso", opina.
Apesar das propostas anunciadas por Padilha desde sua posse, existe a percepção entre especialistas na área da saúde de que as ações estão "apagadas". O presidente da Sociedade de Medicina de Família e Comunidade, Gustavo Gusso, faz três críticas: "Ele ainda não apontou quais os caminhos para financiar a saúde - hoje está apenas apagando incêndios, com campanhas de prevenção já conhecidas -, não se abriu para o diálogo e paralisou novos incentivos para profissionais da saúde. Tudo o que era dinheiro novo mandou bloquear."
A ascensão rápida no governo e a projeção que ganhou no PT nacional fazem do ministro uma das apostas do partido para futuras eleições. Sem nunca ter disputado uma eleição, nem ter cargo de comando no PT, é cotado para disputar a Prefeitura de São Paulo, em 2012, ou o governo paulista, em 2014. Petistas costumam comparar o perfil do ministro da Saúde com o do ministro da Educação, Fernando Haddad, outra aposta eleitoral. Em conversas reservadas, dizem preferir Padilha. "Ele é uma máquina política. Passa o dia em ligações, não deixa de receber um político, fala com todo mundo, transita bem no partido. Haddad não é unânime nem dentro do partido", resume um dirigente, repetindo um discurso comum no PT.
Padilha descarta disputar a próxima eleição. "Tenho plena noção do desafio a enfrentar na saúde. Quero ficar os quatro anos. Não seria justo com a presidente, pela confiança que ela me dedicou, sair do ministério. Isso nem passa pela minha cabeça", diz. Sobre 2014, Padilha desconversa.
A agenda do ministro em São Paulo tem sido intensa. Só no último mês, teve atividades em praticamente todas as semanas na capital, litoral, Campinas e Osasco, na região metropolitana - regiões que concentram a maior parcela da população paulista. Petistas destacam que o ministro, solteiro e sem filhos, "se entrega" ao trabalho e às missões partidárias. "E ao Corinthians", brincam. Mesmo em São Paulo, Padilha mal tem visto os pais. A mãe, que trabalha na rede estadual de saúde, comprou um laptop para se comunicar com ele por e-mail. O pai, referência do movimento ecumênico, à frente na ONG Koinonia, aposta na comunicação via Twitter, já que Padilha passa o dia "tuitando".
Dentro do PT, avalia-se que, se Padilha souber aproveitar a chance, terá projeção nacional no ministério tido como prioridade por Dilma. A saúde foi uma das áreas mais criticadas do governo Lula e a presidente disse que colocaria a Pasta "no centro da agenda de desenvolvimento do país". A pressão não será fácil, como mostra um "aliado". "Padilha é jovem e bem intencionado, mas acha que pode tudo. É a onipotência aliada à falta de experiência", diz um ex-ministro de Lula.

EM NOME DO PAI, RUBENS PAIVA


EM NOME DO PAI, RUBENS PAIVA

Em nome do pai, Rubens Paiva
Autor(es): Ruth de Aquino
Época - 25/04/2011
 


Ana Lúcia tinha 13 anos. Estudava no colégio de freiras Sion. No dia 20 de janeiro de 1971, militares com metralhadoras invadiram a casa da família, junto à praia, no Rio de Janeiro. Levaram o pai de Ana Lúcia, o deputado federal Rubens Paiva, cassado em 1964 após o golpe. No dia seguinte, levaram a mãe, Eunice. Durante 12 dias, os cinco filhos ficaram sem pai nem mãe, cercados, convivendo com militares. A mãe voltou magra e em total silêncio. O pai, nunca mais.
Desde então, a cada 20 de janeiro, onde estiver, Nalu – o apelido familiar – entra numa igreja. "Nunca contei para meus irmãos", me disse Nalu. Neste domingo, eles completarão 40 Páscoas sem saber o que foi feito com o pai. Quem o torturou e por quê. Como foi morto. Onde foi enterrado. "Tenho esperança, sim, de encontrar o corpo, ou alguma parte de meu pai. Dizem que foi esquartejado. É a hipótese mais provável."
Otimista, ela acredita que, pela primeira vez, o Brasil esteja disposto a resgatar a memória da ditadura. "Quando escuto histórias de desaparecidos em guerras convencionais, sinto algo difícil de descrever, uma identificação, um espaço branco, um silêncio. Um luto que não pôde se concretizar." Nalu é matemática, tem 54 anos, três filhos e está no Brasil há dois meses, após 20 anos em Paris.
O Rubens Paiva conhecido dos jovens é outro, Marcelo, irmão mais novo de Nalu, autor de Feliz ano velho. O pai, deputado bonachão que ajudava amigos a fugir para o exílio ou os escondia em casa, é um total desconhecido. Quando sumiu, tinha 41 anos. A mulher dele, Eunice, estudou Direito para provar que o marido não era terrorista. Hoje, ela tem 81 anos e sofre de Alzheimer, um mal que apaga as lembranças. Na próxima semana, Eunice será levada pelos filhos ao memorial inaugurado em São Paulo em homenagem ao pai. Eles sabem que a mãe vai se emocionar, mas devem isso a ela. Pela primeira vez, a família Paiva está se permitindo chorar junta.
Pela primeira vez também, embora contaminada por clichês, a ditadura chega às novelas de televisão: Amor e revolução, no SBT, exibe cenas de tortura. Na vida real, a Comissão da Verdade estimulada pelo governo Dilma promete esclarecer fatos incômodos da história recente. Não é revanchismo. É uma tentativa honesta de resgatar nossa caixa-preta no oceano profundo da amnésia nacional. Sem colocar em questão a Lei da Anistia, Nalu acha, porém, que o Brasil precisa de um julgamento simbólico, "com os nomes de todos os torturadores".
Neste domingo, os filhos completarão 40 Páscoas sem saber como seu pai foi morto e onde está enterrado
Assisti a dois filmes recentemente. Um é Santiago 73, baseado na história de um chileno apolítico que datilografava os relatórios de necropsia. No dia 11 de setembro de 1973, ele vê, sobre a maca fria do necrotério, o corpo de Salvador Allende. A enfermeira e amiga lhe diz: "Eles (os militares) o mataram. Ele não se suicidou". Agora, quase quatro décadas depois, a Justiça chilena acaba de mandar exumar o corpo de Allende. A necropsia, pedida pela filha, a senadora Isabel Allende, esclarecerá se ele se matou ou foi morto pelos soldados do general Pinochet que invadiram o palácio La Moneda.
O outro filme que vi é um documentário, Os caminhos da memória, com os espanhóis que testemunharam a ditadura de Franco. Numa escola, um estudante contesta o professor: "Acho melhor não remexer o passado e passar a cuidar do presente e do futuro". O professor pergunta: "Alguém de sua família morreu ou desapareceu no franquismo?". "Não", responde o garoto. E o professor diz: "Negar a história é permitir que ela se repita".
É a convicção de João Ricardo Dornelles, professor de direitos humanos da PUC-Rio: "Uma política de memória e verdade é fundamental. Pode, ou não, levar aos atos de justiça. Depende de cada processo histórico. Eu, por exemplo, gostaria de saber se o velhinho sorridente que pega o elevador diariamente comigo foi torturador ou mandante de violações. Quem foi perseguido pela ditadura tem o seu passado conhecido ou distorcido. Quem foi violador vive sob o manto do esquecimento e do sigilo".
Até onde a verdade virá à tona no Brasil? Seria desumano negar às famílias das vítimas o direito de saber. Seria um pecado histórico condenar as novas gerações à ignorância. Para virar a página, é preciso que seja escrita.

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domingo, 24 de abril de 2011

Dilma terá amplos contatos com o Mercosul.


Mercosul, próxima parada de Dilma
Agência Estado

Recém-chegada da China, a presidente Dilma Rousseff sobe no avião presidencial em breve para novos voos diplomáticos. Nos próximos meses, devem entrar na agenda pelo menos oito viagens internacionais, que incluem desde os vizinhos do Mercosul até a Bulgária, terra de seu pai. Em quase todas, o foco é o mesmo: atrair negócios para o Brasil.

Mais ainda que seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva - que se autodenominava um "caixeiro-viajante" -, a presidente deixa claro que seu objetivo ao sair do Brasil é ampliar relacionamentos que possam fazer bem à balança comercial do País.

Para cada ação programada pelo Itamaraty, a pergunta feita por Dilma é: "E o que nós ganhamos com isso?". Na primeira fase da agenda, ela vai percorrer boa parte da América do Sul. Por enquanto, estão no horizonte visitas ao Uruguai e Paraguai, ambas em maio. Aos parceiros menores do Mercosul, o Brasil deve levar mais do que trazer.

É o caso do Uruguai, onde Dilma pretende conversar com o presidente José Mujica sobre a dificuldade dos uruguaios em atrair grandes investimentos estrangeiros. Deve entrar também na pauta um acordo de cooperação sobre agricultura e pecuária. Apesar de muito menor que o agronegócio brasileiro, a produção uruguaia supera a nossa em qualidade e em diversas áreas. Ao Paraguai, a presidente espera entregar, finalmente, o acordo de revisão dos preços das tarifas de energia de Itaipu pagos ao país. O acordo, aprovado na semana passada pela Câmara, está no Senado. No entanto, o crescimento de 10,9% do PIB paraguaio em 2010 atiçou ainda mais o interesse brasileiro.

Ainda no primeiro semestre, a presidente deve ir ao Chile. Há em negociação hoje pelo menos quatro investimentos importantes para o Brasil, como o término da Rodovia Bioceânica - que vai de Santos ao norte do Chile, passando pela Bolívia. Faltam apenas 40 quilômetros. Há a construção do maior telescópio do mundo, no deserto do Atacama, e a possibilidade da adoção pelos chilenos do padrão nipo-brasileiro de tevê digital. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Salvador: Número de leitos hospitalares psiquiátricos é insuficiente para a demanda.

Discussão - Na opinião da psiquiatra Miriam Gorender, o fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos sem a oferta proporcional de tratamento na rede substitutiva (Caps e outros serviços) deixou pacientes de transtornos mentais desamparados. “Muitos deles estão perambulando pelas ruas, basta observar como o número de ‘malucos’ de rua, como a população tende a chamar, aumentou nos últimos anos. Infelizmente o Caps não substitui o leito psiquiátrico, o ambulatório ou o pronto atendimento”, diz.




As dificuldades do processo de internação de pacientes com transtorno mental por conta do número de leitos insuficientes é um dos entraves enfrentados por quem precisa do atendimento. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), atualmente, o Estado conta com um mil leitos, 400 deles em Salvador.

São 32 leitos disponíveis no Hospital Psiquiátrico Mário Leal; 140 leitos no Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira; 15 leitos no Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Hupes), o Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba); 37 leitos no Hospital Irmã Dulce e 120 leitos disponíveis no Sanatório São Paulo – hospital privado conveniado ao SUS –, além de algumas clínicas privadas também conveniadas ao serviço público.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de um leito psiquiátrico para cada grupo de um mil habitantes, mas a Bahia tem 0,06 leitos por mil habitantes, de acordo com levantamento feito em dezembro de 2010 pelo Ministério da Saúde para o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.

Redução - O número de leitos para internação psiquiátrica é considerado insuficiente por boa parte dos profissionais. “Dependendo do quadro clínico é indiscutível a necessidade de internação. Como o número de leitos é insuficiente, o internamento – que não acontece nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) – fica comprometido devido à redução da oferta de leitos distribuídos pela rede pública”, pontua a presidente da Associação Psiquiátrica da Bahia, Miriam Gorender.

Entretanto, o coordenador de saúde mental da Sesab, Iordan Gurgel, afirma que a reforma psiquiátrica determina redução do número de leitos. “As diretrizes e princípios da política de saúde mental realçam a necessidade de reorientação do modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico para o modelo voltado para os centros alternativos. Os Caps fazem parte da rede de serviços criada para atender a egressos de instituições psiquiátricas, extintas pela Lei Federal 10.216”, esclarece Iordan Gurgel.

Desde 2001, quando a lei foi promulgada, ao menos 17 mil leitos psiquiátricos foram extintos em todo o País. Nos últimos oito anos, 54% dos leitos de Salvador foram eliminados. Dentro da proposta da reforma psiquiátrica, o doente mental tem o acompanhamento médico, participa de oficinas terapêuticas e retorna para o convívio familiar e social, sem ficar internado.

“Além dos Caps, as residências terapêuticas (destinadas a quem perdeu o contato com a família) e os centros de convivência são outras opções de assistência”, destaca Gurgel. Mas um levantamento do Ministério da Saúde mostra que apenas 11 estados brasileiros têm Centros de Atendimento Psicossocial 3 (Caps 3), que oferecem atendimento 24 horas para portadores de transtornos psiquiátricos, portanto o mais adequado para os casos de internação. Salvador conta apenas com um Caps tipo 3.

Iordan Gurgel se comprometeu a encaminhar uma lista com o número de Capes tipo 1, 2 e 3 existentes no Estado, assim como os municípios que os possuem, o que não foi feito até o fechamento desta edição.

Discussão - Na opinião da psiquiatra Miriam Gorender, o fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos sem a oferta proporcional de tratamento na rede substitutiva (Caps e outros serviços) deixou pacientes de transtornos mentais desamparados. “Muitos deles estão perambulando pelas ruas, basta observar como o número de ‘malucos’ de rua, como a população tende a chamar, aumentou nos últimos anos. Infelizmente o Caps não substitui o leito psiquiátrico, o ambulatório ou o pronto atendimento”, diz.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, a internação ainda é necessária porque não há um atendimento de qualidade em rede. “Nós deveríamos ter um sistema de atendimento em rede que primasse pela promoção da saúde. Se houvesse um atendimento primário e secundário adequado você reduziria a possibilidade de internação”, aponta.

A ABP nega defender a manutenção das internações, mas não economiza críticas à implementação da Lei 10.216/01, que regulamenta a reforma psiquiátrica no País. Para o órgão, o fechamento de leitos foi “precipitado”.


Fonte:A Tarde on line.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jornal do Brasil - País - STJ nega habeas corpus para promotora Deborah Guerner

Jornal do Brasil - País - STJ nega habeas corpus para promotora Deborah Guerner

É possível dizer que existem matadores profissionais no Brasil?

Qual a situação em seu Estado?

ATIRADOR DO MASSACRE DA ESCOLA DE REALENGO USOU CARREGADOR DE MUNIÇÃO ES...

PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF CHORA AO FALAR DO ATAQUE À ESCOLA DE REALENGO ...

POLICIAL IMPEDIU QUE ATIRADOR CONTINUASSE COM O MASSACRE NA ESCOLA DE RE...

IMAGENS MOSTRAM ESCOLA NO MOMENTO DO ATAQUE DO ATIRADOR EM ESCOLA DE REA...

Imagens do Atirador Dentro da Escola em Realengo - RJ

POLÍCIA DIVULGA NOVO VÍDEO DO MATADOR DE REALENGO - 14/04/2011

Palavras Repetidas - Gabriel, O Pensador & Renato Russo