sexta-feira, 30 de julho de 2010

Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade será agraciado com a “Comenda da Ordem do Mérito Judiciário”, no grau de Comendador.



foto by Vera Mattos


Mérito

Por unanimidade, após indicação do ministro Horácio Raymundo de Senna Pires, o Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade será agraciado com a “Comenda da Ordem do Mérito Judiciário”, no grau de Comendador.

A entrega acontece no próximo dia 11, em Brasília, e traduz mais um reconhecimento aos profícuos serviços prestados por este admirado Reverendo baiano às causas comunitárias.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dilma, Marina e Serra focam nas mulheres para conquistar eleitoras.Voto feminino deve decidir próximo presidente.

As mulheres têm cinco milhões de votos a mais do que os homens hoje no Brasil. Elas são maioria do eleitorado há dez anos e a tendência se confirma agora, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em uma eleição presidencial apertada como a de 2010, essa diferença pode definir quem será o próximo presidente. Não é à toa que os principais candidatos – Marina Silva (PV), Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)—mobilizam suas campanhas para conquistar as mulheres, um grupo tão grande quanto diverso na população brasileira.

A vantagem das mulheres na quantidade de votos, porém, não torna a tarefa de se eleger presidente mais fácil. Obviamente, elas não formam um conjunto uniforme, que pensa ou vota igual. Ao contrário, suas inúmeras distinções (de idade, renda, escolaridade, região, cultura, religião, etc.), cujas múltiplas combinações podem orientar seus votos, são hoje um fator da maior importância para os candidatos. Interpretar, afinal, o que une diferentes mulheres na escolha do próximo (ou próxima) presidente é hoje o maior desafio dos concorrentes ao cargo.

A participação das mulheres nas eleições se tornou tão crucial que, segundo estudo do demógrafo José Eustáquio Alves, foram elas que levaram as disputas de 2002 e 2006 ao segundo turno.

Em 2002, dois dias antes do primeiro turno, Lula tinha, segundo sondagem do instituto Datafolha, 48% das intenções de votos, resultado mais próximo da votação real, 46%. Apenas entre os homens, porém, Lula tinha 53% das intenções; mas, entre mulheres, só 43%. Algo parecido ocorreu em 2006, mas por uma diferença de apenas 4% de intenção entre homens e mulheres. Mesmo assim, o fenômeno se repetiu, segundo Alves.

- Lula ultrapassou os 50% dos votos válidos entre o eleitorado masculino nas duas últimas eleições, mas a menor intenção de voto nele entre as mulheres foi suficiente para impedir uma vitória de primeira.

Para o pesquisador, em 2010 o voto feminino será ainda mais importante, não apenas pela quantidade maior de eleitoras que nos pleitos anteriores. Mas, sobretudo, pela situação atual: além de ter candidatas com mais estrutura de campanha para atrair seus votos, uma delas já está empatada na dianteira, segundo as pesquisas.

Dilma hoje tem 38% das intenções de voto, tecnicamente o mesmo que Serra, com 39%, segundo o último levantamento do Datafolha, feito em 30 de junho e 1º de julho. O Ibope crava 39% para os dois candidatos.

Desde o ano passado, porém, as duas pesquisas têm mostrado um dado curioso: a petista tem mais homens que mulheres entre potenciais eleitores. Com o tucano, ocorre o inverso: mais mulheres que homens pretendem votar nele. Marina, em terceiro lugar nas intenções de voto, é a mais equilibrada. A candidata do PV conquista eleitores dos dois sexos na mesma proporção.


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Empatados, Dilma e Serra tentam “seduzir” as eleitoras para conquistar votos. Nos últimos meses, a petista tem investido em temas para se aproximar das mulheres. Em seus discursos, Dilma reforça que o Brasil pode ter sua primeira presidente mulher. Em junho, a convenção do PT que a lançou candidata foi dedicada a “heroínas” brasileiras.

No entanto, a diferença entre Dilma e Serra saltou de 5% para 15% em junho. O tucano subiu e a petista caiu na preferência feminina. A rejeição a Dilma é praticamente igual entre homens e mulheres. Segundo o Datafolha de junho, 18% dos homens não votariam na petista de jeito nenhum; entre as eleitoras, esse índice é de 22%. Embora um pouco maior, essa diferença é irrelevante estatisticamente, já que a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou menos.

Mais realista é a ideia de que Dilma ainda é menos conhecida pelas eleitoras. Na resposta espontânea, sem apresentação da lista de concorrentes, Dilma é citada espontaneamente por 30% dos homens, mas por 15% das mulheres. Dilma é, portanto, menos lembrada por elas como candidata. Além disso, 8% das mulheres dizem querer votar em Lula ou no “candidato” do Lula. Outro dado diz que menos mulheres que homens sabem que Lula apoia Dilma.

Para analistas, o problema da ex-ministra pode estar na imagem política e no discurso que ela passa ao eleitorado feminino. Historicamente, Lula sempre teve menos adesão de mulheres do que de homens nas eleições. Quem explica é a cientista política da USP Teresa Sacchet.

- O PT tem uma composição plural típica da “nova esquerda”. Foi construído tanto por movimentos sociais, com forte atuação feminina, como por uma base sindical, onde predomina uma cultura masculina. Para fora, talvez acabe trazendo mais essa imagem de um partido sindical, visto como mais masculino.

Já para Natália Mori, socióloga e diretora da ONG Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), o discurso de Dilma, mais voltado para assuntos amplos, como política econômica e diferenças ideológicas, passa longe de propostas que afetam a vida prática da mulher.

- Não há debate, por exemplo, sobre a violência contra a mulher, sobre os problemas de saúde específicos da mulher, do acesso a creches, que é essencial para a autonomia econômica dela. Se as candidatas não falam de direitos das mulheres, como esperar que votem nelas?

Quanto a Serra, o demógrafo José Eustáquio Alves diz que sua vantagem entre as mulheres pode estar ligada ao fato de ele ainda ser lembrado como ministro da Saúde, na época do governo Fernando Henrique Cardoso [1995-2002].

- A ideia de que, como ministro, cuidava da saúde das pessoas, traz uma imagem mais favorável.

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sábado, 24 de julho de 2010

Emir Sader: Brasil, de Getúlio a Lula


 

sábado, 24 de julho de 2010

Emir Sader: Brasil, de Getúlio a Lula

Data: 23/07/2010
O governo Lula representa uma nova expressão do campo popular, que teve nos governos de Getúlio e de Jango, seus antecedentes mais próximos. Governos de coalizão de classes, pluriclassistas, que assumem projetos de unidade e desenvolvimento nacional, com forte peso das políticas sociais. De Getúlio a Lula transcorreram décadas fundamentais, com elementos progressivos e regressivos, contraditórios, que chegam até o começo do século XXI vivendo uma circunstância nova, que pode se fechar, como um marcante parênteses ou como ponte para a ruptura definitiva do modelo herdado e a continuidade em um novo patamar da construção de um país justo, democrático, soberano. A análise é de Emir Sader.

por Emir Sader*, em
Carta Maior

O Brasil vive um momento diferenciado da sua história política. Uma história que completará em 2010 suas oito décadas mais importantes até aqui. Desde então, há elementos de continuidade e de ruptura, pelas imensas transformações que o Brasil viveu desde então. Oito décadas em que o país mudou sua fisionomia econômica, social, política e cultural, de forma profunda e irreversível. De país rural se tornou pais urbano, de pais agrícola, país industrializado, de um Estado restrito às elites a um Estado nacional. De país voltado para fora, para um país voltado sobre si mesmo. De Getúlio a Lula transcorreram décadas fundamentais, com elementos progressivos e regressivos, contraditórios, que chegam até o começo do século XXI vivendo uma circunstância nova, que pode se fechar, como um marcante parênteses ou como ponte para a ruptura definitiva do modelo herdado e a continuidade em um novo patamar da construção de um país justo, democrático, soberano.

A ruptura mais importante, até aqui, da nossa história se deu em 1930. Até ali, grandes pactos de elite bloquearam a possibilidade de protagonismo do povo na história do país. A independência, ao contrário dos outros países do continente – com a exceção de Cuba e de Porto Rico -, não se deu pela expulsão dos colonizadores, mas pela primeira expressão do transformismo – no sentido que lhe deu Gramsci – na história brasileira. Ao invés de república, passamos da colônia à monarquia, fomos o país que mais tarde terminou com a escravidão, enquanto se consolidou o domínio do latifúndio no campo. Um pacto de elite que perpetuou os laços com a metrópole colonial, prolongou a escravidão e perpetuou a concentração da propriedade rural.

A crise de 1929 determinou o esgotamento do modelo econômico que tinha orientado toda nossa inserção – como país colonizado – no mercado internacional, como exportadores de matérias primas, quando as grandes potências que controlavam nosso comércio exterior se declararam em crise e reduziram drasticamente suas exportações e importações. Os efeitos foram tão graves que caíram praticamente todos os governos da America Latina – mesmo os progressistas, como o de Yrigoyen, na Argentina.

Desde a maior das rupturas – 1930 – algumas inflexões redirecionaram a história brasileira de maneira significativa, até o presente, dentre as quais a ditadura militar representou o marco divisório desde então. A Revolução de 30 introduziu o novo período, fazendo com que a presidência passasse das mãos de um mandatário – Washington Luis, o último presidente paulista antes de FHC, ambos nascidos no Rio, mas adotados pela elite paulista – que havia afirmado que "A questão social é uma questão de polícia", para um – Getúlio – que fará com que o Estado assuma responsabilidades sobre os direitos sociais e passe a interpelar aos brasileiros, nos seus discursos, como "Trabalhadores do Brasil". O fundamental foi a criação de um Estado nacional, sucedendo a um que era um consórcio das elites econômicas e políticas regionais. Essa foi a maior ruptura progressista, até aqui, da história brasileira.

O Brasil começou a ter um Estado em que passaram a se reconhecer proporções crescentes de brasileiros, mediante políticas sociais, reconhecimento da sindicalização dos trabalhadores, um projeto nacional e um discurso popular, o desenvolvimento econômico como norte fundamental do país. Iniciava-se o período mais prolongado e mais profundo de expansão da economia e de extensão dos direitos sociais que o país conheceu. As oito décadas transcorridas desde então estiveram marcadas por algumas inflexões importantes, desde a que, em 1955, redefine o desenvolvimento, que deixa de ter um caráter expressamente nacional – em que as empresas estatais tinham um papel chave – para o ingresso maciço do capital estrangeiro, com a indústria automobilística passando a ser o carro-chefe do desenvolvimento industrial, chegando a responder, de forma direta ou indireta, por um quarto do PIB brasileiro.

Uma segunda inflexão se deu com o golpe militar de 1964, esta substantiva não apenas no plano econômico, mas também social, com a abertura econômica para os capitais estrangeiros e o arrocho salarial, que são o santo do "milagre econômico", e político, com a ruptura da continuidade democrática e a passagem a uma ditadura militar. Foi imposta pela força uma ruptura com o processo gradual de democratização social, política, econômica e cultural, passando a predominar um modelo centrado na exportação e consumo de luxo, possibilitado pela feroz repressão aos sindicatos e aos movimentos populares, com a correspondente super-exploração do trabalho.

A redemocratização representou uma ruptura político institucional sem, no entanto, romper com as bases econômicas e sociais do poder monopólico no Brasil. O poder dos bancos, da terra, da grande mídia privada, dos grandes monopólios nacionais e internacionais se fortaleceu, ao invés de serem objetos de democratização. A eleição do primeiro presidente civil depois da ditadura, ao não se dar pelo voto direto, mas pelo Colégio Eleitoral, facilitou uma nova conciliação das elites, fazendo com que o novo regime fosse um produto hibrido do velho e do novo. Passamos a ter uma democracia política sem alma social, sem alterar nosso recorde negativo de pais mais desigual do continente mais desigual do mundo. Isto é, uma democracia formal, nos moldes do liberalismo, assentada sobre a sociedade mais desigual do continente mais desigual do mundo.

Tanto assim que essa democracia foi funcional ao modelo neoliberal – hoje tão execrado nacional e internacionalmente, mas que com FHC ganhou total apoio das elites dominantes brasileiros -, que acentuou a desigualdade social, concentrou ainda mais o poder econômico e fragilizou a democracia reconquistada. FHC sentenciou a inflexão do seu governo: "Viraremos a página do getulismo." Tinha consciência ele de que sem destruir as sobrevivências do Estado nacional, regulador, indutor do desenvolvimento, distribuidor de renda, o neoliberalismo, o reino do mercado, o Estado mínimo, não conseguiriam se impor. Foi sua obra. Fracassou e abriu caminho para o governo Lula, uma era hibrida, composta por continuidades e rupturas, possível até que existisse base material para um amplo arco de alianças que vai do capital financeiro aos pobres da cidade e o campo, que a crise atual coloca em questão.

Depois de termos participado, na década passada, do extenso e radical reino do neoliberalismo neste continente, participamos dos movimentos que, na década atual, rejeitam esse modelo e buscam formas de sua superação. Pela primeira vez, desde os governos de Getúlio, forças do campo popular dirigem, já por dois mandatos consecutivos, o país.

Como isso foi possível, depois de 21 anos de ditadura militar e de mais de uma década de governos neoliberais? Qual o fio condutor que articula o movimento popular brasileiro desde suas origens contemporâneas, na Revolução de 30, passando por estas oito décadas de acontecimentos tão significativos – progressivos e regressivos – até chegar ao complexo período que vivemos?

Da classe contra classe à questão nacional

As origens do movimento popular brasileiro precedem a Revolução de 30, nas origens da industrialização. Provêm do sindicalismo anarquista, comunista e socialista, que pela primeira vez levantaram no Brasil a necessidade de uma alternativa ao sistema de poder dominante. Suas bandeiras eram diretamente classistas, foram influenciadas pela interpretação da Revolução Russa como uma revolução "operário camponesa" e pelas lutas do movimento operário europeu. Tiveram o grande mérito de dar inicio à organização autônoma do movimento popular, centrado nos trabalhadores imigrantes, que traziam suas experiências e as doutrinas que fundaram a esquerda na Europa. Era uma esquerda urbana, sem raízes no campo, onde residia a grande maioria da população que, além disso, não chegou a elaborar estratégias específicas, assentadas na realidade brasileira. Assim, temas candentes como a da luta contra o latifúndio, contra a dominação externa, o das estratégias nacionais, não eram ainda temas centrais para a esquerda.

A crise de 1929 colocou os primeiros grandes desafios para o movimento popular brasileiro. Como reagir diante do esgotamento do modelo primário-exportador? Que estratégia nacional deveria ser elaborada para organizar as foras populares e constituir um bloco de transformação radical do país? Que posição tomar diante do nacionalismo?

Quem melhor captou a natureza da crise e as alternativas que se colocavam foi o nascente movimento nacionalista e não os partidos da esquerda – em particular o Partido Comunista, o mais importante deles. Este manteve a linha da Internacional Comunista de classe contra classe, subestimando o peso que a questão nacional passaria a ter em países como o nosso, na periferia capitalista. Enquanto que o nacionalismo soube captar o peso da identidade nacional e dos interesses nacionais no processo de industrialização que se iniciava e no marco do ressurgimento com força dos Estados nacionais no plano mundial.

A Revolução de 30 deu inicio ao que seria o movimento popular brasileiro durante as décadas seguintes. Um movimento centrado no nacionalismo como ideologia, em um bloco de forças entre o empresariado brasileiro, o movimento sindical urbano, as classes médias, comandadas pelo novo Estado brasileiro, o primeiro Estado com dimensão e ideologia nacional. Pela primeira vez o Brasil se pensava como nação e dispunha de um projeto nacional.

O modelo hegemônico introduzido pela Revolução de 1930 pode ser caracterizado como um modelo nacional-estatista, em que o impulso ao desenvolvimento se centrava fundamentalmente no Estado e na industrialização, ao mesmo tempo que a organização das classes fundamentais emergentes – empresariado nacional, classes médias e movimento sindical urbano – seria articulado pelo Estado, que incentivava a organização corporativa desses setores, mas vetava sua organização política. Esta estava dada pelo Estado e pela liderança de Getúlio em particular, que encarnavam os interesses da nação.
 
Essa orientação, aliada à visão classista da esquerda – em particular do Partido Comunista – implicaram num distanciamento inicial entre a esquerda partidária organizada e o movimento nacionalista. Em um segundo momento, na década seguinte, se daria a aproximação que marcou a identidade da esquerda por algumas décadas.
 
A postura do nacionalismo brasileiro – e latino-americano – diante do liberalismo será outro elemento essencial para definir a identidade do campo popular deste lado do Atlântico. Na Europa, o liberalismo foi a ideologia da burguesia ascendente, que lutava pela livre circulação de mercadorias, contra as travas feudais, sobretudo em relação à compra e venda livres da terra e da força de trabalho. Enquanto que o nacionalismo, numa região que não sofreu dominação externa, assumiu um caráter egoísta, chovinista, da suposta superioridade de uma nação sobre a outra – que seria profundamente explorada nas duas guerras mundiais, como expressão das contradições interimperialistas.
 
Já na periferia do sistema – e, em particular, na América Latina e no Brasil – o liberalismo foi a ideologia do bloco primário-exportador, cujos interesses se fundamentavam no livre comércio da exportação e da importação. Centrava-se no liberalismo econômico, que não necessariamente se casava com o liberalismo político.

Enquanto que o nacionalismo, pela dominação externa, colonial e imperialista que caracterizou nossa inserção no mercado internacional, teve um caráter de resistência nacional à exploração externa. Foi antiliberal no plano econômico, para proteger o mercado interno e fomentar a industrialização nacional. Mas foi também anti-liberal no plano político – nos casos mais conhecidos, os de Getúlio e Perón -, propondo a predominância da unidade em torno da nação e do Estado em contraposição ao sistema de partidos, que consideravam que dividiria a nação.

Essa posição do nacionalismo latinoamericano fez com que se dissociassem as questões nacional e social – fortemente reivindicadas por ele – e a questão democrática que, sob forma liberal, ficou em mão da direita. O movimento popular, especificamente no caso brasileiro, assumiu a bandeira nacionalista e social, fundada numa aliança de classes entre o grande empresariado nacional, setores das classes medias e o movimento sindical urbano. A direita buscou se opor, fundada em visões democrático-liberais.

O inicio do processo de sindicalização deu inicio ao mais importante processo de organização popular na história brasileira, mas ao restringi-lo apenas aos setores urbanos dos trabalhadores e ao não tocar na estrutura agrária, terminou se perpetuando o poder do latifúndio – mesmo que perdendo a hegemonia para a burguesia industrial ascendente -, separando o destino dos trabalhadores do campo – a imensa maioria dos trabalhadores – dos urbanos, favorecendo a continuação da emigração do campo para as cidades.

A estratégia hegemônica da esquerda se assentava na luta contra o latifúndio e o imperialismo, buscando desbloquear o desenvolvimento econômico, ao considerar que as travas externas e rurais seriam os obstáculos centrais à modernização industrial e ao desenvolvimento econômico e social do país, assim como à afirmação da sua identidade nacional. Essa estratégia considerava que haveria uma primeira etapa de luta nacional e democrática, até que se criassem as condições para uma luta anticapitalista.

Foi um período de extraordinários avanços no desenvolvimento econômico do país, na construção do Estado nacional, na conquista de direitos sociais da população e de elaboração de uma ideologia nacionalista.
 
 Coincidiu, primeiro, com a recessão internacional e o refluxo dos investimentos estrangeiros em toda a região – o que favoreceu a estratégia de industrialização pela substituição de importações – e depois com a segunda guerra e a guerra da Coréia. Coincidiu também com o maior ciclo longo expansivo do capitalismo internacional, do qual a industrialização de países da periferia como o Brasil, a Argentina e o México fizeram parte. Assim, de 1930 a 1954 abriu-se um espaço sui generis para o desenvolvimento econômico nacional, funcional ao ciclo expansivo internacional.

O fim da guerra da Coréia representou o retorno com força dos investimentos estrangeiros, particularmente os norte-americanos, estabelecendo um final do ciclo fortemente nacionalista no Brasil e na Argentina. (Não por acaso Getúlio cai em 1954, Perón em 1955). Na metade da década de 1950 chegaram os investimentos na indústria automobilística, que trariam grandes conseqüências para o caráter do desenvolvimento econômico, assim como no plano das forças sociais e do próprio Estado.

Mudou o rumo do desenvolvimento econômico, que continuou a ser o objetivo central do modelo dominante, mas a entrada do capital estrangeiro deslocou para ele – em particular para a indústria automobilística – o eixo central da economia. Com JK, o desenvolvimento passou a primar sobre o seu caráter nacional, a composição da classe operária também se viu alterada, com a imigração maciça de trabalhadores nordestinos para a indústria privada – prioritariamente paulista – em detrimento da empresas estatais e do epicentro econômico e social no Rio de Janeiro.

O movimento popular, no entanto, seguiu fortalecendo-se, tanto com a extensão da sindicalização urbana, quanto com o começo da sindicalização no campo. A polarização política continuou a se dar entre os mesmos blocos, sem refletir ainda a expansão da presença do capital estrangeiro no país.

Esta se fará sentir mais fortemente conforme as articulações para o golpe militar se intensificaram. A derrota do candidato que daria continuidade ao programa getulista – o general Lott – deslocou o bloco dominante, mas a renúncia de Jânio Quadros, ao recolocar a João Goulart na presidência, retomou-a, em uma versão mais popular, por ter a Jango como cabeça de governo. O governo Jango retomou o projeto de Getúlio – teorizado por Celso Furtado em torno das "reformas de base" -, que expressou a formulação mais articulada do projeto do movimento popular naquele período. As medidas anunciadas por Jango no seu ultimo comício – no dia 13 de março na Central do Brasil, no Rio de Janeiro – iam nessa direção: inicio do processo de reforma agrária e limitações na remessa de lucros para o exterior.

O movimento popular brasileiro tinha atingido seu auge de mobilizações, pela extensão e diversidade de suas forças e manifestações. Um governo com um projeto de reformas estruturais da economia, um movimento sindical forte, estendendo-se dos centros urbanos ao campo, passando a incorporar aos funcionários públicos e a setores das FFAA, grande capacidade de mobilização e combatividade do movimento estudantil, criatividade inédita do conjunto do mundo artístico – cinema novo, bossa nova, teatro político, entre outras expressões. O golpe viria se abater sobre todas as manifestações populares e democráticas acumuladas no país de forma brutal e direta.
 
O golpe revelava como a grande burguesia brasileira preferia apoiar a ruptura da democracia para consolidar sua aliança com o grande capital internacional e o latifúndio, ao invés de com o movimento popular na direção de aprofundar e estender a democracia no Brasil. Abandonou sua bandeira democrática – em nome da qual pregou e apoiou a o golpe e a ditadura – e se unificou no apoio ao novo regime e às suas políticas econômicas antinacionais.

O golpe militar foi uma das maiores rupturas vividas pela historia brasileira – esta de caráter claramente regressivo. O movimento popular brasileiro havia chegado a seu momento de maior força em toda a sua historia até aquele momento. Pela sua força de massas, pelas direções políticas de caráter nacional que havia construído, pela sua força ideológica e pelos postos ocupados nas esferas de governo, especialmente a nível nacional.

A ditadura golpeou profundamente o campo popular em todas as suas formas de existência: dos sindicatos urbanos aos rurais, das universidades às escolas básicas, dos intelectuais aos artistas, dos jornais cotidianos às revistas, dos parlamentares progressistas aos juízes, das editoras aos teatros e aos produtores de cinema, dos militantes aos simpatizantes da esquerda. Quebrou-se o eixo do campo popular, assim como suas extensas raízes de massa, instalando-se, pela primeira vez em muitas décadas, um Estado antipopular, que golpeava a democracia e o movimento popular em todas as suas dimensões.

Colocava-se um novo desafio para as lutas populares no Brasil: como enfrentar a ditadura, como reivindicar a questão democrática, ao mesmo tempo, que a o enfrentamento da dominação externa e das oligarquias internas?

Da ditadura à democracia

A ditadura militar mudou radicalmente o perfil do movimento popular brasileiro. Já não contava com as organizações de massa legais, ao contrário, tinha que computar a repressão sistemática a qualquer forma de organização – sindical, estudantil, camponesa, cultural. Tinha a questão democrática como central – a luta contra a ditadura se transformava no tema central, que poderia unificar a amplos setores afetados pela repressão. Tinha, ao mesmo tempo, o desafio de como atuar diante do fechamento de praticamente qualquer espaço de luta nos planos econômico, social, político e cultural. As formas de luta apareciam como uma interrogante a responder, da qual se deduziria uma grande quantidade de conseqüências.

A primeira reação da oposição à ditadura foi a de impulsionar a luta clandestina, propugnar por uma saída radical da ditadura e centrar suas formas de luta nas ações armadas – de forma paralela à vitória das guerrilhas em Cuba e de sua proliferação em outros países do continente, especialmente, Venezuela, Peru, Guatemala, concomitantemente com a resistência dos vietnamitas à invasão norteamericana. O movimento estudantil aparecia como o mais ativo na resistência à ditadura, enquanto se desenvolviam debates na esquerda sobre a natureza do golpe e do novo período político, assim como as formas de luta e seus objetivos, sob forte influencia da Revolução Cubana.

Na primeira etapa, sem movimento social organizado, mas contando com a brutalidade da repressão militar, a reorganização do movimento popular se centrou em torno de núcleos guerrilheiros, que conseguiram, valendo-se do fator surpresa, assestar bons golpes na ditadura – entre seqüestros e troca de prisioneiros, desvios de aviões e outras ações armadas. Passado o efeito surpresa, com o movimento de massas desorganizado, sofrendo os duros golpes da repressão e das políticas econômicas da ditadura, o movimento guerrilheiro acabou sendo cercado e derrotado, concluindo a primeira fase da luta de resistência à ditadura.
Ao mesmo tempo, apoiada na repressão política e econômica, na abertura da economia e atração de capitais estrangeiros, a ditadura lograva retomar a expansão econômica, embora agora com forte contenção do consumo popular, concentrando a realização na esfera alta do consumo e na exportação. A derrota dos grupos guerrilheiros abriu o espaço para a oposição legal. Ao mesmo tempo, o movimento de massas encontrou um novo caminho a partir da resistência do sindicalismo metalúrgico do ABC, que conseguiu quebrar a política de arrocho salarial da ditadura, vigente durante quase década e meia. Ao lado desse consistente movimento, que suscitou ampla solidariedade e projetou novas lideranças populares – a mais expressiva das quais, Lula -, se desenvolveram novos movimentos sociais – de mulheres, de negros, de indígenas, de luta contra a carestia, das comunidades eclesiásticas de base, entre outros -, projetando uma nova fisionomia ao movimento social brasileiro.

Emergiam assim duas vertentes de oposição à ditadura e de luta contra a ditadura: uma, de caráter legal, institucional, hegemonizada por uma concepção democrático-liberal, de restauração dos marcos políticos do regime democrático, com um projeto de reformas econômicas estruturais, centrado no MDB. A outra, com um projeto de construção de uma democracia com caráter social, centrado nos novos movimentos sociais, liderados pelo sindicalismo de base.

A primeira foi claramente hegemônica, durante muito tempo abrigou no seu seio quase todas as correntes opositoras. Os novos movimentos sociais foram os grandes protagonistas na luta de massas, o que deu um caráter popular à resistência à ditadura, enquanto a corrente legal parlamentar lhe impunha o caráter democrático.

A luta contra a ditadura desembocou na luta pela anistia geral e irrestrita e, depois, pela eleição direta para presidente. A hegemonia do setor democrático liberal se consolidou ao longo da década de 1970, conforme o fim da ditadura foi se configurando como um processo político institucional, de caráter eleitoral. As duas campanhas uniram as forças sociais e políticas, permitindo a constituição de uma ampla força democrática, que acabou conduzindo à transição democrática no final da ditadura. No entanto a hegemonia foi do bloco democrático-liberal, inclusive porque o bloco alternativo não propunha uma saída diferente da ditadura.
O tom diferenciado do movimento popular era a ênfase nas reivindicações sociais, além das transformações políticas, com o fim da ditadura, como seu diferencial. As duas correntes se fortaleciam, sob o influxo da luta antiditatorial – uma com ênfase na esfera política, a outra na esfera social.

Foi um período de fortalecimento do movimento social e do campo popular, com a fundação da CUT, do PT, do MST, além da mobilização popular que precedeu a Assembléia Constituinte – esta mesma uma expressão da força que o movimento democrático havia adquirido. A campanha pelas eleições diretas, as mobilizações sindicais e dos trabalhadores sem terra revelavam como a luta de resistência à ditadura mantinha a iniciativa, com grande respaldo popular.
 
As maiores mobilizações populares que o Brasil havia conhecido se deram em torno das eleições diretas para presidente da república. Sua derrota, porém, abriu caminho para um novo pacto de elite, quando setores da oposição e setores originários da ditadura se uniram para escolher como candidato não a Ulysses Guimarães – o líder da oposição democrática -, mas um político mais moderado, Tancredo Neves, tendo a um dirigente que até pouco antes era presidente do partido da ditadura, José Sarney, configurando como a democracia nascia como um hibrido entre o novo e o velho.

O governo Sarney foi marcado pelas condições do seu surgimento – depois da morte de Tancredo -, gerando um governo que limitou a transição à democracia como transformação apenas na esfera político-institucional, sem que a democratização tivesse também um caráter econômico, social e cultural.

O período terminou desembocando na primeira eleição direta para presidente da República, quando, porém, a polarização ditadura-democracia havia sido superada – durante o governo Sarney – permitindo que o candidato da direita – Fernando Collor – colocasse na agenda a desqualificação do Estado e da regulação econômica, apontando para a primeira versão do projeto neoliberal no Brasil. O desempenho de Lula nas eleições de 1989 fazia com que o campo popular acreditasse que suas bandeiras essenciais – ética na política e justiça social – constituiriam as propostas fundamentais da plataforma da esquerda. O tema da crise fiscal do Estado e da luta contra a inflação começava a projetar-se, pegando desprevenida a esquerda.

A campanha pelo impeachment de Collor parecia confirmar a vigência do tema da ética na política como central. A campanha eleitoral de 1994 foi protagonizada pelas Caravanas da Cidadania de Lula, centradas no tema da justiça social, enquanto a escolha do vice na chapa – José Paulo Bisol – complementava os dois eixos da plataforma opositora.

A esquerda foi pega de surpresa porque – como o entorno latinoamericano já demonstrava – a hegemonia neoliberal crescia de forma avassaladora na região. Depois de começar como favorito, Lula foi atropelado pelo Plano Real e pela candidatura de FHC, que conseguiu impor como tema central a luta contra a inflação (a inflação como imposto aos pobres e como desorganizadora da economia), retomando os temas de Collor de forma mais coerente e articulada, para triunfar e fechar o período de transição democrática, com o triunfo da hegemonia neoliberal.

Neoliberalismo: a defensiva do campo popular

A hegemonia do modelo neoliberal veio consolidar o acúmulo de uma série de fatores regressivos em escala mundial: a passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar sob hegemonia imperial norteamericana; a passagem de um ciclo longo expansivo em escala mundial a um ciclo longo recessivo: no Brasil e em outros países da região, regimes de ditadura militar. A hegemonia global do modelo neoliberal consolidou essa relação de forças desfavorável às forças democráticas e populares.

No Brasil o modelo tardou mais para chegar, porque o forte impulso democratizador não apenas favoreceu o fortalecimento do campo popular e de suas organizações, como desembocou na nova Constituição. A própria caracterização do seu presidente, Ulysses Guimarães, de que se tratava de uma "Constituição cidadã", isto é, de afirmação de direitos expropriados pela ditadura e de novos direitos, a colocava na contramão do neoliberalismo, que se constituía numa brutal máquina de expropriação de direitos.

Porém, o governo Sarney limitou a redemocratização ao plano político-jurídico, sem estendê-la aos planos econômico, social, dos meios de comunicação. Seu governo esgotou o impulso democratizante, permitindo que Collor – um político vinculado originalmente à ditadura – impusesse outra polarização, que não aquela entre democracia e ditadura. Conseguiu impor a polarização entre mercado e Estado, como central e assim começou a construiu a hegemonia neoliberal no Brasil – quando ela já se impunha abertamente no México, na Argentina, no Chile, revelando como representava uma onda avassaladora.

A queda de Collor interrompeu essa primeira tentativa de imposição do modelo neoliberal, mas o novo consenso estava instalado, criminalizando o Estado e todas suas formas de regulação. A nomeação de FHC como Ministro de Economia do governo de Itamar Franco e sua posterior eleição como presidente, permitiu consolidar esse novo consenso, mediante o Plano Real, que buscava "virar a página do getulismo" – nas palavras do presidente tucano – e instaurar a era neoliberal no Brasil.

A esquerda ficou presa à sua plataforma tradicional – políticas sociais e ética na política -, sem atacar os temas da crise de um Estado historicamente esgotado e sem propostas para um novo modelo econômico.. A direita deu a sua solução à crise, colocando o Estado como alvo das transformações no Brasil, centradas na desregulamentação da economia: privatizações, abertura da economia, precarização das relações de trabalho, enfraquecimento do Estado, substituição do tema do desenvolvimento pelo da estabilidade monetária, entre outros.

Os movimentos populares passaram diretamente à defensiva. Vítimas privilegiadas das novas políticas, mediante o enfraquecimento das políticas sociais, da cassação de direitos sociais, da elevação continua do desemprego e do subemprego, do ataque aos movimentos sociais e a toda a forma de oposição, deixaram à esquerda o dilema de defender um Estado falido ou somar-se às políticas de mercado. Uma situação claramente defensiva, deslocada, com perda de iniciativa, centrada na resistência a um projeto que se apresentava como modernizador e ofensivo contra privilégios, enquanto a esquerda ficava relegada a defender um modelo esgotado, a resistir às modernizações, a resistir, sem dispor de projetos alternativos.

Foi uma virada regressiva de proporções históricas, de alguma forma tão regressiva quanto o golpe militar. Se somavam assim dois períodos regressivos quase seguidos em poucas décadas no Brasil. Ao que se devem somar as transformações, na mesma direção, no cenário internacional e continental, para terminar de configurar um quadro bastante negativo para o campo popular.

A defensiva significa, ao mesmo tempo, que uma situação de confessa inferioridade, assumir a agenda do campo inimigo, ao qual nos opomos, a perda de iniciativa e de uma agenda própria. No Brasil, a resistência popular teve um papel essencial de colocar limites à plena realização dos projetos neoliberais. Primeiro, derrubando a Collor, atrasando os programas neoliberais e, no governo FHC, colocando limites aos processos de privatização. O atraso no processo neoliberal brasileiro também contribuiu para torná-lo um neoliberalismo tardio – FHC triunfa no mesmo ano da primeira grande crise neoliberal no continente, a mexicana – e incompleto.

Depois de um amplo apoio nacional, ao caracterizar a inflação como "um imposto aos pobres" e ao Estado como problema e não como solução, o governo FHC foi perdendo apoio, até não se recuperar da crise de 1999, da qual a própria economia não se recompôs até o final do seu governo. Os dois mandatos de FHC terminavam em derrota eleitoral, mas ele havia logrado mudar a agenda nacional, conseguindo incorporar temas como a estabilidade monetária, na agenda consensual nacional, assim como contribuir para acentuar os elementos pertinentes ao novo modelo: o modo de vida norteamericano, com seu centro no consumo, o individualismo possessivo correspondente, a desqualificação da organização social e política, dos partidos, da esfera estatal. O Brasil era outro ao final da década neoliberal.
 
O governo Lula ou a quebra do consenso neoliberal

A eleição de Lula é produto do fracasso e da rejeição do governo FHC, da resistência dos movimentos populares e da capacidade de Lula de capitalizar esses fatores para se eleger finalmente presidente. Isso não se dá no bojo de um grande ciclo de mobilizações populares. Os movimentos populares, duramente golpeados pelas políticas neoliberais – entre elas o desemprego e a precarização laboral – pelo ataques ideológicos, políticos e repressivos contra as mobilizações de massa e as suas organizações, pelas viradas ideológicas na sociedade brasileira, haviam passado a uma situação de relativo refluxo.

Apesar de tudo isso, Lula não se havia transformado em favorito para ganhar as eleições, sendo superado, sucessivamente por Roseana Sarney e por Ciro Gomes, até que a crise da candidatura deste deixou em aberto a herança de votos, disputada entre Lula e Serra. Foi nesse momento que a Carta aos brasileiros – em que se tentava debelar o ataque especulativo contra o Brasil, feito pelos capitais especulativos – e o "Lulinha, paz e amor", conseguiram fazer com que Lula passasse do patamar histórico de votos do PT – pouco mais de 30%,- para a cifra que lhe permitiu vencer.

Foi assim uma vitória da rejeição do governo FHC, mas que recebeu como herança não apenas a dura situação econômica, mas também consensos nacionais implantados por anos de neoliberalismo. Sua incorporação, com a Carta aos brasileiros, foi herança desse consenso.

O governo Lula manteve elementos das políticas do governo anterior e rejeitou a outras, configurando um quadro contraditório. Na sua primeira fase, primaram os elementos de continuidade, mantendo-se um duro ajuste fiscal – de que os superávits primários e a independência de fato do Banco Central são expressões. O governo assumiu formas contraditórias, com políticas sociais e política externa claramente inovadoras, mas com política econômico-financeira e política agrícola tradicional.
 
O campo popular elegia um governo diretamente vinculado a ele, porém refletindo as contradições desse mesmo governo e do período político em que esse governo foi eleito. Dois momentos foram traumáticos para as relações do governo com sua base popular de apoio: o primeiro, a reforma da previdência, praticamente a primeira iniciativa política do governo, que se chocava diretamente com as posições do movimento social organizado. Isso se dava no marco do ajuste fiscal que primava na primeira fase do governo, em que os contingenciamentos de recursos freavam a realização das políticas sociais em favor da estabilidade monetária, refletida nos superávits primários.

O segundo foi a crise de 2005, em que sob acusações de uso de recursos para compra do apoio de aliados, o governo chegou a ter risco de sofrer acusação de impeachment e assim terminar precocemente a primeira experiência de governo popular em mais de quatro décadas, sob acusações de corrupção, sem ter saído do modelo econômico herdado.
 
O governo foi resgatado pelas políticas sociais e pelo apoio popular que ela lhe propiciou. A resultante, que permitiu ao governo não apenas superar a crise, como conseguir a reeleição em 2006 e chegar ao seu sétimo ano de governo – quando FHC tinha 18% de apoio – com apoio superior a 80% e rejeição de 5%, apesar de ter praticamente toda a imprensa feroz e sistematicamente contra.

Como resultante, o governo Lula representa uma nova expressão do campo popular, que teve nos governos de Getúlio e de Jango, seus antecedentes mais próximos. Governos de coalizão de classes, pluriclassistas, que assumem projetos de unidade e desenvolvimento nacional, com forte peso das políticas sociais. Da mesma forma que os governos anteriores, cruzado por uma série de contradições, agora produto mais direto da era da globalização neoliberal.
 
O povo brasileiro mudou, o campo popular também, o próprio Brasil é outro. Mas há uma linha de continuidade que permite dizer que a lutar de hoje é, no essencial, a mesma de há oito décadas, quando o Brasil contemporâneo começou a ser construído.

A construção de um projeto de nação e de sociedade, é um processo em curso, entrecortado por longos períodos de desarticulação do Estado, de fortalecimento dos interesses externos na nossa economia, de predomínio dos interesses privados no seio do Estado, de importação de formas de vida alheias, de estilos e formas oligárquicas e ditatórias de forjar opinião pública.

Pode-se dizer que as forças que levaram Getúlio ao suicídio, que deram o golpe contra Jango e que se opõem ao governo Lula são as mesmas forças de direita que foram hegemonias durante a ditadura militar e que instauraram e promoveram o neoliberalismo no Brasil. E que sobrevivem no tempo, porque são os mesmos que ganham com a hegemonia do capital financeiro, com o agronegócio, com a mídia oligárquica.

O povo trabalhador é o mesmo. Foram os negros escravos a primeira geração dos trabalhadores brasileiros. A segunda foi de imigrantes europeus, pobres, lutadores sociais. A terceira geração dói a dos nordestinos que emigraram para as cidades do sul, expulsos pela violenta e cruel estrutura agrária brasileira, beneficiária da ausência de reforma agrária.

O futuro do Brasil e do povo brasileiro dependem hoje de se o governo Lula será um parêntesis na dominação das elites tradicionais – as mesmas que produziram o país como o mais injusto e desigual do mundo – ou se o governo Lula é uma ponte para abrir caminho para a saída do modelo neoliberal e o inicio da construção de um país democrático econômica, social, política e culturalmente, soberano e solidário, um país para todos – na continuidade da luta que nos conduziu de Getúlio a Lula.

O Brasil mudou e mudou para melhor, mas nem por isso o governo Lula pôde resolver os principais problemas herdados. Pelo menos o governo colocou os problemas fundamentais a resolver: a hegemonia do capital financeiro, o modelo agrícola e a ditadura da mídia privada. Nas eleições de 2010 se decide não apenas o futuro imediato do Brasil, mas a fisionomia que terá a sociedade brasileira em toda a primeira metade do século. Se há um retorno das elites tradicionais, responsáveis pelo Brasil ser o país mais desigual do continente mais desigual, ou se dará continuidade e a aprofundará as transformações que levem à construção de um Brasil para todos – democrático, diverso, solidário e soberano.

(*) Primeiro texto do livro "Brasil, entre o Passado e o Futuro", organizado por Emir Sader e por Marco Aurélio Garcia, publicado pelas Editoras Boitempo e Perseu Abramo.
FONTE
:
http://www.viomundo.com.br/politica/emir-sader-brasil-de-getulio-a-lula.html




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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mais de 41.500 mulheres assassinadas em uma década.

Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres foram assassinadas no país, o que resultou numa média macabra de 10 brasileiras mortas por dia. O índice de 4,2 assassinadas por 100.000 habitantes coloca o Brasil acima do padrão internacional. Os dados constam do estudo “Mapa da Violência no Brasil 2010″, feito pelo Instituto Sangari, uma organização educacional, com base em dados do Sistema Único de Saúde.

Algumas cidades, como Alto Alegre, em Roraima, e Silva Jardim, no Rio de Janeiro, tem índices de assassinato de mulheres perto dos mais altos do mundo (África do Sul e Colômbia). Entre os estados, a pior colocação no ranking nacional é a do Espírito Santo, com 10,3 assassinatos por 100 mil habitantes.

Ao analisar o assunto no Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo (USP), a pesquisadora Wânia Izumino constatou que os assassinos costumam ser maridos ou ex-maridos, namorados ou companheiros inconformados em perder o poder sobre uma relação que acreditavam controlar. Na maioria das vezes, a mulher recusa sexo ou insiste na separação. Motivos fúteis são a causa de aproximadamente 50% dos crimes.

Importante instrumento no combate à violência, o 180, telefone da Central de Atendimento à Mulher, recebeu, nos primeiros cinco meses de 2010, 95% a mais de denúncias em relação ao ano passado. A informação é da Secretaria de Políticas para a Mulher, do governo federal. Conforme a secretaria, das mais de 50.000 mulheres que denunciaram agressões, a maioria é negra, casada, tem entre 20 e 45 anos e nível médio de escolaridade. O perfil do agressor é de um homem negro, com idade entre 20 e 55 anos e nível médio de escolaridade.

A secretaria acredita que uma das causas do aumento da procura pelo 180 é a maior divulgação da lei Maria da Penha.


http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=18609

Um concerto Desconcertante reunindo grandes mestres. Imperdível.

Um Concerto Desconcertante



Concerto da OSUFBA e do Grupo de Percussão da UFBA
Data: 27.07.2010, 20h
Local: Museu de Arte Sacra
Regentes: Piero Bastianelli (OSUFBA) e Jorge Sacramento (Grupo de Percussão da UFBA)
Entrada franca



A Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia consolida sua vocação para experimentar e ousar sobre novas criações musicais. Foi essa orquestra quem tocou primeiro as músicas do mestre suíço-baiano Ernst Widmer, do sertanejo-baiano Lindembergue Cardoso, de Jamary Oliveira, Fernando Cerqueira, e outros compositores da Bahia reconhecidos internacionalmente. A orquestra onde, a certa época tocavam violoncelo, lado a lado, o maestro Vivaldo da Conceição e o experimentador Walter Smetak.



Reafirmando sua identidade de criação e vanguarda, neste concerto a OSUFBA apresentará pela primeira vez ao público obras de compositores da atualidade baiana, tais como



Fred Dantas – nome ligado às bandas filarmônicas e à preservação da identidade musical da Bahia como um todo, sem nunca ter renunciado ao experimental e contemporâneo.

Cacau Celuque – compositor envolvido com a sínese sonora e outros processo eletrônicos.

Pedro Amorim Filho – Compositor e professor de música, com trabalhos reconhecidos na área de teatro.

Paulo Rios Filho – integrante da novíssima geração de compositores ligados ao doutorado da UFBA, com trabalhos premiados nacionalmente.

Marcos de Silva – outro dos "meninos de ouro" que formam a vanguarda da composição na universidade.

Sólon Mendes – Compositor de Santa Catarina que cursa o Doutorado na Bahia, aos reconhecida trajetória no sul do país.

Alexandre Espinheira – Compositor do sul que integra hoje a ponta do iceberg da Escola de Música da UFBA.

Paulo Costa Lima – Compositor, professor, intelectual, imortal da Academia de Letras da Bahia, considerado o maior responsável para que a composição de vanguarda esteja acontecendo desse modo.


Os trabalhos que esses compositores estrearão foram desenvolvidos a partir de estímulos gerados pelos Seminários de Composição do PPGMUS da UFBA (2010.1)



Na regência estará uma lenda viva da música contemporânea: Piero Bastianelli, considerado um dos maiores realizadores de música nova em todo o mundo, regente responsável por mais de 300 estréias de obras contemporâneas, e principal revisor da obra de Lindembergue Cardoso.


As composições apresentam um verdadeiro painel de soluções criativas:



A atenção concentrada em encontros/desencontros de timbres encontrada na música Zeitgeist (Cacau Celuque),

As experiências com desconstrução da forma e interação com os jogos na música Squizo Scherzo (Pedro Amorim) onde a orquestra será dividida em dois grupos, um de costas para o outro,

Contracanto e Tangado (Fred Dantas), é uma reflexão sobre duas técnicas de composição da tradição das filarmônicas, onde dois pequenos fragmentos são desenvolvidos e reinventados. Do mesmo autor temos O vendedor de caranguejos, uma curta reflexão musical sobre um pregão das ruas de Salvador.

O Quinto Símio (Sólon Mendes é música que une a preocupação sobre o destino do ser humano no espaço-tempo enquanto evoca os ritmos pampeiros como a habanera e o fandango.).

O Conto de Dimitri Travlus (Marcos de Silva) é uma construção pictórica sonora dedicada ao compositor e artista plástico Agnaldo Ribeiro.

Nessa noite, envolvido pela arquitetura barroca lindamente preservada do Museu de Arte Sacra da UFBA, no Convento de Santa Tereza, na Rua do Sodré, além das interpretações dedicadas e cuidadosas da OSUFBA, o público será brindado do Grupo de Percussão da UFBA.

A liderança de Jorge Sacramento vem revolucionando o ensino de percussão em nosso meio e expandindo o raio de ação da Universidade.

Organizador do recente Festival Dois de Julho de Percussão, Sacramento tem sido uma referência nacional sobre o ensino e expansão da percussão elaborada, inclusive tendo lançado um recente CD com obras de compositores baianos vivos, com músicas escritas exclusivamente para percussão.



Nessa parte da noite ouviremos que o mestre-compositor inspirador do presente concerto, no entanto, optou pela alegria baiana da Calcinha Stück (Paulo Costa Lima).

Ouviremos nos tambores e xilofontes a suavidade de Frágil (A. Espinheira) e a densidade percussiva e emotiva do encontro entre Soprano e percussão (Paulo Rios Filho).

Sem dúvida será um concerto de singular importância e audição preciosa..





Farão parte da orquestra, regida pelo maestro Piero Bastianelli, Fred Dantas, (trombone), Cláudia Salles (fagote),Tuzé de Abreu (flauta), Gustavo Seal (oboé), Magalhães (trompa), Jurcy Bemol (trompete), Gérson Barbosa (trombone), Érica Sá (percussão), Teodoro Salles, Mário, Angela Onnis, Fred Pessoa, Geraldo Guima (violinos), Wellington Gomes e Neiva Salu (violas), Sarquis e Juracy Cardoso (contrabaixo), Cristian e Cândida (violoncelo), entre outros.

Tuzé de Abreu em apresentação no Museu de Arte Sacra.



 
27 de julho
Museu de Arte Sacra
20h
 
A presença no concerto  dia 27 .
Serão apresentadas composições de doutorandos em composição.  Música contemporânea.
 
Na orquestra estarão , entre outros : Teodoro Salles , Cláudia Salles , Fred Dantas, Tuzé de Abreu, Gustavo Seal, Gérson Barbosa, Érica Sá , Ângela Onnis, Antonio Sarquis, Juracy Bemol e Juracy Cardoso .
 
 O regente será Piero Bastianelli.






 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

TSE divulga perfil do eleitorado brasileiro.Eleitorado feminino chega a 51,73% do total.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou, recentemente, perfil do eleitorado brasileiro. Há mais de 130 milhões de eleitores e eleitoras aptos a votar nas eleições de 2010.

Na maioria das Unidades da Federação, o número de eleitoras supera o de eleitores. O cenário é diferente em apenas quatro estados: Mato Grosso, Pará, Roraima e Rondônia.

Em 2010, as mulheres entre 25 e 34 anos representam a maioria do eleitorado brasileiro.

O quadro abaixo apresenta um comparativo de gênero do eleitorado brasileiro.



Comparativo de Gênero do Eleitorado

Eleição Total de Eleitores Masculino % Feminino % Não informado %

2000 109.826.263 54.152.464 49,31 55.437.428 50,48 236.371 0,22

2002 115.254.113 56.431.895 48,96 58.604.626 50,85 217.592 0,19

2004 121.391.630 59.033.937 48,63 62.164.232 51,21 193.461 0,16

2006 125.913.479 60.853.563 48,33 64.882.283 51,53 177.633 0,14

2008 130.604.430 62.879.548 48,15 67.563.739 51,73 161.143 0,12

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Enc: [estadodepazjornalistas] ENC: Estatuto da Igualdade Racial é contra o povo negro

Mensagem original
De: Imprensa Sindilimp Bahia
Para: quilombosdosul@bol.com.br
Assunto: Estatuto da Igualdade Racial é contra o povo negro
Enviada: 20/07/2010 11:38

O Estatuto contra o povo negro

Diversas entidades do movimento negro divulgam uma nota pública contra a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial feito, segundo elas, "por um acordo do DEM, da SEPPIR (Secretaria de Promoção de Políticas para Igualdade Racial do Governo Federal) e de forças minoritários do Movimento Negro Brasileiro".
Consideram que o Estatuto deixou um saldo negativo e um sentimento de derrota na maioria da militância e entidades negras. Este sentimento trouxe para a cena, uma mobilização pelo NÃO SANCIONAMENTO do "ESTATUTO" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
São mais 300 assinaturas, 178 entidades negras e populares encabeçadas pelo MNU (Movimento Negro Unificado), CEN (Coletivo de Entidades Negras), FONAJUNE (Fórum Nacional de JUVENTUDE NEGRA), Circulo Palmarino e pela CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas, UNEAFRO, pedindo a retirada o estatuto do Senado e agora o veto presidencial.
Veja abaixo a íntegra da Nota Pública e para mais informações favor entrar em contato com Consuelo Gonçalves (71) 9962-0313, Marcos Rezende (71) 8835-4792 e Reginaldo Bispo (19) 9712-6666.
 

NOTA PÚBLICA

O ESTATUTO CONTRA O POVO NEGRO

 
A aprovação do Estatuto da Igualdade Racial por acordo do DEM, da SEPPIR (Secretaria de Promoção de Políticas para Igualdade Racial do Governo Federal) e de forças minoritários do Movimento Negro Brasileiro deixou um saldo negativo e um sentimento de derrota na maioria da militância e entidades negras. Este sentimento trouxe para a cena, uma mobilização pelo NÃO SANCIONAMENTO do "ESTATUTO" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Porém depois de uma lista com mais de 300 assinaturas, 178 entidades negras e populares encabeçadas pelo MNU (Movimento Negro Unificado), CEN (Coletivo de Entidades Negras), FONAJUNE (Fórum Nacional de JUVENTUDE NEGRA), Circulo Palmarino e pela CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas, UNEAFRO, pedindo a retirada o estatuto do Senado, observa-se agora, que o sentimento de repudio ao Estatuto aumentou AGLUTINOU EM TODO PAÍS ORGANIZAÇÕES HISTÓRICAS IMPORTANTES NA QUESTÃO RACIAL E POPULARES NO PAÍS COMO MST, TRIBUNAL POPULAR, E SINDICAL COMO INTERSINDICAL, CONLUTAS E FASUBRA, QUE SE RECUSAM A FESTEJAR O SANCIONAMENTO DESTE ESTATUTO PROMOVIDO PELO GOVERNO BRASILEIRO, NESTE 20 DE JULHO QUE FICARÁ MARCADO NA HISTÓRIA COMO DIA DO RETROCESSO DE 50 ANOS NA HISTÓRIA DE LUTA DO MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO.
 
A escalada de ataques as conquistas da população negra começou com as ADI contrarias as cotas, depois, com o uso do mesmo instrumento no STF, contraria a atual regulamentação das terras quilombolas, por iniciativa dos ruralistas do DEM e do PMDB.
 
A aprovação do estatuto excluiu as cotas (serviço público, universidades e candidaturas nos partidos políticos, o direito a Reparação Indenizatória, os Direitos Quilombolas e os Avanços das Políticas de Saúde da População Negra); provocou um retrocesso em todas as reivindicações e conquistas do MN brasileiro nos últimos 50 anos, com a descaracterização da nossa africanidade, da nossa herança negra, de responsabilização do escravismo como crime de lesa humanidade, e até de auto-reconhecimento da nossa negritude, com o propósito de apagar com um passe de mágica, 500 anos de historia nacional, e a participação de negras e negros.
 
A maior agressão sob o mando ou a conivência dos estados, tem sido o genocídio perpetrado contra a juventude negra, em todos os governos. O uso do DO APARATO ESTATAL como justificativa para os assassinatos de jovens e da população negra EM CONFRONTO POLICIAL , bem como o Golpe dos Ruralistas do DEM e do Governo serve para legitimar estes crimes, e tentar recolocar os negros, naquilo que eles julgam ser nosso lugar, longe das boas escolas, das universidades públicas, dos bons empregos, da representação política, fora do poder.
 
Por esse motivo, conclamamos a Assembléia Negra e Popular e da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, no dia 30 de junho em Brasília que reuniu 150 lideranças do MN e Quilombola, de Organizações Populares, Sindicais e deliberamos que estaríamos fortalecendo este processo nos Estados e Regiões de forma Organizada.
 
A Primeira Assembléia foi realizada na Bahia com Auditório da Universidade Católica da Lapa lotado de lideranças quilombolas que vieram das diversas regiões e das zonas de Conflito do Recôncavo Baiano, lideranças de Matriz Africana dos Terreiros que hoje assumem o Projeto Mulheres da Paz na BA, o segmento de Juventude Negras das Periferias da Cidade mais negra do país, organizações importante como a CPP – Comissão Pastoral dos Pescadores da BA e a Steve Belo compuseram esta Frente além de setores sindicais importantes como a Secretaria de Combate ao Racismo da CUT-BA e a Intersindical, sendo que CONLUTAS esteve presente em nossa Assembléia Nacional.
 
Hoje dia 20 JULHO realiza-se na cidade de Porto Alegre (RS) a Assembléia Estadual do Rio Grande do Sul, no Quilombo da Família Silva, aglutinando os mesmos SETORES e outros organizados e articulados nacionalmente. O Quilombo Silva trata-se do I Quilombo Urbano titulado no País que se constitui na história dos Quilombos Urbanos, um marco político e do ordenamento jurídico que regulariza os Territórios Negros Urbanos que enfrentam nos grandes centros a violência do Mercado Imobiliários assim como os Quilombos Rurais enfrentam os Ruralistas organizados no País a exemplo do DEM e da ADI 3239 que tenta retirar os direitos quilombolas, garantidos constitucionalmente e através do Decreto 4887, que se torna na conjuntura atual a ameaça aos Fazendeiros de justiça no campo e na cidade.
 
Apesar desta justiça estar muito longe da realidade , quando os números que vemos com relação questão quilombola principal força na base desta mobilização, secularmente protagonizando esta luta e tomando como referência a luta na base, com ocupações do INCRA em vários estados, e mobilizações de massa como no RS combatendo e resistindo contra o descaso com a nossa causa e os ritmos extremamente lentos no que se refere à demarcação e titulação dos nossos territórios.
 
Cabe ressaltar, o baixíssimo orçamento para as políticas quilombolas e a execução destes orçamentos, com re cursos contingenciados e desviados para qualquer outra finalidade, menos para efetiva implementação das ações quilombolas, sobretudo no que se refere ao processo de Regularização Fundiária.
 
Ainda neste tema, há praticamente cinco anos o INCRA, não utiliza integralmente o orçamento disponível para regularização das terras Quilombolas, a média anual de utilização não chega a 12% dos recursos disponíveis para estas ações. Tais fatos relatados anteriormente é que geraram a Portaria de Inquérito Civil Publico 991/2010, portaria esta aberta pelo Sexta Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, para investigação das questões aqui relatadas. Este processo como um todo será pauta da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas junto às bases das Comunidades Quilombolas organizadas no RS, SC, PR, RJ, SP, RO, PI, RN, MG, ES, BA, SE.
 
Assim acreditamos que para além da pauta quilombola, nossa luta estará fortalecida e fortalecendo os setores que se aglutinam aos Quilombolas neste País e que neste Estatuto aprovado pelo DEM e pelas do Governo Lula, seja no parlamento seja pelo principal órgão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial foram extremamente vilipendiados em seus direitos demarcamos nossa luta indicando três ações:
 
A Denuncia aos Organismos Internacionais dos Crimes de Lesa a Humanidade perpetrados contra a População Negra no Brasil pelo Estado Brasileiro com relação ao seguintes processos:
 
A ADI 3239 DO DEM CONTRA OS QUILOMBOLAS A SER JULGADA NO STF, QUE FERE A CONVENÇÃO 169 DA OIT.
CONTRA O GENOCÍDIO DOS JOVENS NEGROS pelo Aparato Estatal Policial
OS CRIMES DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EXPRESSO NO ACORDO BRASIL VATICANO, QUE FERE CONSTITUCIONALMENTE O CARÁTER LAICO DO ESTADO
A DEFESA DE UM PROJETO DE INICIATIVA POPULAR QUE GARANTA UM PROGRAMA DE REPARAÇÃO HUMANITÁRIA DO POVO PARA O BRASIL
A CONSOLIDAÇÃO DA FRENTE COMO INSTRUMENTO DE LUTA AUTONÔMA E DE DIREITO NO PAÍS.
 

ASSEMBLÉIA NEGRA E POPULAR

FRENTE NEGRA NACIONAL EM DEFESA DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS

 

 

__,_._,___

 

domingo, 18 de julho de 2010

Mais 3 mulheres assassinadas ontem em Salvador, Bahia.

Três mulheres foram mortas em Salvador até o meio da tarde deste sábado. Duas delas, Vanessa Nascimento dos Santos, 17 anos, e Antonia Maria Mota, 59 anos, foram vitimas de crimes por arma branca - uma na Estrada Velha do Aeroporto e a outra no Nordeste de Amaralina (respectivamente, periferia e orla da capital baiana).

O autor do crime contra a adolescente Vanessa, Valdinei Medeiros de Jesus, 25, foi autuado em flagrante. A ocorrência registrada não deixa explícita a motivação do assassinato. Policiais investigam o caso.

No Nordeste de Amaralina, Manuel Ferreira de Souza foi assassinado junto com Antonia Maria, nas mesmas circunstâncias. A terceira vítima ainda não foi identificada. O corpo foi encontrado com sinais de espancamento no interior de um galpão, na Avenida San Martin, uma das principais vias de Salvador.

sábado, 17 de julho de 2010

Vera Mattos cria a expressão Combos Políticos. Veja no twitter.

Pode ser que os #combospolíticos (by Vera Mattos) sejam uma grande mistura de siglas.Aliás será bom para a democracia.


Combo vc sabe o q é: são aqueles produtos que chegam juntos qdo vc consome. Presidente é Dilma. Mas deputados, senadores e governador? Não.


É muito bom que os candidatos lembrem que uma coisa é Dilma.Nesta a Bahia irá manter o voto. Agora,baiano não vota como se fosse um combo.


Sou vermelha, militante e ativista sim. Mas não dá para entender pq a cidade está esburacada OU pq a segurança é tão falha. Triste BAHIA.


Quero lembrar aos companheiros da coligação que elegerá Dilma que embora Jacques Wagner apareça sempre como amuleto de sorte para Lula...


Em SSA vivemos das promessas dos políticos sempre com mega projetos. Queríamos o básico e não temos.Fica tudo no teremos ou seremos.


É lamentável que uma cidade como Salvador fique pensando em projetos para o futuro quando o presente é caótico. A baixa qualidade de vida.

Hoje casarão desabou em pleno Centro Histórico de Salvador. Aliás é uma vergonha o que acontece em nossas ladeiras, becos e ruas.

Salvador demonstra toda sua fragilidade durante
o período de chuvas.A cidade não está preparada.Falta absolutamente tudo.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Dilma inaugura site e comitê e inicia "onda vermelha" na campanha.


Nas primeiras horas desta terça-feira, 13, o núcleo de campanha de Dilma Rousseff colocou no ar o site oficial da candidata e, no final do dia, a ex-ministra inaugurou em grande estilo o seu comitê central de campanha, em Brasília. Além da escolha pelo dia 13, referência ao número do Partido dos Trabalhadores (PT), o comitê da ex-ministra ocupará um edifício chamado Vitória, no Setor Comercial Sul, região central de Brasília. Para os militantes, a ordem é dar vazão a uma "onda vermelha".
A idéia da "onda vermelha" é que todo dia 13 de cada mês, até outubro (ou novembro, se houver segundo turno), um grande agito seja feito pela militância. A iniciativa chegou primeiro na internet. Foram enviadas mensagens eletrônicas pedindo a cada simpatizante da candidatura de Dilma "que saia com sua bandeira, bote uma estrela no peito, vista uma peça de roupa vermelha e use a hashtag (símbolo usado no Twitter para ajudar usuários em pesquisas na rede) #ondavermelha nas suas intervenções na internet".

Presença turbinada na internet.
Dilma inaugura site e comitê e inicia "onda vermelha" na campanha

Outra importante iniciativa envolvendo a rede mundial de computadores foi a inauguração do site oficial da campanha de Dilma. O endereço eletrônico www.dilma13.com.br substitui o site dilmanaweb.com.br, criado na pré-campanha para difundir as ideias da candidata. No site, a biografia da ex-chefe da Casa Civil destaca a "parceria" com o presidente Lula, seu principal cabo eleitoral. Há uma área especial intitulada "O Brasil Mudou" com uma cronologia e informações sobre conquistas do governo Lula em diversas áreas como Agricultura familiar, Bolsa Família e a redução da pobreza, crescimento econômico, Educação, Energia, Igualdade racial, Meio ambiente, Mulheres, Pré-Sal e várias outras.

A participação do internauta no site é possível com o preenchimento de um formulário para convidar amigos a conhecerem o conteúdo do endereço eletrônico, com o encaminhamento de informações via Facebook, Twitter ou Orkut e com um espaço reservado para que os leitores contem suas histórias. Entre as informações, dados sobre a vida política da candidata, sua infância, propostas e material de campanha.
Além do site oficial, a campanha de Dilma conta também com o suporte de blogs de setores que apoiam a candidatura Dilma como Galera da Dilma , Mulheres com Dilma e o ParticipaBR
Fora da internet, na campanha das ruas, a onda vermelha também mostrou seus tons durante a inauguração do comitê central da candidata, em Brasília. Instalado num edifício com o sugestivo nome de "Vitória", localizado no Setor Comercial Sul, mesma região da sede nacional do PT, o comitê abrigará o comando da campanha e terá espaço para os partidos que integram a coligação “Para o Brasil seguir mudando” (PT, PMDB, PCdoB, PDT, PRB, PSB, PR, PSC, PTC e PTN).

Durante a inauguração, centenas de militantes fizeram a festa na rua em frente ao comitê, já que nem todos conseguiram entrar no prédio por causa do excesso de gente. Desde o começo da tarde, caixas de som tocavam o jingle criado pelo marqueteiro da campanha, João Santana, “Dilma, uma brasileira”. A rua foi tomada por militantes petistas e de partidos aliados, bonecos gigantes dos candidatos locais, como do deputado Agnelo Queiroz, que disputa o governo do Distrito Federal. Mas o enorme painel com a foto de Dilma, que ocupa todos os seis andares do prédio, não deixa dúvida quem é a dona da festa.

Ao discursar na inauguração, Dilma fez uma convocação à militância.“Aqui, nesse comitê, os partidos terão vez, mas quem também terá vez é esse povo aguerrido, que vai trabalhar para que nós não voltemos para trás”, disse Dilma, para a plateia que se aglomerou no meio da rua e nas calçadas. “Vamos juntos com a força do povo. Com a nossa força e todos juntos. Podem contar comigo. Eu vou contar com todos vocês.”

O candidato a vice-presidente, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que o público de Brasília era um dos mais animados que já tinha visto e que se orgulha de estar ao lado de Dilma nessa caminhada, assim como as mulheres do Brasil.

“O que eu quero dizer a todos é que eu tenho um orgulho extraordinário de partilhar essa campanha com a candidata Dilma Rousseff. As brasileiras estão animadas ao saber que uma mulher será presidente do Brasil”, afirmou Temer.

Segundo a petista, o país está preparado para ter uma mulher na Presidência da República. Ela disse se sente como uma mãe que cuidará dos brasileiros e avançará com a obra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Um dos maiores compromissos que eu carrego é garantir que um governo de uma mulher seja capaz de dar continuidade, levar pra frente e fazer cada vez melhor esse País. O presidente Lula me confiou essa missão. O presidente Lula me deu talvez a maior herança que alguém pode dar a alguém, me deu a missão de cuidar do povo que ele tanto ama. Eu vou cuidar desse povo com toda a responsabilidade fazendo com que não só continuemos, mas que sigamos em frente mudando", disse a candidata.

“Na minha infância eu quis ser bailarina, trapezista ou do corpo de bombeiros. Essa era a situação da minha geração, pois elas não podiam querer e ser presidentes”, disse. “A partir da minha eleição, as meninas poderão ter os mesmos sonhos dos meninos. Elas poderão sonhar em ser Presidentes da República”, completou.

"É um caminho em que brasileiros e brasileiras podem erguer a cabeça e dizer que não só conquistamos nosso lugar no mundo mas vão conquistar seu lugar no Brasil. É o momento em que uma mulher pode chegar, sim, à presidência da República porque todos nós fizemos por onde. Cada uma das pessoas aqui presentes e aqui nos escutando fizeram por onde", afirmou a candidata petista.

A ex-ministra também enfatizou a força do apoio político que sua candidatura tem. "Hoje estamos inaugurando a casa que vai ser o lugar onde vamos organizar todos os partidos que sustentam essa coligação porque nós somos uma coligação experiente. Aqui em cima (do palanque) estão partidos experientes, que não começaram ontem, pessoas que têm experiência de governo. Tivemos uma experiência conjunta por esses últimos 7,5 anos. Provamos que o Brasil podia trilhar um outro caminho, um caminho de desenvolvimento, um caminho de distribuição de renda, um caminho de melhor educação, um caminho em que a educação de qualidade e o respeito aos professores é a tônica", declarou Dilma, mais uma vez com ataques velados ao tucano José Serra e à gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Um grupo expressivo de dirigentes partidários, ministros do governo e políticos aliados esteve no local. O presidente Lula não compareceu à inauguração. Segundo o líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza (PT), não se pode banalizar a presença do presidente. “Lula tem que ser o fato político, e não arroz de festa. Por isso não pode vir em inauguração de comitê. Para que isso? Lula tem que fazer campanha própria", justificou Vaccarezza.


Da redação, Cláudio Gonzalez
com informações de agências e do site Dilma13

terça-feira, 13 de julho de 2010

Colegas de trabalho lamentam morte de juiz que atuava em Valença e Camamu.



Em Camamu, foi decretado luto oficial por três dias. Em Valença, os colegas de Carlos Alessandro também lamentam a morte violenta do magistrado

A polícia ainda tem muitas dúvidas sobre o que levou o soldado da polícia militar, Daniel dos Santos, a disparar duas vezes contra o juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, sábado (10) à noite, num dos locais mais movimentados da capital.

Na primeira versão, o soldado disse à polícia que foi parado na rua pelo juiz, que logo andou armado em sua direção e por isso ele atirou.

De sábado à noite até segunda-feira (12), onze testemunhas já foram ouvidas e alguns depoimentos contrariam essa versão. Há suspeita de briga de trânsito. A Polícia Militar abriu inquérito administrativo e disciplinar para apurar.

As armas recolhidas no local do crime vão ser periciadas, mas já circula também a versão de que o cenário do crime foi alterado, o que pode dificultar as investigações.

O juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro trabalhava no baixo sul do estado e nas duas cidades onde atuava, amigos e colegas não se conformam com a forma brutal como ele foi morto.

No fórum da cidade de Valença, distante 250 quilômetros de Salvador, as audiências foram suspensas por três dias em sinal de luto pela morte do juiz. Na cidade, o magistrado foi substituto da Vara Crime durante dois anos e era muito querido por todos.

‘Estamos todos profundamente abalados pela perda do colega, do profissional que ele era, sempre muito atuante, muito ágil e representava bem a magistratura baiana. Enquanto amigo, a perda foi repentina, de uma forma inexplicada, a gente não sabe bem ainda o que aconteceu e é desejo de todos os juízes que a verdade apareça, seja ela qual for’, diz a juíza Ana Cláudia Souza.

A juíza Alzeni Alves lembra do último encontro com Alessandro, como o juiz era chamado pelos colegas. ‘Apesar dele não estar trabalhando aqui, ele sempre nos visitava. Na última visita que ele fez aqui ao fórum, eu brinquei com ele dizendo: ‘Você tem uma pessoa aqui, uma serventuária, que lhe ama, do fundo do coração. Todos os dias quando ela vai me entregar o chá, ela fala no seu nome. Diz que tem saudades de dr. Alessandro’. Ele abraçou essa serventuária que trabalha na área da cozinha e da limpeza, disse que ia levar ela para Camamu. Foi a última vez que falei com ele. Hoje tem oito dias. Não sei… ele veio se despedir da gente’, acredita a magistrada.

No Juizado Especial Cível e Criminal de Valença, onde o juiz ainda trabalhava uma vez por semana, bandeiras a meio mastro e um pano preto na janela. Nos corredores, os funcionários não falavam em outra coisa.

‘Além de ser um homem bom, um excelente pai, porque tínhamos oportunidade nos intervalos das audiências, nos eventuais almoços de trabalho, de trocarmos ideias e o grande amor da vida dele, além da mulher, era a filhinha de cinco anos’, conta o defensor público Carlos Vasconcelos.

‘A magistratura da Bahia perdeu um grande homem por sua qualidades, seu astral, sua alegria. Mas é a vida da gente… vamos pedir a Deus que ele esteja em um bom lugar porque é isso que ele merece’, diz o secretário do juizado Durval Costa.

Nos outros dias da semana, era no município de Camamu, a cerca de 80 quilômetros de Valença, que o juiz atuava. Ele tinha sido designado para trabalhar na cidade há 10 meses. No fórum, os funcionários homenagearam o juiz, que segundo eles, não tinha inimigos.

‘O relacionamento dele não era nem como colega, era como irmão aqui. Nós o tínhamos como amigo, pai. É difícil falar dele depois de uma tragédia dessa. A emoção nos toma. Ele vinha trabalhar caminhando e não tinha inimigos. A informação que nós temos é que todo mundo gostava deles’, diz o escrivão Valnei Santana.

Os moradores de Camamu também sentiram a perda do juiz. ‘A cidade ficou bastante chocada. Ninguém esperava que fosse acontecer uma tragédia dessa. Está todo mundo de luto. Ele era muito querido’, lembra a moradora Telma Nascimento.

O soldado Daniel Santos vai responder ao processo em liberdade. A polícia informou que vai fazer a reconstituição do crime para esclarecer todos os detalhes, mas ainda não marcou a data.

Violência contra a mulher. Vera Mattos cobra ações no Twitter. http://twitter.com/veramattos



veramattos Neste momento uma mulher está sendo assassinada em algum lugar do Brasil. E o que vc faz com esta informação? E se fosse sua filha, sua mãe?

veramattos Somente candidatos sérios e o compromisso contra a violência, e que abertamente falem sobre isto,p devida documentação, serão indicados.

veramattos Cada mulher que está dentro de redes tem condições de ser multiplicadora. Dizer, orientar e até prestigiar políticos sérios.

veramattos A sensação é que os políticos no poder já banalizaram de tal forma que querem mesmo é cuidar de temas que garantam votos.É a política porca.
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veramattos Pior ainda são as mulheres candidatas não darem a menor bola para o tema. Não discutem,não respondem, não debatem.Estamos falando sozinhas?

veramattos Ignorar a violência contra a mulher e fazer de conta q n leram ou n viram o twitter é falta de respeito as muheres.Somos maioria nas urnas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Oldack Miranda :"Vera Mattos é uma militante dos Direitos Humanos que vai além do discurso".

Fundação Jaqueira completa dez anos lutando pelos direitos da mulher e dos idosos
Em julho, a Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos completou dez anos de atividade. Com sede em Salvador, a instituição é presidida pela jornalista e radialista Vera Mattos. É uma militante dos direitos humanos que vai além do discurso.

Além da indignação que sempre manifesta diante das violências cometidas contra as mulheres, a Fundação Jaqueira oferece cursos para Formação de Cuidadores de Idosos, orientando inclusive seus alunos para o mercado de trabalho. Uma nova profissão, muito demandada desde que a expectativa de vida dos brasileiros aumentou na última década, e tão importante quanto auxiliares de enfermagem, enfermeiros e médicos.

O site da Fundação jaqueira faz referência a vários parlamentares da Bahia vinculados à luta dos direitos humanos. Cita os deputados baianos Emiliano José (PT), Yulo Oiticica (PT) e Álvaro Gomes (PCdoB). Também elenca os endereços eletrônicos do PT, do PCdoB, da Presidência da República do Brasil, da Rede Nacional dos Direitos Humanos e da Tribuna da Bahia onde o editor do Bahia de Fato, Oldack Miranda, o jornalista e atual candidato a deputado federal pelo PT, Emiliano José (1331), e a dirigente da Fundação jaqueira Vera Mattos, começamos nossa trajetória do jornalismo baiano. A simpatia por Dilma Rousseff é clara.

Viajando pela Internet, fui bater às portas do site da Fundação Jaqueira. Lá encontrei um registro de 2005 sobre uma Moção de Aplauso da autoria do então deputado estadual Emiliano José (PT).

A Moção de Aplauso parabenizava a Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos por trazer a Salvador a exposição “Barroco Mineiro”, do fotógrafo mineiro Antônio Cançado de Araújo, que levou ao mundo a arte brasileira. Cançado de Araújo era membro do Conselho de Cidadãos Brasileiros na França, com sede na Embaixada do Brasil Em Paris.

Longa vida à Fundação Jaqueira.


# posted by Oldack Miranda
http://bahiadefato.blogspot.com/

domingo, 11 de julho de 2010

Covardia: uma mulher é morta a cada duas horas no Brasil.

SÃO PAULO - Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, deixando o país em 12 no ranking mundial de homicídios de mulheres. A maioria das vítimas é morta por parentes, maridos, namorados, ex-companheiros ou homens que foram rejeitados por elas. Segundo o Mapa da Violência 2010, do Instituto Sangari, 40% dessas mulheres têm entre 18 e 30 anos, a mesma faixa de idade de Eliza Samudio, 25 anos, que teria sido morta a mando do goleiro Bruno. Dados do Disque-Denúncia, do governo federal, mostram que a violência ocorre na frente dos filhos: 68% assistem às agressões e 15% sofrem violência com as mães, fisicamente, revela reportagem de Tatiana Farah na edição deste domingo do jornal O GLOBO.


Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas, segundo o Mapa da Violência 2010, estudo dos homicídios feito com base nos dados do SUS. A média brasileira é de 3,9 mortes por 100 mil habitantes; e o estado mais violento para as mulheres é o Espírito Santo, com um índice de 10,3 mortes. No Rio, o 8 mais violento, a taxa é de 5,1 mortes. Em São Paulo - onde Eloá Pimentel, de 15 anos, foi morta em 2008 após ser feita refém pelo ex-namorado em Santo André, e que agora acompanha o desfecho do assassinato de Mercia Nakashima - a taxa é de 2,8.

O sociólogo Julio Jacobo Waselfisz, responsável pelo levantamento do Mapa da Violência, criou um ranking das cidades com maior incidência de homicídio feminino em relação à população de mulheres. Dezenove cidades têm incidência de assassinatos maior que o país mais violento do mundo para as mulheres, El Salvador, com 12,7 mortes por 100 mil habitantes. Em Alto Alegre (Roraima) e Silva Jardim (Rio), a taxa chega a ser 80% maior. Nos últimos cinco anos, o índice foi de 22 e 18,8 mortes, respectivamente.

Fonte:http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/07/10/uma-mulher-morta-cada-duas-horas-no-brasil-917119514.asp