terça-feira, 29 de junho de 2010

[estadodepazjornalistas] Militantes ocupam Brasília

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Estatuto da Igualdade Racial

 

Movimentos sociais protestam e ocupam Brasília

 

M

ilitantes de diversos movimentos sociais pretendem ocupar a capital brasileira, amanhã (dia 30/06), para exigir do presidente Lula o veto ao Estatuto da Igualdade Racial. Fruto de luta das organizações vinculadas à causa negra, o Estatuto chega para sanção presidencial com o conteúdo esvaziado, frustrando expectativas e provocando forte reação de lideranças históricas, que consideram o texto resultante do acordo um grave retrocesso no combate à discriminação racial.

 

O Estatuto da Igualdade Racial entrou no Senado Federal com propostas estruturantes, como a criação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, e dispositivos concretos, como o sistema de cotas. No processo de negociação com lideranças político-partidárias, porém, muitas das ações afirmativas foram retiradas, provocando uma onda de protestos pelo País e desencadeando a mobilização nacional contra a última versão da lei.

 

TEXTO "PÁLIDO" – Além de não contemplar algumas das reivindicações mais importantes dos movimentos sociais vinculados à causa negra, o texto negociado também empalidece o aspecto político, ao suprimir trechos que, para o coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN) e membro do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), Marcos Rezende, apontavam para o reconhecimento do racismo – passo decisivo para seu devido enfrentamento.

 

"O fato de não existir raça não anula a crença em sua existência. Foi a crença na superioridade de uma etnia sobre outra que legitimou atrocidades contra os negros, ao longo dos séculos. E essa crença chama-se racismo. Negá-la é tentar apagar o que não se pode apagar, principalmente porque não é coisa do passado. O racismo é uma herança viva, que continua a promover o genocídio contra o nosso povo", pontua o líder comunitário.

 

É principalmente por temer o futuro da luta contra o racismo que as lideranças das organizações do Movimento Negro querem interditar a versão da lei que está para ser sancionada. No entendimento do ex-senador Abdias do Nascimento, ícone do combate à discriminação racial no Brasil, o Estatuto, ao contrário do que alguns acreditam, não servirá de base para a continuidade do processo. Pelo contrário. Irá dificultá-lo, constituindo-se mesmo em "disfarce" para a manutenção desse tipo de opressão.

 

Reação idêntica teve Reginaldo Bispo, coordenador nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), para quem "a aprovação do malfadado Estatuto, por si só, é um retrocesso em relação aos avanços do nosso povo nos últimos quarenta anos", pontuando que o texto foi pouco e mal discutido pelas organizações do Movimento Negro brasileiro. "A maioria das pessoas negras, em especial a militância, não conhece nenhum dos textos, que foram vários, que circularam até agora", alerta.

 

O coordenador nacional do MNU explica que o projeto do acordo feito no Senado Federal tem origem no texto aprovado na Câmara dos Deputados em novembro de 2009, o qual já havia sido bastante modificado. "Foram quatro ou cinco alterações, e quando o texto foi para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tornou a ser modificado pelo relator, que é o presidente da comissão, ou seja, o senador ruralista, de direita, do DEM, Demóstenes Torres".

 

O "corte-recorte", segundo Bispo, desfigurou o Estatuto, suprimindo pontos considerados cruciais, como as cotas para negros nas universidades, nos partidos e no serviço públicos, e a defesa e o direito à liberdade de prática das religiões de matriz africana. Ele denuncia, ainda, a ausência de posicionamento sobre a proteção da juventude negra, "que sofre verdadeiro genocídio por parte das polícias militares", e a não caracterização do escravismo e do racismo como crimes de lesa-humanidade.

 

CONVOCATÓRIA – Na convocatória para o ato em Brasília, as lideranças denunciam, em uníssono a ameaça aos "direitos étnicos constituídos nos acordos internacionais de combate ao racismo e todas as formas de discriminação, xenofobia e intolerâncias correlatas", e alertam que, caso sancionado, o Estatuto significará "a repetição do acordo oferecido pelo Estado brasileiro a Ganga Zumba [...], que propunha a trégua e a paz em nome da destruição do Quilombo de Palmares".

 

E entre os direitos duplamente ameaçados estão os dos quilombolas, cuja garantia de titulação de terras foi retirada do Estatuto, estando em vias de ser atingida também pela "Ação Direta de Inconstitucionalidade", impetrada pelo DEM, por influência da União Democrática Ruralista (UDR). Trata-se da ADI 3239, que visa modificar o decreto 4887/2003, referente à regularização dos territórios dos descendentes de escravos negros refugiados, e encontra-se no Supremo Tribunal Federal (STF), para aprovação.

 

O coordenador da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, Damião Braga, explica que este processo não está descolado do posicionamento pelo veto de Lula ao Estatuto, "pois todos os processos constituídos como foco de nossa resistência foram impetrados pelo DEM. O que estamos questionando é se o Governo Lula estará de acordo com as imposições do poder dos escravocratas e ruralistas a serviço do agronegócio em nosso País ".

 

Foi também o DEM que ajuizou a "Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental" (ADPF) de número 186, que investe contra as cotas para negros nas universidades públicas – igualmente riscadas do texto. "Querem negar que a cor da pele condiciona o acesso a determinadas posições, ignorando dados como os do IBGE, que demonstra que universitários negros em Salvador, por exemplo, não conseguem remuneração equivalente à dos brancos com a mesma formação", argumenta Rezende.

 

"Temos o entendimento de que todos os direitos que o DEM tenta desesperadamente nos retirar são aqueles que efetivamente darão poder ao povo negro, ou seja, terras, cotas e direito indenizatório", analisa o combativo Damião Braga, que é também vice-presidente da Associação Quilombola do Estado do Rio de Janeiro (AQUILERJ) e membro da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Quilombolas  (CONAQ).

 

JUSTIÇA – Os militantes ressaltam os avanços alcançados durante o governo Lula, com a efetivação de políticas "importantes de emancipação e justiça social, como o Programa Luz para Todos", que chegou às comunidades quilombolas, e os programas habitacionais, "que estão chegando ao campo e à cidade  e, sobretudo, na cidade, atendendo à população negra". Mas querem que o chefe do Poder Executivo do Brasil se posicione em relação ao que consideram um "retrocesso" no âmbito de tais políticas.

 

Para tanto, estão solicitando uma audiência com o presidente da República, já tendo sido reservado o auditório Nereu Ramos (anexo da Câmara dos Deputados, em Brasília). A articulação pela retirada de pauta do Estatuto no Senado Federal já mobilizou mais de duzentas organizações do movimento social brasileiro, e a expectativa é de que pelo menos quatrocentas pessoas participem do ato no Distrito Federal, estando confirmada a presença de militantes dos movimentos Sindical, dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e pela Reforma Urbana (MNRU).

 

COORDENAÇÃO – A ação articulada e contundente de defesa dos interesses das populações marginalizadas é iniciativa da Assembléia Negra e Popular e da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, sob coordenação do Movimento Negro Unificado (MNU), do Coletivo de Entidades Negras (CEN), do Círculo Palmarino, do Fórum Nacional de Juventude Negra (FOJUNE) e da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Quilombolas  (CONAQ).

 

E confronta posições como as da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), responsável pelo acordo, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que o apóia. Na convocatória, as lideranças resgatam trecho de um dos discursos de Carlos Spis, da CUT ("...queremos consolidar as mudanças dos últimos anos, ampliar as conquistas, avançar nas mudanças que ainda faltam e impedir qualquer retrocesso"), para questionar: "Essa fala referenda a luta negra também?".

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SERVIÇO

 

O QUÊ: Mobilização pelo veto de Lula ao Estatuto aprovado no Senado e pelo indeferimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) número 3239, do DEM, contra o decreto 4887, do Supremo Tribunal Federal (STF), que regulariza os territórios quilombolas.

QUANDO: Dia 30/06/10, às 14 horas.

ONDE: Auditório Nereu Ramos, localizado no Anexo II da Câmara dos Deputados, Brasília (DF).

 

CONCENTRAÇÃO ÀS 10 HORAS, EM FRENTE AO PRÉDIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

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CONTATOS

Marcos Rezende

marcosrezende100@gmail.com

(71) 8868-4598

Consuelo Gonçalves

consu2009@hotmail.it

(71) 3334-6170

(71) 9962-0313

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A voz de algumas das mais expressivas lideranças do País

 

"

A aprovação do malfadado Estatuto, por si só, é um retrocesso em relação aos avanços do nosso povo nos últimos quarenta anos" (Reginaldo Bispo, coordenador nacional do MNU).

 

"

[...] todos os direitos que o DEM tenta desesperadamente nos retirar são aqueles que efetivamente darão poder ao povo negro" (Damião Braga, coordenador da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas).

                                                                                     

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É a continuidade do racismo [...]. Essas leis, esses disfarces para não chamar o Brasil de racista continuam" (Abdias do Nascimento, um dos ícones do movimento negro brasileiro).

 

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Da forma que está dificulta a nossa luta. Eles vão jogar na nossa cara que já temos um Estatuto" (Reginaldo Bispo, coordenador nacional do MNU).

 

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[...] Vejo como um Estatuto desidratado" (Damião Feliciano, deputado federal, PDT-PB).

 

 

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As cotas nas universidades seriam o mínimo..." (Antônio Cortês, advogado dos direitos do negro).

 

 

"

Foi como se apunhalasse pelas costas toda a luta do movimento negro" (Letícia Lemos da Silva coordenadora-adjunta da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras).

 

"

O fato de não existir raça não anula a crença em sua existência [...] e essa crença chama-se racismo" (Marcos Rezende, coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras).

 

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sábado, 26 de junho de 2010

Abílio Diniz abre a casa para campanha de Dilma










Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil
do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mémbro da Rede Nacional de Direitos Humanos.
Membro do Estado de Paz.
Visitem:

http://www.veramattos.com.br
http://www.fundadacaojaqueira.org.br
http://www.forummulheresmercosul.blogspot.com



Abílio Diniz, pelo visto, "dilmou": amanhã, abre sua casa para uma recepção à tarde para a candidata. Convidou cerca de cem pessoas, escolhidas a dedo, para ouvi-la. Dilma desembarca amanhã às 15h em São Paulo e segue direto para a casa de Abílio.
(Atualização, às 18h59: o Pão de Açúcar entra em contato para informar que a recepção terá Geyze, mulher de Abílio, como anfitriã. Será um encontro para mulheres "influentes, formadoras de opinião e que se preocupam com o país".)
Por Lauro Jardim
 


quinta-feira, 24 de junho de 2010

 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cuidadores de Pessoas da Fundação Jaqueira

MOÇÃO DE REPUDIO AO PREFEITO JOÃO HENRIQUE É APRESENTADA NA IV CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES EM BRASILIA

MOÇÃO DE REPUDIO AO PREFEITO JOÃO HENRIQUE É APRESENTADA NA IV CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES EM BRASILIA


MOÇÃO DE REPUDIO AO PREFEITO JOÃO HENRIQUE É APRESENTADA NA IV CONFERÊNCIA NACIONAL DAS CIDADES EM BRASILIA

 

 

Durante a IV Conferência Nacional das cidades, realizada em Brasília  de 19 a 23 de junho 2010, os  Movimentos Sociais apresentou Moção de repúdio contra o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro que, contrariando  a deliberação da 3ª e 4 ª  Conferência Estadual das Cidades, ocorrida em 2007 e 2009,  não empossou o Conselho Municipal das Cidades, criado em lei desde 2004.

 

A  IV Conferência Municipal da Cidade, realizada em dezembro 2009, em Salvador, os movimentos sociais cobraram participação e transparência na gestão pública e associaram os problemas pelos quais passam a população da cidade a má gestão e falta de democracia do poder público municipal.

 

A Conferência municipal deliberou a instalação, no prazo de até 15 dias, após a conferência, o Conselho da Cidade e elegeu os seus membros. Entretanto, o Prefeito não publicou o decreto de nomeação e, conseqüentemente, não empossou os conselheiros.

 

O Conselho da Cidade é um órgão colegiado, previsto na Lei do Plano Diretor.Formado por representantes do poder público, movimentos populares, sindicatos de trabalhadores, empresários, entidades profissionais e ONGs, cabendo a este debater e deliberar, democraticamente, políticas de desenvolvimento urbano que atendam aos interesses da maioria da população da cidade.

A Moção apresentada na IV Conferência Nacional das Cidades é mais uma ação dos Movimentos Socais em defesa da gestão pública com transparência e respeito as conquistas populares.

 

Por Jupiraci Borges

Coordenador do Movimento Salvador Pela Paz e Delegado na IV Concidades em Brasilia

 

ASSINAM TAMBEM  ESTE DOCUMENTO

 

Movimento Salvador Pela Paz

União de  Moradia Popular Bahia

Central dos Movimentos Populares

Movimento Nacional de Luta pela Moradia

Movimento dos Sem Teto de Salvador

FLP


 

 

 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cala a Boca, Galvão.

Briga com a Globo pode tirar Dunga da seleção após a Copa


 
Política 23/06/2010

Briga com a Globo pode tirar Dunga da seleção após a Copa

O cargo de Dunga está mais do que ameaçado, mesmo se o Brasil vencer a Copa do Mundo. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não quer o rompimento com a TV Globo. Há vários acordos milionários entre a entidade e a emissora. Desde que assumiu, em 2006, ele resolveu acabar com os privilégios que a Globo sempre teve, como livre acesso aos jogadores e treinadores. Trabalhando como comentarista, Dunga viu toda a confusa situação na Copa da Alemanha. Estava lá. E jurou que com ele seria tudo diferente.

Em três frentes a CBF procurou a TV Globo para tentar acabar com a crise provocada pelos palavrões de Dunga ao apresentador Alex Escobar após a vitória da seleção brasileira contra a Costa do Marfim, no último domingo (20).

O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, procurou Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. O chefe da delegação, Andrés Sanchez, tratou de falar com João Ramalho, funcionário da emissora que cuida só da seleção brasileira. E o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, esteve no espaço reservado à Globo no IBC (centro de mídia internacional), em Johannesburgo.

Todos trataram do mesmo assunto: mostrar que a atitude partiu do treinador. E pediam para evitar a retaliação. A TV Globo aceitou a reaproximação. E o cargo de Dunga está mais do que ameaçado, mesmo se o Brasil vencer a Copa do Mundo.

Teixeira não quer o rompimento com a TV Globo. Há vários acordos milionários entre a entidade e a emissora. Mas tratou de avisar a Campos Pinto que Dunga está tomando as suas atitudes por livre e espontânea vontade. Os palavrões do treinador a Escobar foram a gota d'água para a emissora. O treinador já criou problemas demais.

Desde que assumiu, em 2006, ele resolveu acabar com os privilégios que a Globo sempre teve, como livre acesso aos jogadores e treinadores. Antes de ganhar o cargo de treinador da seleção, Dunga foi comentarista do canal a cabo BandSports. Foi trabalhando como comentarista que ele viu toda a confusa situação na Copa da Alemanha. Estava lá. E jurou que com ele seria tudo diferente.

Já começou em Teresópolis, na Granja Comary, o centro de treinamento da CBF, mandando desmanchar tendas especiais da emissora. Passou a proibir jornalistas da emissora mostrando momentos íntimos da seleção, como o trajeto para os jogos nos ônibus. Barrou as entrevistas exclusivas. Mesmo aconselhado por Rodrigo Paiva a ceder, ser mais maleável, não houve acordo. Não teve como impedir jornalistas da emissora em voos da seleção, mas não os deixa sair antes dos jogadores para filmá-los chegando ao local onde o time vai jogar.

Campanha
Dunga não tolera alguns jornalistas específicos da emissora. Acredita que uns defendem o retorno de Vanderlei Luxemburgo ao seu cargo. Diz que recusou diversos convites para jantar com profissionais da Globo, estratégia utilizada pela emissora com antigos treinadores da seleção. Até pessoas das quais a Globo sabia que Dunga não gostava perderam seus cargos.

Depois do que aconteceu com Escobar, há uma ordem expressa para os jornalistas da Globo não darem entrevistas aqui em Johannesburgo. Em off, porém, há a confirmação do imenso mal-estar com Dunga e há muito tempo.

O técnico já reclamou que a emissora chegou a pedir entrevistas a uma hora da manhã a seus atletas, nos Estados Unidos. E que os repórteres estão acostumados ao abuso pelo fato de a Globo ter os direitos de transmissão dos jogos da seleção.

Na Olimpíada de Pequim, o clima já foi bem ruim. Ele achou que a medalha de bronze não foi valorizada. De lá para cá, o clima conseguiu ficar pior. Dunga respeita poucos jornalistas. Entre eles, William Bonner e Fátima Bernardes. Eles o convenceram a ir para o Jornal Nacional depois da convocação definitiva para a Copa de 2010. Os executivos da Globo acreditaram que tudo estava resolvido.

Tanto que estava sendo preparado um profundo perfil de Dunga e não teria apenas lados positivos. A reportagem foi suspensa como uma demonstração de boa vontade. E os executivos da emissora mandaram cerca de 280 profissionais para a África do Sul. O 'Exército Verde', porque todos usam a camisa verde do uniforme.

Todas as estrelas do jornalismo da emissora estão aqui na África. Vieram cheias de pautas para serem feitas com os jogadores. Só que Dunga trancou a seleção. E para todos os veículos, inclusive a Globo. São apenas dois jogadores por dia dando coletiva e depois treino apenas para ser filmado. Na semana passada, ele resolveu ainda fechar os treinos. A emissora teve de espalhar jornalistas pela África do Sul para buscar matérias. Isso teve um custo inesperado, caro e improdutivo.

A audiência está mesmo com os jogadores. O repórter Mauro Naves conseguiu uma exclusiva com Robinho na segunda folga em Johannesburgo. Dunga deu uma enorme bronca no jogador. O atacante foi obrigado a pedir desculpas a todo o grupo. E jurou que não cairia no mesmo erro.

Dinheiro
Com os treinos fechados, os patrocinadores também reclamaram. Os treinos são as grandes vitrines para os 11 patrocinadores que pagam, juntos, R$ 220 milhões anuais à CBF. Eles investem tanto para aparecer nas TVs. Dunga sozinho está travando esse forte interesse econômico.

A emissora chegou mesmo a negociar com Ricardo Teixeira entrevistas de jogadores para entrar no Fantástico de domingo. Dunga vetou. E foi além. Há um espaço reservado para as emissoras que são donas dos direitos de transmissão das partidas da Copa. Fica à beira do gramado. Os destaques dos jogos sempre param ali para falar. Só que, no último domingo, Dunga não deixou seus atletas falarem à Globo, os retirou, gritando "vestiário", e sabotou também essas entrevistas.

Os palavrões do treinador a Alex Escobar foram a gota d'água. A emissora carioca fez um editorial forte, respondendo a Dunga no Fantástico. Na saída do estádio Soccer City, jornalistas flagraram o chefe de Esportes da emissora, Luiz Fernando Lima, desabafando: reclamando que de nada adiantaram encontros com a cúpula da CBF para garantir paz entre o treinador e a Globo durante a Copa.

Ex-repórter, Luiz Fernando desabafou em voz alta. Para evitar que tudo ficasse pior, a CBF teve de entrar em várias frentes para se desculpar com a Globo. Isso desagradou, e muito, a Ricardo Teixeira.

Antes da Copa, Dunga disse ao R7 que seu futuro na seleção, depois da Copa, dependia "do doutor Ricardo". É bom ele ficar atento a convites de equipes italianas. Ricardo Teixeira está disposto a não mantê-lo no cargo para a Copa de 2014. Mesmo se o Brasil for campeão.

O presidente da CBF não quer mais quatro anos desse clima. Só não pode afastá-lo agora para não atrapalhar a seleção. Mas os dias de Dunga parecem estar chegando ao fim, graças à sua postura radical e agressiva. O sonho é um técnico mais maleável para 2014

 


 

Dunga também peita a Globo



23/06/2010

Dunga também peita a Globo

A escolha de Dunga como técnico da seleção brasileira foi feita rapidamente, quando ainda estava fresca a vergonhosa derrota para a França, quando um Zidane prestes a despedir-se do futebol, deu um lindo baile no time brasileiro. Neste, Parreira quis surfar no sucesso da copa anterior e manteve um time envelhecido – de que os superados Cafu e Roberto Carlos eram as expressões mais claras, laterais já sem capacidade de apoio e de volta para marcar. O segredo estava no quarteto Ronaldo, Ronaldinho, Adriano e Kaká. Bastaria que dois jogassem bem, para que estivesse, garantidas nossas vitórias.

O time naufragou desde o começo, nunca jogou bem, se esperava sempre que finalmente o time realizasse o futebol que potencialmente possuíam, o que nunca aconteceu. A barriga de Ronaldo – que não se deu ao trabalho de emagrecer nem umas gramas -, a falta de vontade de jogar de Ronaldinho, foram os símbolos daquele fracasso.

Nem bem terminou o jogo – em que Roberto Carlos foi crucificado, com razão, ao estar arrumando as meias, deixando Henri livre para marcar, num resultado magro pelo domínio total dos franceses -, a CBF quis apagar os ecos do fiasco e nomeou Dunga encima do balanço consensual – e fácil – da imprensa: tinha faltado raça. Foram buscar quem tinha significado a raça em estado puro, nas seleções anteriores, mesmo se nunca tivesse sido técnico: Dunga.

Uma nomeação assentada em uma ilusão, que segue sendo repetida: o Brasil tem o melhor futebol do mundo, revela craques como ninguém, a todo momento. O quarteto não teve disposição de jogar – Kaka apenas se esforçou, Robinho entrava no final, -, o diagnóstico quase foi de que fomos derrotados por excesso de craques. Zidane passeou pelo Brasil, dando chapéus a torto e a direito, diante de um time incapaz de qualquer genialidade. Mas a dose de raça viria em dose dupla e isso bastaria para voltássemos a ter o melhor time do mundo.

Dunga assumiu como se esperava, com o discurso da linha dura do "orgulho" que todo jogador deveria ter de estar na seleção – no estilo da "pátria de chuteiras", da disciplina e da entrega à seleção. Sabia-se se Ronaldo estaria fora – pela falta de disposição para colocar-se em forma – e Ronaldinho estaria a perigo, pela fama de "baladeiro". Adriano teria sua chance, assim como Robinho, enquanto Kaká seria o modelo de comportamento do jogado da Era Dunga – agora como técnico.

Mas Dunga impôs a disciplina também em outro plano. Na seleção de Parreira, a Globo deitava e rolava. Chegou a montar um estúdio inteiro na concentração, em pleno Campeonato Mundial e transmitia, a seu bel prazer, todo o cotidiano dos jogadores, desde que se levantavam até que dormissem. Era uma festa para a Globo.

No mesmo sentido do espírito que buscou impor, Dunga deixou a imprensa fora das concentrações, liberou apenas as entrevistas protocolares e, conforme os resultados não chegavam – o Brasil chegou a estar mal no começo das eliminatórias – e Dunga era muito criticado, este reagia com dureza contra a imprensa, no estilo rude da sua personalidade tosca.

Aos poucos a seleção foi se acertando, as vitórias vieram e isso consolidou em Dunga a certeza de seu comportamento era o correto. As arbitrariedades táticas – o jogo monótono, sem criatividade – e de convocação – privilegiando os brucutus no meio de campo, sem dar chance a jogadores eminentemente técnicos, como Alex, Ganso, Neimar, Hernanes, foram sendo referendadas, conforme o Brasil assumiu o primeiro lugar nas eliminatórias, ganhou a Copa das Confederações, ganhando da Argentina e, em amistosos também, de outros times ranqueados na Fifa – como a Itália e Portugal.

O principal problema que o Brasil arrastou até o começo da Copa foi a falta de forma física e técnica de dois dos seus jogadores mais importantes – Kaká e Luis Fabiano que, contundidos nos seus clubes, tinham jogado pouco nos meses anteriores ao inicio da Copa e chegaram à convocação ainda se recuperando. Mas havia outro problema: o Brasil não é mais o celeiro de craques cantado em prosa e verso no passado. Os jogadorres do Santos são ainda grandes promessas, assim como Hernanes, enquanto a Argentina revelou e consolidou uma geração de craques superior à nossa, incluído um fora de série - Messi – que nós já não temos desde o declínio de Ronaldinho. (Messi já era o melhor do mundo há vários anos, quando Kaká e Cristiano Ronaldo ganharam esse prêmio sem merecê-lo.)

Mas o conflito que domina o clima da seleção, até aqui , é outro. As empresas jornalísticas nos saturam de Copa do Mundo vários meses antes, mandam equipes descomunais de jornalistas, se valem de patrocínios milionários e precisam encher seus horários com matérias que deveriam varias de um jogador escovando os dentes até dormindo de pijama. Mas Dunga deixou, como é correto fazer, a imprensa do lado de fora da concentração, para não perturbar o trabalho – inclujindo os agentes, que em outras seleções atuavam ali dentro, assesiando os jogadores. Isso causou mal estas emissoras e serviu como tema de intermináveis e modorrentas mesas redondas, entre comentários táticos sobre a Nova Zelândia e a Sérvia. Principalmente da TV Globo, acostumada a todos os privilégios, que se sente ultrajada ao ser tratada como as outras, sem o acesso privilegiado aos jogadores e à concentração da seleção.

Independente de que o Brasil seja campeão ou não, se siga melhorando seu futebol ou estacione no nível atual, Dunga tem razão, mais além das truculências verbais, que revelam uma personalidade frágil, sem auto controle, pela qual se deve temer em situações de maior tensão (imaginem se, em jogo eliminatório, o Brasil começa perdendo, que topo de segurança um técnico assim vai passar no vestiário, no intervalo, só para imaginar uma situação perfeitamente possível, em que os jogadores tem que ter no banco alguém seguro, controlado, o que certamente Dunga não é.)

Quando o time joga mal, se descarrega nele uma carga desproporcional de críticas ("Treino secreto para isso?", berrava o caderno da Copa do Globo depois da magra vitória contra a Coréia do Norte, numa vingacinha barata.) Ou, mesmo quando se ganha e se joga bem, se carrega nas tintas ao Dunga não se dar conta que Kaká estava descontrolado e prestes a ser expulso no jogo contra a Costa do Marfim, não interessa se justamente ou não, porque sua visível irritação o deixava na zona de risco de aceitar provocações.

A Globo, como sempre, com sua prepotência, granjeia a antipatia de todos (de que a campanha global contra o Galvão é uma expressão criativa, depois daqueles palavrões com que o Maracanã já o havia brindado: "Tomá no c. Galvão, tomá no c. Galvão", impossíveis de não serem ouvidos por todos.

Tomara que o Brasil siga melhorando e ganhe a Copa. Pela alegria que trará par ao povo brasileiro. Mas que não se consagre o estilo grosseiro do Dunga. Mas se o Brasil perder, a Globo vai estraçalhá-lo, com um ódio similar ao que tem ao governo Lula – ambos expressões distintas dos limites impostos à Globo, que impotente tem que assistir sucessos que a contrari
am.

 

Postado por Emir Sader às 04:30





http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=492


 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Relatório Mundial sobre Drogas 2010 revela tendências de novas drogas e de novos mercados




Relatório Mundial sobre Drogas 2010 revela tendências de novas drogas e de novos mercados

23 de junho de 2010 - O Relatório Mundial sobre Drogas 2010, divulgado nesta quarta-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), mostra que o consumo de drogas está se deslocando em direção a tendências de novas drogas e de novos mercados. O cultivo de drogas está diminuindo no Afeganistão (ópio) e nos países andinos (coca), e o consumo de drogas tem se estabilizado nos países desenvolvidos. Entretanto, há sinais de aumento no consumo de drogas nos países em desenvolvimento, além de um aumento no consumo de substâncias do tipo anfetamina (ATS, na sigla em inglês) e no abuso de medicamentos sob prescrição em todo o mundo.

Redução do cultivo de ópio e de coca

O Relatório mostra que a oferta mundial dos dois tipos de drogas mais problemáticos - opiáceos e cocaína - continua em declínio. A área global de cultivo de ópio caiu quase um quarto (23%) nos últimos dois anos, e a produção de ópio deve cair drasticamente em 2010, devido a uma praga que pode destruir até um quarto da papoula do Afeganistão. O cultivo de coca, que diminuiu 28% na última década, manteve a tendência de queda em 2009. A produção mundial de cocaína diminuiu de entre 12% e 18% no período de 2007 a 2009.

Heroína: diminuição da produção, mas poucas apreensões

O potencial global de produção de heroína caiu 13% para 657 toneladas em 2009, refletindo uma menor produção de ópio no Afeganistão e em Mianmar. A quantidade de heroína que efetivamente chega ao mercado é muito menor (cerca de 430 toneladas), uma vez que grandes quantidades de ópio estão sendo armazenadas. O UNODC estima que existam atualmente mais de 12 mil toneladas de ópio afegão estocadas - o que equivale a cerca de dois anos e meio de demanda global ilícita de opiáceos.

O mercado global de heroína, estimado em US$ 55 bilhões, está concentrado no Afeganistão (país responsável por 90% da oferta), na Rússia, no Irã e na Europa Ocidental, que, juntos, consomem metade da heroína produzida no mundo.

Embora o Afeganistão seja o maior produtor de opiáceos do mundo, o país apreende menos de 2% dessa produção. Irã e Turquia lideram os índices de apreensão, sendo responsáveis por mais da metade de toda a heroína apreendida no mundo em 2008. As taxas de interceptação em outros lugares são muito menores. Ao longo da rota do norte, os países da Ásia Central somente apreendem meros 5% das 90 toneladas de heroína que cruzam seu território em direção a Rússia. Por sua vez a Rússia, que consome 20% da produção de heroína do Afeganistão, apreende apenas 4% desse fluxo. Os números são ainda piores ao longo da rota dos Bálcãs: alguns países do Sudeste da Europa, incluindo estados membros da União Europeia, interceptam menos de 2% da heroína que atravessa seu território.

O mercado de cocaína está mudando

O Relatório Mundial sobre Drogas 2010 revela que o consumo de cocaína tem diminuído significativamente nos Estados Unidos, nos últimos anos. O valor de varejo no mercado de cocaína nos Estados Unidos diminuiu cerca de dois terços na década de 1990, e cerca de um quarto na década passada. "Um dos motivos para a violência associada às drogas no México é que os carteis estão lutando por um mercado que está diminuindo", disse o Diretor Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa. "Essa disputa interna é benéfica para a América, pois a escassez de cocaína está resultando em menores índices de dependência, preços mais elevados e menor pureza nas doses".

De certa forma, o problema atravessou o Atlântico: na última década, o número de usuários de cocaína na Europa duplicou, passando de 2 milhões, em 1998, para 4,1 milhões em 2008. Em 2008, o mercado europeu (estimado em US$ 34 bilhões) chegou a ser quase tão valioso quanto o mercado norte-americano (US$ 37 bilhões). A mudança na demanda acarretou uma mudança nas rotas de tráfico, com uma quantidade crescente de cocaína sendo traficada dos países andinos para a Europa, via África Ocidental. Isso está causando instabilidade na região. "Pessoas que consomem cocaína na Europa estão destruindo florestas nativas dos países andinos e corrompendo governos na África Ocidental", disse Costa.

Uso de drogas sintéticas ultrapassa o de opiáceos e de cocaína somados

O número global de pessoas que usam estimulantes do tipo anfetamina (ATS), estimado em algo entre 30 a 40 milhões, em breve deverá ultrapassar o número somado de usuários de opiáceos e de cocaína. Há também evidências de um crescente abuso de medicamentos vendidos sob prescrição médica. "Não vamos resolver o problema mundial da droga se simplesmente empurrarmos o vício da cocaína e heroína para outras substâncias que causam dependência - e há quantidades infinitas dessas substâncias sendo produzidas por laboratórios clandestinos a custos baixíssimos", advertiu Costa.

O mercado das ATS é mais difícil de ser controlado porque a rota do tráfico é muito curta (a produção geralmente ocorre perto dos principais mercados de consumo), e pelo fato de que muitas das matérias-primas são legais e amplamente disponíveis. Os fabricantes são rápidos na comercialização de novos produtos (como quetamina, piperazinas, Mefedrona e Spice) e na exploração de novos mercados. "Essas novas drogas causam um problema duplo. Primeiramente, elas são produzidas num ritmo muito mais rápido do que as normas regulatórias e a lei podem acompanhar. Em segundo lugar, a comercialização dessas drogas é engenhosamente inteligente, pois são fabricadas sob encomenda, de modo a satisfazer as preferências específicas de cada situação", disse Costa.

O número de laboratórios clandestinos de ATS relatados aumentou 20% em 2008, inclusive em países onde esses laboratórios nunca antes haviam sido detectados.

A fabricação de ecstasy tem aumentado na América do Norte (principalmente no Canadá) e em várias partes da Ásia, e o consumo parece estar aumentando na Ásia. Em outra demonstração da fluidez dos mercados de drogas, o consumo de ecstasy na Europa vem caindo desde 2006.

A maconha continua sendo a droga mais popular do mundo

A maconha continua sendo a substância ilícita mais amplamente produzida e utilizada no mundo: é cultivada em quase todos os países do mundo e consumido por algo entre 130 a 190 milhões pessoas pelo menos uma vez por ano - apesar de esses parâmetros não dizer muito em termos de dependência. O fato de que o consumo de maconha esteja diminuindo em alguns de seus mercados mais valiosos, leia-se América do Norte e partes da Europa, ele representa outra indicação de mudança nos padrões do abuso de drogas.

O UNODC encontrou evidências de cultivo indoor de maconha para fins comerciais em 29 países, especialmente na Europa, na Austrália e na América do Norte. O cultivo indoor de maconha é um negócio lucrativo e que, cada vez mais, se torna uma fonte de recursos para grupos criminosos. Com base em dados recolhidos em 2009, o Afeganistão é hoje o maior produtor mundial de haxixe (assim como de ópio).

Tratamento para dependentes é insuficiente

O Relatório Mundial sobre Drogas 2010 expõe uma grave falta de serviços de tratamento para usuários de drogas em todo o mundo. "Enquanto pessoas de países ricos podem pagar pelo tratamento, pessoas pobres e/ou países pobres estão enfrentando as piores consequências à saúde", alertou o chefe do UNODC. O relatório estima que, em 2008, apenas cerca de um quinto dos usuários de drogas dependentes receberam tratamento no ano passado - o que significa cerca de 20 milhões de pessoas dependentes de drogas sem receber tratamento adequado. "Já está na hora de haver acesso universal ao tratamento para as drogas", disse Costa.

Ele considera que a saúde é a peça-chave no controle de drogas. "A dependência é um problema de saúde tratável, não uma sentença morte. Os dependentes de drogas devem ser encaminhados para tratamento, não para a prisão. E o tratamento da dependência de drogas deve fazer parte dos serviços de saúde em geral".

Ele também fez um apelo por um maior respeito pelos direitos humanos. "Só porque as pessoas usam drogas ou estão atrás das grades, isso não elimina seus direitos. Faço um apelo aos países onde as pessoas são executadas por crimes relacionados com drogas, ou pior, são mortos a tiros por grupos de extermínio, para acabar com essas práticas".

Sinais de alerta nos países em desenvolvimento

Costa destacou os perigos do uso de drogas nos países em desenvolvimento. "As forças do mercado já moldaram as dimensões assimétricas da economia da droga: os maiores consumidores de drogas (os países ricos) impuseram aos países pobres (os principais locais de abastecimento e de tráfico) os maiores danos", disse Costa. "Os países pobres não estão em condições de absorver as consequências do aumento do consumo de drogas. Os países em desenvolvimento enfrentam uma crise iminente que poderá levar milhões de pessoas para o problema da dependência de drogas".

Ele citou como exemplos o crescimento do consumo de heroína na África Oriental, o aumento do uso de cocaína na África Ocidental e na América do Sul e o aumento na produção e no abuso de drogas sintéticas no Oriente Médio e no Sudeste Asiático. "Nós não vamos resolver o problema mundial da droga deslocando o consumo dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento", disse Costa.

Tráfico de drogas e instabilidade

O Relatório Mundial sobre Drogas 2010 traz um capítulo especial sobre a influência desestabilizadora do tráfico de drogas nos países de trânsito, focando em particular no caso da cocaína. Ele mostra como o subdesenvolvimento e a fragilidade dos governos atrai o crime, ao mesmo tempo em que o crime aprofunda a instabilidade. O documento mostra como a riqueza, a violência e o poder do tráfico de drogas podem comprometer a segurança e até mesmo a soberania dos estados. A ameaça à segurança instaurada pelo tráfico de drogas esteve na pauta do Conselho de Segurança das Nações Unidas em diversas oportunidades no ano passado.

Embora a violência relacionada às drogas no México receba uma atenção considerável, o Triângulo Norte da América Central, composto por Guatemala, Honduras e El Salvador está sendo ainda mais afetado, com taxas de homicídio muito mais elevadas do que as do México. O Relatório diz que a Venezuela emergiu como um ponto importante de origem para a cocaína traficada para a Europa: entre 2006 e 2008, mais da metade de todos os carregamentos marítimos interceptados com cocaína para a Europa veio da Venezuela.

O Relatório destaca a situação de instabilidade na África Ocidental, que se tornou um centro de tráfico de cocaína. O documento observa que "traficantes conseguiram cooptar figuras importantes de algumas sociedades de regime autoritário", citando o caso recente da Guiné-Bissau.

Costa pediu mais desenvolvimento para reduzir a vulnerabilidade ao crime e para um maior esforço na aplicação da lei para lidar contra o tráfico de drogas. "Se não enfrentarmos de forma efetiva a ameaça representada pelo crime organizado, nossa sociedade será mantida como refém - e o controle de drogas ficará comprometido por reiteradas manifestações para acabar com as convenções de drogas da ONU, as quais críticos apontam como causa da criminalidade e da instabilidade. Isso irá desfazer o progresso conquistado pelo controle de drogas na última década e desencadear um desastre em termos de saúde pública", alertou. "A menos que a prevenção e o tratamento sejam levados mais a sério, o apoio da opinião pública para as convenções de drogas da ONU irá diminuir".

Acesso ao conteúdo

Texto integral do Relatório Mundial sobre Drogas 2010, em inglês (em alta resolução ou baixa resolução)

Sumário Executivo (em inglês, em alta resolução ou em baixa resolução, ou em espanhol)

Resumo das referências ao Brasil e ao Cone Sul (em português)

Informações adicionais

Marcos Ricardo dos Santos
Assessoria de Comunicação - UNODC Brasil e Cone Sul
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
Tel: +55 (61) 3204-7206
Cel: +55 (61) 9149-0973


 

domingo, 20 de junho de 2010

Fundação Jaqueira: inscrições abertas para Curso Qualificação de Cuidadores Básicos.


 
 

Fundação Jaqueira: inscrições abertas para Curso Qualificação de Cuidadores Básicos. — Salvador

 

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Estão derramando o sangue dos meninos da Bahia.

Texto publicado no jornal "A Tribuna da Bahia" em 07/08/2008 continua atualissimo. Vale a pena uma reflexão sobre o tema.

Vera Mattos escreve:

Há alguns anos atrás o jornalismo corria atrás das informações sobre os crimes: dados completos da vítima; tipologia (homicídio, tentativa de homicídio, estupro, lesão corporal, latrocídio e linchamento); a quem era atribuído o crime, se a policial civil, policial militar, grupo de extermínio, desconhecidos, marginal (aqui entendido como ladrão ou bandido); outros caracterizados como do grupo próximo ou familiar da vítima.

Havia tempo para buscar-se o motivo do crime: se ação policial, assalto, conflito, envolvimentos com drogas, com justiceiros ou grupos de extermínio.

Levantamento do instrumento utilizado para o êxito do evento: armas e seus diversos tipos. Detalhamento do crime, circunstâncias, região etc.

Hoje já não há mais tempo para isto. Os meninos da Bahia tombam sobre o solo baiano e derramam sangue. Conta a polícia que a ação é de grupos de extermínio que aparecem sempre caracterizados como justiceiros, cobradores de dividas do tráfico, guerra de quadrilhas.

Então a vitima fica assim: morreu um jovem não identificado assassinado por um desconhecido. Mas o motivo é dito com a letra do poder: jovem morto por vinculação ao tráfico de drogas. E leva-se para o Instituto Médico Legal – IML. Nas gavetas espera-se (?) que alguém reconheça oficialmente e venha procurar aquele corpo para enterrar.

Os jovens pobres e negros estão morrendo. O sangue vermelho dos jovens negros está escorrendo sobre o solo baiano.

E não tem demagogia neste discurso não. Faz tempo que falamos sobre isto. Faz tempo que suplicamos soluções quando é dever do Estado nos dar segurança. Quando é dever do Estado nos dar condições e, por conseguinte, também a estes jovens.

Os grupos de extermínio agem assim livremente na Bahia. As listas dos que irão morrer circulam livremente entre os justiceiros que estão a serviço de um poder maior do que o Estado.

O nosso governador está pessimamente assessorado. Ele que é homem que teve votos suficientes que lhe assegurariam a possibilidade de mudanças radicais na Bahia parece que se entregou a outras questões. Eu, sua eleitora, fico indignada. Jaques Wagner é melhor você rever o seu governo e olhar a imensa matança que estão praticando em seu nome.

Quantos secretários de segurança pública já passaram por você? Que pessoas você procurou ouvir? E os movimentos sociais que ajudaram a te eleger já estiveram com você ou apenas com seus vaidosos assessores?

Wagner tem jovens morrendo. Jovens negros tombando diariamente. A sua polícia quando chega mata e depois lacra o cadáver e diz que foi culpa do tráfico.

Wagner os seus policiais civis e militares estão morrendo, já não podem usar suas fardas. Eles também são mortos para defender a população e em troca recebem um salário miserável.

Wagner temos viúvas de todos os lados. Temos crianças órfãs de todos os lados. Temos mães que não tem como enterrar seus filhos.

Wagner você ouve o grito de dor destas mulheres? Você ouve o grito de dor destas crianças? Você vai ao enterro dos militares e civis mortos?

O que você faz Wagner? Eu te peço: não me envergonhe, não envergonhe quem te elegeu.

Temos direito a uma cidade pacífica, a uma violência em limites que possam ser compreendidos.

Wagner: coloca a cabeça no travesseiro e que venha um clarão de luz que te ajude a oferecer uma saída para tudo isto.

Vamos sair do discurso para a prática.

Renove as suas práticas e não fique na cartilha política da aceitação e da passividade.

Escuta companheiro: hoje, ainda hoje, você terá tempo, se desejar, de salvar muitas vidas.

*Vera Mattos é Jornalista e Radialista.
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil, dirigente do Fórum de Mulheres do Mercosul/capitulo Brasil, integrante do Movimento Estado de Paz, entre outros.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fim da polêmica: Lula sanciona reajuste de 7,7% para aposentados.

SÃO PAULO - Depois de discussões acaloradas entre parlamentares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o reajuste de 7,7% para os aposentados que recebem mais de um salário mínimo.


Conforme publicado pela Agência Brasil, o presidente orientou a equipe econômica a fazer os cortes necessários em outras despesas para compensar os gastos provenientes do aumento.


Apesar disso, o presidente garantiu que não haverá redução em investimentos, mas em custeio e em emendas parlamentares.


Fator previdenciário
Na reunião, que durou cerca de quatro horas, entretanto, Lula vetou o fim do fator previdenciário, medida defendida por muitos parlamentares.

Cuidadores de Pessoas da Fundação Jaqueira

Deputado Álvaro Gomes:"mais mulheres no poder".

Delegação Brasileira ONU 2010.

Demolição das barracas da orla de Salvador.

ONU: Vera Mattos fala sobre Tráfico Humano.

Índio na selva urbana.

domingo, 13 de junho de 2010

Dilma:"É a hora de uma mulher comandar o país".


(Foto: AE)
A pré-candidata Dilma Rousseff direcionou seu discurso, na convenção nacional do PT, às mulheres. Ela disse que “para aprofundar o olhar do presidente Lula, ninguém melhor do que uma mulher na Presidência da República”. E completou: “Nós, mulheres, nascemos com sentimento de amparar, de cuidar e de proteger”. A todo momento, Dilma se direcionava às mulheres no discurso, numa estratégia clara para atrair o voto feminino.

Ela concluiu a fala com uma história. Disse que encontrou uma mulher com uma filha pequena no colo no aeroporto, que lhe disse: “Trouxe minha filha aqui para você dizer a ela que mulher pode”. “Pode o quê?”, perguntou Dilma. “Ser presidente”, respondeu a mulher. E Dilma enfatizou: “Pode sim, não tenha dúvida que pode”. A pré-candidata ressaltou ainda que o nome da menina era Vitória e “é para ela e para todas as outras Marias e Vitórias que eu dedico a minha luta.”

(Luciana Marques e Marina Dias, de Brasília)
Revista Veja

sábado, 12 de junho de 2010

Conferência Internacional sobre Os Sete Saberes

A UNESCO, a Universidade Estadual do Ceará, associadas à Universidade Católica de Brasília e à Universidade de Barcelona, acreditando na relevância das ideias e ideais estabelecidos na obra de Edgar Morin – Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, propõem-se a realizar, em Fortaleza/Ceará, no período de 21 a 24 de setembro de 2010, a Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente - e a encaminhar suas recomendações e sugestões à Assembleia Geral das Nações Unidas, até o final de 2010, para os devidos encaminhamentos de natureza político-administrativa. Esse evento terá como Presidente de Honra o sociólogo e filósofo Dr. Edgar Morin e será presidido pelo Sr. Dr. Vincent Defourny, representante da UNESCO no Brasil.

Objetivos e estrutura

Essa conferência tem por objetivos desenvolver uma escuta pedagógica sobre as facilidades e dificuldades apresentadas pela comunidade educacional no desenvolvimento de práticas pedagógicas coerentes com as questões propostas no referido documento e extrair, dos diferentes círculos de diálogos e das conferências plenárias, elementos substantivos capazes de nortear possíveis recomendações a serem encaminhadas às diferentes instituições nacionais e internacionais, para futuros desdobramentos e financiamentos de projetos e atividades relacionadas a essa temática.


Saber mais detalhes através do endereço:
http://complexidade.ning.com/events/conferencia-internacional

Vera Mattos conversa com jovens de Lauro de Freitas.

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Vera Mattos 1 video
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