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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mentira.

"Ouvi que a casinha de Iemanjá, aqui ao lado, foi invadida e roubada, tendo os invasores quebrado as estátuas da deusa. Houve quem visse nisso uma expressão de intolerância antipoliteísta e inimiga da adoração de ídolos, em sintonia com a presença de alguns evangélicos entre os líderes do motim. Não consigo sentir assim, embora seja muito absurdo baianos não contaminados pela campanha evangélica destruírem imagens de Iemanjá. Será que Gilberto Dimenstein está certo e Salvador é uma mentira? (E eu deveria estar preso?) Na semana em que Wando morreu em BH, tenho vontade de ter visto um Aécio presidente – e de voltar a morar na Bahia." Caetano Veloso





Mentira

O Globo, 12/02/2012





Caetano Veloso

Tarde demais para lamentar a imperdoável desatenção do governador Jacques Wagner aos problemas que levaram à greve da Polícia Militar da Bahia. Jânio de Freitas estava certo ao escrever que ao governador cabe a maior parte da responsabilidade pela situação. Hoje (quinta-feira) de manhã vi um PM dizer na televisão que as conversas telefônicas entre ele e o líder do motim (“Eu vou queimar viaturas, eu vou queimar duas carretas na Rio-Bahia”; “Fecha a BR!”, respondia-lhe o comandante) tinham sido uma encenação de quem já sabia que estava sendo monitorado. Mas a invasão, na Paralela, de dois ônibus por homens armados e encapuzados é fato indiscutível – e que se afina com o tom desses telefonemas. O clima de terror que os grevistas quiseram instaurar deixou o Rio Vermelho deserto no sábado à noite: é como se a Lapa tivesse ficado deserta num fim de semana. Os assassinatos de moradores de rua continuam inexplicados.

Wagner era sindicalista. É inacreditável que ele diga que foi pego de surpresa. Nós todos já sabíamos o que tinha se passado no Maranhão e no Ceará, antes de sua viagem a Cuba. Ele deverá ser sempre criticado por não ter sido capaz de negociar e, uma vez o conflito deflagrado, não ter tido a força de personalidade para lembrar aos envolvidos que há instituições neste país.

Quando Lula chegou à presidência, chamou Luiz Eduardo Soares para projetar uma política nacional de segurança. Os lulistas nunca explicaram como e por que Soares foi despachado sem ter tido tempo sequer de testar um esboço de suas ideias. Mas já ouvi cem vezes que José Dirceu usou toda a sua energia para livrar o nascente governo do PT do estorvo que seria um homem íntegro e informado trazendo racionalidade para o enfrentamento da questão da segurança pública. Nada nem remotamente semelhante foi posto no lugar. O misto de aparelhamento com fisiologismo não permitiria uma experiência ousada. Ninguém está certo de que as decisões de Luiz Eduardo seriam bem-sucedidas. Mas é seguro que o que se tem aí não poderia ser piorado.

Ouço vozes populares iradas com o governador e simpáticas à greve. São vozes de pessoas íntimas minhas, e também de desconhecidos que escrevem cartas às redações ou que simplesmente se manifestam em diálogos casuais na rua. São pessoas que acham absurdo os salários dos policiais que arriscam a vida para encarar cidades tomadas por marginais. Muitas xingam os parlamentares que votam aumentos de seus próprios ganhos, quando sabemos que eles são todos bandidos e corruptos. Claro que a resposta é que não só não é verdade que todos os legisladores sejam bandidos como também que se sabe que há policiais que o são. As cenas na Assembleia Legislativa, com mulheres e filhos de policiais nas fotos, têm a alegria espontânea das greves do tempo de “Eles não usam black-tie”. Mas é impossível não lembrar o conceito de escudo humano, num tempo em que se sabe que crianças se explodiram na Palestina Ocupada (que é como os árabes chamam o Estado de Israel).

O doloroso é sentir a fragilidade das instituições brasileiras. O clima de revolução aqui em Salvador surge em falas surpreendentes: uma policial militar foi flagrada dizendo a um dos líderes, por telefone, que queria aderir à greve, mas que seu marido, também policial, era contra, o que criaria problemas para ela em casa. Ela pergunta se o telefone do comandante do motim está grampeado, ao que ele responde que “sempre está”. O desejo expresso dessa mulher e seu conflito lembram cenas de situações revolucionárias cheias de beleza e promessas. Há algo dessa atmosfera aqui. Enternece, excita, mas também amedronta e abate, pois sabemos aonde levam quase todas as revoluções. Lembro-me das conversas na faculdade sobre “condições revolucionárias” e de filmes italianos sobre heróis comunistas – mas também de Mao, Stalin e Pol Pot.

Assistir ao filme de Clint Eastwood sobre Edgar Hoover num cinema de Salvador hoje à noite, com todo o ridículo da música e da maquiagem de Hoover e de seu namorado, me fez pensar na deficiência de nossa utilização dos talentos. Hoover implantou o uso da impressão digital, pôs em prática uma visão nítida de segurança pública. Quem nos dera que um Luiz Eduardo Soares, em tudo tão oposto a Hoover, encontrasse os caminhos para criar uma ordem eficaz e com jeito brasileiro. Ou quem sabe do caos virá alguém diferentíssimo de Luiz e nos surpreenderá.

Ouvi que a casinha de Iemanjá, aqui ao lado, foi invadida e roubada, tendo os invasores quebrado as estátuas da deusa. Houve quem visse nisso uma expressão de intolerância antipoliteísta e inimiga da adoração de ídolos, em sintonia com a presença de alguns evangélicos entre os líderes do motim. Não consigo sentir assim, embora seja muito absurdo baianos não contaminados pela campanha evangélica destruírem imagens de Iemanjá. Será que Gilberto Dimenstein está certo e Salvador é uma mentira? (E eu deveria estar preso?) Na semana em que Wando morreu em BH, tenho vontade de ter visto um Aécio presidente – e de voltar a morar na Bahia.

Dimenstein tem razão. A cidade está um lixo. Tudo aqui dá a impressão de que não há futuro. “Sim”, me disse Agostinho da Silva sobre a África, “ali de facto não há futuro. Por isso mesmo devemos fazê-lo”. Limpar o Porto da Barra, retomar a manutenção do Pelourinho, pagar bem os policiais honestos, descartar os bandidos e os governantes ineptos, refazer a imagem de Iemanjá.

O doloroso é sentir a fragilidade das instituições brasileiras.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia pede apoio ao Exército para retirar PMs da Casa.


O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia Marcelo Nilo (PDT) pediu ao general do Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança na Bahia, na 6ª Região Militar do Exército, apoio para a retirada dos policiais militares em greve do prédio da Assembleia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), até a meia-noite deste domingo, sexto dia de paralisação da Polícia Militar do Estado.

Nilo afirmou que não admite que o prédio da AL seja usado para “abrigar fugitivos da justiça com mandado de prisão em aberto”.

- A Assembleia está funcionando de forma precária, os funcionários estão falando ao serviço, há homens armados pelos corredores, pelas rampas de acesso e utilizando os banheiros. Já perdi a paciência, desde sexta-feira tentamos maneira pacifica para desocupar (o prédio) - afirmou Nilo.

Nesse domingo, quarenta homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF), considerada a "tropa de elite" da corporação, chegaram na capital baiana para cumprir 11 mandados de prisão dos 12 expedidos pela justiça. O primeiro policial preso foi Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA). O agente foi detido pelo comandante da COPPA, major Nilton Machado.

Na Assembleia, os policias em greve estão confiantes que não haverá violência com a entrada da tropa de elite da PF por conta da presença de familiares, entre crianças e mulheres dos policiais, que estão no local.

Cinco associações da PM divulgaram, na noite de sexta-feira, uma nota contra qualquer manifestação violenta que possa ocorrer aos colegas amotinados. Um trecho da nota revela o repúdio a “qualquer forma de resolução violenta que ponha em risco a integridade física e a vida de qualquer policial militar ou de qualquer outro cidadão”, e que, se tal ameaça se concretizar, se afastarão imediatamente do processo de negociação, responsabilizando o governo do Estado por todo e qualquer incidente daí decorrente.

Os agentes em greve ocupam a Assembleia Legislativa desde o início da greve, na noite de terça-feira, quando a categoria resolveu parar as atividades para cobrar melhores condições de trabalho.

Desde o início do movimento e até o início da noite deste domingo, 82 pessoas foram assassinadas em Salvador e Região Metropolitana de Salvador (RMS), segundo informações divulgadas pela Superintendência de Telecomunicações da Secretaria de Segurança Pública (Stelecom). Além disso, foram registrados saques em diversas lojas da capital baiana e de cidades do interior do estado.

82 homicídios em Salvador e Região Metropolitana.


SALVADOR - Desde que a greve começou, no dia 31 de janeiro, foram registrados 82 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com boletins da Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom). Neste domingo foram treze assassinatos até as 15h. O clima continua tenso na capital baiana devido ao movimento com tropas das Forças Armadas e da Força Nacional patrulhando as ruas de Salvador. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinep - BA), Natálio Dantas, confirmou que emitiu recomendação para que as escolas particulares da Bahia só voltem às aulas após o fim do motim de policiais militares. São cerca de 450 escolas da rede privada no Estado.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

DIAS DE TERROR NA BAHIA. FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA CHEGA A SALVADOR.



Uma série de casos de vandalismo, com assaltos e arrastões foi registrada nos últimos dias; Força Nacional foi enviada para a região

Do Portal Terra


A Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia já registrou 17 homicídios nesta sexta-feira em Salvador e região metropolitana. Os casos ocorreram entre as 01h45 e as 6h41. A capital está em estado de alerta devido à greve dos policiais militares, que começou na noite de terça-feira.

Das 17 vítimas, quatro foram encontradas mortas na avenida Jorge Amado, no bairro Pituaçu, por volta das 5h. Os corpos, todos do sexo masculino, ainda não foram identificados.

No bairro Sete de Abril, por volta das 6h10, a polícia localizou o corpo de uma mulher de 39 anos e de um jovem de 17. Eles estavam em frente a uma casa da rua 6 de Janeiro.

Outros três homens foram assassinados no bairro Engomadeira. Edvanildo Oliveira Santos, 28 anos, e Elton de Oliveira Gomes, 27 anos, foram encontrados sem vida por volta das 1h45. Ramilton dos Santos de Jesus, de idade não informada, chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Dois crimes também foram registrados na Vila Canária. Outros dois assassinatos ocorreram no bairro Ipitanga. Bom Juá e Baixa do Fiscal anotaram um homicídio cada. Em Jaguaripe, na região metropolitana, um homem e uma mulher foram mortos por volta das 5h.

Na quinta-feira, a SSP registrou 13 homicídios. Na quarta, foram sete.

A Bahia tem cerca de 10 mil policiais militares em greve. A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo e anistia, revisão do valor do auxílio alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

A Força Nacional de Segurança enviou 150 homens para reforçar a segurança em Salvador. O governo da Bahia anunciou que espera, para os próximos dois dias, a chegada de outros 500 oficiais para estender o auxílio a todo Estado.

Força Nacional

Um grupo de 150 homens da Força Nacional de Segurança chegou na quinta-feira (3) em Salvador para reforçar o policiamento e a conter a onda de violência na cidade decorrente a greve iniciada por policiais militares. A expectativa é que mais 500 militares da Força Nacional e do Exército cheguem à Bahia nas próximas horas para serem enviados ao interior.

Uma série de casos de vandalismo, com assaltos e arrastões em várias áreas de Salvador, foi registrada nos últimos dias desde que PMs ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA) anunciaram greve por tempo indeterminado. Ontem, a Justiça determinou o fim do movimento grevista.

O secretário de Segurança da Bahia, Maurício Barbosa, disse ontem que o reforço no policiamento integra um pacote de medidas para a restauração da sensação de segurança. Ele se reúne hoje com representantes de associações de policiais para discutir o assunto.

"Não negociamos sob coação", disse Barbosa, em entrevista coletiva. De acordo com a Secretaria de Segurança, 85% do contingente policial estão nas ruas. No total, são 11 mil policiais militares no Estado. A estimativa é que cerca de 2 mil homens aderiram ao movimento.

O procurador-geral do Estado, Ruy Moraes, disse que, se a Aspra não suspender o movimento, será cobrada multa de R$ 80 mil por dia de paralisação. A decisão judicial está em vigor e foi comunicada ontem à associação.

http://www.istoe.com.br/reportagens/189251_COM+GREVE+DE+PMS+SALVADOR+JA+REGISTRA+17+HOMICIDIOS+NESTA+SEXTA

Insegurança toma conta de Salvador por greve policial.

Brasília, 4 fev (EFE).- Salvador registrou nesta sexta-feira um total de 29 homicídios em 30 horas, em meio a uma onda de crescente insegurança causada pela greve policial e apesar do reforço de milhares de soldados do Exército, informaram fontes oficiais.

A Secretaria de Segurança Pública de Salvador indicou em comunicado que as mortes citadas foram registradas entre sexta-feira e a madrugada deste sábado, período em que, além disso, foram denunciadas outras dez tentativas de assassinato.

A cidade está submersa em uma onda de insegurança desde a última terça-feira, quando os 30 mil agentes da Polícia Militar da Bahia entraram em greve reivindicando melhorias salariais.

Embora na última quinta-feira a paralisação tenha sido declarada "ilegal" por um tribunal, que ordenou aos policiais que retornassem ao trabalho imediatamente, a greve prosseguiu neste sábado e porta-vozes do sindicato dos policiais anunciaram que não cederão até que suas reivindicações sejam atendidas.

O Governo Federal determinou nesta sexta-feira a transferência de 2,6 mil soldados do Exército a Salvador e outras cidades da Bahia para reforçar a vigilância nas ruas e anunciou que pode enviar outros 4 mil se a situação se agravar.

Na sexta, as tropas começaram a patrulhar os principais pontos turísticos de Salvador, que se prepara para receber milhares de turistas para o Carnaval.

Fontes oficiais disseram que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, viajará para Salvador neste fim de semana para avaliar a situação no local e decidir se é necessário um reforço militar maior.

O governador da Bahia, Jacques Wagner, se pronunciou na noite desta sexta-feira e atribuiu a onda de insegurança a grupos vinculados aos policiais em greve.

"Estamos tomando todas as providências para conter as ações de um grupo de policiais que, usando métodos condenáveis e difundindo o medo entre a população, chegou a causar desordem em alguns pontos do nosso estado", afirmou Wagner.

"A democracia é o império da lei e não pode conviver com este movimento, que já foi decretado ilegal pela Justiça baiana", apontou o governador.

Acreditem:O prefeito João Henrique (PP), que está no Rio de Janeiro cumprindo agenda oficial!

A greve dos policiais militares de Salvador (BA), que tem provacado saques e arrastões em toda a cidade, deixou a prefeitura em estado de alerta. O prefeito João Henrique (PP), que está no Rio de Janeiro cumprindo agenda oficial, entrou em contato com o secretário de Segurança do Estado, Mauricio Barbosa, na tarde de ontem e colocou à disposição dos policiais que não paralisaram os serviços 46 câmeras de videomonitoramento da Companhia de Governança Eletrônica do Salvador (Cogel). João Henrique também pediu que a iluminação pública fosse reforçada.

Na madrugada desta sexta-feira, cinco lojas foram arrombadas e saqueadas no bairro Liberdade. Segundo policiais da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), a ação aconteceu em unidades da Casas Bahia, Insinuante, Laser Eletro, além de um mercado e de uma sapataria.

Os criminosos arrombaram e levaram diversos objetos dos estabelecimentos. Alguns tiveram quase todos os produtos roubados. Conforme os agentes, populares se aproveitaram da situação para também saquear as lojas. Policiais foram enviados para os estabelecimentos comerciais, com exceção da sapataria, e conseguiram conter a ação, mas ninguém foi preso.

Na manhã desta sexta-feira, os agentes da 37ª CIPM se concentraram na unidade. Eles receberam ameaças de que a CIPM seria invadida. De acordo com as denúncias, criminosos tentariam roubar o armamento guardado no local. Por medida de segurança, os PMs decidiram reforçar a segurança na unidade e suspenderam o policiamento nas ruas do bairro Liberdade. Viaturas só estão saindo em caso de emergência.

Na quinta-feira, cinco unidades da Cesta do Povo, rede de supermercado controlada pelo governo estadual, foram saqueadas. Os crimes aconteceram nos bairros de Liberdade, Caixa D'água, Ogunjá, Mata Escura e Pirajá. A loja do bairro Liberdade foi completamente destruída. Nas de Mata Escura e Pirajá, os bandidos levaram todos os produtos e equipamentos.

Cinco pessoas foram apreendidas na ação no bairro Caixa D'água e foram apresentadas na 2ª Delegacia de Polícia. Outras nove foram detidas na ocorrência do bairro Liberdade e levadas para a 37ª CIPM, onde passaram a noite. Elas foram liberadas nesta manhã. Um homem que estava foragido da Justiça depois de não retornar de um indulto continuou preso.

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5592781-EI5030,00-Com+greve+de+PMs+e+saques+Salvador+decreta+estado+de+alerta.html

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Força Nacional chega a Salvador com 150 homens para reforçar segurança.

Reforço chegou a capital baiana por volta da 0h na Base Aérea.
Eles chegaram após pedido do governo do estado que solicitou apoio.

Desembarcaram por volta da 0h na Base Aérea de Salvador cerca de 150 policiais da Força Nacional de Segurança. Eles chegaram à capital baiana após pedido do governo do estado, que solicitou apoio por conta da paralisação parcial da Polícia Militar. De acordo com informações do secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, outros 500 policiais da Força Nacional de Segurança devem chegar à capital ao prazo de 48 horas.

Segundo o secretário, dois terços do efetivo da PM está trabalhando em todo o estado. A PM anunciou nesta quinta-feira o reforço no policiamento das cidades de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, e de Ilhéus, no sul da Bahia. Outras unidades da PM foram deslocadas para os dois municípios por conta do clima de pânico da população.

Lojas são arrombadas durante a madrugada, diz polícia em Salvador.

Há uma reunião marcada para as 14h desta sexta-feira entre o secretário de Segurança e representantes do Exército para definir a atuação das Forças Armadas nas ruas da capital baiana. "Não queremos usar a força. Só faremos se for realmente preciso", afirma o secretário. Pela manhã, Barbosa se reúne com representantes dos policiais militares que aderiram à paralisação.

Greve irregular
A paralisação de parte dos policiais militares da Bahia foi considerada irregular, de acordo com uma liminar expedida na manhã de quinta-feira pelo juiz Ruy Eduardo Brito, da 6ª Vara da Fazenda Pública.

O juiz determinou a imediata retomada das atividades pelos policiais vinculados à Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), que decretaram greve. A multa estipulada para os policiais parados que não assumirem seus postos de trabalho é de R$ 80 mil.

Saques
Três estabelecimentos comerciais na Rua Direta, no bairro da Liberdade, em Salvador, foram arrombados na madrugada desta sexta. Segundo a polícia, entre 30 e 60 pessoas saquearam os produtos das lojas de eletro-eletrônicos. Como os estabelecimentos são próximos, a polícia trabalha com a hipótese de que o mesmo grupo teria realizado os três saques.

Na 2ª Delegacia da Liberdade, os policiais explicaram que foram informados das ocorrências no comércio do bairro, mas os policiais civis não estão se deslocando da delegacia para manter a segurança dos homens custodiados.

Estabelecimentos de eletro-eletrônicos foram saqueados nesta sexta-feira.
Secretário de Segurança diz que já tem conhecimento das ocorrências.

Saques em lojas de eletrodomésticos nos bairros da Liberdade, Caixa D'Água e Calçada foram registrados pela polícia em Salvador na madrugada desta sexta-feira (3). A cidade recebeu 150 homens da Força Nacional que ajudarão na patrulha das ruas e outros 500 são aguardados nos próximos dois dias. A solicitação foi feita pelo governo do estado após parte dos policiais militares decretar greve na terça-feira (31).

"A situação é sensível e nós já contamos com o reforço das forças especiais e temos todo o apoio do governo do estado. Não vamos optar pelo radicalismo. Vamos dialogar com quem quer dialogar", disse o secretário de Segurança Pública Maurício Barbosa sobre ações atribuídas a PMs sindicalistas ao longo da semana, como o bloqueio do trânsito da Avenida Paralela, uma das mais importantes de Salvador.





Também houve registro de arrombamento em uma loja de eletrônicos no bairro Sete Portas durante a madrugada. Vários produtos foram roubados. Na Rua Barão de Cotegipe, no bairro da Calçada, moradores relatam que homens chegaram em um carro e levaram vários produtos de um estabelecimento que teve as portas derrubadas.

Ainda de acordo com as informações da Polícia Militar, dois supermercados de uma mesma rede, situados no bairro de Caixa D'Água e na rua do Japão, também na Liberdade, foram saqueados na quinta-feira (2). A ação aconteceu por volta das 16h e 21h, respectivamente. Segundo a polícia, 16 pessoas foram presas nas duas ocorrências.

Força Nacional chega a Salvador com 150 homens
para reforçar segurança

Força Nacional
Os 150 policiais da Força Nacional de Segurança desembarcaram por volta da 0h na Base Aérea de Salvador. De acordo com informações do secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, outros 500 policiais da Força Nacional de Segurança devem chegar à capital ao prazo de 48 horas.

Segundo o secretário, dois terços do efetivo da PM está trabalhando em todo o estado. A PM anunciou nesta quinta-feira o reforço no policiamento das cidades de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, e de Ilhéus, no sul da Bahia. Outras unidades da PM foram deslocadas para os dois municípios por conta do clima de pânico da população.

sábado, 5 de março de 2011

Bahia não vai conviver com “laranja podre” na polícia, diz Wagner.

Governador comentou a operação que terminou com morte de investigador suspeito por outros policiais.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira (4), em referência a uma operação que terminou com a morte de um policial civil suspeito e motivou declaração de greve da categoria, que o Estado não irá “conviver com laranja podre” nas polícias.

“Tudo preocupa, agora eu quero deixar bem claro que não há hipótese nenhuma de a gente conviver com laranja podre dentro de nenhuma unidade da segurança pública. Não há criminoso pior do que o criminoso uniformizado, alguém que usa do distintivo da Polícia Militar, Civil ou da polícia técnica para extorquir ou para entrar no mundo do crime”, disse o petista, que visitou instalações de segurança e saúde do carnaval de Salvador.

Na noite de quarta-feira (2), o investigador Valmir Borges Gomes, 54 anos, foi morto por policiais civis que investigavam uma denúncia de extorsão. Segundo o governo baiano, Gomes, o policial civil Antônio Dante Barbosa Ferreira e um informante reagiram à abordagem no momento que receberiam propina de um rapaz de 19 anos flagrado com lança-perfume. A família do rapaz acionou a Corregedoria da Polícia, que armou o flagrante no local.

Houve troca de tiros em meio a uma avenida movimentada da Pituba, bairro de classe média alta de Salvador. Carros e fachadas de edifícios foram atingidos. Gomes morreu e os outros dois suspeitos fugiram. O episódio gerou forte mobilização do sindicato dos policiais civis no Estado, que declarou greve na quinta-feira (3) em protesto. O movimento foi declarado ilegal pela Justiça no mesmo dia.

O governador disse lamentar a morte do policial, mas disse considerar “estranha” a reação do sindicato.

“Óbvio que eu sinto pela morte, eu preferiria que tivesse sido feito pela via da prisão, mas só quero lembrar que foram três contra um naquele momento, dois atirando, um se defendendo e, infelizmente, veio a óbito. Agora, acho estranho que alguns segmentos resolvam defender quem estava no crime. Aí, para mim, a postura é, no mínimo, precipitada. É claro que eu vou esperar o final da apuração de tudo que ocorreu, mas insisto: eu sou do lado da vida, mas que se tiver que tombar alguém, prefiro que tombe do lado do marginal do que do lado do policial, do lado de quem está trabalhando pela segurança”, disse o petista.
Sindicato diz que categoria trabalha com apenas 30% do efetivo

Embora o Sindipoc-BA (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia) afirme que a categoria está trabalhando com apenas 30% do efetivo, o governo baiano diz que o policiamento não está sendo afetado.

“[A greve] não atrapalhou, estamos fazendo monitoramento do movimento, a greve já foi considerada ilegal pela polícia. Os postos policiais trabalharam normalmente. Em algumas delegacias ainda se encontra um pouco de resistência, mas acho que a tendência agora é de as coisas entrarem nos eixos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa.

Segundo Barbosa, na comparação com o mesmo período do ano passado, houve redução de 2% nas ocorrências policiais no primeiro dia de carnaval em Salvador. Os dois casos mais graves foram tentativas de homicídio, que terminaram com dois homens esfaqueados.

A reportagem procurou verificar o funcionamento de dez delegacias de Salvador nesta sexta-feira (4). Seis unidades, entre elas as duas que concentram as ocorrências dos principais circuitos do carnaval, relataram que o trabalho estava normal. Em outras quatro unidades selecionadas, os telefones não foram atendidos.

O presidente do Sindipoc-BA, Carlos Lima, disse que a entidade está discutindo suas próximas ações, que incluirão visita a delegacias. “Vamos levar ao conhecimento de alguns colegas os fatos completos”, disse.

Em nota, o sindicato classificou como “desastrosa e arrogante” a ação que resultou na morte do policial Borges, que integrava o conselho fiscal da entidade. “A desastrosa operação revela incompetência, mau planejamento e, sobretudo, um estilo sanguinário de fazer segurança pública”, diz o texto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Guarda Municipal ameaça fazer greve durante o Carnaval.

O Carnaval de Salvador deve começar, nesta quinta-feira, 3, com funcionários da prefeitura municipal em greve. Os servidores da Guarda Municipal decidiram em assembleia na manhã desta quarta-feira, 2, paralisar as atividades durante a festa, caso o prefeito João Henrique não volte atrás na decisão de cortar 30% dos efetivos que trabalharão no período.

A assembleia foi marcada após a denúncia, feita pela Frente de Associações dos Servidores Municipais (FAS), dissidente do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps) e que agrega cinco associações de servidores ligadas aos agentes de transito e transporte, fiscalização da SESP, servidores da SUCOP, guardas municipais e salva-vidas, de que a Prefeitura pretendia cortar 30% do efetivo do ano passado alegando redução de receita.

De acordo com o coordenador do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), Jeiel Webster, os funcionários de outras secretarias e superintendências também vão manter a paralisação, iniciada desde a última quarta-feira, 23. Logo após a reunião, os servidores seguiram em carreata pela Avenida San Martin em direção à Secretaria Municipal de Planejamento, Tecnologia e Gestão (Seplag).

Ainda hoje, os efetivos da Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop) e da Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador) devem anunciar paralisação durante a festa. “Nós assinamos um acordo com o vice-prefeito, Edvaldo Brito, e ontem fomos surpreendidos com a notícia de que esse acordo foi suspenso. Estamos entre uma briga política do prefeito com o vice, e o servidor público não pode pagar por isso”, afirmou Webster.

Segundo afirmou Mércia Arruti, uma das lideranças da FAS, a luta para a permanência do efetivo vai continuar. "Faremos de tudo para garantir que cada servidor não fique fora desse Carnaval, afinal já são poucos os servidores envolvidos e a cidade precisará de cada um deles para um bom carnaval", afirmou.

Serviços interrompidos – De acordo com Jeiel Wesbster, do Sindseps, as escolas municipais e os postos de saúde suspenderam o funcionamento na tarde desta quarta-feira por falta de segurança. “Os guardas municipais já estão parados, os que reduz a segurança para essas pessoas. Por isso as aulas foram suspensas e o atendimento nos postos de saúde também”, afirmou.

Em nota, a Assessoria de Comunicação da Superintendência de Segurança Urbana e Prevenção à Violência (Susprev) informa que o setor não aderiu a greve da categoria.


http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5692938